ALEXANDRE GARCIA

PARA PEGAR TARCÍSIO DE FREITAS

Levantamento da Paraná Pesquisas mostra intenções de voto em 2026: Tarcísio lidera, seguido por Pablo Marçal

Críticas a Tarcísio por causa de violência de PM tentam desgastá-lo para 2026

Está muito claro que está em curso uma campanha de gente que teme o governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo, como candidato em 2026. Ele pode disputar a reeleição como governador, ou se candidatar a presidente. É difícil a vida de políticos quando estão na berlinda, estão no palco. A julgar pelo noticiário, parece que foi o próprio Tarcísio quem jogou um homem por cima de uma mureta; parece que havia um rio sob a ponte, a pessoa caiu no rio e depois saiu dele.

É um ato condenável. O PM foi preso, a Justiça Militar já se pronunciou. Tarcísio condenou, e o secretário de Segurança, Guilherme Derrite, também. Mas os detratores fazem malabarismos para jogar sobre o governador a responsabilidade por um ato de um policial entre não sei quantos que há na Polícia Militar de São Paulo, que tem o maior efetivo de todas as PMs do Brasil.

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Campanha já começou porque presidente está enfraquecido 

A eleição de 2026 já está na porta antes mesmo de o mandato do atual presidente chegar à metade. Isso significa um desgaste, que vemos nas pesquisas, na frustração dos seguidores, na frustração até dos empresários que contribuíram para a campanha de Lula, porque eles veem um país sem rumo, sem programa; é só discurso e propaganda.

Podemos ver a falta de rumo nas contas públicas, nos resultados das estatais; vejam só os Correios, como estão penando. Durante o governo anterior, os Correios só deram lucro. O então presidente da estatal, Floriano Peixoto, fez uma excelente administração, apoiado pelo presidente da República, e o lucro veio. A empresa ficou pronta para ser privatizada. Mas a ideologia de esquerda não gosta de privatização, gosta de estatização. Estatizam, e quem paga é o povo. O dinheiro para cobrir o rombo não vem da China, de Taiwan, das Filipinas; vem dos impostos de todos os brasileiros, principalmente dos mais pobres, que pagam imposto sobretudo quando compram e não têm dinheiro suficiente para se defender da inflação, aplicando, por exemplo, em renda fixa.

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Pacote do Haddad deve ter dificuldades no Congresso 

Estamos vendo a inflação acima da meta, os juros devem crescer mais, por quê? Porque a dívida pública está crescendo, e cresce porque o governo gasta demais e tem prejuízo. A diferença entre a arrecadação e a despesa é enorme. Eram 22 ministérios, agora são 39. E o governo não tem voto na Câmara dos Deputados para aprovar o tal “corte de gastos”. Já devia saber disso, tanto que retardou a apresentação para esse finzinho do ano legislativo. O recesso do Congresso já está quase aí, não vai dar tempo de votar. O próprio presidente da Câmara disse que não há votos suficientes – para garantir a aprovação, o pacote precisa de no mínimo 257 votos, em 513 deputados.

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Morte de ganhador da Mega nos faz pensar sobre o valor da vida

Um pecuarista matogrossense ganhou na Mega Sena, semanas atrás. Antônio Lopes apostou R$ 5 e ganhou R$ 201 milhões. Ele retirou essa fortuna dois dias depois e morreu esta semana. Tinha 73 anos, parece que morreu na cadeira do dentista, mas não teve nada a ver com o dentista, anestesia, nada disso. Simplesmente morreu. Devem fazer uma autópsia para saber o que aconteceu, se foi uma trombose – porque tem muita trombose hoje em dia, trombose pós-covid, pós-picada –, ou ataque do coração, ou AVC, ou se houve alguma outra causa.

Aí ficamos pensando sobre quanto a vida realmente vale. Há o dinheiro e a vida. Muita gente perde a vida pelo dinheiro, mas acho que não foi o caso dele; ele jogou só R$ 5, deve ter levado um susto muito grande com o prêmio. Será que foi o dinheiro que o matou?

ALEXANDRE GARCIA

MINISTRO AGE MAIS UMA VEZ PARA FACILITAR O ABORTO

O aborto está novamente em discussão, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu a prefeitura e o governo de São Paulo de entregarem prontuários de abortos para o Conselho Regional de Medicina paulista. Isso representa um corte na prerrogativa que a entidade tem de fiscalizar os médicos – no caso, fiscalizar a aplicação de uma recomendação do Conselho Federal de Medicina para que não sejam realizados abortos quando o bebê já estiver com mais de 22 semanas de gestação, ou seja, tenha chance de sobreviver fora do útero. A recomendação vale para o aborto em caso de estupro; em caso de anencefalia o bebê não sobrevive, e no caso de risco de vida para a mãe nem se discute. Mas às vezes se alega que houve estupro quando na verdade a mulher estava na casa do namorado, já estava no mesmo quarto, engravidou e não quer a criança.

