Minha mãe, faz sete dias Que estás na Mansão divina. Foste pra nós amorosa, Uma exemplar heroína Pra merecer o troféu, Chegar na porta do Céu E dizer: – Sou Enedina!
E eu que trouxe esta sina De ser como os Bandeirantes, Desbravando novas terras Em lugares tão distantes, Me sinto um abençoado De poder tá ao teu lado Nos derradeiros instantes.
Todos somos caminhantes Em busca da salvação E nós de ti recebemos A correta educação E em tua companhia Honramos a cada dia A nossa religião.
Hoje estás na Amplidão Unida aos nossos avós, Ficamos aqui na Terra Mas não nos sentimos sós Pois sei que a cada dia Rogas à Virgem Maria Proteção a todos nós.
Zé Vicente da Paraíba, Enedina Maurício e este colunista, em foto de 2006
Minha mãe foi se encontrar Com Deus Pai onipotente, Exemplo maior de amor Que Deus nos deu de presente. O nosso maior troféu Com certeza está no céu Com seu amor Zé Vicente.
* * *
Clique aqui e saiba mais sobre o Poeta Zé Vicente da Paraíba.
Passei a noite sonhando Que voltava ao meu sertão E naquela aparição Senti papai me abraçando. Seguimos cantarolando E por detrás do curral Um pequeno cardeal Ao nos avistar, voou… Um Rouxinol me acordou Cantando no meu quintal.
Ao passar pela cancela Que dava acesso ao açude Vi uma bola-de-gude Que um dia brinquei com ela. Vi uma bola amarela (Presente de um Natal) Que a seca colossal Sem ter dó estorricou. Um Rouxinol me acordou Cantando no meu quintal.
Em um pé de baraúna Paramos pra descansar E vi papai me mostrar A sua nova “riúna”. Um piado de graúna Vinha de um milharal Como se fosse um sinal Do tempo bom que passou. Um Rouxinol me acordou Cantando no meu quintal.
Nossa linda Capital Foi mudando bruscamente: Muitos carros, muita gente, Tudo acima do normal. Hoje nosso litoral Virou “point” da moçada, Nossa paz foi conspurcada, Estragaram nosso canto, Para nosso desencanto João Pessoa está lotada!
Melchior SEZEFREDO Machado
Na Epitácio Pessoa Não dá pra passar ninguém Uma vaguinha não tem Da praia até a lagoa Jovem, criança, coroa Tomaram toda calçada Nas praias não cabe nada Nem pra pescar de anzol Cheinhas de guarda-sol João Pessoa está lotada!
Poeta Nascimento
É gente em cima de gente É gente de toda cor Gente em cada corredor Na praia é gente corrente Gente fria e gente quente Crente e ateu em disparada E a gente desesperada De ver gente em todo canto Para o nosso desencanto João Pessoa está lotada!
Merlânio Maia
Tiraram a nossa paz Hoje é só algazarra Sò bagunça,frevo,farra Ninguém mais se satisfaz O sossego daqui jaz Foi buscar outra morada Se acostumem com a zoada E enxuguem todo o pranto Para o nosso desencanto João Pessoa está lotada!
Ronaldo Barbosa
Se vê numa moradia Um entulho de cascalho Chama gente pra trabalho Erguem torres todo dia Multiplica a estadia Estacionam na calçada O nativo não tem nada Eles vem fazer desdém Já não cabe mais ninguém João Pessoa está lotada!
Cabal Abrantes
No Restaurante Mangái A fila dobra a esquina Tem gente da Argentina, Peru, Chile e Paraguai. Um cabra do Uruguai, Disse com fala enrolada: -Vou provar uma buchada, Uma cachaça brejeira E dizer em terra estrangeira: – João Pessoa está lotada!
Do Céu, Pedro Januário Olha com muito carinho. Pensando: – Como cresceu O meu querido netinho. Já está um homem feito, Lutou com honra e respeito E Deus ajudou no pleito, Hoje em dia é o prefeito Da minha querida Altinho!
Este colunista e o irmão Wélio César; no centro o Prefeito Marivaldo Pena
Pra se viver nesse mundo Que ta virado ao avesso Eu só quero o que eu mereço Digo isso lá do fundo Sentimento bem profundo Quero paz e alegria Saúde no dia a dia E uma boa vizinha Que o ano que se avizinha Me traga sabedoria.
Cabal Abrantes
Faz tempo que eu capoto Nos anos que vão passando! Vejo a velhice chegando Nas rugas que já me noto, Eu já tombei minha moto, Já dei PT no meu Kia, Perdi uma loteria, No jogo tudo o que eu tinha, Que o ano que se avizinha Me traga sabedoria.
Melchior SEZEFREDO Machado
Tudo que é livro já li Decorei a tabuada O que sei é quase nada Só aquilo que vivi. Pouco que eu aprendi Foi sempre no dia a dia Criando alegoria Na mente pequenininha. Que o ano que se avizinha Me traga sabedoria.
Novo Abrantes
Fiz algumas más ações No ano que agora finda, Nas igrejas de Olinda Fiz diversas confissões E obtive os perdões Diante da sacristia O padre da freguesia Disse: -Vá ser coroinha! Que o ano que se avizinha Me traga sabedoria.
Virgulino e João Bezerra (Cunhas da mesma madeira). Um lá de Serra Talhada, O outro da Ingazeira: Pernambucanos vibrantes, Um comandando as Volantes E o outro a Cabroeira.
Bezerra foi caçador De onça, o grande felino, Primo do “Rifle de Ouro”, O bravo Antônio Silvino. Quando assumiu o comando, Passou anos rastreando Os passos de Virgulino.
Por ter prestado serviço Ao coronel Zé Pereira Lá de Princesa Isabel Que gostava da trincheira. Na certa, ganhou “coroas” Para ir pras Alagoas E ingressar na Fileira.
Em 19 ele entrou Na Volante alagoana E no combate ao Cangaço Demonstrou tamanha gana Movido a cada incursão Para caçar Lampião, A fera pernambucana.
No ano de 38 Cumpriu a sua missão Chegou à Grota do Angico, O coito de Lampião, Que no combate tombou. Foi assim que se findou O Cangaço no sertão.
Escondida em seu recanto Num baú de sentimentos, Registrando bons momentos, (Risos, cheiros, choro, canto) Vez ou outra sai, no entanto, Pra cumprir o seu intento, Traz à luz um filme lento… Sempre muito bem guardada A saudade faz morada Na sombra do pensamento.
Melchior SEZEFREDO Machado
Qual ferida que não sara A saudade é persistente Dá uma pisa na gente Sem usar cacete ou vara. Coloca na nossa cara Sintomas de sofrimento. Tira, sem consentimento, O sono da madrugada. A saudade faz morada Na sombra do pensamento.
Lembro que antigamente Se me chamavam “Matuto” Eu virava bicho bruto, Esculhambava com gente. Mas um dia Zé Vicente Me chamou no reservado E me disse: – Filho amado, Fuja de qualquer porfia, Diga, sou com alegria, Matuto do pé rachado!