CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

OS MENINOS DA AVENIDA I

Coreto da Avenida da Paz

Puxando a mais antiga memória, meu pai me levando à praia com um filho na corcunda e outro pelas mãos. Corríamos e mergulhávamos no mar tranquilo com pequenas marolas de águas cristalinas. Os moradores da Avenida da Paz eram amigos, uma irmandade. Da infância tenho gravadas as retretas da Banda do Exército no coreto da Avenida, concerto às quartas-feiras. Nós, meninos, ficávamos calados, encantados ouvindo as músicas clássicas e populares, depois começava a algazarra. Todas as noites os adultos colocavam cadeiras na calçada, tomar fresca e falar da vida do povo, enquanto nós meninos, bem comportados, sentados no chão em torno de uma tia, ouvíamos histórias de trancoso aguçando nossa imaginação. Maceió era uma festa.

Os moradores da Avenida da Paz faziam parte da elite econômica e social da cidade. Porém, nós jovens éramos democratas em nossas amizades, os donos da praia, podia ser preto ou branco, pobre ou rico, moradores de todos os bairros. Nossa escala de valores era jogar bem futebol, nadar até alto mar, contar histórias picantes, ser amigo bem humorado e presepeiro. Gerson, negrinho, filho da lavadeira, era admirado pela turma por sua destreza como goleiro e suas histórias safadas contadas com graça. Um líder.

O futebol na areia era o jogo predileto. Começávamos jogando Zorra (Linha de Passe). Quando havia jogadores suficientes, dois capitães escolhidos na hora tiravam o par ou ímpar e cada qual escolhia os jogadores alternadamente, as equipes se equilibravam. O campo era a areia da praia, as traves duas estacas enfincadas no chão, não havia camisa, nem juiz, nem falta, nem impedimento, nem VAR. A bola rolava, na hora do gol corria para o abraço.

Geralmente havia empurrões e briga, fazíamos as pazes depois do jogo. Se o jogo era na parte da manhã, ao acabar, mergulhávamos no mar de água transparente, nadávamos até as casas parecerem pequeninhas, às vezes ajudávamos a puxar as redes dos pescadores, o arrastão. Quando a pelada era à tarde, jogávamos até escurecer; em noite de lua, só terminava a partida com o Gol da Lua, o primeiro gol depois da lua aparecer.

No início da enseada da Avenida da Paz havia alguns trapiches. Uma espécie de cais fincado com palafitas de troncos grossos, estendendo-se mar adentro. Na extremidade do mar, havia um galpão de madeira, coberto com telhados de zinco, um trapiche, armazém de mercadorias. Quando a maré estava cheia, nós, maloqueiros da Avenida, nadávamos até o galpão, subíamos pelas palafitas ao telhado de zinco quente, onde havia uma deslumbrante vista da enseada da Avenida.

De cima do zinco mergulhávamos ao mar, o corpo esticado, uma deliciosa carícia no peito, no ventre, até o impacto com a cabeça na água límpida e cristalina. Quando aparecia o vigia, todos pulavam, e nadando a molecada gritava uníssona: O galo canta… O macaco assobia… Banana de jegue… No cu do vigia! O vigia era um velhinho abusado, chegou a prender alguns dos campeões de salto ao mar dos anos 50.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

CLAUDINHA, A CUIDADORA DO CLIMA BOM

Antônio ficou radiante ao conseguir emprego na transportadora de valores. Passado o período de capacitação, deram-lhe fardamento, iniciou seu trabalho com atenção e medo de assaltantes. Ao retornar em seu bairro, fardado, sentia-se o próprio coronel de Polícia, até brigas e pendengas entre moradores ele era consultado. Comprou uma moto barata de segunda mão assumindo o débito no banco, para onde escorria metade de seu salário. Numa festa conheceu Claudia, menina, 17 anos, se apaixonou, namorou, engravidou e casou-se. Foram morar numa casa de porta e janela do pai da noiva, no Clima Bom. Tonho não deixou Claudinha trabalhar para cuidar do filho. Pedro.

Passaram-se seis anos, o casal sobrevivendo, até que Antônio deu para beber, vivia reclamando da vida, comportamento estranho, deixou de procurar a esposa na cama, ela que gostava tanto da vadiagem. Nessa época Claudinha havia arranjado um emprego de doméstica na casa de um ricaço na orla. Limpava, passava e cozinhava, a patroa descobriu-a como excelente cozinheira. Melhorou a situação econômica. Pedro estudando, entretanto, a cachaça e o distanciamento do marido entristecia a bela Cláudia. Certa tarde ela apanhou o filho mais cedo na escola, estava febril, ao chegar à sua casa teve o maior choque de sua vida, ficou atônita ao abrir a porta do quarto, e deparar-se com Tonho abraçado a um motoboy conhecido no bairro. A maior decepção, humilhação e traição que uma mulher pode ter. No mesmo dia exigiu a saída do marido de casa, chorou a noite toda. Levantou-se de madrugada, olhou-se no espelho, prometeu a ela mesma, recuperar sua vida, tinha o amor de Pedro para lhe dar força.

Com um ano de separação a dor amenizou. Cláudia, bonita, era assediada por muitos homens, preferiu, embora gostasse tanto da vadiagem, fechar-se, não queria namorado por enquanto. Até o patrão mostrava tinha uma quebra de asas pela bela empregada, ela fingia não entender as insinuações.

