RODRIGO CONSTANTINO

A INDIFERENÇA MATA A DEMOCRACIA

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Venezuelano comemora com o filho em Brasília, após a prisão de Nicolás Maduro

Participei hoje cedo de uma entrevista com Gabriel Orozco, missionário da Venezuela que conseguiu fugir para o Brasil em 2021. Ele atravessou a fronteira pela mata, acompanhado da mulher e dos três filhos pequenos, enquanto um “coiote” os ajudava e apontava para os maiores perigos da travessia. Deixou pai e irmãos para trás, na miséria, sentindo que havia falhado em sua luta pela liberdade.

Quando Hugo Chávez assumiu o poder, Gabriel tinha apenas 9 anos. “Roubaram minha adolescência”, diz. Ele cresceu com um regime opressor socialista, e sua vida inteira adulta, até 2021, foi sob o regime tirânico de Maduro. Seu pai foi da Colômbia para a Venezuela há 40 anos, e criou uma grande construtora. Ela foi destruída pelo regime.

Com o projeto deliberado de destruir a iniciativa privada para gerar dependência do Estado, o governo da Venezuela se recusava a vender insumos para a empresa, pois o pai de Gabriel não era ligado ao partido socialista no poder. A miséria atingiu a todos: cerca de 8 milhões de venezuelanos buscaram o exílio em outros países, e os que ficaram passam fome, milhões usufruindo de uma só refeição por dia.

Perguntei a Gabriel quais as lições que nós, brasileiros, podemos extrair dessa tragédia toda na Venezuela. Ele respondeu: a indiferença. Muitos venezuelanos não foram votar lá atrás, pois consideravam todos os políticos iguais. Entre Chávez e Caprilles, muitos não ligavam qual seria o governante. Alguns cristãos repetiam que a política era o ambiente do diabo.

Houve traição de muitos da “direita” também, que depois se mostraram aliados do chavismo. Enquanto isso, com o povo desarmado e a oposição perseguida e desmobilizada, a ditadura foi avançando. Milhares de presos políticos passaram por tortura, jornalistas foram presos e as instituições foram aparelhadas.

Gabriel conclui que nada mais poderia ser feito de dentro do país, sem ajuda internacional. Enquanto gente de fora acusa Trump de “imperialista”, Gabriel e os demais venezuelanos enxergam o presidente americano como uma esperança para restaurar a democracia na Venezuela.

Ele sabe que não será fácil nem de imediato, pois a presidente interina, Delcy Rodriguez, é parte da estrutura chavista com seu irmão Jorge, com os ministros Cabello e Padrino. Trump, municiado por análises da CIA, concluiu que era preciso trabalhar num primeiro momento com esses criminosos para manter a ordem, mas espera-se que a pressão americana seja suficiente para uma transição de regime.

O futuro da Venezuela é incerto, mas é do interesse americano não permitir que a China siga explorando seu petróleo. E como Gabriel disse, os venezuelanos não se importam com o petróleo ou o diamante: eles pensam em suas famílias, na fome, na liberdade. Por isso enxergam em Trump uma chance para resgatar a democracia e a prosperidade perdidas com os socialistas.

Sobre o Brasil, Gabriel foi claro: pensem bem em quem votar este ano, pois essa escolha pode fazer toda a diferença no futuro. Pode ser a diferença entre a opressão na miséria e a prosperidade na liberdade. Socialistas sempre produzem um quadro de opressão e miséria. Depois é tarde demais.

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A CAPTURA DE MADURO, A GRITARIA DA ESQUERDA E OS “ISENTÕES”

José Fucs

maduro argentina

O ditador destituído da Venezuela, Nicolás Maduro, sendo transferido para o tribunal federal em Nova York, onde enfrenta julgamento por crimes ligados ao narcotráfico

Diante da operação promovida na Venezuela pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que levou à captura do ditador Nicolás Maduro e a seu posterior traslado para um prisão federal em Nova York, a gritaria da esquerda contra a ação americana revela muito sobre as ideias e os valores defendidos pelo grupo.

Enquanto milhões de venezuelanos celebravam a queda do tirano bolivariano, em meio a mensagens de júbilo de líderes da direita e defensores das liberdades em todo o mundo, inclusive no Brasil, representantes da esquerda, como Lula, o PT e sua tropa de choque, que apoiaram Maduro até o fim, saíram da toca para manifestar sua “indignação” e seu “repúdio” à ação de Trump.

Como num jogral bem ensaiado, eles afirmaram que a operação era “inaceitável”, alegando que o presidente “estadunidense”, como gostam de dizer, violou o “direito internacional”, a “soberania” da Venezuela e o princípio da “autodeterminação dos povos”. Não faltaram, porém, as reações mais estapafúrdias à iniciativa de Trump, refletindo de forma emblemática o espírito da militância esquerdista.

