Garanto faz muito tempo Que o boi malhado morreu, Era um animal bonito! Mas a desdita o venceu. E foi só falta de sorte, Recordo bem essa morte, Uma serpente o mordeu.
Lá no alpendre do meu rancho, Na coluna de madeira, Só para recordação, Penduramos a caveira. Hoje é lar de passarinho, Cambaxirra fez seu ninho, Ave engenhosa e Matreira.
Andei vendo um movimento, Na caveira pendurada, Cheguei perto para ver, E fiquei admirada! A ave saiu voando, Eu fiquei de longe olhando, A cambaxirra assustada.
Logo, logo descobri Que havia ali um casal. Os dois muito parecidos, Levando material, Para o ninho reforçar, E os ovinhos abrigar, De maneira especial.
Não tem chuva, não tem vento, Para o ninho derrubar. A escolha foi divina, Eu posso até apostar! Tem ciência e tem beleza, As tramas da natureza, Engenho a nos encantar.
Quando sinto que a tristeza Se avizinha do meu peito Na danada dou meu jeito Pra isso tenho destreza Busco no canto a leveza Para os males espantar Quem quiser pode chegar Que esse canto é de união Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Dalinha Catunda
Eu voltei a ser criança Brincando pela varanda Numa roda de ciranda Gostei daquela festança Entrei de cara na dança Comecei rodopiar Formamos um belo par Dando volta no salão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Araquém Vasconcelos
Peguei na mão de Ritinha Que pegou na de Alcinete Lindicassia, bem coquete, Segurou a de Dalinha Enxerida entrou Bastinha Seguiram a requebrar Sempre a rodar,a rodar No ritmo da emoção: Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Bastinha Job
Na ciranda desta vida Volta e meia sempre dou Se as amigas vêm, eu vou Se não vêm, fico sentida Se Maria Aparecida Ou de Lourdes me chamar Largo tudo e vou dançar Pra tristeza eu digo não Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Creusa Meira
O zabumba toma a guia Dá balanço o chocalho Já se ouve um farfalho Vai subindo uma agonia O salão se contagia Todos querem rebolar E o desejo de dançar Tem a força de um vulcão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Giovanni Arruda
Vou brincar nesta ciranda Abra a roda por favor Vou girando como for Meus passos só Deus comanda Pus nos cabelos lavanda Quando o vento arrepiar Cirandeiros vêm cheirar Com grande satisfação Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Dulce Esteves
Deixe a rotina de lado Saia de dentro de casa Se divirta, extravasa, Vá prum forró arrochado Requebre bem apertado Dance a noite sem parar Com molejo a peneirar Dando voltas no salão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Joabnascimento
Nas noites alvissareiras Nas festas de São João, Eu fazia agitação Dançava nas brincadeiras Salão cheio de bandeiras O sanfoneiro a tocar Fazendo casais rodar Em geral a animação Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Jairo Vasconcelos
Agradecer cada dia A alegria de viver E fazer por merecer Saúde, paz e harmonia Bom mesmo é a euforia Rime se quiser rimar Cante se quiser cantar Diga não a solidão Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Francisco De Assis Sousa
Pesquisei nossa Ciranda. É na Cantiga de Roda, Que ela nunca cai de moda. É cantiga que sempre anda Nos festejos de varanda. Em rodas para dançar, Em festejo popular. Na roda, uns vêm outros vão. Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Rosário Pinto
Pra quem gosta de ciranda E dançar na luz da lua Vem ser meu e serei tua No toque de qualquer banda Pois é a gente quem manda A poeira levantar Vamos ver o sol raiar No batuque do coração Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Vânia Freitas
Em tempos de pandemia, Só mesmo fazendo festa. A jogada agora é esta: Em casa, ter alegria, Cantar e fazer poesia, Um Studio improvisar, Uma live organizar, Numa bela animação, Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Chica Emídio
A ciranda move a vida a vida gera cultura, é alegria segura é brincadeira aguerrida. A cadência é divertida quem tá fora quer entrar, com garra pisotear com desmedida paixão. Pegue aqui na minha mão Vamos juntos cirandar.
Saúde e prosperidade Eu desejo a cada amigo Que interagiu comigo Neste ano com lealdade Manter a nossa amizade É preito de gratidão Desejo de coração Um ano com muito amor E que a luz do Salvador Seja a nosa direção.
Eu hoje vivo na roça Recordando meu sertão, Pois é lá daquelas brenhas, Que retiro inspiração. Minha Árvore de Natal, Tentei fazer uma igual, Com alguma inovação.
Peguei garrancho no mato, Tirei as folhas, limpei, E numa lata de vinte Areia lá coloquei. E depois chegou a vez Do paninho de xadrez, Pra envolver a lata usei.
