DEU NO JORNAL

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APOIO DOS BEIÇOLAS

A dias da eleição, o governo Lula descobriu uma “urgência” de R$ 64,3 milhões para ações em comunidades indígenas.

A grana saiu por crédito extraordinário, reservada para gastos urgentes e imprevisíveis.

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Pouquinho. MInxaria.

Um tiquinho de nada: apenas 64,3 milhões.

Esta verba tem uma finalidade muito importante:

Tomar providências pra aumentar os beiços dos caciques.

Isso pra que eles possam lamber o saco dele com mais vigor.

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É MILHÃO QUE SÓ A PESTE

Lula (PT) nunca desaponta aqueles que apostaram que o presidente manteria o padrão de gastança do nosso dinheiro na rápida passagem por Nova York (EUA) para alugar ouvidos na Assembleia Geral da ONU.

O petista ficou menos de 48 horas em solo norte-americano, mas a fatura somente em hospedagem já ultrapassa os R$ 3,2 milhões. A sempre numerosa comitiva de aspones, que rendeu até reportagens na imprensa internacional, continua constrangendo os diplomatas brasileiros.

Com o exército de aspones, a comitiva se dividiu em duas. Todos se refestelaram em dois dos mais exclusivos hotéis de Nova York, claro.

Lula se isolou no Grand Hyatt New York, altíssimo padrão, conta paga por antecipação: R$ 2.217.655,99 por dois pernoites.

A maior parte da comitiva aboletou-se no Hotel Park Lane e a farra custou ao pagador de impostos R$ 1.014.867,56, afora os “extras”.

O staff de Lula ainda incomodou a cidade alugando cavaletes para bloquear o trânsito na porta do hotel: foram mais R$ 8,7 mil gastos.

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Os vagabundos da comitiva lulosa torraram R$ 3.200.000,00 em apenas 48 horas!!!

Como eu já disse aqui outras vezes, isso é o tipo de conta que deveria ser paga apenas pelos descerebrados que votaram no Descondenado.

Mas, no final da história, nós todos, os contribuintes da banda decente deste país, também ajudamos a pagar este absurdo desperdício.

Sai do bolso da gente, os pagadores de impostos.

É de lascar!!!

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

A cachorra Xolinha, mascote desta gazeta escrota, de tabaca arrombada com a gastança luleira do nosso dinheiro.

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ELEITOR NÃO PRECISA DE BABÁ

Guilherme Fiuza

Pesquisas eleitorais não são profecias: cabe ao eleitor avaliar os números com discernimento, sem esperar que o Estado regule sua consciência

Muito já se discutiu sobre a definição de regras para divulgação de pesquisas eleitorais. A principal preocupação é que as pesquisas não induzam, de alguma forma, a escolha do eleitorado. É hora de admitir: as pesquisas de intenção de voto nunca foram o problema.

Já se cogitou proibir pesquisa próximo das eleições, já se imaginou restringir avaliações de intenção de voto fora dos períodos de campanha, já se propôs regular os vínculos mercadológicos dos institutos. Nada disso resolveria e jamais resolverá o problema — que está concentrado num lugar só: a cabeça do eleitor.

Assim como nas questões relativas à credibilidade da imprensa, o que vai resolver a questão da escolha eleitoral independente é o discernimento do indivíduo. Essa constatação não simplifica o problema. Ao contrário, estamos na era do policiamento das consciências. Hoje, com o pretexto de salvar as sociedades das más influências (das “ondas de ódio” e de “desinformação”, por exemplo), até censura prévia virou defesa da democracia.

Mas pode ser que não. Às vezes, determinados movimentos históricos surpreendem a inércia aparente e atropelam as nossas percepções. Seria a melhor notícia do mundo a falência, no curto prazo, do modelo de Estado-babá do cidadão.

Essa semente autoritária está na raiz da maior parte dos problemas de comunicação da atualidade. A própria imprensa andou trabalhando pela automutilação ao defender excrescências como a figura da “narrativa antiestatal” — uma forma tosca de estigmatizar o exercício livre da crítica ao poder. A consciência do indivíduo não precisa de regulação.

Assim é também no universo do debate eleitoral. Nenhum disciplinamento de pesquisas de intenção de voto será suficiente para eliminar tendências ou até distorções (falando-se do universo da boa-fé, fora tudo que existe fora dele). O próprio histórico de desencontros frequentes entre pesquisas e resultados de eleição seria suficiente para relativizar as projeções.

