DEU NO JORNAL

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O MODELO LULISTA DE CRESCIMENTO PELO CONSUMO ESTÁ ESGOTADO

Editorial Gazeta do Povo

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Lula e o ministro Alexandre Silveira no lançamento do programa Gás do Povo, em setembro de 2025

O agronegócio, tão demonizado pelo PT e pelo presidente Lula, segurou a economia no segundo trimestre deste ano, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE em 1.º de setembro: a elevação de 0,5% no PIB foi bancada pela agropecuária, que cresceu 2,8%, enquanto serviços e indústria permaneceram estáveis, com elevação de 0,2% e 0,1% respectivamente. O dado mais relevante, no entanto, surge quando se mede o PIB pelo lado da demanda: a redução de 0,4% no consumo das famílias, que aponta para o possível esgotamento de um modelo muito caro ao lulopetismo: o de fazer a economia crescer apostando no gasto público e no estímulo irresponsável ao consumo.

“Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido nosso problema” – foram essas as palavras de Lula na última reunião ministerial de 2025. A afirmação do presidente tem um fundo de verdade: se o povo tiver mais dinheiro em suas mãos, seu poder de compra cresce, o consumo nacional aumenta, as empresas passam a vender mais, a gerar mais empregos e a pagar mais impostos. A melhoria é geral. O detalhe, no entanto, é que há formas saudáveis e formas nocivas de colocar mais dinheiro nas mãos do povo. Lula escolheu essas últimas, e agora a conta chegou.

O meio mais sólido de aumentar o poder aquisitivo da população é pelo crescimento dos salários. Esse meio, porém, depende do desempenho da economia nacional, da taxa de crescimento da produção do país e, especialmente, da produtividade econômica. Ele depende da expansão da estrutura empresarial, do ambiente de negócios e da qualidade das instituições como condição estimulante da iniciativa empreendedora. Lula, em vez disso, preferiu atalhos como políticas de aumento real do salário mínimo, e agora investe em plataformas como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho com manutenção dos salários.

Quando o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertou que aumento de salários sem elevação na produtividade criaria pressão inflacionária, Lula o criticou de forma falaciosa, afirmando que Campos Neto não queria que o brasileiro ganhasse mais. Recentemente, os diretores do BC, agora todos indicados pelo petista, têm afirmado nas atas e comunicados das reuniões do Copom o mesmo que Campos Neto dizia; por exemplo, quando constatam que “a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, e quando afirmam ser necessária uma “avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”. Se a linguagem mais técnica escapa à capacidade de compreensão de Lula, ou se o presidente escolheu ignorar o aviso, não se sabe; mas isso não anula o acerto da observação.

Um segundo meio para colocar “dinheiro na mão do povo” é a doação feita pelo governo às pessoas via programas sociais. É um caminho em que Lula tem investido pesadamente em busca de votos para sua reeleição, ignorando que a ampliação da transferência de recursos públicos para o bolso da população esbarra em dois obstáculos: a carga tributária brasileira já ultrapassou o limite do razoável, e não há espaço para aumento de impostos destinados a financiar mais programas sociais; e o governo já se tornou cronicamente deficitário, necessitando urgentemente de uma redução do gasto público. A gastança e os déficits forçam o Banco Central a elevar os juros, o que por sua vez afeta de forma decisiva o terceiro meio para colocar mais dinheiro no bolso dos brasileiros: a expansão do crédito bancário às pessoas físicas.

Aqui, a situação brasileira é complexa e explica por que as famílias colocaram o pé no freio do consumo. O governo plantou gastança e colheu inflação, juros e endividamento. Os juros nas linhas de crédito ao consumo se tornaram muito altos, e o grau de endividamento pessoal no país atingiu níveis elevados e preocupantes. A Confederação Nacional do Comércio informa que 82% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida – o maior número da série histórica –, incluindo as dívidas caras e com taxas de juros elevadas (caso do cartão de crédito e cheque especial). Três em cada dez endividados admitiram estar inadimplentes, parcela que sobe para quatro em cada dez entre os endividados que ganham até três salários mínimos mensais.

Em seu segundo mandato, Lula e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, deram início à “nova matriz econômica”, que consistia em fazer a economia crescer pela via do consumo, do governo e das famílias. Dilma Rousseff levou adiante esse modelo, com a ajuda de um Banco Central que manteve os juros artificialmente baixos. De início, vieram os “PIBões” e o desemprego caiu, mas o modelo era insustentável e seu esgotamento levou à pior recessão de nossa história. Lula 3 está repetindo a dose: gasta como se não houvesse amanhã, e estimula o brasileiro a gastar com programas sociais, “Desenrolas” e novas linhas de crédito, sem fazer as reformas legais e institucionais que melhorem o ambiente de negócios, sem elevar a segurança jurídica, sem aumentar a confiança nas institucionais, sem incentivar os investimentos privados, nacionais e estrangeiros, sem reduzir a carga tributária e sem eliminar o inferno de normas e regulamentos que desanimam os investidores. Agora, sua demagogia barata e deseducativa está chegando ao limite.