No dia que Seu Silvestre, o patrão, completou 67 anos, ele teve um derrame, um AVC, foi uma catástrofe na casa de Dona Graça. Ela e os dois filhos deram a assistência devida no hospital. Ao voltar para casa, o velho precisou de uma enfermeira para ajudar no banho, no vestir-se, no comer. O empresário falava com dificuldades, mas dava para entender. Cismou com as enfermeiras, toda semana trocava de assistente. Certo dia na falta da enfermeira, Claudinha ajudou Seu Silvestre a tomar o banho, enxugou-o, vestiu-o. O velho ficou surpreso com a delicadeza, a suavidade de gestos da empregada, gostou daquele cuidado, disse que Cláudia havia nascido para cuidar de idoso.

A partir daquele momento chamava pela empregada durante o dia, inclusive no banho de sol em cadeira de roda, só queria a jovem cozinheira. Claudinha dava conta da cozinha, da casa e do patrão, ficou cansativo. Inclusive, em suas folgas de sábado à tarde e domingo, nas crises de raiva de Seu Silvestre, Dona Graça a chamava com urgências. Ela o acalmava. O velho só aceitava a assistência da cuidadora improvisada. Quando Claudinha se recusou a trabalhar nas folgas foi um Deus no acuda. A senhora entendeu que seu marido, não só gostava do jeito de Cláudia, ele estava encantado, talvez apaixonado pela jovem. Seu Silvestre entrou em um acordo com a empregada: propôs lhe dar um carro, pagar a escola de Pedro e aumentar o salário quatro vezes, desde que ela lhe desse total dedicação. Claudinha não abriu mão de sua folga nos domingos e assim ficou acertado.

Em véspera de completar os 70 anos, Silvestre havia melhorado sua mobilidade com ajuda da fisioterapia. Ele conforma-se com sua situação de semiparalítico, tem em casa uma grande mulher, Dona Graça, que o ajuda muito, e uma cuidadora eficiente, suave; cuja delicadeza minimiza o sofrimento.

Pelo menos duas vezes na semana Dona Graça passa a tarde em compras no Shopping, é a tarde do banho de banheira demorado. Seu Silvestre se sente feliz imerso na água morna, trancado no banheiro com Claudinha, a eficiente cuidadora do Clima Bom.

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A FEIOSA DA PITANGUINHA

Rosa, Hortência e Margarida, as três, nome de flor, filhas da professora Jacira e de Seu Jeremias, funcionário público exemplar, morreu inesperadamente de um infarto em sua caminhada matinal subindo a Ladeira da Moenda, no bairro da Pitanguinha, perto da casa de Djavan. Um grande choque para família e amigos.

Ulisses, amigo irmão de Jeremias, inconsolável e prestativo tentou consolar a viúva desde o cemitério. Como dispõe de tempo, seu trabalho é uma sinecura na Assembleia Legislativa, tratou dos papéis da pensão da viúva. Foi um longo trabalho nos cartórios e repartições. Passaram-se quase três meses nesse vai e vem, o que consolidou uma amizade, um bem querer entre os dois. Jacira apesar de sessentona é conservada, bonita e desejável. Os dois terminaram se entendendo num motel da praia de Jacarecica. Passaram mais de um ano encontrando-se furtivamente, até que resolveram contar à família. Afinal Ulisses é um homem livre, divorciado, sem filho. Mesmo sem a aprovação unânime da família, Ulisses juntou seus trapos e foi morar na casa da bela coroa Jacira, viúva de seu amigo Jeremias, cujo retrato colorido enfeita a parede da sala, sorrindo aos visitantes.

As filhas mais novas, Hortência e Margarida já estavam casadas quando o pai morreu, viviam com seus maridos e filhos em apartamentos perto da orla. Jacira ficou morando na casa da Pitanguinha com a filha Rosa e seu problema. Apesar de um corpo escultural, um traseiro atraente, Rosa é feiosa, tem a boca troncha e alguma dificuldade em falar, problema advindo de um parto complicado. Ela cresceu e estudou numa escola da Pitanguinha, sofreu humilhação, zombaria, o que hoje chamam de bullying. Obviamente tem complexo de inferioridade e de feiura. Penou muito na escola e na rua. Durante a adolescência teve vontade de se matar algumas vezes. Rosa sempre aguentou calada sua amargura. Fez vestibular e formou-se em Assistente Social, a profissão que poderia ajudar aos outros, foi sua decisão.

Mesmo feia teve namorados quando descobriu um dom de nascença: deslumbrar, enfeitiçar um homem na cama. Operária do amor, ela cria instintivamente mais posições que o Kama Sutra; os namorados se extasiavam. Certo engenheiro propôs casamento, ela recusou, não queria ter decepção amorosa. Assim foi vivendo. Rosa fez concurso, e em pouco tempo, era uma das melhores funcionárias da Secretaria de Educação. Tem o prazer em chegar na hora e trabalhar com dedicação. Sente-se compensada com o trabalho.

Quando Jeremias morreu, Rosa, quase quarentona, morava com eles na casa da Pitanguinha, tinha um quarto bem cuidado e trancado. Sentiu muito a morte do pai a quem tinha uma verdadeira paixão. Dona Jacira, mais seca, entretanto, adora a filha feiosa. Rosa quando soube da ligação amorosa entre Jacira e Ulisses, compreendeu a necessidade de a mãe ter um companheiro, não criou problemas como as outras filhas criaram. Jacira trouxe Ulisses para morar em sua casa. Rosa se deu bem com o “padrasto”. Ulisses lhe tem atenção e carinho especial. Ela gosta de servir uísque e preparar tira gosto para ele e amigos nos fins de semana na calçada de casa. Certo dia, Ulisses trouxe uma novidade. Contou cochichando, com certo receio, o assunto era tabu, ninguém comentava.