Quem tem que fazer essa relativização? O Estado? Alguma norma eleitoral? Alguma agência de checagem? Não. É o próprio eleitor, numa conversa franca consigo mesmo. Neste exato momento, há uma razoável variedade de projeções para a diferença de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro. É mais do que suficiente para mostrar que pesquisa não é profecia.

Recentemente, o diretor de um instituto de pesquisa declarou que a rejeição a Lula estava ligada ao fato de o PT, segundo ele, ter tirado os pobres da miséria. É uma leitura, no mínimo, intrigante. Ela precisa saltar sobre todos os escândalos de corrupção verificados nas administrações petistas e até sobre as derrocadas econômicas — como a recessão recorde de meados da década de 2010 — que empobreceram profundamente a população.

Advogar que a razão central para se reprovar o PT é uma espécie de recalque elitista seria exótico para qualquer um. Para um diretor de instituto de pesquisa, fica bem mais do que exótico. E só ilustra como os retratos e as abordagens trazidas via representação estatística não se tornam matemáticas por causa disso.

Se determinado veículo de comunicação divulga sistematicamente pesquisas de determinado instituto, o eleitor tem todas as condições de discernir, por si mesmo, se há alguma tendência a favor de determinada corrente política. E estabelecer sua própria régua de relativização — ou até, eventualmente, de desconfiança.

O poder da consciência individual não pode ficar fora de moda.

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RESPOSTA DE MENDONÇA A MORAES É CHANCE DE FACHIN MOSTRAR FIRMEZA

Editorial Gazeta do Povo

editorial mendonça moraes fachin

André Mendonça respondeu a pedido de investigação de Moraes afirmando que é o colega quem comete abuso de autoridade

Na segunda-feira, o ministro do STF André Mendonça entregou ao presidente da corte, Edson Fachin, sua manifestação no caso em que o colega Alexandre de Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O ministro que relata o caso do Banco Master, e que levantou o sigilo das mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes, não se deixou intimidar pela tropa de choque que tumultuou o julgamento de 15 de setembro e, em um contra-ataque certeiro, pediu a Fachin que arquive de vez o pedido feito por Moraes, e considere a possibilidade de investigá-lo, desta vez pelos crimes de abuso de autoridade e denunciação caluniosa.

No início de setembro, Moraes, inconformado com a publicidade dada por Mendonça às mensagens que revelavam uma relação de bastante proximidade entre banqueiro e ministro, e ao pedido de investigação feito pelo relator do caso Master, reagira fazendo o que faz de melhor: quis incluir Mendonça no seu instrumento particular de perseguição, o inquérito das fake news. Fachin negou o pedido, abrindo um procedimento separado (um erro que, como já explicamos, acabou dando munição aos chicaneiros do 15 de setembro), e depois assumiu ele mesmo a relatoria do “inquérito do fim do mundo”. Pois Mendonça mostrou, em sua manifestação, que Moraes o estava acusando daquilo que o próprio Moraes havia se acostumado a fazer na condução dos inquéritos abusivos.

É Moraes, e não Mendonça, quem assume múltiplos papéis no sistema acusatório, em um verdadeiro Dr. Fantástico jurídico. É Moraes, e não Mendonça, que dispensa ou contorna a Procuradoria-Geral da República quando lhe é conveniente. É Moraes, e não Mendonça, quem pressiona delatores para que eles confirmem narrativas pré-concebidas ou incriminem certas pessoas, como aconteceu com o tenente-coronel Mauro Cid. É Moraes, e não Mendonça, quem joga politicamente com o calendário de suas decisões.

