WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CANTORIA EM MEU QUINTAL

Um Rouxinol me acordou
Cantando no meu quintal.

Mote de Fátima Marcolino

Passei a noite sonhando
Que voltava ao meu sertão
E naquela aparição
Senti papai me abraçando.
Seguimos cantarolando
E por detrás do curral
Um pequeno cardeal
Ao nos avistar, voou…
Um Rouxinol me acordou
Cantando no meu quintal.

Ao passar pela cancela
Que dava acesso ao açude
Vi uma bola-de-gude
Que um dia brinquei com ela.
Vi uma bola amarela
(Presente de um Natal)
Que a seca colossal
Sem ter dó estorricou.
Um Rouxinol me acordou
Cantando no meu quintal.

Em um pé de baraúna
Paramos pra descansar
E vi papai me mostrar
A sua nova “riúna”.
Um piado de graúna
Vinha de um milharal
Como se fosse um sinal
Do tempo bom que passou.
Um Rouxinol me acordou
Cantando no meu quintal.

Fotos no sítio Letreiro em Altinho-PE. Ao fundo a lendária Pedra do Letreiro

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

MEU SÃO JOÃO DE ANTIGAMENTE

Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

Mote do Poeta Natan

No meu tempo de menino
Assim que junho chegava
O meu rádio só tocava
Som do Trio Nordestino.
Com trajes de Virgolino
A quadrilha era envolvente
Fazendo com que a gente
Percorresse a redondeza.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

Bandinha do Genivaldo
Solava Jorge de Altinho
Eu, com o dinheiro curtinho,
Bebia Pitú com caldo.
Não tinha conta, nem saldo
Mas dançava sorridente
Que o rádio de Zé Vicente
Tocava “Dona Tereza”.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

“Pitiguari”, “Chililique”,
“Na Emenda”, “Rio Una”,
(Dancei ouvindo a “riúna”)
“Severina Xique-xique”.
Zabumbeiro no repique
Fazia o forró mais quente
E o sanfoneiro na frente
Foleava com destreza.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

Fotos das décadas de 70 e 80 das festas de São João no Clube Altinense.
Gentilmente cedidas pelo professor e historiador Antônio Airton.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A BANDA

Toda vez que a banda passa
Leva uma banda de mim.

Mote de Paulo Barba

Não sei o que aconteceu
Com o desfile e a banda
Só sei que meu peito anda
Sentindo a falta do seu.
O meu mundo entristeceu
Sem a voz do teu clarim,
Vou gastando meu latim
Nestes poemas sem graça.
Toda vez que a banda passa
Leva uma banda de mim.

Marcílio Pá Seca Siqueira

A Banda do Camarão,
Bandinha do Pé do Monte,
Hoje me servem de fonte
Onde bebo inspiração.
Tuareg’s, que emoção!
Tocava em todo festim.
Trepidant’s, meu carmim,
Labaredas, muito massa!
Toda vez que a banda passa
Leva uma banda de mim.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O ENTERRO DA SAUDADE

Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

Mote de Pedro Torres

Cansei de guardar veneno
Dentro do meu velho peito
Por isso eu achei um jeito
Pra continuar sereno
Numa cova do terreno
Da humilde habitação
Joguei cal em proporção
Para evitar umidade
Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

Uma tampa de lajedo
Vou botar naquela cova
Pra que uma saudade nova
Não enrame igual ao bredo
Vou libertar do degredo
Toda minha inspiração
Tocar no meu violão
Acordes de liberdade
Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

Vou sair do labirinto
Da saudade matadeira
Que quer de qualquer maneira
Todo o meu prazer extinto
Mas seguindo o meu instinto
Acharei a solução
Meu santo de devoção
Me mostrará a verdade
Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

MEUS CAÇUÁS DE JANEIROS

Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.

Mote de Pedro Fernandes

Ao Poeta Nascimento

Igualzinho um pé de vento
Depressa o tempo passou
Atualmente eu estou
Com o mesmo movimento
Que tem aquele jumento
Dos nossos velhos tropeiros
E as varas dos marmeleiros
Batendo nos meus costais.
Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.

Meu carro-de-boi dos anos
Com o tempo de trabalho
Empenou o cabeçalho
A mesa tem vários danos
Os cocões (Rudes sopranos)
Que embalavam os carreiros
Subindo os desfiladeiros
Em meio aos canaviais
Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.

Comparo a minha jornada
A este carro-de-boi
Que no passado já foi
A obra mais estimada
A canga nova adornada
Por expessos tamoeiros,
Dois resistentes rodeiros
Ferrados com bons metais
Cada dia pesam mais
Meus caçuás de janeiros.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PROSPERIDADE

Foto: Gumercindo Duarte

Mote:

A chuva caiu trazendo
Prosperidade ao sertão.

Rezei para São José,
Pedi à Virgem Maria
Que eu pudesse todo dia
Multiplicar minha fé.
Chamei a minha Zabé
E fomos pra Procissão
Padre Pedro disse: – Irmão,
Deus está nos atendendo!
A chuva caiu trazendo
Prosperidade ao sertão.