Em represália ao “ataque” americano, uma jornalista chegou a defender, por exemplo, um boicote à Copa do Mundo nos EUA, agora em junho.

Ironizando a reação do grupo, um meme em que um camelô oferecia a manifestantes pró-Maduro com keffiyehs uma bandeira da Venezuela, em troca de uma bandeira da Palestina, viralizou nas redes sociais.

Para essa turma, pouco importa que Maduro tivesse acabado com a democracia no país e estivesse à frente de um regime que só se mantinha às custas de fraudes eleitorais, do aparelhamento do Judiciário e de assassinatos, prisões arbitrárias e tortura de opositores. Nem que ele tivesse ligações com o narcotráfico e houvesse transformado a Venezuela numa cabeça de ponte para a China, a Rússia, o Irã e organizações terroristas como o Hezbollah ampliarem sua influência na América Latina.

Tampouco importa que cerca de oito milhões de venezuelanos ou 20% da população tenham se espalhado pelo mundo em duas décadas, no maior êxodo de que se tem notícia desde a Segundo Guerra Mundial, para fugir da repressão, da miséria e da fome predominantes no país. Nada disso, para eles, parece suficiente para justificar a ação armada promovida por Trump contra Maduro.

Agora, é preciso admitir que, apesar de sua visão sinistra dos acontecimentos, a esquerda pelo menos assume seus pendores claramente. Ninguém pode alegar que não sabe de que lado eles estão. Pior, bem pior, são os dissimulados, aqueles que afirmam “ah, eu não gostava do Maduro, mas acho errado o que o Trump fez; não é dessa forma que se resolvem as coisas”.

Trata-se de um balaio que reúne os “isentões” e o pessoal da social-democracia, do “socialismo democrático” e do que mais se possa chamar de centro-esquerda no Brasil. É gente como o governador gaúcho, Eduardo Leite, um ex-tucano (existe isso?) que migrou para o PSD, tido como opção preferencial do grupo para disputar as eleições presidenciais deste ano; o deputado Aécio Neves, presidente do PSDB; e a deputada Tabata Amaral, do PSB, entre tantos outros da mesma estirpe.

Eles repetem a ladainha da esquerda lulopetista contra Trump, mas, para posar de virtuosos, de “reserva moral da nação”, procuram dizer também que a queda de Maduro deveria se dar democraticamente, como se ele estivesse lá por livre escolha da população e como se fosse possível derrubar ditaduras sanguinárias e regimes autocráticos pelas regras do jogo democrático ou com paus e pedras.

É provável que, se dependesse dessa galera, os aliados teriam ido negociar a paz com Hitler com um buquê de flores à mão, promovido convescotes diplomáticos com Sadam Hussein, para convencê-lo a deixar o poder no Iraque voluntariamente, e convidado os terroristas do Hamas para uma confraternização em Israel, após os atentados realizados ao país em 7 de outubro de 2023.

Ironicamente, muitos de seus representantes são os mesmos que, por ódio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, passaram pano para as arbitrariedades do ministro Alexandre de Moraes e de alguns de seus colegas do STF (Supremo Tribunal Federal),e que agora, com ele fora do jogo eleitoral, defendem de cara lavada a “volta do país à normalidade” e o respeito aos códigos legais e à Constituição.

Por sua inércia e talvez até por conivência, eles são responsáveis, em boa medida, pela ascensão da extrema-esquerda na região, hoje já em franco refluxo, e por boa parte das mazelas que afligem a América Latina e sua população.

Embora tentem se apresentar como força política independente, na hora h sempre acabam sendo tigrões com a direita e se unindo à esquerda, como aconteceu em 2022 e mesmo em 2018, quando se aliaram ao PT para tentar derrotar Bolsonaro. E como aconteceu agora, no caso da Venezuela, com as críticas à ação de Trump contra Maduro. É difícil imaginar hoje que, até alguns anos atrás, essa turma era considerada “de direita” ou mesmo de centro-direita. Coisas do Brasil.

DEU NO JORNAL

DIFERENÇA DOS ZISTADOS ZUNIDOS

Ao contrário do Brasil, onde audiência de custódia é como porta giratória que libera criminosos presos, os Estados Unidos mantiveram a prisão de Nicolás Maduro.

A próxima audiência do ditador será dia 17 março.

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Tá certíssima a expressão “porta giratória”, pra se referir à tal audiência de custódia da republiqueta banânica.

A bandidadem sai se rindo-se com a cara mais lisa do mundo!

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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