WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O MEU CAVALO É ASSIM

O meu cavalo é ligeiro,
Nunca falhou no seu trato,
Tangendo novilha braba,
Correndo atrás de boiato,
Levando cerca no eito,
Derrubando boi no mato.

Jr Adelino

O meu não comprei barato,
Porém tem intuição:
Sabe distinguir o rastro
De novilha e barbatão.
Por isso eu o batizei
Com o nome de Adivinhão.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

JÁ VEJO O SÃO JOÃO CHEGANDO!

Vejo enfeitado o terreiro,
Uma fogueirinha acesa,
Muita pamonha na mesa,
Milho assando no braseiro.
Floreio de sanfoneiro,
A zabumba repicando,
O Triângulo tilintando,
Disparos de bacamarte,
Festejos por toda parte…
Já vejo o São João Chegando!

Caruaru e Campina
Com as suas atrações,
Variados palhoções
Do forró de concertina.
No calor da lamparina
Muitos casais namorando,
Juras de amor trocando
Nos contatos labiais,
Por isso e por muito mais…
Já vejo o São João Chegando!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O LEITEIRO

Me faz lembrar Zé do Leite
No município de Altinho
Com seus dois tonéis de zinco
No lombo do jumentinho.
Rabicó grita do muro:
– Ô! Zé, esse leite é puro?
– Puro só pro bezerrinho!

Foto de José Wellington do Nascimento

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A CASA DA SAUDADE

Hoje faz sessenta dias que a minha mãe, Enedina Maurício, foi chamada à presença d’O Criador.

Muitas lembranças do seu amor e das suas lições que irei carregar pelo resto da minha vida, certo de que tudo o que ela plantou nesta vida terrena, será colhido em sua nova morada onde descansam os eleitos filhos do Pai eterno.

Observei, nos dias em que fiquei na sua casa, o vazio deixado no espaço onde ela residiu por mais de quarenta anos.

Entrei e não ouvi mais
Sua voz me abençoar,
Parei e pus-me a rezar:
– Jesus Cristo, dê-lhe a paz!
Revi num dos castiçais
Um terço que ela ganhou
E devotamente deixou
Perto da Imaculada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Não consegui escrever outras estrofes sobre o tema e aproveitei os dois últimos versos para formar o mote.

Agradeço aqui ao radialista Orlando Camboim, que apresentou este mote aos poetas, agradeço aos amigos Cabal Abrantes e Novo Abrantes, que gentilmente, filmaram este momento, agradeço à dupla de poetas repentistas Diomedes Mariano e André Santos, que deram um brilho especial ao tema apresentado, meus agradecimentos também aos proprietários do Restaurante Ôxe, na orla de Manaíra, pelo espaço cedido aos maiores representantes da nossa poesia popular nordestina.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O QUIOSQUE EM POESIA

O lançamento do livro O QUIOSQUE EM POESIA aconteceu no dia 13 de março de 2025, no Café da Usina, em João Pessoa-PB.

Livro feito a treze mãos
Treze vates irmanados
Trazendo versos rimados
Aos leitores cidadãos.
Versos falando de amores,
Perdas, vitórias e dores
(Cada um com sua sina)
Com sentimento profundo
Nosso livro veio ao mundo
Lá no Café da Usina!

Participação especial do cantor e compositor Jurandy da Feira, no lançamento do nosso livro coletivo.

Música: Frutos da Terra, composição de Jurandy da Feira, gravada por Luiz Gonzaga no LP “Eterno Cantador”, em 1982.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

AMANCEBAÇÃO

Hoje vivo amancebado
Com a dona Poesia.

Mote deste colunista

Depois de passar dez anos
Querendo um amor perfeito
Resolvi achar um jeito
De fugir dos desenganos
Revi conceitos e planos
Pra viver no dia-a-dia
O padre da freguesia
Garantiu: – Não é pecado!
Hoje vivo amancebado
Com a dona Poesia.

Tentei amar Salomé,
Lucinha, Dalva e Anália,
Rosinha, Esther e Amália,
Rita, Rose e Nazaré.
Mas vi que não dava pé
Aquilo que eu pretendia
Pois cada uma queria
Que eu vivesse encarcerado
Hoje vivo amancebado
Com a dona Poesia.

Nos meus piores momentos
Dona Poesia chega
E o meu peito se aconchega
Nos melhores sentimentos
Espalho pros quatro ventos
A rima e a melodia
Numa rede de magia
Adormeço apaixonado
Hoje vivo amancebado
Com a dona Poesia.

Fiz um pacto de amor,
Ela assinou o contrato
Dizendo: – Jamais maltrato
Meu poeta sonhador!
Nunca mais eu senti dor,
Desprezo e melancolia.
O vírus da agonia
Pra sempre está deletado!
Hoje vivo amancebado
Com a dona Poesia.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

NO DIA DA MULHER

Das criaturas provindas
Do Autor da Criação
Sei que é uma das mais lindas
Já beirando à perfeição
É aquela que nos cria
A toda hora nos guia
Está sempre ao nosso lado
Seja mãe, esposa ou filha
É estrela que mais brilha
Em nosso céu constelado.

