Vejo enfeitado o terreiro, Uma fogueirinha acesa, Muita pamonha na mesa, Milho assando no braseiro. Floreio de sanfoneiro, A zabumba repicando, O Triângulo tilintando, Disparos de bacamarte, Festejos por toda parte… Já vejo o São João Chegando!
Caruaru e Campina Com as suas atrações, Variados palhoções Do forró de concertina. No calor da lamparina Muitos casais namorando, Juras de amor trocando Nos contatos labiais, Por isso e por muito mais… Já vejo o São João Chegando!
Me faz lembrar Zé do Leite No município de Altinho Com seus dois tonéis de zinco No lombo do jumentinho. Rabicó grita do muro: – Ô! Zé, esse leite é puro? – Puro só pro bezerrinho!
Hoje faz sessenta dias que a minha mãe, Enedina Maurício, foi chamada à presença d’O Criador.
Muitas lembranças do seu amor e das suas lições que irei carregar pelo resto da minha vida, certo de que tudo o que ela plantou nesta vida terrena, será colhido em sua nova morada onde descansam os eleitos filhos do Pai eterno.
Observei, nos dias em que fiquei na sua casa, o vazio deixado no espaço onde ela residiu por mais de quarenta anos.
Entrei e não ouvi mais Sua voz me abençoar, Parei e pus-me a rezar: – Jesus Cristo, dê-lhe a paz! Revi num dos castiçais Um terço que ela ganhou E devotamente deixou Perto da Imaculada. A saudade fez morada Na casa em que mãe morou.
Não consegui escrever outras estrofes sobre o tema e aproveitei os dois últimos versos para formar o mote.
Agradeço aqui ao radialista Orlando Camboim, que apresentou este mote aos poetas, agradeço aos amigos Cabal Abrantes e Novo Abrantes, que gentilmente, filmaram este momento, agradeço à dupla de poetas repentistas Diomedes Mariano e André Santos, que deram um brilho especial ao tema apresentado, meus agradecimentos também aos proprietários do Restaurante Ôxe, na orla de Manaíra, pelo espaço cedido aos maiores representantes da nossa poesia popular nordestina.
O lançamento do livro O QUIOSQUE EM POESIA aconteceu no dia 13 de março de 2025, no Café da Usina, em João Pessoa-PB.
Livro feito a treze mãos Treze vates irmanados Trazendo versos rimados Aos leitores cidadãos. Versos falando de amores, Perdas, vitórias e dores (Cada um com sua sina) Com sentimento profundo Nosso livro veio ao mundo Lá no Café da Usina!
Participação especial do cantor e compositor Jurandy da Feira, no lançamento do nosso livro coletivo.
Música: Frutos da Terra, composição de Jurandy da Feira, gravada por Luiz Gonzaga no LP “Eterno Cantador”, em 1982.
Depois de passar dez anos Querendo um amor perfeito Resolvi achar um jeito De fugir dos desenganos Revi conceitos e planos Pra viver no dia-a-dia O padre da freguesia Garantiu: – Não é pecado! Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Tentei amar Salomé, Lucinha, Dalva e Anália, Rosinha, Esther e Amália, Rita, Rose e Nazaré. Mas vi que não dava pé Aquilo que eu pretendia Pois cada uma queria Que eu vivesse encarcerado Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Nos meus piores momentos Dona Poesia chega E o meu peito se aconchega Nos melhores sentimentos Espalho pros quatro ventos A rima e a melodia Numa rede de magia Adormeço apaixonado Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Fiz um pacto de amor, Ela assinou o contrato Dizendo: – Jamais maltrato Meu poeta sonhador! Nunca mais eu senti dor, Desprezo e melancolia. O vírus da agonia Pra sempre está deletado! Hoje vivo amancebado Com a dona Poesia.
Das criaturas provindas Do Autor da Criação Sei que é uma das mais lindas Já beirando à perfeição É aquela que nos cria A toda hora nos guia Está sempre ao nosso lado Seja mãe, esposa ou filha É estrela que mais brilha Em nosso céu constelado.
O seu amor singular Podemos dizer na prática Sabe bem multiplicar Sem errar na matemática Ama com fervor seu pai E quando o esposo vai Tropeçando sobre os trilhos Ela sem perder vigor Deposita seu amor Na conta de doze filhos.
Mulher, tua força vem Da costela de Adão, Da manjedoura em Belém, Do cabelo de Sansão, Daquela Estrela enviada, De Maria Imaculada, Da coragem de Ester, Da saudação de Isabel, Da poesia em Cordel, Parabéns pra ti, Mulher!