Mas, se já se passaram 22 semanas, então que se deixe a criança nascer e entregue para adoção. Existe uma longa fila de pessoas que não puderam ter filhos e querem bebês adotivos; esse seria um caminho para não cortar a vida desses bebês. Isso não é só uma questão de lei natural, lei da vida, lei divina, chamem como quiserem; está também na nossa Constituição, cujo artigo 5.º, cláusula pétrea, garante o direito à vida. O artigo 2.º do Código Civil diz que “a lei protegerá os direitos do nascituro desde a concepção”. Já lembrei aqui que o Código de Processo Civil prevê que, no caso de herança, é garantido o direito do nascituro que ainda está no útero da mãe.

E ainda assim o Ministério Público está defendendo essa atitude do ministro. Sem falar do tal Conanda, do Ministério dos Direitos Humanos, que tentou votar uma resolução no dia 2, agora diz que votará no dia 11, autorizando a realização de abortos em adolescentes, em qualquer tempo da gestação. Que arrogância fanática! Eles não têm o menor poder para fazer isso, é um assunto do Congresso Nacional.

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Caso do PM que atirou pessoa de ponte precisa de mais esclarecimento

Causou muita repercussão a imagem do PM jogando um sujeito de uma ponte. Mas ninguém disse a altura da qual ele foi jogado, porque há relatos de que ele saiu correndo. Dá a impressão de que o PM queria mandar o sujeito embora, joga por cima da mureta, o sujeito cai no gramado e sai. Mesmo assim a imagem chocou. Já foram afastados o PM que fez isso e os outros que estavam na companhia dele.

O caso já foi politizado. Já apareceu gente querendo a saída do Guilherme Derrite, secretário de Segurança. Ficamos esperando o esclarecimento desse caso, para não sermos enganados por uma campanha anti-Tarcisio, anti-Derrite, antipolícia. Eu fico na dúvida porque sou jornalista, tenho de ser cético. O relato está incompleto. Eu não estive lá, não vi de perto, faço essa ressalva.

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Parlamentares da Coreia do Sul mostraram como se resiste a impulsos autoritários

Vejam só o parlamento da Coreia do Sul. Gente com hombridade, homens e mulheres cientes da força, do poder que têm. O presidente tentou um golpe, inventando uma lei marcial por causa das ameaças da Coreia do Norte, botou tanques nas ruas. Mas o parlamento não aceitou a lei marcial e o presidente teve de voltar atrás. Só para compararmos.

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CEO de plano de saúde é assassinado nos EUA

Vocês viram o assassinato do chefão de um grande plano de seguro-saúde nos Estados Unidos? Ele estava indo para uma reunião no Hilton, bem no centro de Nova York. O assassino estava esperando por ele na calçada, atirou e matou. A vítima era o CEO da UnitedHealthcare. Quantas vezes eu ouvi queixas de pessoas contra planos de saúde no Brasil… não sei, parece que essa pessoa agiu de modo vingativo. Acho que é bom lembrarmos, nesse momento, que os planos de saúde precisam ter mais respeito com os seus segurados.

ALEXANDRE GARCIA

ÍNDIOS GARIMPEIROS, A MINA DE PITINGA E OUTRAS HISTÓRIAS DO BRASIL PROFUNDO

Garimpo ilegal

Área de garimpo em terra indígena em Roraima

As grandes cidades brasileiras, em geral, não sabem o que se passa no grande Brasil, no Brasil maior do interior, daquele Brasil que surgiu depois de Brasília, que antes era um ermo e depois foi sendo conquistado pelos brasileiros. Eu queria falar de Jacareacanga (PA), porque as pessoas de lá me contam o que anda acontecendo. Quem estuda a história contemporânea brasileira sabe que, em 1956, houve uma rebelião da Força Aérea em Jacareacanga para impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Não conseguiram, houve bombardeio e Juscelino anistiou a todos, trouxe a paz política.

Hoje, lá em Jacareacanga, ainda existem incursões aéreas das autoridades federais, que usam helicópteros para procurar garimpo em um território indígena, a terra Munduruku. Mas, de cada 100 garimpos, 40 são de indígenas. A Reuters esteve lá e relatou: as autoridades atacaram o garimpo, e os indígenas, brasileiros de etnia Munduruku, ouviram o barulho e fugiram. O helicóptero pousou, ainda havia panela quente sobre o fogão a gás; destruíram as bombas, os geradores, os motores, os filtros. Estavam tirando ouro de lá e vendendo, ganhando dinheiro com o ouro. Tem um Munduruku que descobriu, no ano passado, 50 gramas de ouro numa pepita. Aí eu me pergunto: vão fazer o quê? A matéria fala em “brancos”, mas são garimpeiros de todas as cores. Vão dizer que são garimpeiros “integrados” e o Munduruku não é integrado, mas por que ele não é integrado à sociedade brasileira?