O seu amor singular
Podemos dizer na prática
Sabe bem multiplicar
Sem errar na matemática
Ama com fervor seu pai
E quando o esposo vai
Tropeçando sobre os trilhos
Ela sem perder vigor
Deposita seu amor
Na conta de doze filhos.

Mulher, tua força vem
Da costela de Adão,
Da manjedoura em Belém,
Do cabelo de Sansão,
Daquela Estrela enviada,
De Maria Imaculada,
Da coragem de Ester,
Da saudação de Isabel,
Da poesia em Cordel,
Parabéns pra ti, Mulher!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A POESIA ALIMENTA

A poesia alimenta
A alma do cantador.

Mote deste colunista

Quinze dias sem comer
A gente sofre e aguenta
Sem amor também sustenta
E três sem água beber.
Sem ter nem o que fazer
Por todo canto uma dor
Mas sem ela, sofredor
Pois é só quem me sustenta
A poesia alimenta
A alma do cantador.

Novo Abrantes

Eu rumino todo dia
Na mente e no coração
Fonte de inspiração
Quando vejo cantoria
Leio livro que é magia
Da cultura sou defensor
Eu sou um degustador
Cheiro rosa com a venta
A poesia alimenta
A alma do cantador.

Cabal Abrantes

Poesia é a comida
Do cantador de repente
É a inspiração da mente
E também sua bebida
É a sua própria vida
Quando canta com amor
Mora em seu interior
É ela quem lhe sustenta
A poesia alimenta
A alma do cantador.

Poeta Nascimento

A poesia decora
As rodas da Cantoria,
No verso novo que cria
E que o poeta elabora.
Com seu pulsar revigora
E aguça o espectador,
É o motor propulsor
Que à viola fomenta,
A poesia alimenta
A alma do cantador.

Melchior SEZEFREDO Machado

É pouca gente que entende
A força da poesia
Quem recebe esta magia
Ama, sofre, se arrepende.
Erra demais, mas aprende
De cada ato o valor
E voa como o condor
Sem ter medo da tormenta.
A poesia alimenta
A alma do cantador.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A GENTE ATÉ SE TOPAVA…

A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Mote deste colunista

Na minha fase primeira
De sonhos e fantasia
Eu me encanguei com Maria
Filha de Chico Oliveira
E cometi a besteira
De guardá-la no meu peito.
Mas descobri que um sujeito
Dizia que a namorava,
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Perguntei para a sujeita
Se era tudo verdade,
Ela usando falsidade
Dizia: – Você aceita
Que uma pessoa suspeita
Possa falar desse jeito?!
Eu exijo mais respeito!!!
Riscou faca e ficou brava.
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Comecei botar reparo
Nos “pantim” daquela infame,
Numa moita de velame
Tocaiei dia inda claro;
Avistei Zé de Amaro
Com um ar muito suspeito,
Foi um abraço perfeito
Que nem Satanás soltava.
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Eu como sou paciente
Peguei os dois, amarrei
Uma pisa nela eu dei
Porém, soltei de repente.
Com ele agi diferente
Só sei que sumiu no eito…
Pois até ontem o prefeito
Menos um voto contava.
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

NA CASA EM QUE MÃE MOROU

Foto da casa do casal Zé Vicente da Paraíba e Enedina Maurício, meus saudosos pais, em Altinho-PE

A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Mote deste colunista

Onde mamãe residia,
Cada canto agora chora!
Depois que ela foi–se embora,
Levou junto a poesia
Que com ela convivia.
Cada flor, enfim, chorou,
No jardim que cultivou.
Tudo agora é quase nada,
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Melchior SEZEFREDO Machado

Deixei até de ir lá
Na casa que mãe morava
Pois ela não mais estava
Resolvi ficar por cá
Talvez eu ainda vá
Pois a saudade ficou
Porém a dor não passou
Da falta da minha amada
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Poeta Nascimento

Uma foto na parede,
Na sala sua cadeira
E aquela espreguiçadeira
Quase encostada na rede.
A planta morreu de sede,
Vazio o altar ficou,
Partiu e não mais voltou
Deixando dor afiada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Novo Abrantes

Alegria foi embora,
Seu carinho foi também,
Seu abraço já não tem
Só lembrança resta agora.
A minha alma ainda chora,
Coração quase parou,
Aqui tudo se acabou,
Chegou o fim da estrada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Cabal Abrantes

Mãe partiu pra imensidão
E virou mais uma estrela!
Pai agora pode vê-la,
Tão na mesma dimensão.
Nos restou a solidão,
Tudo o mais se acabou…
Da inquilina que ficou
Ninguém pode cobrar nada,
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou!

Melchior SEZEFREDO Machado

Entrei e não ouvi mais
Sua voz me abençoar,
Parei e pus-me a rezar:
-Jesus Cristo, dê-lhe a paz!
Revi num dos castiçais
Um terço que ela ganhou
E devotamente deixou
Perto da Imaculada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Wellington Vicente

Agradeço aos poetas-amigos do Movimento Poético “Quiosque da Poesia”, de João Pessoa-PB, pela disponibilidade e solidariedade em enviar glosas para este Mote.