Arquivo diários:6 de janeiro de 2026
DEU NO JORNAL
ALEXANDRE GARCIA
BANCO MASTER

Ministro do TCU determinou inspeção inédita no Banco Central por causa de liquidação do Banco Master
Estou escandalizado com o tratamento de proteção ao Banco Master e, mais do que isso, aos envolvidos com Daniel Vorcaro. Qualquer pessoa que não seja ingênua ou desinformada está percebendo isso. Agora é o Tribunal de Contas da União atrapalhando a estabilidade financeira do país por meio de um dos seus ministros, o ex-deputado do União Brasil de Roraima Jhonatan de Jesus (assim, com um H depois do J). Ele insiste: pediu informações ao Banco Central, o Banco Central respondeu, mas ele não ficou satisfeito. Agora, ele quer uma inspeção urgente e aprofundada para refazer os caminhos que levaram o Banco Central a decretar a liquidação do Master. Muita gente acha que o BC até demorou, mas Jhonatan de Jesus acha que não, que foi muito rápido, que havia soluções na iniciativa privada. Ele diz que tem de saber quais foram os motivos, se as decisões foram coerentes e proporcionais.
Enquanto isso, no Judiciário, o ministro Dias Toffoli chamou para o Supremo um assunto que estava na primeira instância, como se Vorcaro fosse presidente da República, senador, deputado federal. Usou como pretexto a história de que um deputado estava para fazer um negócio com o Master e não fez. A quem interessa o sigilo imposto por Toffoli? O artigo 37 da Constituição diz que essas coisas devem ter publicidade – inclusive e principalmente porque afeta milhares de investidores, vai torrar R$ 41 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos, é muito dinheiro.
Quem está sendo protegido nessas movimentações? A Febraban, representando 757 instituições financeiras e bancárias, está dizendo que o Banco Central tem autonomia, tem independência para fazer o que fez, que fez na hora certa e fez muito bem. Todos sabem que o Banco Central não brinca com essa história. E o TCU vai se meter nisso? Eu não sei se vocês conhecem a expressão Ne sutor ultra crepidam. Um escultor estava esculpindo uma estátua, passou um sapateiro e disse “essa sandália está mal feita!” O escultor agradeceu ao sapateiro e corrigiu a tira da sandália. Então, o sapateiro se achou no direito de dizer: “não gostei desse nariz”. E o escultor respondeu: “Sapateiro, não vás além da sandália”. Há sapateiros aí que estão indo além da sandália. Deixem que o Banco Central faça o seu trabalho.
* * *
Bancos presididos por gente poderosa já foram liquidados, e ninguém interferiu no BC
Só para vocês compararem, eu vi muitas liquidações de bancos. No governo Fernando Henrique Cardoso, foi o Banco Econômico, da Bahia. Antônio Carlos Magalhães estava envolvido; o presidente do banco era Ângelo Calmon de Sá, ministro da Indústria e Comércio no governo militar. Mesmo assim, ninguém se meteu a impedir a liquidação. Depois, foi o Banco Nacional, de Minas Gerais, que patrocinava Ayrton Senna, fundado por Magalhães Pinto, grande figura política, governador, senador, deputado, ministro; ninguém se meteu também. Mais recentemente, em 2009, foi o Bamerindus, presidido por Andrade Vieira, também ex-ministro; ninguém tentou barrar a liquidação. O que está acontecendo agora?
* * *
Arrumar motivos para um ditador não ser deposto é defender a ditadura, diz venezuelana
Maria Messano é uma venezuelana que trabalha em São Paulo, com estética feminina. Ela fugiu da Venezuela. Agora, gravou um vídeo, dizendo que “quem defende a ditadura é cúmplice do sofrimento do povo venezuelano. Não é petróleo, é nossa liberdade, democracia, eleições livres. O petróleo nosso foi usado para manter outras ditaduras, como a de Cuba”. E questiona: não podem tirar a ditadura em nome do direito internacional? Mas isso é uma defesa da ditadura, não é?