E nem mesmo a alegação de seletividade, lançada por Moraes e sua tropa de choque contra Mendonça por pedir uma investigação apenas contra Moraes, se sustenta. Se o relator do caso Master considerou que já havia indícios suficientes no caso de Moraes, o óbvio passo seguinte era pedir a abertura da investigação, e Mendonça o fez de forma perfeitamente regular, encaminhando o caso à presidência da corte. Isso não impediu, não impede e não impedirá que outros ministros sejam alvo de pedidos similares à medida que surjam elementos que os compliquem – como parece estar ocorrendo, agora, com Kassio Nunes Marques. A estratégia sugerida por Gilmar Mendes, de primeiro levantar todos os magistrados que possam ter cometido crimes em suas relações com Vorcaro, para só depois pedir as investigações, é malandra por seu caráter escancaradamente protelatório. Quando a isso se junta a ideia de analisar, na mesma sessão, pedidos de investigação por razões totalmente diferentes – os laços reais de Moraes com Vorcaro, e o inexistente abuso de autoridade de Mendonça –, a malandragem se torna desonestidade total, ao estabelecer uma equivalência moral impossível sob a bandeira do “ou investigam-se todos ou não se investiga ninguém”.

Este é o momento em que o presidente Fachin precisa tomar de vez as rédeas da situação. No dia 15, ele acabou engolido pela tropa de choque, mas tem a chance de se redimir. Já acertou quando retirou da pauta o pedido de Moraes contra Mendonça, pois ele jamais poderia ser julgado sem a conclusão da questão de mérito levantada pelos chicaneiros Gilmar e Flávio Dino. Mas ainda é preciso fazer mais.

Pedidos de investigação bem fundamentados não podem receber o mesmo tratamento de pedidos de investigação protocolados por vingança, com base em documentos apócrifos sem valor probatório, de baixa confiabilidade e recheados de ilações, possivelmente produzidos por meio de uma arapongagem ilegal. Bem sabemos que Fachin já sinalizou uma análise em plenário do pedido de investigação feito por Moraes contra Mendonça, mas o pedido de arquivamento entregue pelo relator do caso Master é a chance de o presidente do STF repensar essa decisão, e mandar para a lata do lixo uma peça claramente inepta e oportunista.

Fachin já tentou uma solução de compromisso quando Dino atropelou Mendonça no caso do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. Mas isso só serviu para aumentar a confiança dos ministros empenhados na blindagem mútua; isso ficou evidente na sessão de 15 de setembro. O começo da recuperação da credibilidade do Supremo dependerá da firmeza do seu presidente, e isso passa por reconhecer que não se está diante de um conflito entre ministros por questões nas quais a divergência é legítima, mas de um embate entre aqueles que desejam ver os fatos esclarecidos e aqueles que desejam manter tudo nas sombras. É preciso tomar lado – não o de um ministro, mas o da justiça.

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LULA USA BOLSA FAMÍLIA PARA CARTADA ELEITOREIRA

Editorial Gazeta do Povo

No fim de agosto, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, apresentou a Lei Orçamentária Anual de 2027, afirmando que não estava previsto nenhum reajuste para os R$ 600 pagos atualmente no Bolsa Família. Duas semanas depois, a mágica orçamentária petista fez surgir da cartola uma “folga” supostamente gerada por um suposto cumprimento da promessa de zerar a fila do INSS – e bote-se “suposto” nisso, pois a proeza só foi possível graças a uma mudança de critérios. “Vamos ajustar a Lei Orçamentária de 2027, que o senhor já encaminhou ao Congresso Nacional, para acomodar o reajuste do Bolsa Família”, anunciou Moretti, ao lado da ministra Miriam Belchior, da Casa Civil, na cerimônia em que o presidente-candidato Lula assinou o reajuste eleitoreiro de 15%, elevando o piso do benefício dos atuais R$ 600 para R$ 691.

Evidentemente, haverá de ser pura coincidência o fato de esse espaço no orçamento ter “aparecido” – e isso é pura força de expressão, pois o governo não tem dinheiro em caixa, sempre gastando mais do que arrecada – a duas semanas do primeiro turno das eleições. Também é totalmente acidental o fato de que o aumento começará a cair no bolso dos beneficiários em meados de outubro, alguns dias antes de um segundo turno que promete ser extremamente disputado, com pesquisas que já mostram Flávio Bolsonaro numericamente à frente do petista, ainda que dentro da margem de erro – algo que não ocorria (ou ao menos não ocorria com tanta frequência) quando o ministro Moretti descartou reajustes no Bolsa Família, ao fim de agosto. Os mais sarcásticos haverão de dizer que os beneficiários deveriam ser mais agradecidos ao candidato da oposição que ao presidente da República…

