SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

NO TRAMPOLIM DA MENTIRA

Francisco Escorsim

Há uma modalidade esportiva que o PT domina com excelência: o salto ornamental da mentira. E não estou falando de fake news, categoria em que o partido já compete hors concours.

Em 2018, o partido se apresentava como quem ia refundar a democracia brasileira. O plano de governo daquele ano eleitoral falava em deflagrar um processo constituinte, revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista, e vinha…

Pera! Calma! Torcedores, calma! Propunha… um processo constituinte? E ninguém acusou de ser golpista, antidemocrático e bibibi e bobobó? Que curioso…

Mas retomemos. Falava em nova constituinte, revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista, e vinha dividido em cinco eixos. Eram promessas grandiosas, mesmo com Lula preso e Haddad aparentando a vitalidade anímica de uma granola.

Oito anos depois, o programa de 2026 aumentou, tem 13 capítulos. Comparados aos anteriores, parece um cardápio que ganhou fotos novas, mas as porções encolheram no prato servido.

A reforma trabalhista, por exemplo, virou um paciente em tratamento prolongado que foi sendo paulatinamente esquecido. Em 2018, o partido queria revogá-la. Em 2022, o programa ainda previa essa revogação, mas o candidato acenava com “uma nova legislação”. A faca continuava no peito do seu eleitor, mas prometendo que doeria menos.

Mas no programa de 2026, sumiram as referências à revogação da reforma trabalhista. Restaram propostas de mudanças pontuais, como a da jornada de trabalho já aprovada nesta semana pelo Congresso. É claro que, na propaganda, o PT faz parecer que trocar a fechadura equivale a reformar a casa inteira.

O teto de gastos é o que recebeu o maior dos saltos ornamentais. Em 2018, era “neoliberal”, “restritivo”, precisava acabar. Em 2026, apesar da retórica, o arcabouço fiscal está mantido no programa. O PT tomou juízo? Não, apenas encontrou maneiras de contornar as restrições fiscais de forma “criativa”. Quem aí se lembra das pedaladas fiscais da Dilma? Pois é… É como aqueles ricaços falidos que vendem os quadros da casa, somem com os pregos e pintam a parede para parecer que nada havia ali, mantendo a pose de prosperidade.

No campo, a pirueta é parecida. O plano de 2018 trazia a reforma agrária em letras garrafais, como se Alexandre de Moraes o tivesse digitado. Em 2026, ela desapareceu como compromisso destacado, substituída por platitudes sobre agricultura familiar. O partido que se criou insistindo em reforma agrária agora a trata como se ela nunca estivesse na lista de convidados da sua festa da democracia.

A soberania é outro caso curioso. Em 2018, ela abria o programa como primeiro eixo, sob o nome de “soberania nacional e popular”. Era a soberania que se veste de vermelho e parecia ter alergia aos símbolos nacionais. Em 2026, o tema ganhou outra função: virou instrumento de mobilização antiamericana, sobretudo contra adversários que buscaram nos Estados Unidos um respaldo político.

O petismo tentou vestir a camisa amarela da seleção para encenar patriotismo, mas a camisa não lhe caiu bem. Na campanha, não rendeu o esperado e o assunto sumiu da propaganda.

Sei que nada disso é novidade para quem acompanha a política de perto. Para esses, tampouco será surpreendente se Lula for reeleito graças a oportunismos como o da PEC da jornada de trabalho e às promessas ilusórias de sempre. Mas há algo mais incômodo aí se Lula vencer de novo: significa que o eleitor também se acostumou a dar seus saltos ornamentais.

Quem aí não fez – e continua fazendo – o cálculo eleitoral do menor dos males? Quem nunca desviou o olhar para não encarar que os demais candidatos também podem colocar a eleição acima de tudo e a conquista ou manutenção do poder acima de todos? A oposição, que tantas vezes se declarou contrária à escala 6×1, não aderiu à proposta porque estamos em período eleitoral?