E tem pobreza lá… “Ah, tem caminhonete”, vão dizer; mas caminhonete é para uns 5%, a picape, a caminhonete passa, chama atenção, mas a pobreza está lá também. São pessoas que precisam de energia elétrica, das coisas da civilização, da modernidade, do progresso. Eles querem ter celular, parabólica, Starlink, querem poder comprar picape e querem saber: como é? E o ouro que está aqui?

A Constituição brasileira diz que o subsolo é do Brasil. E isso nos leva à mina de Pitinga, no Amazonas, e pessoas de lá também me contam o que há essa mina. São muitas terras raras, minerais preciosíssimos. Nióbio, urânio, estanho e tântalo. Meu interlocutor me disse que o que a China quer mesmo é o tântalo, que no mundo digital, eletrônico, é muito valioso. Dizem que, em termos de variedade de minerais, a mina de Pitinga, que os chineses compraram, é uma das melhores do mundo.

Na mina de Pitinga há urânio, e aí eu vejo uma exposição da indústria básica de defesa do Brasil, a necessidade de explorarmos energia nuclear não apenas para submarinos nucleares, mas também para fins científicos, médicos. Temos de criar cérebros e mantê-los aqui para que não aconteça como quando os norte-americanos levaram mais de mil cientistas alemães, junto com Wernher von Braun, para trabalhar para os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Nenhum deles virou prisioneiro de guerra; Von Braun chegou de braço quebrado lá. O Brasil perde cérebros assim: aqueles que despontam aqui não encontram mercado, não encontram caminhos, não encontram apoio, não encontram um bom laboratório de pesquisa, e vão para os Estados Unidos. Vi que existe isso aqui, no Brasil, nessa base industrial de defesa, mas não temos uma cultura para estimular os cérebros. Pensamos muito pequeno. Subdesenvolvimento é algo muito pesado, e pega na cabeça.

ALEXANDRE GARCIA

OS SONS DA PRAÇA

Excessos do STF

Prédio do STF iluminado em referência ao Novembro Azul

Nesses dias recentes, a Praça dos Três Poderes foi abalada pela pirotecnia do chaveiro catarinense, que acabou na sua morte trágica. Mas não foram os únicos sons que se ouviu, nem o que se ouviu parecem fogos de artifício. As vozes começaram pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin, em entrevista à Folha de S.Paulo. O ministro disse que magistratura não é carreira para quem quer ser famoso; que juiz tem de ser reservado, só se manifestar nos autos; que querer ser polêmico, próximo à classe política, é incompatível com a magistratura; que é comum que a má conduta de um reflita na instituição. E concluiu que quem não quiser ser assim não deve ser juiz, mas procurar outra profissão.

Acabou de fazer um ano que o presidente da OAB de Minas Gerais, Sérgio Leonardo, diante do presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, na Conferência Nacional da Advocacia, afirmou que ministros não recebem advogados, que recebem apenas cópias parciais de processos, e que os advogados repudiam essas atitudes. Dias atrás, em Porto Alegre, o presidente da OAB/RS, Leonardo Lamachia, manifestou críticas aos excessos do STF, que se afastou da Constituição que deveria guardar e defendeu o direito à ampla defesa. No Congresso, deputados e senadores cobram a omissão do Superior Tribunal Militar em relação a militares da ativa presos, e o presidente do STM respondeu com um argumento pífio: se forem condenados na Justiça civil, a Justiça Militar fará um processo ético.

Aí ouve-se a voz pesada de um ex-presidente do Supremo, o único juiz de direito de carreira da corte, Luiz Fux, repetindo o seu discurso de 2020, quando tomou posse na presidência da corte. Reiterou a seus pares que o Supremo é Judiciário e não Legislativo, e muito menos político. Que as questões políticas devem ser tratadas nos plenários da Câmara e do Senado, não no Supremo, que está se desgastando ao se envolver em assuntos que são do Congresso. O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro do STF Nunes Marques, numa audiência na Câmara, afirmou que comprovantes de votos e métodos de apuração eleitoral devem ser decididos no lugar próprio, que é o Legislativo – e não no Supremo. Ele vai presidir a eleição de 2026.

Essas vozes estão repetindo a voz do povo, que quer o cumprimento da Constituição, do devido processo legal, do amplo direito de defesa com juiz natural, liberdade de expressão e vedação a qualquer tipo de censura – como diz a Constituição. Não se pode esquecer da gravíssima omissão do Senado. A teoria dos três poderes prevê que haja, entre si, um sistema de pesos e contrapesos, e o Senado é o contrapeso institucional para excessos do Supremo. Senadores se mobilizam para isso, mas encontram barreira no que talvez venha a ser, perante a história, o responsável por essa perigosa inquietação nacional: o presidente do Senado. Até as pedras portuguesas que pavimentam a Praça dos Três Poderes já perceberam isso – menos o dono da agenda do Senado.