Quinze dias sem comer A gente sofre e aguenta Sem amor também sustenta E três sem água beber. Sem ter nem o que fazer Por todo canto uma dor Mas sem ela, sofredor Pois é só quem me sustenta A poesia alimenta A alma do cantador.
Novo Abrantes
Eu rumino todo dia Na mente e no coração Fonte de inspiração Quando vejo cantoria Leio livro que é magia Da cultura sou defensor Eu sou um degustador Cheiro rosa com a venta A poesia alimenta A alma do cantador.
Cabal Abrantes
Poesia é a comida Do cantador de repente É a inspiração da mente E também sua bebida É a sua própria vida Quando canta com amor Mora em seu interior É ela quem lhe sustenta A poesia alimenta A alma do cantador.
Poeta Nascimento
A poesia decora As rodas da Cantoria, No verso novo que cria E que o poeta elabora. Com seu pulsar revigora E aguça o espectador, É o motor propulsor Que à viola fomenta, A poesia alimenta A alma do cantador.
Melchior SEZEFREDO Machado
É pouca gente que entende A força da poesia Quem recebe esta magia Ama, sofre, se arrepende. Erra demais, mas aprende De cada ato o valor E voa como o condor Sem ter medo da tormenta. A poesia alimenta A alma do cantador.
Na minha fase primeira De sonhos e fantasia Eu me encanguei com Maria Filha de Chico Oliveira E cometi a besteira De guardá-la no meu peito. Mas descobri que um sujeito Dizia que a namorava, A gente até se topava Mas não se dava direito.
Perguntei para a sujeita Se era tudo verdade, Ela usando falsidade Dizia: – Você aceita Que uma pessoa suspeita Possa falar desse jeito?! Eu exijo mais respeito!!! Riscou faca e ficou brava. A gente até se topava Mas não se dava direito.
Comecei botar reparo Nos “pantim” daquela infame, Numa moita de velame Tocaiei dia inda claro; Avistei Zé de Amaro Com um ar muito suspeito, Foi um abraço perfeito Que nem Satanás soltava. A gente até se topava Mas não se dava direito.
Eu como sou paciente Peguei os dois, amarrei Uma pisa nela eu dei Porém, soltei de repente. Com ele agi diferente Só sei que sumiu no eito… Pois até ontem o prefeito Menos um voto contava. A gente até se topava Mas não se dava direito.
Foto da casa do casal Zé Vicente da Paraíba e Enedina Maurício, meus saudosos pais, em Altinho-PE
A saudade fez morada Na casa em que mãe morou.
Mote deste colunista
Onde mamãe residia, Cada canto agora chora! Depois que ela foi–se embora, Levou junto a poesia Que com ela convivia. Cada flor, enfim, chorou, No jardim que cultivou. Tudo agora é quase nada, A saudade fez morada Na casa em que mãe morou.
Melchior SEZEFREDO Machado
Deixei até de ir lá Na casa que mãe morava Pois ela não mais estava Resolvi ficar por cá Talvez eu ainda vá Pois a saudade ficou Porém a dor não passou Da falta da minha amada A saudade fez morada Na casa em que mãe morou.
Poeta Nascimento
Uma foto na parede, Na sala sua cadeira E aquela espreguiçadeira Quase encostada na rede. A planta morreu de sede, Vazio o altar ficou, Partiu e não mais voltou Deixando dor afiada. A saudade fez morada Na casa em que mãe morou.
Novo Abrantes
Alegria foi embora, Seu carinho foi também, Seu abraço já não tem Só lembrança resta agora. A minha alma ainda chora, Coração quase parou, Aqui tudo se acabou, Chegou o fim da estrada. A saudade fez morada Na casa em que mãe morou.
Cabal Abrantes
Mãe partiu pra imensidão E virou mais uma estrela! Pai agora pode vê-la, Tão na mesma dimensão. Nos restou a solidão, Tudo o mais se acabou… Da inquilina que ficou Ninguém pode cobrar nada, A saudade fez morada Na casa em que mãe morou!
Melchior SEZEFREDO Machado
Entrei e não ouvi mais Sua voz me abençoar, Parei e pus-me a rezar: -Jesus Cristo, dê-lhe a paz! Revi num dos castiçais Um terço que ela ganhou E devotamente deixou Perto da Imaculada. A saudade fez morada Na casa em que mãe morou.
Wellington Vicente
Agradeço aos poetas-amigos do Movimento Poético “Quiosque da Poesia”, de João Pessoa-PB, pela disponibilidade e solidariedade em enviar glosas para este Mote.