WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

TRIBUTO A BETO CAJÁ

Poeta Beto Cajá, um dos participantes do Movimento Quiosque da Poesia, em João Pessoa-PB

* * *

Está fazendo dois anos
Que Beto Cajá partiu.

 Mote de Melchior SEZEFREDO Machado

Ser humano de primeira,
Parceiro e leal amigo,
Foi bom conviver contigo
Nesta vida passageira.
Guardo hoje na gibeira
A dor que o peito sentiu
Quando, enfim, você subiu
Transitando entre os dois planos…
Está fazendo dois anos
Que Beto Cajá partiu.

Melchior SEZEFREDO Machado

A lembrança bate forte
Daquele telefonema
Que em forma de poema
Veio do Rio Grande do Norte
Noticiando a morte
Logo meu peito sentiu
A minha pressão subiu
Mudou todos os meus planos!
Está fazendo dois anos
Que Beto Cajá partiu.

Poeta Nascimento

Cada dia que passou
A saudade só aumenta
Coração véi que aguenta
Ausência que ele deixou
Da parceria restou
Os bons papos que surgiu
A canção em desafio
Nos tornamos sempre manos
Está fazendo dois anos
Que Beto Cajá partiu.

Cabal Abrantes

Um menestrel da cultura,
Compunha, também cantava;
Corações ele alegrava
Com sua presença pura.
Tirava toda amargura,
Um outro igual não se viu;
Seu espírito evoluiu,
Hoje habita outros planos.
Está fazendo dois anos
Que Beto Cajá partiu.

Ronaldo Barbosa

Grande perda para nós…
Enlutou-se o violão,
Tomou posse a solidão
Com o seu mandato atroz.
Parece que a sua voz
De entre nós não saiu
E o meu peito sentiu
Incomensuráveis danos.
Está fazendo dois anos
Que Beto Cajá partiu.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

GLOSAS

A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!

Mote de domínio público

Ao pessoal de Altinho-PE, especialmente dos sítios Sobradinho, Letreiro e Carão.

Quase todo nordestino,
Depois da adolescência,
Tangido pela carência
Procura um novo destino:
Vira mais um “severino”
Vivendo em novo ambiente,
Mesmo sendo diferente
Não esquece a tradição.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!

É São João, mas eu não sinto
O cheiro de milho assado,
Tenho na frente um teclado
E a tela é meu labirinto.
Toco um CD de Jacinto,
Lembro a minha terra ausente,
Ligo, mas nenhum parente
Ouve a minha ligação.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!

Parece que estou vendo,
Lá no forró do Letreiro,
O velho Heleno Cordeiro
A cotinha recolhendo.
João de Quitéria trazendo
Cachaça com caldo quente,
Zé Biquara no batente
Amarrando um foguetão.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!

Tenho em minha companhia
Somente o computador,
Uma dose de licor
E a parceira poesia
Que pega a minha agonia
E a transforma em Repente,
O “e-mail” segue urgente
Transportando a emoção.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

SER POETA

Poeta Zé Vicente da Paraíba em foto de 2005, em Altinho-PE

Ser poeta é ver as flores
E as dores cotidianas!

Mote deJosué Dantas & Rubenio Marcelo

Ser poeta é conduzir
O Dirigível dos sonhos,
Ter nos momentos risonhos
Elementos pra fluir.
Mas se um dia cair
Pedir forças soberanas,
Pois as fraquezas humanas
Carecem de apoiadores.
Ser poeta é ver as flores
E as dores cotidianas!

Ser poeta é descrever
Cada beleza nativa,
O canto da Patativa
Saudando o alvorecer.
Uma rosa florescer
Nos jardins ou nas savanas
E as morenas serranas
Escutando os cantadores.
Ser poeta é ver as flores
E as dores cotidianas!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O CHIFRE E SUAS LENDAS

Em viagem a Rio Branco, capital acreana, a dupla de amigos, poetas repentistas Matias Netto (Graúna do Norte) e Xexéu de Limoeiro, adentraram na mercearia do senhor Zé Neto, no bairro Calafate e, num momento de profunda reflexão, Xexéu de Limoeiro foi fotografado por seu velho parceiro de cantorias.

A referida fotografia, inspirou as seguintes estrofes:

Não sei se é simpatia
Ou enfeite do ambiente
Tem muita lenda a respeito
E existe quem comente
Que a defesa do touro
É desgraça pro vivente.

Wellington Vicente

E é com Wellington Vicente
Que combino até o fim
No touro é bom e bonito
Mas em mim é feio e ruim
Que permaneça no touro
E bem distante de mim.

Xexéu de Limoeiro

Para os supertiosos
Desde do tempo passado
Se usa como amuleto
Em bar, boteco e mercado
Pra retirar invejosos
E evitar o fiado.

Matias Netto

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HOMENAGEM

Edilene Oliveira, hoje doutora em Língua Portuguesa, foi minha professora no colégio Barros Correia, em Altinho-PE.

À Mestra, com carinho.

Era o ano de oitenta, ainda lembro, Professora Edilene lecionava,
Na primeira quinzena de dezembro
Quando o Ano Letivo terminava.