– Rosinha, eu conheci um doutor cirurgião plástico, mesmo sem consentimento mostrei-lhe sua fotografia. Ele afirmou convicto que poderá com uma cirurgia plástica dar um jeito em sua boca, não ficará normal, mas vai melhorar bastante a aparência. Você topa?

No dia seguinte Rosa foi à consulta com o doutor, fez os exames necessários, raspou suas economias do banco e submeteu-se à operação delicada de longa duração. Dentro de um mês, foram retiradas as ataduras de seu rosto. Ela ao se olhar no espelho irradiou sua alma de felicidade. Não que estivesse bonita, havia melhorado bastante sua feição.

Rosa tornou-se amiga íntima e confidente de Ulisses. O tempo passou e a amizade entre os dois se estreitou cada vez mais, até que certo dia aconteceu o inevitável. Agora, um ou dois dias na semana eles passam momentos num motel. Rosa, lascívia, ótima no serviço, capricha no que sabe fazer de melhor; deixa Ulisses extasiado, relaxado, feliz, depois de uma tarde de amor. Jacira desconfia, tem quase certeza; generosa, faz que nada sabe e deixa a vida repartir seu homem com a filha sofrida, Rosa, a feiosa da Pitanguinha.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

OS DOCES DE MINHA INFÂNCIA

A arte culinária é peculiar, tem características próprias de cada artista da gastronomia; é uma cultura forte e típica. Nesta cidade de Nossa Senhora dos Prazeres, Maceió, as comidas estão entre os melhores prazeres. Saborear um bom prato faz parte de nosso lazer, de nossa cultura. Lembrando que o Bispo Don Pero Fernandes Sardinha foi devidamente devorado em apreciado banquete antropofágico pelos nossos ancestrais, os índios caetés, nas areias brancas da praia de Barra de São Miguel.

Minha juventude foi marcada por doces e salgados inesquecíveis. Ainda tenho em minha mente, em meu paladar, alguns pratos feitos em casa por minha mãe, Dona Zeca, excelente cozinheira. Ela caprichava nos almoços dominicais: caruru, galinha ao molho pardo, carapeba, cavala, arabaiana ao olho de camarão ou feijoada de feijão mulatinho incrementada com charque, toucinho, tripa de porco, linguiça, carne do sol, couve, jerimum, quiabo, maxixe. Havia pratos, hoje preparados em óleo vegetal, na época cozidos com banha de porco: o sarapatel, o fígado e o bife de panela. Sem esquecer o cozido, as macarronadas, peixadas e camarãozadas de todo tipo.

Quando íamos ao centro da cidade, invariavelmente lanchávamos na sorveteria da moda, Bar e Sorveteria Elegante, em frente ao Beco do Moeda, frequentado pela classe média emergente que sentava às mesas de ferro com tampo de mármore. No cardápio de lanches havia sorvetes de frutas regionais: mangaba, manga, pinha, laranja cravo, sapoti, mamão, abacaxi, melancia, coco, cana, além de pudins maravilhosos; tudo servido em taças de metal niquelado. Ainda no centro da cidade eu adorava o chocolate caseiro em barras, duas cores, vendido pelo Seu Portela na loja especializada em óculos que vendia mais chocolate que óculos. Não esquecendo a Sorveteria Xangai de Seu Fon, na Rua da Alegria, oferecendo o deliciosíssimo sorvete de chocolate crocante e sorvete de creme.

Acrescento à lista os ambulantes que passavam na praia da Avenida da Paz. Depois do almoço ficávamos à espera de Seu Primitivo empurrando o carrinho de sorvete. Sempre dois sabores: coco e maracujá, coco e mangaba, coco e cajá, coco e goiaba; ele raspava o sorvete com uma colher enchendo o carlito (casquinha). Era nossa predileta sobremesa. Ao entardecer, o China aboletava o tabuleiro de quebra-queixo embaixo de alguma amendoeira na Avenida da Paz; tínhamos guardados os tostões contados especialmente para uma “taiada” desse doce precioso. Encantávamo-nos com a rapidez do corte vertical, um pouco inclinado; ele entregava o quebra-queixo em pedaço de papel colorido, gostosa cocada dura queimada com pedaços de amendoim.

A moçada se deliciava com o algodão doce, rodado na hora numa panela com fogo, onde esquentava o açúcar fazendo enorme nuvem de algodão. Complementava tomando um raspadinho: gelo raspado dentro de um copo cheio de garapa de coco, maçã ou misto, uma delícia. E o caldo de cana caiana! Uma divindade!

Na praia defronte ao coreto havia um futebol organizado. Depois do banho de mar, os jovens iniciavam papos e paqueras sentados na areia. Invariavelmente aparecia o Juarez empurrando o carrinho de sorvete XAXADO, uma delícia feita de frutas nordestinas. Juarez parava na roda oferecendo seu delicioso sorvete e picolé: “Quem vão quererem? Quem vão quererem? Podem pedirem!”. Juarez vendia fiado, na hora do almoço passava na casa de cada um com a conta do sorvete consumido; ele conhecia todos, meninos e meninas da Avenida.