DEU NO X
DICA DE LEITURA
13 Razões para votar no PT .
😂😂😂😂😂😂😂😂😂 pic.twitter.com/W6bCuVuuez
— Nanibarbosa (@RosaneBonoro) January 5, 2026
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
O “ADEUS” DE TERESA – Castro Alves
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…
E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”
Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa…
E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”
Passaram tempos… sec’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
…Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — “Voltarei! … descansa! …”
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”
Quando voltei… era o palácio em festa! …
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! … Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa! …
E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

Antônio Frederico de Castro Alves, Bahia (1847-1871)
DEU NO JORNAL
DE MALAS CHEIAS
Após insinuar suposta proximidade com a Casa Branca, os irmãos Joesley e Wesley Batista agora devem enfrentar a ira norte-americana, em razão dos seus negócios na Venezuela que podem ter ajudado a prolongar a narcoditadura de Nicolás Maduro, criminoso finalmente atrás das grades.
Também causou estupefação no governo de Donald Trump a notícia de que os negócios dessa dupla com Maduro, que contaram com a interveniência do governo petista, foi colocada sob sigilo por Lula (PT).
Na oposição há a certeza de que não foram razões ideológicas que deixaram Lula nervoso, com a prisão do amigo e parceiro Maduro.
Além de negócios secretos de Joesley com o narcoditador, voltaram à tona os dólares de Maduro para a campanha presidencial do PT.
Em depoimento de 24 de fevereiro de 2016, Mônica Moura relatou em vídeo como recebia os milhões entregues a ela por Maduro.
Esposa e sócia de Santana, Mônica disse que recebia dinheiro das mãos do próprio Maduro “malas de dinheiro, várias” e “quase semanalmente”.
* * *
João Santana e Mônica Moura, o casal de marqueteiros de Lula.
Recebiam “malas de dinheiro” e “quase semanalmente”…
É dinheiro pra cacete!!!
Dinheiro doado por Maduro para a campanha presidencial do PT.
O Descondenado deve estar mesmo se cagando de medo com a prisão do amigo e parceiro Maduro.
Vai acabar ficando Podre.
CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS
LINCOLN (2012) – UMA OBRA-PRIMA CINEBIOGRÁFICA CARENTE DE ANÁLISES INTELIGENTES

Daniel Day-Lewis recebeu o Oscar de melhor ator interpretando Lincoln
A cinebiografia de Abraham Lincoln, obra-prima dirigida por Steven Spielberg sobre os últimos anos da vida de um dos presidentes mais fascinantes da história dos Estados Unidos da América, se passam durante o final da Guerra da Secessão em linhas gerais, conflito esse iniciado quando os estados do Sul do país criaram um movimento separatista e declararam sua independência do país, o que foi motivado pela divergência existente a respeito da abolição da escravidão. Essa guerra foi a pior da história americana, com saldo de cerca de 600 mil mortos.
A bem da verdade, por mais que possa parecer, Lincoln não é uma cinebiografia sobre o 16.º presidente dos Estados Unidos, e essa falta de sinceridade com seu espectador acaba, justamente, contando contra o interesse pelo filme. “Lincoln” é um filme sobre a 13.ª Emenda da Constituição Americana que, com poucas palavras, aboliu a escravidão naquele país, em votação apertada, com corrupção e tudo, apoio e aval do homem mais puro da América, no dizer do congressista democrática, Thaddeus Stevens.
Baseado no livro “Team of Rival: The Political Genius of Abraham Lincoln,” da historiadora e biógrafa americana Doris Helen Kearns Goodwin, que analisa o gabinete do governo do presidente Lincoln da época, que se aliou aos seus ex-rivais de campanha em linhas gerais para aprovar a Emenda 13.ª a qualquer custo, o filme Lincoln, indicado a 12 Oscars pela The Academy, tem a sua maior força nas atuações. Daniel Day-Lewis tem mais uma atuação assombrosamente memorável na carreira, nos lembrando por que já possui três estatuetas do Oscar (Meu Pé Esquerdo (1989), Sangue Negro (2007) e Lincoln (2012). O ator incorpora o ex-presidente de forma impressionante, com um trabalho de voz que faz do personagem um sujeito delicado, mas sempre marcante e firme, falando baixo, mas sendo sempre ouvido e respeitado.