ALEXANDRE GARCIA

“PROGRESSISTAS” EM PÂNICO POR CAUSA DE PEC QUE DEFENDE A VIDA DESDE A CONCEPÇÃO

resolucao conanda pec 164 aborto

PEC aprovada na CCJ da Câmara insere a expressão “desde a concepção” no artigo 5.º, quando trata do direito à vida

Houve um escândalo muito grande por parte da imprensa antiga, autodenominada de “progressista” (embora na verdade seja o contrário, o que eles querem não é progresso nenhum), devido à aprovação da PEC 164/2012 na Comissão de Constituição e Justiça, pondo na Constituição a questão do aborto. O artigo 5.º da Constituição, que é uma cláusula pétrea – só uma nova constituinte pode alterar direitos e garantias fundamentais –, garante a inviolabilidade do direito à vida. Os deputados querem deixar mais explícito que a proteção ocorre “desde a concepção”.

É a mesma expressão que está no artigo 2.º do Código Civil: “a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. Quer dizer, a partir do momento em que o espermatozoide entrou no óvulo e aconteceu a fertilização, a pessoa que está sendo gerada já tem direitos civis, que vão “eclodir” no nascimento, vai ganhar nome etc. – mas os direitos já estão garantidos. Tanto é que o artigo 650 do Código de Processo Civil diz o que acontece no caso da morte de alguém que deixa herança e cuja mulher estiver grávida: “Se um dos interessados for nascituro” – ou seja, aquele que vai nascer – “o quinhão que lhe caberá será reservado em poder do inventariante até o seu nascimento”. Vejam só a força do direito brasileiro protegendo aquele que vai nascer.

E temos também o Conselho Federal de Medicina, que recomendou aos médicos que, no caso de gravidez resultante de estupro, não se faça aborto depois da 22.ª semana; que se faça antecipação do parto, porque o bebê já tem condições de nascer. Não é o caso de anencefalia, nem de perigo de vida para a mãe. É para casos de estupro, que muitas vezes é apenas uma alegação para justificar o aborto. A mulher diz que foi estuprada, mas qual foi a violência? Estava na casa do namorado, não houve violência, dormiram juntos. Mas para conseguir o aborto alega-se isso.

Aí entra o Supremo querendo se intrometer. Isso é assunto para ser tratado pelos representantes do povo brasileiro, e não por quem não recebeu procuração para fazer leis. A origem do poder é o povo; isso é princípio básico da democracia, e está escrito no parágrafo 1.º do artigo 1.º da Constituição. O único poder que pode fazer leis é o Legislativo, por mandato recebido do povo.

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STF quer tomar o lugar do Congresso e legislar sobre mídias sociais

O Supremo também quer fazer lei sobre mídias sociais. O Congresso já fez uma lei básica das redes sociais, o Marco Civil da Internet, em 2014; não sente necessidade de fazer mais nada porque já está regulamentado, já se impôs lei ao mundo digital. Se houver calúnia, difamação, injúria, já está tudo no Código Penal há muito tempo, assim como a Constituição garante a indenização por danos morais. Se acham que as penas são pequenas, se quiserem mudar, colocar punições mais pesadas, que sejam os congressistas que façam isso.

Mas o Supremo quer porque quer. O ministro Barroso chegou a dizer “já que o Congresso não legislou e nós demos tempo para legislarem, nós vamos tocar no assunto”. Como assim? Quem manda no Congresso é o povo, o eleitor; ele que é o mandante, e os parlamentares são os mandatários. Acho que está faltando no STF uma cartilha de Educação Moral e Cívica para eles entenderem como funciona uma democracia.

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Família Mantovani se retrata em processo que estava todo errado desde o começo

Nessa cartilha também poderia estar escrito que é preciso haver devido processo legal, juiz natural, direito à ampla defesa, poderes do Ministério Público sobre o inquérito e o processo… digo isso porque o ministro Dias Toffoli extinguiu a punibilidade da família Mantovani dizendo que eles “confessaram os crimes praticados” – o que eles fizeram foi se desculpar. Agora já viraram criminosos. O processo foi encerrado, mas extinguiu-se o processo, tal como a Polícia Federal tinha sugerido da primeira vez, dizendo que não havia o que incriminar. A polícia italiana me diz a mesma coisa, que foi um entreverozinho leve entre o povo e uma autoridade, num aeroporto estrangeiro. Ficou tudo muito estranho, com o STF exercendo jurisdição sobre algo cometido na Itália, em um caso no qual os suspeitos não tinham nenhuma prerrogativa de foro, deviam ter ido para a primeira instância.