As tardes da Rua do Comércio eram imperdíveis, jovens encostados nos automóveis (limpando carro) curtiam as jovens, flertando, paquerando, marcando encontro nas Sorveterias DK-1 ou Gut-Gut, onde tomávamos saborosos sorvetes de frutas de todas as qualidades; era o ponto de encontro favorito da moçada bonita.

Quando as lojas da Rua do Comércio cerravam as portas, eu descia rumo à minha casa com uma parada obrigatória na esquina do trilho de ferro, ao lado do Arcebispado, saboreava um suco de maracujá com pão doce. Nunca ninguém no mundo até hoje conseguiu fazer um suco igual àquele, o sumo da divindade. Os deuses da gula em vez de água devem beber aquele maracujá.

É preciso um estudo mais profundo sobre comidas, salgados e doces dos anos dourados. Fazem parte de nossa história, de nossa cultura.

A modernidade acabou com os doces de minha infância, hoje proliferam no mundo as lanchonetes dos Shoppings esquentando sanduíches congelados com gosto de sola de sapato. Estão espalhadas no mundo as sofisticadas fábricas de obesidade inventadas pelos americanos. Saudades dos doces de minha infância.

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O DIA EM QUE SALVEI A ORLA DE MACEIÓ

Há não muitos anos, eu tinha o salutar costume de saborear sorvetes em companhia de meu dileto amigo Geraldo Majella nas tardes de brisa fresca da paria de Pajuçara. Sentávamos à mesa da Sorveteria Bali e nos deliciarmos com sorvete de pinha, mangaba, tangerina, entre outras delícias de frutas nordestinas. Botávamos em dia as novidades, conversas intermináveis de vários assuntos; desde literatura, cultura, política e políticos acostumados com o poder e privilégio eram nosso alvo certeiro. Um ambiente alegre cheio de mulheres bonitas em suas roupas minúsculas saindo da praia para refrescar o corpo amorenado pelo Sol, deliciando-se com um sorvete.

Certa tarde, percebemos o levantamento de um tapume de obra no calçadão da orla. Como sou contrario a qualquer tipo de construção ou barraco que impeça a vista ao mar. Atravessei a avenida, curioso em saber sobre o que seria construído. O Mestre deu-me as informações precisas. A PETROBRÀS havia feito um acordo com a Prefeitura para construir ao longo da orla, até a praia de Jatiúca, 6 (seis) postos de combustíveis; em compensação a PETROBRÁS asfaltaria as ruas Maceió. No momento fiquei zonzo como tivesse levado um soco no estômago, pensando em seis postos de combustíveis na orla construídos no calçadão da orla. Fiquei triste, matutando o que fazer. Em casa, minha mulher, Promotora Pública, deu-me a ideia, e eu, como simples cidadão, dei entrada no Ministério Público na denúncia abaixo.

EXMO. SR. PROCURADOR GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS.

Carlos Roberto Peixoto Lima, brasileiro, casado, engenheiro, CPF 005.586.484-87, residente à Rua Princesa Isabel 415, nesta cidade de Maceió, vem formular à Vossa Excelência a seguinte denúncia:

– A PETROBRÁS está iniciando obras de um Posto de Combustível no calçadão da orla marítima da Pajuçara, em frente ao Colégio Imaculada Conceição. Esta localização da obra fica numa área verde de nossa cidade. Além disso, é um recanto de lazer da população, é um terreno pertencente ao povo de Maceió, localizado na maior atração turística da cidade, a enseada da praia da Pajuçara. Deveria ser uma área sagrada pela sua beleza cênica.

– Como se não bastasse, o Código de Postura do Município prevê a localização de Postos de Combustíveis a uma distância mínima de 500 metros de qualquer escola. A referida obra está sendo construída a menos de 100 metros do Colégio Imaculada Conceição.

– No local, o Mestre da obra me informou que houve um acordo, aprovado pela Câmara de Vereadores, dando a permissão de uso da área da orla à PETROBRÁS, legalizando a obra de construção de seis Postos de Combustível. Em compensação a PETROBRÀS fornecerá asfalto para pavimentar a cidade de Maceió.

– O fato acima relatado está provocando revolta e indignação popular. Além de todos os dissabores para nós, cidadãos, esses seis postos, comprometerão umas das maiores fontes de renda de nosso Estado, o Turismo. Solicito, portanto, à V. Exa., as medidas cabíveis para anular esse convênio altamente prejudicial à nossa cidade. Como está descrito nessa denúncia.

Carlos Roberto Peixoto Lima (Carlito)

Na semana seguinte assisti feliz da vida, tomando um sorvete de manga na Bali, a derrubada do tapume. O Ministério Público invalidou o acordo da construção dos 6(seis) Postos de Combustíveis na orla de nossa amada Maceió. Graças a um pequeno gesto de cidadania.

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JANGADEIROS ALAGOANOS

Há poucos anos, antes da pandemia, recebi em Maceió, três casais amigos; colegas de turma, aos quais tenho estima de irmãos desde que cursamos a Academia Militar das Agulhas Negras. Fomos a um passeio à Foz do Rio São Francisco. Acomodamo-nos numa confortável van que recolhia outros turistas. Ao passar pela Rua Jangadeiros Alagoanos, provoquei o guia perguntando o porquê do no nome daquela rua. Ele prontamente respondeu que era uma homenagem à Escola de Samba Jangadeiros Alagoanos daquele bairro; Pajuçara. Não me contive, pedi licença ao guia e educadamente afirmei que ele estava equivocado e de microfone em punho contei a história:

– Em 1922 no Centenário da Independência do Brasil aconteceram muitas comemorações na capital do país. O Rio de Janeiro se engalanou e construiu uma Exposição do Centenário da Independência. Naquela época os jornais e revistas do Sul chegavam com mais de uma semana no Nordeste.