Sally Field e Tommy Lee Jones são outros destaques do elenco, que conta ainda com as ótimas presenças de David Strathairn, Hal Holbrook e Bruce McGill. Field interpreta Mary Todd Lincoln e chama a atenção em todas as sequências que aparece. Já Lee Jones surge como Thaddeus Stevens, congressista democrata liberal que causa polêmica entre os representantes do povo. O ator, que muitas vezes gasta seu talento em produções que só exigem dele a cara de durão mal humorado, brilha no filme, protagonizando, pelo menos, uma cena memorável, como no discurso na Câmara dos Representantes. Mas nem só de veteranos vive o elenco de Lincoln. Joseph Gordon-Levitt, Lee Pace e Joseph Cross também aparecem com destaque.
O longa conta com uma belíssima trilha sonora de John Williams, que tem como principal mérito o fato de não ser repetitiva ou insistente. A trilha surge de forma forte, mas não se preocupa em marcar presença durante todo o tempo. A fotografia de Janusz Kaminski também merece aplausos ao adotar uma tonalidade azulada, numa referência clara às cores da União na Guerra da Secessão. É curiosa ainda a opção por tomadas em primeiríssimo plano, com muito destaque aos rostos dos atores, o que reforça a percepção das grandes atuações.
Outro ponto positivo do filme é a direção de arte, que aqui é comandada por seis mãos (Curt Beech, David Crank e Leslie MacDonald). O trio colaborou para dar autenticidade ao drama. Tudo é suntuoso e de muito bom gosto. O mesmo pode ser dito do figurino criado por Joanna Johnston.
“O verdadeiro sentido da emenda, é que não vejo igualdade em tudo. Só igualdade perante a lei, e nada mais!” – disse o fervoroso deputado democrática Thaddeus Stevens, interpretado brilhantemente por Tommy Lee Jones, em síntese antológica em plenário da Câmara dos Representantes, em momento ímpar do filme LINCOLN.
a) Lincoln Official Trailer #1 (2012) Steven Spielberg Movie HD
b) Lincoln 20 Min. Featurette (2012) – Steven Spielberg Movie HD
DEU NO JORNAL
A QUEDA DE MADURO E A CAIXA-PRETA DO FORO DE S.PAULO
Paulo Briguet

A crise venezuelana expõe crimes do regime, o Foro de São Paulo e a queda de Maduro, alertando que sem justiça a tirania apenas muda de rosto
1. “Muitos crimes eu testemunhei. É impossível ignorar tamanha dor. Aquela miserável gente, quase sem haveres, quase sem bagagem, às margens das estradas, dava-me dó. As mulheres, com casacos metidos às pressas; as crianças, andejando em pijama, confusas, sonolentas, a chorar; os homens, com olhar apalermado de quem não sabe o que deve fazer. Tudo isso eu vi, e muito mais, na longa caminhada da Venezuela ao Brasil. Contarei tudo. Revelarei toda a devassidão que se apossou da minha terra natal, conspurcou tudo e rebaixou todos. Darei nomes, títulos e posições. Apontarei dedos e faço questão de assegurar que a tudo chamarei pelo termo preciso. Não ousarei atenuar nada. Tampouco me servirei de eufemismos: um bandido é um bandido, um canalha é um canalha, um traidor é um traidor. Registre-se, pois, devidamente identificada, a reputação de cada qual para a posteridade que me há de ler e julgar”.
2. O trecho acima, do livro Se Houvesse Um Homem Justo na Cidade, do escritor paranaense Diogo Fontana, é o inventário de um desastre humano que transbordou fronteiras e está diante de todos nós. Mas nunca entenderemos o que aconteceu na Venezuela nestes 26 anos de regime socialista se não compreendermos o que é o Foro de São Paulo, organização fundada por Lula e Fidel Castro, em 1990, para levar o movimento revolucionário ao poder em toda a América Latina.
3. Nicolás Maduro, o tirano que converteu a nação mais próspera da América Latina em um imenso necrotério e campo de famintos, agora dorme em uma cela federal no Brooklyn. Só há dois tipos que criticam a prisão de Maduro: idiotas e vigaristas. Como dizia o embaixador Meira Penna, existem comunistas honestos e inteligentes; o problema é que os honestos não são inteligentes e os inteligentes não são honestos.
4. Tudo indica que Maduro foi rifado e entregue por aqueles que comiam em sua mesa. O triunvirato narcoterrorista — os irmãos Delcy e Jorge Rodríguez, somados ao sinistro Diosdado Cabello — parece ter decidido que o chefe era um passivo caro demais. Para salvar o sistema, entregaram a cabeça do monstro. Lealdade? Piada! A única coisa feia, na cabeça de um comunista, é perder o poder.