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Propaganda do governo diz que está tudo bem enquanto o dólar dispara

Só não é estranho que, devido às contas públicas – que, segundo a propaganda oficial do governo e aquela dos propagandistas do governo na mídia, vão muito bem –, o dólar tenha passado de R$ 6, a bolsa esteja afundando, e a expectativa seja de alta de juros, da inflação e da dívida pública.

ALEXANDRE GARCIA

RESERVA DE URÂNIO DO BRASIL FOI VENDIDA PARA CHINA? SIM OU NÃO?

Em nota, a INB diz que a China não vai extrair urânio do local

Um assunto que está repercutindo no país inteiro é a venda de uma mina de urânio brasileira com tântalo e nióbio para a China. Nos últimos dias, a Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), detentora do monopólio do urânio, divulgou uma nota afirmando que não houve venda do metal na Mina de Pitinga, porque só pode haver qualquer movimentação do urânio em parceria com a INB.

A área tem rejeitos de urânio e tório e é monitorada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear. A INB tem um monopólio do urânio, como tinha a Petrobras do petróleo. Mas cabe o registro também o que falam pessoas envolvidas nisso, que conhecem o assunto. Trata-se de terras raras. São minerais valiosíssimos, como tântalo, nióbio, e outros, que servem para várias aplicações, dando mais rigidez ou maior flexibilidade a metais. Já tinha chinês lá, o que não é novidade.

Era da Paranapanema, de Otávio Lacombe, e a Mina Pitinga foi descoberta pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), por um geólogo chamado Salomão Cruz. A Paranapanema criou essa taboca que vendeu para uma estatal chinesa. Os chineses já são grandes compradores de ouro.

Na Venezuela, no Oiapoque, na Guiana Francesa e no Suriname, onde o PCC também compra ouro, conforme informações desses países. Os chineses também compram madeira brasileira em lascas e cavacos.

O Brasil está fazendo uma ferrovia para vender rejeito de minas por um porto da Bahia para a China. Rejeito de mina e rejeito de urânio. A Constituição, no artigo 20, inciso 9, diz que o subsolo no Brasil pertence à União. Fica aqui o registro para podermos pensar a respeito, já que somos a nação brasileira e origem do poder.

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Brasileiros estão usando mais uma rota para o tráfico de drogas

Uma operação exitosa da Marinha Portuguesa, junto a Polícia Judiciária de Portugal, com a colaboração da Polícia Federal Brasileira, do Departamento Antidrogas dos Estados Unidos e do Departamento Antidrogas do Reino Unido, apreendeu um barco pesqueiro brasileiro com seis tripulantes, todos brasileiros. Eles estão presos a 900 quilômetros do arquipélago de Cabo Verde. Eles carregavam 1.600 quilos de cocaína, sendo que o Brasil não planta coca.

Esses foram pegos, mas não se sabe se já passaram 10, 20 ou 50. A informação foi de que eles estão usando essa rota.

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Há mesmo privilégios na Marinha?

E, como estamos falando em Marinha, vou registrar a propaganda que a Marinha Basileira lançou. Eles são sempre acusados de terem privilégios. Então, nessa propaganda, mostram a boa vida civil em comparação com a dureza que há na Marinha.

E, ao final, uma integrante da Força pergunta: “Privilégio? Vem pra Marinha pra ver”. Uma bela propaganda.

Parece que estão despertando. Divulgaram uma nota dizendo que não há tanque na Marinha, como foi citado no inquérito do suposto Golpe.

Interessante que o atual comandante da Marinha era o comandante da mobilização da força, e ele sabe muito bem que não tinha tanque esperando, tanto é que foi nomeado comandante pelo governo Lula. Imagina se houvesse um tanque pronto para derrubar o atual governo. Não faz sentido nenhum.

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Inversão de valores

Uma última nota, para refletirmos. Em Palmas (TO), uma moça de 21 anos chegou às 4 da manhã para comprar bebida. Brigou com o pessoal da distribuidora, que funcionava de madrugada. Saiu, brigou, entrou no carro, bateu em outro veículo e invadiu a loja, derrubando tudo e ferindo pessoas. Tentativa de homicídio.

A mulher foi autuada em flagrante, mas não aparece seu nome. Por quê? Dão o nome de todo mundo que estava na manifestação em Brasília, mas não identificam essa moça que tinha a intenção de matar quem estivesse pela frente.

E os pobres funcionários, que já estavam fazendo plantão noturno, ficaram feridos. Mas o nome da “moça” não sai, ou pelo menos hoje, domingo (1), não encontrei em lugar algum.