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JÁ PASSOU DO BILHÃO

O governo Lula (PT) conseguiu torrar cerca de R$ 90 milhões com viagens nas últimas duas semanas.

Segundo dados do Portal da Transparência, o total de despesas com descolamentos já ultrapassa R$ 1,3 bilhão em 2026.

Foram R$ 735,8 milhões com diárias distribuídas a funcionários e outros R$ 560,3 milhões com as passagens aéreas.

O total não inclui a fortuna gasta nas viagens de Lula e da primeira-dama Janja.

* * *

A gastação do nosso suado dinheiro chegou ao bilhão neste ano de 2026.

Sem contar o desperdício do Descondenado e da sua cuidadora.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

A cachorra Xolinha, mascote do JBF, de tabaca arrombada com a gastança irresponsável do guverno lulo-petralhla

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A MANDO

Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues respondeu ao STF sobre a suposta arapongagem contra o ministro André Mendonça.

Disse que enviou os relatórios a mando de Alexandre de Moraes.

* * *

Agiu corretamente: foi disciplinado e cumpriu a ordem do chefão.

Seguiu o regulamento.

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O SINCERICÍDIO DE GABRIELLI SOBRE OS RUMOS QUE LULA DESEJA PARA A ECONOMIA

Editorial Gazeta do Povo

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José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, disse que é “fake news” falar em crise fiscal

José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, é uma figura em uma posição curiosíssima: é o coordenador do programa de governo da campanha de Lula à reeleição, mas está desautorizado a falar sobre um dos principais temas da campanha, a economia – tarefa que foi delegada ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, no que é praticamente um desvio de função. Felizmente, no entanto, Gabrielli nem sempre se segura e comete alguns sincericídios que dão pistas muito concretas sobre para onde Lula quer conduzir a economia brasileira, caso seja reeleito. E mostra que, apesar das promessas de Durigan ao mercado financeiro, o petismo não abandonará tão cedo seu característico terraplanismo econômico.

Em entrevista à Folha de S.Paulo no fim de agosto, Gabrielli afirmou que “não existe uma questão fiscal, ou uma crise fiscal. É meio fake news isso. Não há nenhum motivo para pânico”. No mesmo dia da entrevista, o Banco Central informava que a dívida pública havia chegado a 82,5% do PIB, número muito acima da média latino-americana e dos países emergentes, e o maior valor da série histórica descontando-se a época da pandemia de Covid-19. Além disso, as contas públicas seguem registrando sucessivos rombos – a meta fiscal só será cumprida porque várias despesas estão excluídas do cálculo, fazendo do déficit primário oficial uma ficção que o mercado financeiro já desconsidera.

Mesmo os dois indicadores que Gabrielli cita em sua defesa – a inflação e o desemprego – também tem uma explicação que não ajuda o governo. O IPCA, por exemplo, só está desacelerando graças ao Banco Central e sua política monetária contracionista, necessária para se contrapor à gastança do governo; e a deflação de agosto se explica pelo “bônus de Itaipu”, que baixa os preços da energia elétrica de forma excepcional. Quanto ao mercado de trabalho, ele tem se beneficiado da estratégia petista de manter a economia artificialmente superaquecida, e a experiência de crises anteriores também mostra que o desemprego costuma ser o último indicador a se deteriorar em épocas de recessão – e o último a se recuperar totalmente quando a economia volta a crescer.

Essa negação da realidade não é exclusividade do coordenador da campanha lulista. Quase um ano atrás, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmava que a menção a uma crise fiscal “é um delírio que eu preciso entender do ponto de vista psicológico, porque, do ponto de vista econômico, eu não consigo entender”. Até mesmo Durigan, apresentado como a face “fiscalmente responsável” da campanha, já afirmou em entrevista que a culpa dos atuais juros altos não é do Ministério da Fazenda ou da política econômica gastadora de Lula, afirmando que “o debate fiscal importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil” – de fato é a resposta fácil, mas apenas porque é a resposta escandalosamente correta.

Gabrielli, obviamente, não se autoproclamou coordenador do programa de governo lulista contra a vontade do presidente; se está onde está, pensando da forma como pensa, é porque Lula o quis nesta posição. E isso é tudo o que precisamos saber sobre como Lula planeja conduzir a economia caso seja reeleito, por mais que Durigan ou algum marqueteiro tente apagar os incêndios causados pelo sincericídio de Gabrielli, afirmando que ele não fala em nome de Lula, ou fazendo promessas de ajuste fiscal que não convencem mais ninguém. O próprio presidente, recorde-se, fugiu de uma pergunta direta sobre a política fiscal em entrevista ao Jornal Nacional, preferindo criticar a apresentadora Renata Vasconcellos. Não há como enxergar boas perspectivas para a economia em um eventual Lula 4.

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