5. Preciso dizer sem rodeios: Delcy Rodríguez e seu irmão, Jorge, conseguem, juntos, ser piores do que Maduro. O cobrador de ônibus era o músculo bruto, a truculência visível, o fanfarrão sanguinário. Os Rodríguez são o cérebro e o sistema nervoso do mal. Delcy, movida por uma sede de vingança que remonta ao trauma do pai sequestrador, e Jorge, o psiquiatra que usa a ideologia para transtornar a alma da nação, são peças fundamentais do regime criminoso.
6. Agora, Delcy apresenta-se ao mundo como a fiadora da transição. É uma piada de mau gosto, uma zombaria com o cadáver dos mártires. Aceitar Delcy como interlocutora da democracia é o mesmo que convidar a hiena para cuidar do inventário do rebanho que ela mesma ajudou a dizimar. O que ela busca não é a paz, mas a queima de arquivo e o salvo-conduto.
7. Contra essa autoridade de papel, ergue-se a legitimidade das urnas e do espírito. O presidente legítimo da Venezuela é o embaixador Edmundo González, o homem que carrega os votos de milhões. E a líder da alma nacional é María Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz em 2025. O contraste é insuportável: de um lado, a Nobel que oferece a liberdade; do outro, a socialista que, se pudesse, mandaria todos os inimigos para os torturadores de El Helicoide.
8. Mas há um fator que explica o nervosismo que hoje atravessa o continente: a caixa-preta do Foro de São Paulo. Maduro não levou para Nova York apenas suas roupas de detento, mas também os segredos do maior cartel político-criminoso da história moderna. Como um dos chefes do Foro, ele sabe exatamente como o dinheiro do narcotráfico venezuelano financiou ditaduras e terroristas companheiros em toda a região.
9. O pânico que se sente em Brasília é palpável. A fala mansa de Lula decorre do puro instinto de sobrevivência. Se Maduro, sentindo-se traído pelos seus e acuado pela justiça americana, decidir cantar, as digitais dos companheiros do Foro de São Paulo aparecerão em cada página desse prontuário de crimes transnacionais. O medo do Planalto tem nome e sobrenome: Nicolás Maduro Moros.
10. Em 2024, o exilado Roderick Navarro me disse, em uma entrevista: “O destino do Brasil e da Venezuela será o mesmo”. A queda de Maduro é a primeira grande fenda na muralha do Foro de São Paulo, mas a tentativa de Delcy Rodríguez de sequestrar a transição é o esforço final para manter o Brasil e a Venezuela acorrentados ao mesmo projeto de poder criminoso.
11. Sem eufemismos! Aqueles que hoje, nos palácios de Brasília ou nas redações da extrema-imprensa, tentam legitimar a “interinidade” da vice-ditadora Delcy Rodríguez estão escolhendo o lado do torturador. Não existe meio-termo entre o Nobel da Paz e a sede de vingança bolivariana. “Registrar a reputação de cada qual” é o nosso dever, para que a posteridade não nos julgue cúmplices.
12. Apesar da devassidão, o débil fio, ainda teso, de esperança de que falava o personagem de Fontana resiste. A prisão de Maduro e a exposição da caixa-preta do Foro de São Paulo oferecem à América Latina uma chance única de exorcizar os demônios da revolução. A luz está voltando para a Venezuela; cabe a nós garantir que a sombra que foge de lá não encontre abrigo definitivo aqui.
DEU NO JORNAL
MADURO SE FOI, MAS O CHAVISMO PERMANECE – ATÉ QUANDO?
Editorial Gazeta do Povo

Delcy Rodríguez presta juramento diante do irmão, Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, e de Nicolás Maduro Guerra, filho do seu antecessor
Nicolás Maduro se tornou passado na história venezuelana; o ex-ditador, capturado por forças norte-americanas na madrugada de sábado, já se encontra encarcerado nos Estados Unidos, onde ele e a mulher, Cilia Flores, serão julgados por envolvimento com o narcotráfico internacional – a primeira audiência, em um tribunal de Nova York, ocorreu na manhã desta segunda-feira. No entanto, os próprios norte-americanos permitiram que uma vice-presidente ilegítima ocupasse o lugar do ditador deposto, e todas as principais peças do projeto tirânico bolivariano continuam em suas posições.