Um pescador, conhecido líder, de nome Umbelino, ousado e festeiro, leu uma reportagem sobre a programação do Centenário no Rio de Janeiro e lhe deu uma vontade enorme de conhecer a capital da República. Passou três dias matutando como faria aquela viagem, até que surgiu a ideia de viajar pelo mar em sua jangada de seis paus e uma vela. Experiente mestre fez os cálculos, concluiu que a jangada aguentaria navegar cerca de 2.000 km pela costa. Convidou três pescadores, homens rústicos que enfrentavam o mar diariamente antes do sol amanhecer. Fizeram algumas reuniões de planejamento na casa de Umbelino. A notícia se espalhou pelos homens de beira de cais, pelo bairro boêmio de Jaraguá e afinal toda cidade. Alguns amigos se prontificaram a ajudar.

No dia 27 de agosto, dia de Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira da cidade de Maceió a jangada de seis paus, uma vela, sem algum instrumento de navegação, nem uma bússola sequer, partiu da enseada de Jaraguá levando os quatros jangadeiros corajosos. Houve um clima de festa: muitas jangadas, barcos, acompanharam com foguetório a jangada INDEPENDÊNCIA mar adentro rumo ao Rio de Janeiro para festejar o centenário da Independência na capital do país. Rumaram pelo o litoral Sul. No dia 6 de setembro a jangada atracou em Salvador, como havia planejado. Reabasteceram e seguiram a viagem prevista para trinta dias. Acontece que o litoral baiano estava brabo, em certo ponto o temporal foi tamanho que os jangadeiros foram jogados ao mar. Perderam toda provisão, roupas e a preciosa vela. Nadando os quatros heróis puxaram a jangada até a praia. Sorte que havia um povoado; os baianos ajudaram como puderam aos jangadeiros, até uma nova vela ofereceram. Os experientes pescadores esperaram bom tempo, retornaram a viagem. Acontece que o mar e o céu não estavam para brincadeira, vieram mais outros temporais atrapalhando a navegação. Eles chegaram a Porto Seguro no início de outubro, o planejamento já havia furado. Enfrentaram o mar novamente com algumas paradas em povoados e cidades costeiras. Até que no dia 2 de dezembro entraram na Baía da Guanabara depois de 98 dias de viagem. Desembarcaram no cais do Arsenal da Marinha, com muito aplauso a população já esperava os aventureiros. No dia seguinte, colocaram a jangada num caminhão e levaram os quatro jangadeiros alagoanos ao Palácio do Catete, onde foram recebidos pelo presidente Arthur Bernardes. A jangada ficou no Rio de Janeiro, era a principal atração do Pavilhão de Exposições das Festas do Centenário da Independência. Os jornais do sul noticiaram o fato largamente, transformando os jangadeiros alagoanos em heróis nacionais. A jangada depois foi doada ao Museu Histórico Nacional. Os jangadeiros retornaram a Maceió a bordo de um navio do Lloyd Brasileiro. Foram recebidos com muita festa na enseada de Jaraguá. Muitas homenagens, dentre elas a Rua do Horizonte passou a se denominar Rua Jangadeiros Alagoanos. E em 1972 foi fundada a Escola de Samba Jangadeiros Alagoanos.

Depois de minha exposição fui aplaudido pelos turistas, entreguei o microfone ao guia. Durante a viagem, toda vez que ele prestava informação, me perguntava se estava certo. Pelo menos, um dia, tive a honra de ser guia turístico, graças a brava história dos destemidos Jangadeiros Alagoanos.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

SEMANA SANTA

Meus netos estão se empanturrando de chocolate para alegria da Nestlé e da Garoto. Essa invencionice comercial, venda da “comida dos deuses” durante a Páscoa, está definitivamente institucionalizada pela propaganda massiva. O ovo de chocolate e o coelho tornaram-se símbolos da semana da paixão e morte de Cristo. Um período apropriado à meditação, à oração, reverteu-se em festa do chocolate.

Os marqueteiros não combinaram com a Igreja, tão conservadora nos assuntos sobre sexo, pois, coelho é o símbolo de procriação, de fertilidade, e chocolate é alimento afrodisíaco. Portanto, os símbolos da semana santa moderna, inventados pelo comércio, são apologias ao sexo.

Sou apegado às tradições, tenho boas recordações da semana santa de meu tempo de criança.

Iniciava no Domingo de Ramos quando se comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém montado em um burrico. Seus discípulos trouxeram dois jumentos puseram em cima deles suas vestes, sobre elas Jesus montou. A multidão cortou ramos de oliveiras, espalhou-os pela estrada, formando um tapete de folhagem para o Rei dos Reis passar, em cima de um jerico. O povo acompanhava Cristo, clamava: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Entrando Jesus em Jerusalém, toda cidade se alvoroçou. Perguntavam Quem é este? E a multidão clamava: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia.” Assim aprendi lendo a Bíblia.

Essa parte da história de Cristo é muito emblemática. Entrada triunfal num jerico, logo depois, traído e crucificado. Entretanto, para moçada dos anos 50, o melhor do Domingo de Ramos era a procissão. Ela iniciava na Catedral, os colégios femininos religiosos compareciam: São José, Sacramento, desfile de meninas bonitas, a moçada assistia a procissão na intensão de paquerar as belas alunas. Um olhar, um sorriso, um piscar de olho valia a pena se postar à beira da calçada assistindo a procissão se arrastar pelo calçamento.