O salto ornamental da mentira só existe porque a plateia aplaude antes de conferir a queda. E, de quatro em quatro anos, cabe a nós sermos os jurados. Nenhum merece nota máxima, mas alguns são piores do que os outros, sim. Que, nesta eleição, a memória das quedas pese mais do que as piruetas do presente.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

BRAVATEIRO

É mesmo promessa de político, com toda fama que tem, a promessa de Lula sobre transporte público de graça.

A bravata seria bancada por emendas parlamentares.

Mas Lula não combinou com o Congresso.

* * *

Bravatear é uma atividade que faz parte da rotina do descondenado.

Essa de prometer transporte público grátis é apenas mais um item no longo rol de coisas irrealizáveis.

E ainda tem gente que acredita…

Como dizia seu Luiz, meu saudoso pai, “gente besta e mato é o que mais tem no mundo”.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

PROMOÇÕES E EVENTOS

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

AUTÔMATOS AMESTRADOS

Imagem autoexplicativa

Há tempos, conversei com Miguel Meira de Vasconcelos, meu amigo, Presidente do Centro de Estudos de História Municipal de Pernambuco sobre a importância das pesquisas jornalísticas.

Lembrou-me ele sobre a obra monumental do saudoso jornalista Luiz do Nascimento: História da Imprensa de Pernambuco, abrangendo o período de 1821 a 1954, composta em múltiplos volumes, produzido pela Editora Universitária da UFPE.

Abordamos a sistemática da participação dos jornais locais e as influências circunstâncias daquelas folhas, nos vários momentos da atualidade brasileira, tanto na política quanto na economia, na sociedade, na educação e na geografia da Capital.

E tendo conhecido aquele dedicado colega durante uma das reuniões do Centro, conversamos bem à vontade e lhe passei algumas duplicatas de pequenos jornais informais, nos quais tive pequenas participações.

Um deles, do Colégio Universo, de Olinda – que titulei: Universo Noticioso; outro, do Colégio Moderno, de Afogados, que tomou o nome de Folha Afogadense, e finalmente um que motivou a preservação da Lagoa do Araçá, na Imbiribeira, de nome pitoresco, mas abordando temas sérios: o Danado de Bom. De todos guardei mais de um exemplar.

E há poucos dias, trocando ideias com Phillippe Gusmão, amigo e intelectual pernambucano, residente no Rio de Janeiro, falamos sobre os jornais impressos e os digitais, dizendo-me ele:

Hoje, a cansativa leitura digital, imposta pelo “avanço” da tecnologia, aliada à pressa e o imediatismo das nossas atribuladas vidas, nos provoca desânimo e cansaço.

Sinto até descrença do conteúdo, o que faz com que quase nunca nos aprofundemos nas leituras, tanto pelo teor tendencioso, quanto pelas “fake news” plantadas.

Sinto saudade dos jornais autênticos onde, somente os editoriais expressavam o pensamento dos donos ou de alguma corrente social.

Sinto saudades da maior pureza e transparência dos jornais e revistas de antigamente e da atmosfera de novidades e descobertas, que a compra e a leitura de cada um deles nos proporcionava.

Lembro-me das edições encorpadas do Jornal do Commercio e do Diário de Pernambuco, repletos de conteúdo de qualidade. Lembro-me do caderno especial deste último, intitulado Clube das Leitoras. E da expectativa criada pela chegada às bancas, ou em casa por assinatura, das revistas O Cruzeiro, Manchete, A Cigarra, Revista do Rádio, Fatos & Fotos e outras.

Mas esse tempo passou. Estamos agora na era da Internet, dos sites e dos blogs, do YouTube e do WhatsApp; com notícias e conteúdo novo minuto a minuto brotando dos nossos “smartphones”. Eles regem o nosso dia-a-dia de uma maneira escravizadora, mas apagaram completamente o brilho e o prazer da busca pela informação!

Somos agora, espécie de autômatos amestrados, ávidos por conteúdo, mas sem saber o que fazer com ele; sem raciocinar, sem filtrar e pior, sem tirar qualquer proveito, na imensa maioria das vezes!

Pelos comentários do meu observador e sábio amigo, não podemos deixar de reconhecer que na verdade somos, hoje, apenas autômatos amestrados.

DEU NO X