A Venezuela, agora, está nominalmente sob o comando de alguém com quem, segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, os EUA “podem trabalhar”. Trata-se de Delcy Rodríguez – tão ilegítima quanto era Maduro, pois estava na chapa derrotada em 2024 –, uma radical de esquerda, irmã do atual presidente da Assembleia Nacional (o Poder Legislativo venezuelano, totalmente cooptado pelo chavismo), Jorge Rodríguez. Além de Delcy e seu irmão, vários dos principais cúmplices de Hugo Chávez e Nicolás Maduro seguem exercendo os mesmos cargos que tinham antes da ação norte-americana: é o caso dos ministros do Interior, Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino López – Cabello, inclusive, está entre os acusados de também fazer parte do Cartel de los Soles, que estaria envolvido no comércio internacional de drogas.
Aqui, é preciso fazer algumas ponderações. Não há dúvidas que o único resultado final aceitável é a entrega do poder a seus legítimos detentores: a oposição ao chavismo liderada por María Corina Machado e que elegeu seu candidato, Edmundo González Urrutia, na eleição de 2024, cuja apuração foi fraudada por Maduro. No entanto, isso parece impossível no curtíssimo prazo: as forças armadas seguem leais ao bolivarianismo, assim como o Judiciário e o Legislativo. Os colectivos paramilitares continuam armados, e agentes de países aliados, como Cuba e Irã, ainda estão no país. Colocar González no Palácio de Miraflores sem que todo esse ecossistema de opressão tenha sido saneado (ou ao menos enfraquecido) seria muito arriscado, por mais que ele e María Corina tenham amplo apoio da população.
Também é verdade que os chavistas poupados da ação de sábado sabem que estão amarrados. Donald Trump prometeu uma ação “muito maior que a primeira” se Delcy Rodríguez “não cooperar”. Mas o que, exatamente, seria essa cooperação? Simplesmente permitir que as empresas norte-americanas “consertem” a exploração de petróleo na Venezuela, algo que Trump mencionou em sua coletiva de sábado, mantendo-se no poder? Ou preparar de fato o terreno para o fim da ditadura e o restabelecimento da democracia e da liberdade na Venezuela, com a atual oposição assumindo a presidência, ou ao menos com a realização de novas eleições livres e transparentes? Rubio disse ao canal de televisão CBS que os Estados Unidos desejam “uma transição integral para a democracia”, mas até agora parece haver pouca ou nenhuma clareza sobre como isso ocorrerá.
A Venezuela só terá democracia e liberdade de fato sob duas condições. Primeiro, o chavismo e seus cúmplices terão de ser devidamente alijados da vida pública venezuelana – e sem a menor chance de terem qualquer voz a respeito do futuro do país, tamanhos foram seus crimes (pelos quais eles idealmente responderiam, internamente ou no Tribunal Penal Internacional, embora ainda não se descarte uma anistia e um exílio permanente em alguma ditadura amiga). Segundo, González precisa assumir o poder e exercer o mandato para o qual foi eleito pelos venezuelanos – ou, na pior das hipóteses, assumir interinamente com o objetivo de convocar eleições limpas, supervisionadas pela comunidade internacional. Se é isso que os Estados Unidos têm em mente, ainda que seja no médio prazo, uma colaboração temporária com o chavismo seria tolerável; do contrário, o povo venezuelano continuará sofrendo.
Os Estados Unidos sabem, ou deviam saber, o que acontece quando encerram suas intervenções e deixam para trás um vácuo de poder ou facções capazes de se impor pela força. Aconteceu no Iraque, o que permitiu o surgimento do Estado Islâmico; e na desastrada retirada do Afeganistão, decidida no primeiro mandato de Trump e executada por Joe Biden, após a qual o Talibã retomou seu regime de opressão. Que não ocorra o mesmo com a Venezuela.
DEU NO X
SONHO REALIZADO!
Sonho realizado! pic.twitter.com/VvrSgxDvEx
— Paula Marisa (@profpaulamarisa) January 5, 2026
PENINHA - DICA MUSICAL