A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!
Mote de domínio público
Ao pessoal de Altinho-PE, especialmente dos sítios Sobradinho, Letreiro e Carão.
Quase todo nordestino,
Depois da adolescência,
Tangido pela carência
Procura um novo destino:
Vira mais um “severino”
Vivendo em novo ambiente,
Mesmo sendo diferente
Não esquece a tradição.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!
É São João, mas eu não sinto
O cheiro de milho assado,
Tenho na frente um teclado
E a tela é meu labirinto.
Toco um CD de Jacinto,
Lembro a minha terra ausente,
Ligo, mas nenhum parente
Ouve a minha ligação.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!
Parece que estou vendo,
Lá no forró do Letreiro,
O velho Heleno Cordeiro
A cotinha recolhendo.
João de Quitéria trazendo
Cachaça com caldo quente,
Zé Biquara no batente
Amarrando um foguetão.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!
Tenho em minha companhia
Somente o computador,
Uma dose de licor
E a parceira poesia
Que pega a minha agonia
E a transforma em Repente,
O “e-mail” segue urgente
Transportando a emoção.
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente!
Quem lembra de tapioca
Milho verde, malassada
Pitomba, castanha assada?
Quem lembra brincar de “toca”?
Um bolim de mandioca?
Queimar dedo em doce quente
Na surpresa diz oxente!
Fez tertúlia nos oitão
A gente sai do sertão
E o sertão não sai da gente.
Muito bom, Poeta!