Se tem cara de medida eleitoreira, cheiro de medida eleitoreira, gosto de medida eleitoreira, a conclusão é óbvia: de fato trata-se de medida eleitoreira, uma tentativa final de capturar um eleitor que, tendo visto a manutenção dos programas de renda mínima em governos não petistas, como os de Michel Temer e Jair Bolsonaro, já não cai em ameaças apocalípticas sobre o “fim do Bolsa Família” em caso de vitória da oposição. Com esse mesmo eleitor percebendo uma inflação persistente, que só arrefece porque o Banco Central se contrapõe à gastança inflacionária do governo, sobra a solução fácil de “colocar dinheiro na mão do povo”, como disse Lula em uma reunião ministerial de 2025, e torcer para que um modelo que já dá sinais de esgotamento sobreviva até o fim de outubro.

O reajuste já está sendo contestado na Justiça. Uma ação movida pelo deputado Zé Trovão no Tribunal Superior Eleitoral foi rejeitada pelo ministro André Mendonça por questões processuais – o parlamentar não tinha legitimidade para protocolar a ação. Mendonça ainda é relator de outra ação, do também candidato ao Planalto Renan Santos. No STF, Gilmar Mendes atendeu a pedido da Advocacia-Geral da União e afirmou que o reajuste é constitucional. No Tribunal de Contas da União, o subprocurador-geral Lucas Furtado, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), pediu a suspensão do decreto presidencial, alegando que ele cria “despesa obrigatória de caráter continuado” sem aprovação de lei – e haja despesa: quem vencer em outubro herdará uma conta de cerca de R$ 90 bilhões ao longo dos próximos quatro anos, apenas com esse reajuste. Um governo empenhado em realizar um ajuste fiscal talvez consiga (a muito custo) acomodar essa despesa sem grandes solavancos; já para um governo gastador como o petista, os R$ 90 bilhões não passarão de mais um entre tantos gastos que provocam inflação (engolindo todos os ganhos do reajuste do Bolsa Família) e forçam o Banco Central a elevar juros, freando a economia.

E, ao que tudo indica, Lula não pretende parar por aí. Governo e equipe econômica tentam viabilizar aumento em outro benefício, o Pé-de-Meia; mais uma subvenção ao óleo diesel, para evitar uma alta no preço do combustível; e está em análise um novo programa de socorro a endividados pelo qual o Tesouro Nacional compraria dívidas antigas diretamente dos credores. “Estamos apresentando [a proposta] para o presidente levar para a campanha”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao jornal Extra. Pelo voto, vale tudo, inclusive piorar ainda mais a já muito maldita herança que Lula quer receber de si mesmo.

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A “ÉTICA DA MÁFIA” E O “CAPO” GILMAR

Editorial Gazeta do Povo

“Mesmo o colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética”, afirmou um exaltado Gilmar Mendes, em um dos seus vários momentos constrangedores na sessão em que ele ajudou a proteger seu colega Alexandre de Moraes, afundado até o pescoço em indícios de uma relação mais que indevida com o banqueiro Daniel Vorcaro. Uma escolha de palavras curiosíssima: pelo uso de um grupo criminoso como padrão de comportamento, pela comparação com a realidade dos fatos, e pelas atitudes do próprio Gilmar com seus colegas de Supremo Tribunal Federal.

Gilmar acusava seu colega André Mendonça de seletividade diante da possibilidade de que outros ministros do Supremo também estivessem enroscados com Vorcaro, já que o único pedido de investigação protocolado até o momento era contra Moraes. “Como se a gravidade da notícia variasse conforme o nome do magistrado a que se refere, ou conforme o tribunal que ele integra”, disse o decano, defendendo que ninguém poderia ser investigado até que se pudesse levantar todos os magistrados, de todas as instâncias, contra os quais houvesse indício de irregularidade, e só então se prosseguisse com qualquer tipo de providência ou investigação.

É o clássico caso da conclusão que não deriva da premissa. Que todo juiz, desembargador ou ministro seja investigado se houver indícios de negócios escusos com o banqueiro; quanto a isso não há dúvida. Mas é justamente esse o caso de Moraes – e, verdade seja dita, absolutamente nada do que apareceu até o momento chega perto do que se sabe a respeito das conexões entre Vorcaro e Moraes. Nem mesmo Dias Toffoli recebeu mensagens do banqueiro pedindo proteção e aconselhamento sobre viagem ao exterior (leia-se fuga), e o contrato do Master com o escritório Barci de Moraes supera tranquilamente todos os valores divulgados até agora a respeito das negociações pelo resort Tayayá.