O feriado começava na quinta-feira santa, a partir desse dia era proibido comer carne, em compensação minha mãe cozinhava um delicioso bacalhau, arabaiana, camarão, feijão e jerimum ao coco, bredo; uma delícia. Pena que esses deliciosos manjares dos Deuses só venham à mesa na semana santa.

Na noite da quinta-feira havia uma brincadeira perigosa. A meninada saía em bando, cinco a seis moleques para “serrar velho”. A serração do velho é uma tradição europeia conhecida desde o século XVIII. Na Antiguidade reunia-se um grupo de brincalhões, diante da casa de um velho, na noite da quinta-feira santa serravam uma tábua com muito ruído, muito choro, muito lamento. Os velhos serrados irritavam-se com a brincadeira. Pela crença popular, velho serrado não chegava à outra Quaresma. Na minha juventude fazíamos o ritual bem parecido.

A garotada cantava alto acordando a vizinhança: “As almas do outro mundo, vieram lhe avisar que deste ano o senhor não vai passar”. “Encomende a alma a Deus, que seu corpo já não vale nada” e líamos um bem humorado testamento em versos. Os velhos ficavam brabos. Levamos muitas carreiras. Seu Pádua, um velho ranzinza da Avenida da Paz, quando cantávamos seu “testamento” jogou um penico cheio de xixi e me molhou da cabeça aos pés. Corri para casa, lá tomei um demorado banho e retornei ao local do crime, onde os amigos estavam às gargalhadas.

Na Sexta-feira da Paixão parecia que o mundo havia se acabado. As rádios só tocavam músicas clássicas ou fúnebres, era proibido ir à praia, até sorrir. As prostitutas fechavam as portas dos cabarés de Jaraguá, e o balaio; nem pensar numa fortuita noite de fornicação.

Finalmente o sábado de aleluia. A moçada preparava um boneco de pano, o Judas, sempre com um nome de algum político ou algum inimigo público.

Quando às 10 horas, os sinos da Igreja dobravam anunciando a aleluia, a moçada caía de cacete malhando o Judas amarrado em um poste. Melhor do que malhar um Judas, era roubar os Judas dos vizinhos, dos pivetes.

Afinal chegava o domingo da ressurreição. Os padres contavam a história como Cristo depois de morto subiu aos céus. Hoje acontece um espetáculo pirotécnico com atores globais, para se assistir comendo chocolate e tomando vinho. Uma festa de celebridades.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

A MÃO DE JOANA

Na fila do supermercado Figueiredo contemplava o belo pescoço da senhora em sua frente. De repente a coroa virou o rosto. Ele reconheceu Joana, ficou feliz ao rever uma namorada de sua juventude.

Não pararam de conversar. Depois de ela guardar as compras no carro, sentaram num banco da pracinha, há muito não se viam e continuaram a conversa.

– E aí, você continua mulherengo?

– Estou solteiro. Dois casamentos não deram certos. Sou ainda o romântico incorrigível em busca de alguém para lhe substituir. Nunca encontrei.

– Você é um danado! Sempre gentil!

– Não é gentileza Joana. Depois de tantos anos, sou um sessentão e você beirando; uma mulher casada, respeito seu marido, mas posso dizer sem mágoa, você sempre foi a mulher de minha vida, nunca lhe esqueci, conservo esse amor bonito dentro de mim. Esse negócio de mulherengo é verdade, depois que você casou-se, perdi a esperança e descambei para as raparigas, tornei-me um grande boêmio, tive muitas mulheres, minha vida de mulherengo é fruto da dor-de-cotovelo por você ter me abandonado.

– Nosso amor foi bonito, todos falavam na cidade sobre o namoro avançado, uma paixão avassaladora, nós dois sem juízo, só pensávamos em estarmos juntos. Naquela época namorados não transavam, mas você queria muito. Uma paixão! Tarado por mim. Precisei eu me segurar muito para continuar virgem.

– Lembra na praia, no mar? Eu colocava a boia de pneu de caminhão dentro d’água, você estirava seu corpo fazendo os braços de remo, eu me segurava na borda da boia, por baixo as coisas aconteciam. Ninguém percebia. À noite eu ia para as casas de raparigas. Fazia o serviço pensando em você.

– Sem-vergonha! Como éramos alegres e descontraídos. O mundo era nosso!

– Como está o Adelmo, o homem mais feliz do mundo, o homem que tem você nos braços há 34 anos?

– Sendo sincera, afinal você é um grande amigo. Vivi bem esses anos com Adelmo, casamento normal, não era aquela coisa doida de nosso namoro. Nossos dois filhos estão bem, casados e independentes. Tenho um neto. Ano passado tive duas tristezas na vida: Adelmo arranjou uma namorada, menina nova, e o pior: descobri um câncer em minha mama, estou tratando, os médicos dizem que posso controlar a doença e viver ainda por muitos anos. Porém, não dá mais para controlar meu marido, ele está apaixonado pela sirigaita. Eu vivo só, ninguém sabe que se passa comigo, vivo indignada dentro de minha dignidade.

Figueiredo apertou sua mão, olhou nos seus olhos.