ALEXANDRE GARCIA

DÓLAR A R$ 6, MAIS UMA REALIZAÇÃO DO GOVERNO LULA

Pacote de medidas de Haddad levou dólar a R$ 6

Mercado não engoliu pacote de Haddad e dólar bateu os R$ 6

O dólar está batendo R$ 6. Um número impensável até pouco tempo atrás, recorde histórico. Recuou um pouquinho no fim do dia, mas está ali pertinho. E por quê? Porque o mercado não acreditou nas medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda. Com mais impostos e sem corte de gastos do governo, a dívida vai subir mais ainda. Daqui a pouco o Brasil vai dever o PIB inteiro. Já vendemos uma mina de urânio para a China, e isso que temos tântalo, nióbio, 100 anos de reservas lá no meio da Amazônia.

O que fazem os países que querem se desenvolver para dar bem-estar ao povo? Lá, eles atraem riquezas, atraem os ricos. Aqui, punimos os ricos, que dão emprego, que produzem, que investem, que criam empresas. Lá, diminuem os impostos, porque a economia gira mais e os governos acabam arrecadando mais. Aqui, aumentamos os impostos até chegar ao alto da curva de Laffer, quando as pessoas ficam desesperadas e começam a sonegar, ou a trabalhar menos e vender menos, para pagar menos impostos. Lá, profissionalizam a população com excelente ensino. Aqui, não temos isso. Lá, desburocratizam para facilitar o empreendedorismo, desestatizam para fortalecer a iniciativa privada, que segue em frente sozinha. Aqui, fazemos tudo ao contrário. O serviço público fica péssimo. O Estado existe para prestar bons serviços públicos: saúde, ensino, justiça, segurança. Deveriam funcionar bem, pelo tanto de imposto que pagamos.

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Promessa de isenção de IR não vai se tornar realidade tão cedo

Como parte do pacote “dólar a R$ 6”, anunciaram que vão taxar mais quem ganha acima de R$ 50 mil. Dizem que são “ricos”, porque “classe média” para eles é quem ganha até R$ 5 mil. Sem ofender ninguém, mas quem ganha até R$ 5 mil é classe pobre; classe média é quem recebe R$ 8 mil, R$ 10 mil, R$ 12 mil, R$ 15 mil, R$ 20 mil, R$ 25 mil, isso é classe média. Inventam padrões para a pessoa se sentir melhor, para dizer “você está se queixando de que a comida está cara, que não comeu picanha até agora, mas você é classe média”. E vão isentar de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. Mas é só a partir de 2026, e dependendo de aprovação do Congresso; por enquanto, quem ganha de R$ 2,5 mil até R$ 5 mil ainda vai pagar IR, fora todos os impostos que paga em tudo que compra.

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Enquanto isso, a farra dos ministérios continua

E tem mais. Pensei que Lula iria se arrepender de criar mais ministérios, tinha 22, agora tem 37, Imaginei que ele fosse cancelar esses 15 ministérios que não existiam no tempo de Bolsonaro, e dos quais nunca sentimos falta; nem sabemos quem são esses ministros, o que eles estão fazendo. E cada ministro tem um chefe de gabinete, um secretário-geral, não sei mais quantas secretarias, assistentes, uma folha de pagamento inchada. Não é funcionário de carreira, é pessoal para trazer voto, comissionado, CLT, nem sei se a nomeação sai em Diário Oficial, está tudo inchado, e aí não sobra para investir. Pensei que Lula fosse cancelar isso tudo, mas não.

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Se asfaltarem o acesso à ponte, acaba a mina de ouro das balsas 

Falei ontem da ponte sobre o Rio Araguaia, entre Xambioá (PA) e São Geraldo do Araguaia (TO). Contei que Bolsonaro inaugurou a ponte, faltando só falta a cabeceira, o acesso à ponte, mas o governo Lula, em vez de completar o acesso, está asfaltando o acesso às balsas. Eu disse que passam 1,5 mil veículos diariamente por essas balsas, e um caminhoneiro me disse que pagou R$ 369 para atravessar com seu caminhão. Fiz uma conta ligeira e concluí que, por dia, as balsas faturam meio milhão de reais. Será que é por isso que estão asfaltando o acesso às balsas em vez do acesso à ponte?

ALEXANDRE GARCIA

EUA LANÇAM NOVAS SANÇÕES CONTRA MEMBROS DA DITADURA DE MADURO

Sanções contra Maduro

EUA anunciaram novas sanções contra membros da ditadura de Nicolás Maduro. (Foto: EFE/Imprensa do Palácio de Miraflores)

Não é coisa de rede social, nem de brasileiro perseguido político que está nos Estados Unidos: os norte-americanos impuseram sanções a 21 autoridades venezuelanas, como restrições financeiras e bloqueio de contas bancárias e propriedades em geral na Flórida. Entre os alvos tem juiz da suprema corte, gente que organizou as eleições, da Guarda Nacional Bolivariana, das Forças Armadas, e ministros.