A “gravidade da notícia”, portanto, não depende do nome do juiz ou do seu tribunal, mas dos próprios fatos. O que já existe é mais que suficiente para justificar a investigação contra Moraes, sem prejuízo de futuras investigações contra outros magistrados, do STF ou de qualquer outra corte. Mendonça não afirmou que não há motivos para investigar outros ministros; ele apenas concluiu que o caso de Moraes já está suficientemente maduro para se chegar a essa etapa. É Gilmar quem defende um método mafioso, a omertà: o silêncio em que um membro protege os demais, “mesmo que estejam eventualmente envolvidos”, para usar as palavras do próprio ministro. Foi isso que Gilmar e Flávio Dino executaram com maestria, na terça-feira, com a ajuda de Cristiano Zanin (pela ação) e Nunes Marques (pela omissão). Isso, sim, é decência para Gilmar: esconder os podres dos parceiros. Mas aquilo que é “ética” entre bandidos tem outros nomes quando se trata de agentes públicos, e alguns deles estão no Código Penal, como prevaricação ou obstrução de Justiça.

E Gilmar Mendes parece entender tanto de máfia que incorporou o papel de capo do Supremo Tribunal Federal. O ministro é o decano da corte, mas se comporta como se fosse o dono do tribunal. Em público, exige que os demais ouçam calados suas insanidades e acusações, mas interrompe os colegas quando bem entende para insultá-los, como fez com Mendonça na terça-feira. Privadamente, pressiona-os para que aceitem seus ditames. “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas (…) Você tem de sair do TSE também (…) Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”, afirmou Gilmar a Nunes Marques no WhatsApp em 8 de setembro, mesmo dia em que o decano também disse a Luiz Fux que lhe faltou “postura institucional” – possivelmente em referência ao julgamento na Segunda Turma em que se formou maioria para manter o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, medida que seria revertida posteriormente.

Aos amigos, o silêncio protetor; aos adversários, a intimidação. Quando diz que “até a máfia tem ética”, Gilmar Mendes não está usando uma hipérbole para criticar um comportamento que considera mais baixo que o de bandidos; ele está considerando que o código mafioso é algo digno de ser seguido. Não irá admiti-lo abertamente, é claro, mas seu comportamento o entrega. Fachin é o presidente, mas Gilmar é o capo do Supremo Tribunal Federal.

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A REAÇÃO DOS BRASILEIROS AO HORROR NO SUPREMO

Editorial Gazeta do Povo

Após a sessão desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal, que deveria decidir sobre a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes, mas terminou sem nem sequer definir uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes com o objetivo (alcançado) de tumultuar a análise, aqueles que sonham com um Brasil decente se questionam: e agora? A possibilidade de afastamento de Moraes e a abertura de uma investigação por iniciativa do Supremo se tornou ainda mais incerta e, no mínimo, será adiada, sem um horizonte concreto e previsível de tempo – considerando que Flávio Dino tem até três meses para segurar seu pedido de vista protelatório, é quase certo que tudo ficará para depois das eleições, ou até mesmo para 2027.

O que restava da respeitabilidade da corte derreteu-se ainda mais, quase completamente. o STF perdeu uma oportunidade – talvez a maior que lhe tenha sido oferecida nos últimos anos – para, de alguma forma, resgatar por iniciativa própria algo de sua própria dignidade, e começar o movimento de retorno à normalidade democrática. Definitivamente, não há o que celebrar diante do deprimente espetáculo oferecido por Alexandre de Moraes e sua “tropa de choque”, formada por Gilmar Mendes e Flávio Dino, com a colaboração ativa de Cristiano Zanin e a omissão de Nunes Marques, em uma sessão que Edson Fachin poderia ter conduzido de forma bastante diferente, caso tivesse usado as prerrogativas que o cargo de presidente da corte lhe confere. No entanto, por mais incrível que isso possa parecer, mesmo do mal é possível tirar algo bom, e o desfecho da sessão, embora frustrante, tem um lado positivo.