– Minha querida Joana, deixe a merda desse marido. Eu ainda lhe amo, sempre lhe amarei, estou à sua espera o dia que você quiser, ficaremos juntos o resto da vida. O mundo que se exploda! Amanhã estarei viajando, vou passar um mês no navio COSTA MARU, parte amanhã à tarde para Fortaleza, depois Europa. Quando eu voltar quero conversar com você. Está certo? Você promete que vamos nos ver? Dê-me o número de seu celular.

Despediram-se com beijo no rosto, um sorriso e um olhar profundo.

À noite, para esquecer o encontro com Figueiredo que não saía de sua cabeça, antes de dormir, Joana alisou o corpo do marido, beijou-lhe o pescoço, foi se achegando como pedisse um pouco de carinho, um pouco de atenção. Nesse momento Adelmo virou-se com cara irada.

– Não dá Joana, não quero pegar sua doença. Você tem câncer! Esqueceu?

Virou-se para o lado e adormeceu. Joana foi ao banheiro, chorou sentada no vaso por mais de uma hora, voltou para cama jurando nunca mais chorar por Adelmo, veio-lhe um ódio do marido, custou a adormecer.

Eram nove da manhã quando ela se levantou. Tomou café, trocou de roupa, foi ao cabeleireiro, à manicure. No shopping comprou roupas, almoçou. Em casa, por volta das três horas, arrumou a mala, escreveu uma carta simples para Adelmo. Tomou um táxi.

Ao entardecer o navio desencostava do caís. Na balaustrada da proa Figueiredo contemplava o mar, o casario ao longe diminuindo de tamanho. Ele se embevecia encantado com a cor do céu e do mar no início do por do sol. De repente, ele sentiu uma mão por cima da sua; ao olhar ao lado, sua alma encheu-se de felicidade, sorriu ao perceber que era a mão de Joana.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

AMOR PASSAGEIRO

Fabiano acordou-se meio zonzo, ressaca, estava deitado na cama de num camarote em alto mar, lembrava os detalhes do dia anterior quando embarcou no navio de luxo por volta de quatro horas da tarde, rumo à Belém do Pará. Guardou a mala no camarote, colocou um bermudão, camisa florada, foi à piscina, no bar pediu uísque enquanto o navio desatracava do cais, movia-se de lado feito um paquiderme de metal, tomou rumo à imensidão do Oceano Atlântico. O porto parecia se distanciar, a cidade do Recife foi se apequenando até desaparecer na linha do horizonte. À sua volta alguns passageiros à beira da piscina, outros turistas tomavam drinques comemorando a vida em alto mar. Fabiano entrou no clima de festa, entrosou-se com outros passageiros. Seriam três dias em alto mar até Belém, precisava preencher o tempo. Afinal era um rapaz de 25 anos, solteiro, sem algum compromisso. Com o olhar revistou encarando as passageiras, algumas interessantes. Apareceu o comandante do navio, contou aventuras e mentiras, tomou uísque, simpatizou com Fabiano, viajante solitário.

Às 20 horas o jantar foi servido, mesas distribuídas no amplo salão, Fabiano e mais quatro passageiros tiveram o privilégio de sentar-se à mesa do comandante, Sara e Raquel, irmãs, em torno dos 17 anos e sua tia, pernambucanas, viajavam para conhecer Belém, o outro convidado, um paulista de pouca conversa, dizia-se poeta. Depois do jantar o comandante se fez cupido obrigando os jovens a dançarem. Rolou alguns apertos e cheiros, as jovens estavam vigiadas por uma severa tia, depois da meia noite se recolheram. Fabiano deu uma volta no salão, ficou empolgado pelo olhar de uma coroa bonita, parecia ser rica em busca de aventura, sentou-se ao lado dela, conversaram, divertiram-se. A noite não havia acabado ela ficou bêbada, foi arrastada pelas amigas.

Esses eram os acontecidos da noite anterior lembrados por Fabiano deitado olhando para o teto do camarote. Levantou-se, tomou um banho demorado, ao vestir uma bermuda frouxa ouviu conversa, abriu a porta do camarote, duas camareiras tagarelavam. Ao vê-lo a mais baixa, rechonchuda, perguntou.

– Vai tomar café? Posso arrumar seu camarote?

Ele balançou a cabeça consentindo e dirigiu-se à sala de refeições, comeu apenas frutas. Ao retornar ao camarote, encontrou a jovem passando o aspirador, ela brincou, “pode entrar a casa é sua” e deu uma gargalhada provocante. Fabiano percebeu a beleza da gordinha, pele alva, cabelos encaracolados, boca carnuda, carmim, olhos oblíquos irradiando bom humor e sensualidade. Conversaram, divertindo-se, ela nascida em Macapá, morava em Belém, no final dessa viagem, entraria em férias iria gozá-las com a família.

Fabiano atraído pela graça espontânea e provocante de Verbena chegou-se perto, tirou o aspirador de sua mão, olhou nos olhos, pediu desculpas, encostou os lábios nos dela, Verbena abriu a boca. Durante o resto da viagem não mais fecharam a boca. Quando podia a camareira fugia para o camarote do amor passageiro onde ele explorava seu corpo, sua pele, seus encantos, até que dormiam. Amor em alto mar alcovitado por Netuno e Iemanjá, sentinelas entreolhando escotilha à dentro os dois amantes.

