PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Nua, mas para o amor não cabe o pejo.
Na minha, a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais ela dizia:
“Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo.”

Na inconsciência brutal do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos, mordia,
Fazendo-a delirar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda, quase em gritos
“Mais abaixo, meu bem”, num frenesi!

No seu ventre pousei a minha boca,
“Mais abaixo, meu bem”, disse ela, louca.
Moralistas – perdoai! Obedeci.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, Rio de Janeiro (1865-1918)

Deixe uma resposta