Na cidade de Altinho
Choveu no sítio Chatinha,
No Quilombo e Cajazinha,
Guaraciaba e Cantinho.
No Carão, no Sobradinho,
Mocó e Demarcação
O arado rasga o chão
E o matuto anda dizendo:
– A chuva caiu trazendo
Prosperidade ao sertão.

Serra do Tamanduá
E a Serra do Letreiro
De manhã é nevoeiro
Parecendo o Canadá.
No tempo que vivi lá
Nunca tive esta visão
Que O Autor da Criação
Vem agora oferecendo.
A chuva caiu trazendo
Prosperidade ao sertão.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

UM MOTE PARA ENEDINA

Hoje estarias fazendo
Noventa e dois de idade.

A minha mãe Enedina Maurício.

João Pessoa-PB, 16 de maio de 2025.

É hoje! O primeiro ano
Sem o bolo e sem a vela,
Mas na Missa na Capela
Pedirei ao Soberano
Que te acolha no Plano
Que precede à santidade.
Da espada da saudade
Com oração, me defendo.
Hoje estarias fazendo
Noventa e dois de idade.

Hoje terás por presente
A presença dos teus pais,
Teus irmãos e outros mais,
Teu esposo Zé Vicente,
Que deve fazer Repente
Com suprema agilidade,
Mostrando a felicidade
De agora está te vendo.
Hoje estarias fazendo
Noventa e dois de idade.

Que a Virgem de Portugal,
Da qual eras tão devota,
Conduza a primeira nota
No Divino Recital.
Que um coro angelical
Mostre a ti a novidade
Que na santa eternidade
Não há ninguém padecendo.
Hoje estarias fazendo
Noventa e dois de idade.

Eu, mãe e meu irmão Wélio César

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O SENTIMENTO DO AMOR

O sentimento do amor
A mãe traz no coração.

Mote do Poeta Nascimento

Só ela traz esse laço
Fruto do amor perfeito,
Depois da luz, dá o peito,
O aconchego, o abraço.
Sopra, se vem o mormaço,
Reza e pede a proteção
E O Autor da Criação
Ouve e atende o clamor.
O sentimento do amor
A mãe traz no coração.

Hoje a minha mãe querida
Está no Reino de Deus,
Deixou saudade nos seus,
Há meses fez a partida.
Devota da Concebida,
Pedia em cada oração
A divina intercessão
Junto a Deus Pai Criador.
O sentimento do amor
A mãe traz no coração.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

NOVENAS MARIANAS

Trago lembranças guardadas
Das Novenas de Maria.

Mote deste colunista

Durante o mês de Maio
Mãe fazia o novenário
E ajustava seu Rosário
Para fazer o ensaio
Ela pegava um balaio
E de semente enchia
E à Santa oferecia
Ali às graças eram dadas
Trago lembranças guardadas
Das Novenas de Maria.

Poeta Nascimento

No altar estava ela
Entre rezas e cantorias
Com tristeza e alegrias
No terreiro ou na capela
Cada qual com uma vela
Enquanto a alma aquecia
A vela se acendia
As beatas dedicadas
Trago lembranças guardadas
Das Novenas de Maria.

Cabal Abrantes

Desde criança eu rezava
E escutava atentamente
Tudo guardado na mente
Às vezes até chorava.
Quando eu não aguentava
No banco deitava e dormia
Mas pra minha alegria
Recebia bênçãos sagradas.
Trago lembranças guardadas
Das Novenas de Maria.

Novo Abrantes

Lembro lá da mocidade,
Das rezas de casa em casa,
Muito anjo, muita asa,
Pelos bairros da cidade.
Indo em busca da verdade
Nas palavras que se lia,
Cada terço refletia
Os mistérios nas noitadas.
Trago lembranças guardadas
Das Novenas de Maria.

Melchior SEZEFREDO Machado

Lembro a minha vó Tercília,
Quando maio começava
Ela mesma preparava
O Terço com a família.
Trinta dias de Vigília,
Rezando com energia
Com certeza, ela sabia
Que as preces são escutadas.
Trago lembranças guardadas
Das Novenas de Maria.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A PÁSCOA DE FRANCISCO

Mote deste colunista ao Papa Francisco:

Foi na Páscoa do Senhor
Que Chico fez a passagem.

O sucessor de Simão
Cumpriu a missão terrena,
Foi juntar-se à Madalena,
A Lucas, Mateus e João.
Mostrou ao mundo cristão
Amor em cada mensagem,
Fez do pobre um personagem
Como fez O Salvador.
Foi na Páscoa do Senhor
Que Chico fez a passagem.

O Cardeal argentino,
Eleito depois de Bento,
Foi amor, paz e alento
Para o cristão peregrino.
E hoje, ao toque do sino,
Lembraremos sua imagem
Na derradeira viagem
Como terreno Pastor.
Foi na Páscoa do Senhor
Que Chico fez a passagem.