WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A FLOR QUE MAMÃE ME DEU

A flor que mamãe me deu.

Mote deste colunista

Dentro de um livro, na estante,
Eu guardei feito um tesouro!
Para mim é mais que ouro,
Mais que um lindo diamante.
Mesmo seca, o importante
É presente que foi seu,
Que jamais me esqueceu.
Foi colhida em seu jardim,
E eu guardei só para mim
A flor que mamãe me deu.

Melchior SEZEFREDO Machado

Eu guardei no coração
Aquele gesto bonito
Minha mãe me dava grito
Logo logo dava o perdão
Foi torado o cordão
Assim que ela morreu
Para mim não se rompeu
Tá mais viva do que a flor
Representa o eterno amor
A flor que mamãe me deu.

Cabal Abrantes

Primeiro me deu a vida
Para eu poder existir
Me deu força pra partir
A estrada preferida
Minha história foi florida
E tudo que aconteceu
Minha mãe tava mas eu
Guardo muito bem guardado
Dentro de um cofre trancado
A flor que mamãe me deu.

Poeta Nascimento

Além daquela caneta
Que pai me deu na partida
Eu guardo a flor recebida
Dentro da minha gaveta.
O tempo, como um cometa,
Ligeiramente correu,
Só a saudade cresceu
Dentro do meu coração
Trazendo a recordação
Da flor que mamãe me deu.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CADÊ A POESIA?

Não vejo mais poesia
Na música nacional.

Mote deste colunista

É cada letra esquisita
Meio sem pé nem cabeça,
Haja ouvido que mereça,
Haja voz de periquita!
O coração não palpita,
Emoção nem dá sinal,
O Cancioneiro vai mal
Só piora dia a dia,
Não vejo mais poesia
Na música nacional.

Melchior SEZEFREDO Machado

Hoje é bunda e não banda
Não tem mais duplo sentido
Nada mais é proibido
A sacanagem é que manda
De voar se foi à tanga
O que vale é o imoral
Quase nuas é normal
Não tem letra e quem diria?
Não vejo mais poesia
Na música nacional.

Cabal Abrantes

Sou mais Amado Batista
Com o “Eu tive um amor”
As canções de Belchior,
Grande cearense artista
Tá se perdendo de vista
A nossa tradicional
Marchinha de Carnaval
Pra nós entrar no folia
Não vejo mais poesia
Na música nacional

Poeta Nascimento

Não há mais uma mensagem,
Nem sobra reflexão,
Hoje reina a podridão,
Putaria e sacanagem.
Não há quem tenha coragem
De mudar o ritual,
Dar um basta nesse mal
E resgatar a magia,
Não vejo mais poesia
Na música nacional.

Ronaldo Barbosa

Perdemos todo domínio,
Não temos mais um Jobim,
Um Evaldo, um Amorim,
Um Cartola, um Lupicínio.
Observo o patrocínio
De um mercado brutal
Despejando o capital
E a IA põe melodia.
Não vejo mais poesia
Na música nacional.

Welliington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

SÚPLICA DE SERESTEIRO

Um violão, seu Doutor,
Não pode ser confiscado.

Mote de Melchior SEZEFREDO Machado

Ele transmite alegria
Nas mãos de quem tem talento
Acaba com sofrimento
Manda embora a nostalgia.
É sinônimo de magia
Num acorde dedilhado,
Sozinho ou acompanhado
Conduz a voz do cantor!
Um violão, seu Doutor
Não pode ser confiscado.

José Severino Damasceno

Classes nobres e plebeus
O som vem acalentar
Só faltava ele falar
Nas mãos de Vitor Mateus*
Seus acordes louvam a Deus
Que tá no Trono sentado
Serve pro apaixonado
Se declarar pro amor
Um violão, seu Doutor
Não pode ser confiscado.

Severino Ramos

Em nome da boemia,
Da serenata em janela,
Dos versos que eu fiz pra ela
E que botei melodia,
Eu juro que eu não sabia,
Do horário tão avançado!
Perdoe, seu Delegado,
Se transgredi por amor,
Um violão, seu Doutor,
Não pode ser confiscado.

Melchior SEZEFREDO Machado

Não me leve a companhia
Que tenho a todo momento
Até mesmo o meu lamento
Com ele, tem poesia.
Uma aura de magia
Sai dele, quando tocado.
Durmo com ele abraçado
Retribuindo o amor.
Um violão, seu Doutor,
Não pode ser confiscado.

Wellington Vicente

*Vitor Mateus Teixeira, o lendário cantor Teixeirinha.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

GLOSAS

Não existe aposentado
Na profissão de valente.

Mote de Josemar Rabelo

O grande Antônio Silvino
“Governador do sertão”
Antecedeu Lampião
No cangaço nordestino
Porém um dia o destino
Pôs no caminho um tenente
E o bravo combatente
Foi pra Recife algemado
Não existe aposentado
Na profissão de valente.

A Bíblia diz que Sansão
Recebeu forças de Deus
E centenas de Filisteus
Pereceram em sua mão
Mas um dia o coração
Sentiu algo diferente
Dalila, covardemente,
O fez ser capturado.
Não existe aposentado
Na profissão de valente.

Já Virgolino Ferreira
O famoso Lampião
Combatia um batalhão
Sem se afastar da trincheira
Uma informação certeira
Trouxe a volante potente
Mas existe quem comente
Que morreu envenenado.
Não existe aposentado
Na profissão de valente.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

VOZ DO CORAÇÃO

Tem a voz do coração
No que faço improvisado.