O caso Master serviu para que parte dos brasileiros – especialmente os formadores de opinião – finalmente dedicasse ao Supremo o olhar crítico que havia negado à corte ao longo dos últimos anos, enquanto ela foi expandindo seus poderes e limitando as liberdades até transformar o Brasil em uma juristocracia autoritária. Aquilo que esta Gazeta do Povo enxerga e critica há quase dez anos começou a ficar um pouco mais claro para a imprensa e a sociedade civil organizada; jornais que até pouco tempo atrás hesitavam (inexplicavelmente) em perceber a necessidade do impeachment começaram a sugerir e a propor essa medida.

A sessão de terça-feira teve o efeito de consolidar, entre os brasileiros que já se questionavam a respeito, o quadro de absoluta desqualificação e degeneração moral de vários dos ministros. Mesmo quem ainda se recusava a perceber o óbvio, diante do show de horrores protagonizado especialmente por Moraes, Dino e Gilmar, não teve como ignorar a realidade de um tribunal disfuncional, que tem entre seus membros pessoas comprometidas não com a justiça, mas com a impunidade e a blindagem mútua. As máscaras caíram a ponto de os questionamentos já não envolverem apenas possíveis crimes comuns cometidos pelos ministros (como corrupção passiva, advocacia administrativa, obstrução de Justiça ou prevaricação), mas também os abusos de autoridade, infinitamente mais graves, porque agridem diretamente a própria governabilidade.

E gostaríamos de acreditar que, nesta terça-feira, alguns dos protagonistas daquela sessão tenham se tornado verdadeiros contraexemplos para muitos jovens, especialmente aqueles interessados em seguir a carreira do Direito. Os que já estão no mundo das leis há um certo tempo se formaram, por exemplo, tendo em Gilmar Mendes um exemplo de constitucionalista respeitado. Mas que jovem estudante, hoje, desejará se espelhar no Gilmar Mendes chicaneiro, grosseiro, autoritário, perseguidor de críticos, desmoralizador da suprema corte? Que nossos acadêmicos e jovens profissionais usem o show de horrores do dia 15 como um incentivo para se tornarem o contraponto do que esses ministros representam.

Também esperamos que o absurdo desta terça tenha aumentado a possibilidade de que os atuais senadores se encham de um pouco de brio para assumir seu papel constitucional de contrapeso ao Supremo. O pusilânime Davi Alcolumbre é o presidente do Senado, mas não é seu dono. Uma maioria incansável e inteligente pode e deve encontrar um caminho para fazer valer sua vontade e dar início a um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes (e, talvez, não apenas contra ele). Mas, ainda que isso não ocorra, os olhos de muitos brasileiros hão de se abrir para a enorme responsabilidade de suas escolhas em 4 de outubro.

O próximo presidente da República nomeará ao menos quatro novos ministros para o Supremo – um para ocupar a vaga já aberta com a saída de Luís Roberto Barroso, e mais três que substituirão Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que chegarão à idade de aposentadoria até o fim de 2030. Dois terços do Senado serão escolhidos em poucos dias – e são os senadores que aprovam as indicações presidenciais, além de poder remover os ministros que já deram razões mais que suficientes para o impeachment. Que brasileiro, em sã consciência, haverá de desejar mais quatro Dinos, mais quatro Gilmares, mais quatro Alexandres na suprema corte?

A renovação do STF passa pela necessidade fortíssima, imperiosa, premente, de elegermos um presidente e sobretudo senadores realmente comprometidos com o retorno ao equilíbrio de poderes, ao respeito à liberdade de expressão e ao devido processo legal. O momento pede determinação e responsabilidade; pede que o brasileiro vote com toda a consciência, procurando informação de qualidade – consultando, por exemplo, o Placar STF ou o próprio levantamento desta Gazeta do Povo, com as posições que todos os candidatos ao Senado de todo o Brasil têm manifestado acerca do impeachment dos atuais ministros. Não erremos o nosso voto. Tenhamos presente que o próximo presidente da República precisará ser alguém disposto a colocar o Brasil nos trilhos e tirar as amarras que atrofiam tanto talento e tanto potencial.

Os brasileiros decentes podem retomar as rédeas deste país. Não é fácil, mas não é impossível, se cada um – do cidadão anônimo à autoridade – fizer o que está ao seu alcance. Só assim poderemos começar de verdade a lutar pelo que mais desejamos: um Brasil rico, decente e seguro, vibrante, cheio de oportunidades para todos os brasileiros, em uma transformação esplêndida para nossa nação.