Os Estados Unidos estão dizendo que desejam liberdade na Venezuela. O presidente eleito tem de tomar posse em 10 de janeiro, e o vencedor é o ex-embaixador Edmundo González. Os americanos sabem porque a eleição venezuelana é transparente, a apuração também é. Todos ficaram sabendo do resultado. Nicolás Maduro mandou parar tudo quando estavam com 83,5% dos votos contados, mas já era tarde: todos viram a grande diferença, viram que o vencedor tinha feito quase o dobro dos votos de Maduro.

Precisamos ter uma eleição assim no Brasil: todos acompanham, todos entendem. Em 2026 teremos eleições para governador, deputado federal, senador, deputado estadual e presidente da República. O que os congressistas estão fazendo, que não se preparam para isso? O brasileiro precisa entender a apuração. O voto é secreto, mas a apuração é pública. Seja com comprovante do voto, seja com voto em papel, não tem problema nenhum demorar um pouco mais. Na verdade, nem demora: em outros países, assim que cada seção termina a votação já começa a contar. Em meia hora está tudo contado e sai o resultado. É o nosso voto, nossa escolha. Temos de afastar qualquer dúvida para que não fique nada pesando sobre nossas cabeças, para não ficarmos nos perguntando “será que foi esse mesmo o resultado?”

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Mesmo indiciado, Bolsonaro segue liderando todos os cenários em pesquisa 

O instituto Paraná Pesquisas fez uma pesquisa entre os dias 21 e 25 de novembro, exatamente o momento em que se anunciava o “golpe” e que Jair Bolsonaro era indiciado, e Bolsonaro ganha todas, no primeiro turno e no segundo turno. Michelle Bolsonaro aparece em empate técnico com Lula, e logo atrás ainda vem o governador Tarcísio de Freitas. No cenário principal, Lula tem 33% e Bolsonaro, 37% no primeiro turno. Em cenários diferentes, às vezes sem Bolsonaro, às vezes sem Lula, Fernando Haddad aparece com 14%, Ronaldo Caiado com 8,9%, Romeu Zema com 12%, Ratinho Júnior com 15%, Tarcísio com 24%, Michelle com 27%. No segundo turno, Bolsonaro derrota Lula por 43,7% a 41,9%. Se Michelle disputasse com Lula estariam praticamente empatados: 42,7% para o petista e 40,8% para ela. Tarcísio contra Lula também estaria embolado no segundo turno: 43% a 39,2% para o atual presidente.

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Caos fiscal do Brasil é notícia nos grandes jornais americanos
 
O Washington Post e o New York Times mostraram a situação terrível da política econômica sem rumo do governo. Na quarta-feira o dólar fechou a R$ 5,91, um recorde. O IPCA, que mede a inflação oficial, está acima do limite de tolerância da meta, que é de 4,5%: agora está em 4,77% no acumulado de 12 meses. E muita gente nem acredita nisso, porque, quando confere o preço da picanha, vê que ela subiu mais que isso.

ALEXANDRE GARCIA

NOTA DE DESCULPAS DO CARREFOUR É PATÉTICA

Carrefour, carne, mercosul

Alexandre Bompard, CEO do Carrefour, se desculpou em carta a ministro, mas não disse se lojas francesas comprarão carne brasileira

Que vergonha essa nota oficial do Carrefour lá da França. Eu não vou falar de franceses porque vão achar que é xenofobia, não vou dar qualidades, mas a nota dá pena. O CEO do Carrefour manda uma carta pedindo desculpas ao ministro da Agricultura do Brasil, e logo coloca a culpa na “comunicação” da empresa, que gerou confusão. Depois, ele lembra sutilmente que dá emprego para 130 mil brasileiros, insinuando que quem quiser boicotar o Carrefour no Brasil vai colocar em risco o emprego de 130 mil brasileiros. Ele não usou essas palavras, claro, mas não sei se ele é inocente ou se pensa que aqui só existem nativos que compram no Carrefour.

O CEO do Carrefour ainda diz que a manifestação anterior foi de apoio aos agricultores franceses. Ou seja: para os agricultores franceses ele diz uma coisa, parece político – quem usa muito essa tática é o Lula; ele faz o discurso que ele acha que a plateia está querendo ouvir. Então, para os franceses o CEO do Carrefour diz que não vai mais comprar carne do Brasil. Mas, para os brasileiros, na carta, ele diz que vão continuar comprando do Brasil. Diz uma coisa, faz outra, está enganando agora. Deixou os brasileiros se enganarem, e agora está enganando os agricultores franceses.

Por fim, depois de terem noticiado histórias sobre falta de qualidade sanitária da carne brasileira, ou que a pecuária brasileira desmata, agora o CEO elogia a carne brasileira, fala em qualidade e respeito às normas, elogia até o sabor – aí ele exagerou, porque cada corte tem sabor diferente. Mas é assim que vamos conhecendo as pessoas.