Mote de Marcone Santos

O coração é quem dita
Cada rima do Repente
Eu coloco consciente
Toda frase que ele cita
E depois que tá escrita
Só deixa ser publicado
Depois de ter revisado
Rima, métrica e oração
Tem a voz do coração
No que faço improvisado.

Marcílio Pá Seca Siqueira

Admiro o cantador
Que canta o verso na hora,
Já eu faço de escora
A caneta de escritor.
Falo de alegria e dor,
Das lembranças do passado,
Se amei, se fui amado
Aí é outra questão…
Tem a voz do coração
No que faço improvisado.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

AGRADECIMENTOS

Agradeço, em primeiro lugar a Deus, a minha esposa Kátia Cilene e aos amigos que me parabenizaram pela “data natalícia”, como diziam os antigos…rsrsrsrs

Agradecimento especial a Cleide Blackman, grande amiga e escritora, pela carona na locomotiva do seu aniversário, coincidentemente, no mesmo dia do meu.

Refletindo sobre o novo ciclo da minha existência, escrevi:

AUTORRETRATO

Os cabelos que sobraram
O tempo pintou de prata,
A memória recebendo
Saudade “em banda de lata”
E novas rugas brotando
Na velha pele mulata.

Porto Velho, Rondônia, 01/Ago/2025

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

ODE A UMA SECRETÁRIA

Afim de me proteger
Na Sé, comprei uma imagem,
Num cantinho da bagagem
Guardei, depois de benzer.
Também não pude esquecer
De pôr na minha maleta
Um papel, uma caneta
Pra compor nossa canção,
Mas deixei meu coração
Preso na tua gaveta.

Há mais duma explicação
Para o que houve entre nós:
Primeira: foi tua voz
Que tocou meu coração;
Segunda: foi a visão
Mais bela deste Planeta.
Teu sorriso é a “proveta”
Pela qual eu renasci,
Mas devolva o que esqueci
Dentro da tua gaveta!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

DESINSPIRAÇÃO

Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Mote deste colunista

Tem dia que amanheço
Com a cabeça doída
Não encontro uma saída
Nem rumo nem endereço
Esqueço até do meu terço
Parece mais faroeste
Eu não sei qual é a peste
Que acontece comigo
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Poeta Nascimento

Faz tempo que eu não pago
Um mote pra Nascimento
Pareço mais um jumento
Mas qualquer dia eu trago.
Nem que eu vá em Santiago
Ou suba no Evereste
Ande de leste a oeste
E encontre até meu umbigo.
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Novo Abrantes

A mente fica endoidada
O coração quase pára
A alma fica uma arara
De raiva, não sai é nada
Minha voz fica enraivada,
Digo: – Isso é uma peste!
Nem lembrando do Nordeste
Consigo encontrar abrigo.
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Cabal Abrantes

Acordei meio confuso
Já não rimo lé com cré
Tô parecendo um mané
Já entrando em parafuso
Muito pensamento intruso
Preciso fazer um teste
Pra que a alma manifeste
E volte a ser meu abrigo
Tem dia que não consigo
Fazer um mote que preste

Ronaldo Barbosa

Poeta nem todo dia
Recebe a inspiração.
Às vezes o coração
Padece sem energia
E não produz fantasia,
Matéria de que se veste
A ideia. Embora reste
Vontade, porém vos digo:
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Melchior SEZEFREDO Machado

Tem dia que o HD
Fica no vai e não vai
Como o sinal do Wi Fi
Dum sítio de Zabelê
Eu me arreto porque
Nunca arreguei para teste
Seja no Monte Evereste
Ou na “Mãe de Calor de Figo”.
Tem dia que eu não consigo
Fazer um mote que preste.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O CANTADOR NORDESTINO.

Mote deste colunista:

Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Quem já ouviu Zé Vicente,
Pinto, Furiba e Xudu,
Um Louro do Pajeú,
Manoel Pedro Clemente.
Diniz, de rima envolvente,
Com Heleno Severino,
Sebastião e Laurentino
No “Coqueiro da Bahia”.
Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Funcionário das rimas,
Um “sabido sem estudo”
A viola, seu escudo,
A espada, as cordas primas.
Sabe falar sobre os climas,
Da saga de Jesuíno,
De Damião, peregrino
Nos dando a Eucaristia.
Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Um descendente direto
Dos medievais aedos,
Habilidade nos dedos
E um discurso completo.
Falando em seu dialeto
Para alcançar seu destino.
Combatente paladino,
Guardião da Poesia.
Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Foto da capa do primeiro Disco de violeiros repentistas lançado no Brasil, 1955, pela gravadora Rozenblit, de Recife-PE. Poetas Aristo José dos Santos e Zé Vicente da Paraíba, saudoso pai deste colunista

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

LIVRO DE ZÉ VICENTE DA PARAÍBA (SEGUNDA EDIÇÃO)

No dia 04 de julho de 2025, foi o dia do lançamento da segunda edição do livro FIZ DO CHORO DAS CORDAS DA VIOLA O MAIOR GANHA-PÃO DA MINHA VIDA, organizado por José Mauro de Alencar e impresso pela EPC (Empresa Paraibana de Comunicação), Gráfica A União, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa-PB.

Uma singela homenagem ao poeta Zé Vicente da Paraíba, saudoso pai deste colunista, interpretando O AUTOR DA NATUREZA, toada que imortalizou o seu nome e o nome de Passarinho do Norte, seu parceiro na composição.

Participantes:

Chagas Fernandes, violão de seis cordas

Wellington Vicente, viola de 10 cordas

Raimundo Nunes, acordeon