Em Belém Fabiano tomou hotel, esperou mais de uma semana por um navio menor para continuar a viagem aventureira, desejava conhecer, sentir, a imensidão exuberante região Amazônica, aportando nas pequenas cidades ribeirinhas até chegar a Manaus. Passou uma semana e meia de amor em Belém com Verbena, apreciando a belíssima cidade, tendo a namorada como cicerone. Fabiano conheceu suas quatro irmãs: Rosa, Hortência, Dália, Margarida, todas com nome de flor, além de Verbena, a bela camareira, seu amor passageiro e inesquecível. A viagem aconteceu há mais de 50 anos no navio Princesa Isabel.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

4ª FESTA LITERÁRIA DO PONTAL DA BARRA – 4ª FLIPONTAL

O Bairro do Pontal da Barra estará em festa no final deste mês. O bairro mais charmoso da cidade realiza através de sua comunidade e da Prefeitura de Maceió a 4ª FLIPONTAL. Serão três dias: 30, 31 de março e 1º de abril de muitas palestras, mesas de debates, oficinas, shows, folclores, desfile de moda renda organizado pelas mulheres rendeiras.

O destaque, o acontecimento inédito em todo o Brasil será na tarde da sexta-feira, 1º de abril o Sarau Poético e Musical dentro de uma escuna navegando pela Lagoa Mundaú até o por do sol. Enquanto a embarcação singra pelas tranquilas águas da lagoa, haverá recital de poesia, leitura de textos, música. Um programa cultural para lá de fascinante. Todos convidados para os três dias de muita literatura, cultura e o incentivo à leitura.

Das 9:00 horas da manhã até às 23:00 horas haverá sempre alguma atividade para crianças, marmanjos e velhinhos. Tudo grátis, não paga nada para assistir uma palestra ou um show. Levem seus filhos ou seus alunos. Só visitar o bairro do Pontal encanta os olhos, o bairro das mulheres rendeiras, tem bons restaurantes, e uma vista magnífica à beira da lagoa. Veja abaixo a programação.

Quarta-feira – 30 de março PALESTRAS Manhã (Auditório Lucy do Joazeiro)

9:00 – 9:50 – Mesa 1 – As funções essenciais à Justiça e os direitos dos cidadãos – Promotora de Justiça Karla Padilha (Alagoas)

9:50 – 10:40 – Mesa 2 – A Cultura e a Educação como transformadora de uma sociedade mais justa – Promotora de Justiça Vânia Cavalcanti Lima ( Alagoas)

10:40 – 11:30 – Mesa 3 Café Central, um ponto de luz na vida intelectual de Maceió, nos anos 30- Historiador Geraldo de Majella Marques (Alagoas) Tarde ( Auditório Lucy do Joazeiro)

14:00 – 14:50 – Mesa 4 – A História do Folclore da Política Alagoana – Escritor Temóteo Correia (Alagoas)

14:50 – 15:40 – Mesa 5 – Vida e Obra de Rosana Mont’Alverne – Editor e livreiro Luiz Carlos Elói (Minas Gerais)

15:40 – 17:00 – Mesa 6 – Entrevista ao vivo com a homenageada escritora Rosanna Mont’Alverne. Noite (Biblioteca Escola Silvestre Péricles)

18:30 – 19:30 – Mesa 7 – A República dos Palmares – Historiador Zezito de Araújo ( Alagoas)

Quinta-feira – 31 de março Manhã ( Auditório Lucy do Joazeiro )

9:00 – 9:50 – Mesa 8 – O Casamento da Poesia com o Cordel – Poeta Mírian Monte (Alagoas) Cordelista Jorge Calheiros (Alagoas)

9:50 – 11:30 – Mesa 9 – A Ocupação da BRASKEM em Maceió e suas consequências. Ambientalista Virgínia Miller (Alagoas) – Cientista José Geraldo Marques (Alagoas) – Bailarina Eliana Cavalcante (Alagoas) – Economista Elias Fragoso ( Alagoas) Tarde (Auditório Lucy do Joazeiro)

14:00 -14:50 – Mesa 10– História Política de Alagoas – Engenheiro e vice prefeito Ronaldo Lessa (Alagoas)

14:50 – 15:40 – Mesa 11 – Vida e obra de Douglas Apratto (Alagoas) – palestrantes: Professor Rodrigo Guimarães (Alagoas) e escritor Marcos Vasconcelos Filho ( Alagoas)-

15:40 – 17:00 – Mesa 12 – Entrevista ao vivo com o homenageado historiadora DOUGLAS APRATTO. Jornalistas e historiadores convidados. Noite (Biblioteca Escola Silvestre Péricles )

18:30 – 20:30 – Mesa 13 – Economia Criativa em Alagoas. Desafios e Perspectivas. Edna Lopes Praça São Sebastião ( shows)18:00 – Lamba Show –Luciano Falcão – Gustavo Gomes – Samba do Tabuleiro Sexta-feira –

1º abril Manhã (Auditório Lucy do Joazeiro)

9:00 – 9:50 – Mesa 14 – Entender a história é se preparar para entender o mundo – Historiador, Juiz de Direito Claudemiro Avelino.(Alagoas)

9:50 – 11:30 – Mesa 15 e 16 – Viajando na Literatura da nossa gente – União Brasileira de Escritores Tarde ( Lagoa Mundaú)

14:30 – 18:00 – Sarau Poético- musical embarcado, navegando numa escuna na lagoa Mundaú.. Noite (Biblioteca Escola Silvestre Péricles)

18:30-19:30 – Mesa 17 – A História do Livro na Existência Humana – Cássio Cavalcante (Ceará) Praça São Sebastião ( Shows)

18:00 – Desfile de Moda Renda – Cibele dança Flamenco – Banda Artefato – Juarez Cashe