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O incrível caso da pequena empreiteira e seu contrato de quase R$ 9 bilhões

Vocês viram esse caso da empreiteira Ótima? Uma empreiteirazinha sediada em uma casinha, eu vi as imagens da sede. Foi criada em 2022, e um dos sócios é irmão do senador Marcelo Castro (MDB-PI). Ela pegou um contrato de R$ 8.952.665.469,00 para manutenção de 130 quilômetros de estradas federais – parece que foi por meio do Codevasf, onde tem um filho do senador Marcelo Castro, nomeado no atual governo. Agora estão dizendo que não, que o valor inicial era de R$ 79.499.998,50. Mas o valor final foi para R$ 8,9 bilhões. Dizem que foi “erro de digitação”… O deputado Gustavo Gayer disse que está mandando o caso para o TCU apurar que história é essa.

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Governo Lula se recusa a fazer acessos a ponte vital que Bolsonaro inaugurou

Falando em empreiteira, vocês se lembram da ponte inaugurada por Jair Bolsonaro no Rio Araguaia, na divisa entre Pará e Tocantins, Xambioá (PA) de um lado e São Geraldo do Araguaia (TO) do outro? A ponte está pronta, só ficou faltando para o atual governo fazer os acessos. Mas até agora nada. São quase dois anos de governo. Sabem o que estão fazendo em vez disso? Asfaltando o acesso às balsas. São duas balsas que fazem a travessia de 1,5 mil veículos por dia, segundo nota do Ministério dos Transportes. Será que não há intenção de terminar a obra? O outro levou a água para o Nordeste, agora não pode ter carro-pipa; fez a ponte unindo dois estados, agora não pode usar a ponte.

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Dia de críticas aos excessos do STF

Terça-feira foi um dia bem agitado, com o senador Hamilton Mourão os presidentes das OABs de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e até o ministro Luiz Fux fazendo críticas ao Supremo, a tudo isso que se vê, esse desvio da Constituição e das funções do Supremo. Foram muitas bocas se pronunciando, parece que mudaram os ventos.

ALEXANDRE GARCIA

HISTÓRIA E FARSA

Getúlio Vargas deu golpe de Estado em 1937

Foto colorizada artificialmente mostra o ditador Getúlio Vargas (ao centro, na fileira da frente) durante comemorações dos 50 anos da proclamação da República, em 1939

A história do Brasil se encaixa bem no pensamento de Marx, segundo o qual, quando uma tragédia histórica se repete, vem como farsa. Novembro nos faz lembrar tempos do caudilho Vargas. Em 1935, o levante comunista que começou em 23 de novembro, em Natal, continuou no Recife no dia seguinte e eclodiu no Rio de Janeiro no dia 27, ensejou que já em 26 de novembro Getúlio decretasse estado de sítio, dando mais poderes ao Estado brasileiro para que Vargas pegasse não apenas os comunistas, mas também os demais adversários. Em 1937, também em novembro, Getúlio ganhou outro pretexto para dar outro golpe. Usou um documento, um estudo, de autoria do capitão Olympio Moura Filho, sobre uma hipótese de insurreição popular, que passou a ser chamado de “Plano Cohen” – um judeu-comunista fictício. Getúlio cercou e fechou o Congresso; decretou o Estado Novo, pondo interventores nos estados (menos Minas Gerais); e passou a governar sozinho, por decretos-leis.

Até na pátria-mãe novembro teve tentativa de golpe comunista. No dia 25, em 1975, um grupo de oficiais da Polícia do Exército e Cavalaria, com paraquedistas, ocupou quartéis; capitães barbudos como Fidel transmitiram manifestos por emissoras de rádio, mas o Regimento de Comandos agiu a tempo e, no mesmo dia, mesmo com a morte de três dos seus, afagou o movimento e pôs fim ao período revolucionário que começou no 25 de Abril e ensejou o enquadramento de Portugal num Estado Democrático de Direito.

Neste novembro vivemos de sobressaltos numa repetição de histórias que viram narrativas terminadas em farsas. Governantes usam isso para se impor e eliminar adversários ou lideranças consideradas perigosas. A história mostra como Getúlio procurou unir o país em torno de si, com o pretexto de ameaças à democracia; o general Galtieri invadiu as Malvinas para tentar unificar o povo argentino em torno de sua ditadura; Maduro “anexou” parte da Guiana ainda apenas no mapa. E agora dizem que Lula se prepara para anunciar que, diante da trama golpista, ele é a solução democrática.

A conversa entre militares não chega a ser um planejamento, e muito menos execução de planos. E confessam que esperavam uma ação que o presidente não adotou. Mas forneceram munição para quem quer anular Bolsonaro, um líder que a história contemporânea demonstra que cresce quando é atacado. A facada, que foi cogitada, planejada e executada, foi um golpe que não se consumou, porque não o matou. Mas foi tão extremo que o elegeu. Ele não se reelegeu, foi feito inelegível, e está em curso mais uma ação contra ele. São repetições sucessivas da mesma história. Como Marx qualificaria essa insistência?