E como eu sou cordelista, Para a árvore enfeitar, Dependurei meus cordéis, Que tem tanto pra contar… Das histórias do sertão, Que trago no coração, E gosto de relembrar!
Minhas bonecas de pano? No Natal muitas ganhei! Como artesã de bonecas, Algumas eu pendurei, Frutos da recordação, Que marcam a tradição, Coisas que vivenciei.
Quando saí do Nordeste Mãe solteira, e minha cruz, Me apeguei no meu caminho, A santa Mãe de Jesus. Minha base a cada dia, Era Jesus e Maria. Meu caminho foi de luz.
Quem não tem capacidade Para seguir o seu roteiro, Pega o dos outros ligeiro, Dele faz sua verdade. Com toda sinceridade! Abro a boca pra dizer, E se você quer saber, Segredo não vou guardar: Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver.
Dalinha Catunda
Quem tem coragem na vida Enfrenta qualquer perigo Põe pra correr inimigo Vai com garra para lida Pela FÉ tá guarnecida E nada lhe faz temer Afirmo, pois, com prazer ninguém vai me derrubar Tem o diabo pra tirar Mas, tem Deus pra devolver.
Dulce Esteves
Nessa vida tem de tudo Gente ruim e gente boa Tem sol quente e tem garoa Tem buraco e viaduto Cabra frouxo e cabra bruto Tem o cego e o que vê Tem a noite, o amanhecer Mas no fim pode anotar Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver
Giovanni Arruda
Fé e força de vontade Pra enfrentar o problema Um pouco de estratagema E sempre usar a verdade, Pois quem tem idoneidade Não tem o que se temer, Mande bem e pra valer Deixe o demo se lascar: Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver.
Bastinha Job
Quando sou surrupiado Por alguém sem consciência Não perco minha decência Nem me sinto revoltado Da pena até do coitado A má ação faz sofrer Pequeno para entender Que quem erra vai pagar Tem o diabo pra tirar Mas tem Deus pra devolver.
1 Na estrada do Pai Mané Na cidade de Ipueiras Bem pertinho das Barreiras De imburana tem um pé Ele dá um bom rapé Pra quem sabe preparar Maria sabe torrar E tem grande freguesia O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
2 E naquela arrumação Meu pai era viciado No dedo era colocado Do rapé uma porção Com o tabaco na mão Pra no nariz esfregar E logo após aspirar Ele fungava e dizia: O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
3 Valdenira me indicou Disse mulher acredite Ele é bom pra sinusite Aqui mamãe sempre usou Depois que ela receitou Comecei a melhorar Nunca parei mais de usar Acabou minha agonia: O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
4 Garapa ficou sabendo Dessa história do rapé Foi direto ao Pai Mané Também estava querendo Com Maria se entendendo Resolveu logo pagar E não saiu sem provar do cheiroso nesse dia O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
O Nordeste também fez A tal mulher rebelada Desobediente, afoita Que não seguiu a manada Levantou sua bandeira Comendo chão e poeira Botou o pé na estrada.
Mãe solteira competente Concubina assumida Bem disposta muito amada Venta acesa e atrevida Que fez a sociedade Aceitar sua liberdade Com bravura destemida.
Cresceu e multiplicou Sem se tornar cutruvia A matriarca assumida Fez da vida o que queria Do cabresto bem distante Da vida virou amante Pois nada lhe reprimia.
Totalmente alforriada Com seu cabresto na mão Foi ela quem deu partida E atiçou seu alazão No rastro deixou história O seu fado e sua glória Virou lenda no sertão.
Eu vou contar uma história Daquelas de antigamente Que ouvi quando criança E guardei na minha mente Foi Tia Isa quem contou E eu agora aqui estou Passando a história a frente.
Sempre à boquinha da noite Com cadeiras na calçada Sentava-se minha tia No meio da criançada Que ouvia com atenção Detalhes da contação De cada história narrada.
Foi assim que me criei E abraço essa tradição Um ponto vou aumentando No transcorrer da oração Sem esquecer a magia Das histórias de titia Nas calçadas do sertão.
Pra não quebrar a magia Desse jeito de contar Vou imitar minha tia No modo de iniciar Descrever como ela fez Repetindo: ERA UMA VEZ Para a história começar.
Era uma vez uma mãe Que bem moça enviuvou Tinha somente um filhinho Dele muito bem cuidou Era a razão da sua vida Para a criança querida Carinho nunca faltou.
Um bom menino ele era Sempre muito obediente Auxiliava sua mãe Não fugia do batente Viviam em harmonia Um do outro companhia O que a deixava contente.