O Quadro Negro, que era azul, já recebia Letras brancas, desenhadas com esmero: Faça um texto em Prosa ou Poesia.
(Dez minutos é o tempo que espero!)

Fui catando, com capricho, cada rima,
A caneta entendeu, entrou no clima Preenchendo meu pequeno pergaminho

Terminei, corri lá com a professora,
Leu atenta e com voz aprovadora:
– Eis o novo Poeta do Altinho!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PRECES

Que a semana que começa
Seja coberta de Luz
Elevemos nossas preces
Glorificando a Jesus,
Com gratidão pela vida…
Ao Senhor que nos conduz.

José Severino Damasceno

Hoje mesmo me dispus
Assim que raiou o dia
Botar os joelhos no chão
E rezar para Maria
Pedindo a intercessão
Para o País que ela guia.

Wellington Vicente

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O PRIMEIRO DISCO DE CANTORIA DE REPENTE FAZ 70 ANOS

Em 2025 essa pérola do repente nordestino está completando 70 anos de lançamento. “VIOLEIROS”, é o primeiro LP do gênero lançado no Brasil, o ano era 1955. Zé Vicente da Paraíba, pai deste colunista, e Aristo José dos Santos, dois dos maiores representantes do repente, lançaram pela gravadora pernambucana Rozenblit, com o selo Mocambo, essa preciosidade. Uma curiosidade na contra capa do disco é que em vez de ter os nomes das músicas se lê as modalidades das cantorias, já que era uma novidade esse estilo de gravação em disco na época.

Herbert Lucena, além de produzir o CD “Zé Vicente da Paraíba, Viola e Amigos”, pelo selo Coreto Records, de sua propriedade, proporcionou o ingresso do poeta no Concurso Talentos da Maturidade, do Banco Real, em Curitiba-PR, onde Zé Vicente foi premiado na modalidade Contador de Histórias, com o trabalho “Minha Viola, Minha Vida”, no ano de 2006.

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RETIRANTE

Este colunista à beira do Rio Madeira. Porto Velho, Rondônia

* * *

Minha maleta era um saco
Meu cadeado era um nó.

Mote de Marconiza

Quando saí do Sertão
Há muito tempo passado
Mamãe me deu como agrado
Um saco de algodão
Cheio de recordação
Do meu velho Cabrobó
A bênção da minha vó
Desviou-me do buraco
Minha maleta era um saco
Meu cadeado era um nó.

Trouxe meu velho pandeiro,
Uma peixeira, um anel,
Um folheto de Cordel,
Patuá de benzedeira,
O meu pião, a ponteira,
A carrapeta, o bozó,
Cachaça no mororó
Pra quando tivesse fraco
Minha maleta era um saco
Meu cadeado era um nó.

Trouxe a pedra de amolar,
A foto de Padim Ciço,
Reza de quebrar feitiço
(No caso de precisar).
Ainda pude lembrar
Dum disco de Matricó *
Um bilhete do xodó
Tinha também no bisaco
Minha maleta era um saco
Meu cadeado era um nó.

*PAULO MATRICÓ, poeta, cantor e compositor nordestino.

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GLOSAS

Não pude mais aturar
Os teus abusos cruéis.

Mote de Zé de França

Eu nasci pra ser alguém
Com luz própria no trajeto
E não pra ser objeto
Pessoal de seu ninguém.
Nunca mais serei refém
Dos teus covardes papéis
E dos teus atos infiéis
Eu prefiro nem lembrar.
Não pude mais aturar
Os teus abusos cruéis.

Zé de França

Você pediu que eu ficasse,
Contra a vontade, fiquei,
Que nem um monge rezei
Pra que tudo suportasse.
Percebi que nosso enlace
Constava só nos papéis
Pode vender os anéis
E a minha parte negar
Não pude mais aturar
Os teus abusos cruéis.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

VIAGEM

A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Mote deste colunista

Graças a Deus tive sorte
Tenho muita inspiração
Que parte do coração
A mente é o transporte
Quero tê-la até a morte
Ela em minha companhia
Para falar todo dia
Do mar, da onda e da areia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Poeta Nascimento

Claro que tenho defeito
Mas não me falta amor
Não sou de guardar rancor
Nem raiva dentro do peito
Mesmo assim não sou perfeito
Mas meu Deus me auxilia
Com sua mão Ele me guia
Se faltar luz Ele clareia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Ronaldo Barbosa

De tudo faço memória
Com ternura e emoção
Guardadas no coração
As marcas da minha história
O tempo revela a glória
De cada nova alegria
Que surge na travessia
Qual luz que sempre clareia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Leo Brasil

Viajo feito um condor
A espreitar quase tudo,
Sou pequeno, não me iludo,
Mas um grande sonhador.
Faço versos por amor,
Nada tanto me vicia.
Inspiro-me todo dia,
Desde que o céu clareia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Melchior SEZEFREDO Machado

A minha mente traquinas
Nem carece de passagem
Pra que eu faça uma viagem
Por fazendas e usinas
Destas terras nordestinas
Onde o tropeiro fazia
Seu trajeto e conduzia
A cachaça de *Areia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Wellington Vicente

*Cidade do brejo paraibano, grande produtora de cachaça.