ALEXANDRE GARCIA

BOLSONARO É O MAIOR LÍDER POPULAR HOJE, E ANISTIA É URGÊNCIA NACIONAL

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Ex-presidente Jair Bolsonaro discursou para milhares de pessoas na Avenida Paulista neste domingo (6) em ato pró-anistia

Eu sou da mesma geração de Fernando Gabeira, fomos colegas no Jornal do Brasil. Gabeira sequestrou o embaixador norte-americano, se exilou na Europa, foi cassado, foi anistiado, e está trabalhando como jornalista no Brasil. Foi deputado federal, um bom deputado até – se eu fosse do Rio, votaria nele. E ele disse algo contrariando todos os seus colegas de emissora, que estavam dizendo que havia (desculpem a risada) 44,9 mil pessoas na Avenida Paulista no domingo, segundo a USP. Todos abraçaram essa conta, mas Gabeira e eu diríamos apenas que a USP fez esse cálculo, acharíamos graça, e afirmaríamos que a Paulista estava cheia. Pois Gabeira encontrou uma maneira de contrariar todo mundo: disse que não existe ninguém no Brasil capaz de atrair tanta gente na rua como Jair Messias Bolsonaro. Ninguém me contou, eu o ouvi dizer isso.

Lembro disso porque o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, insiste em achar que a anistia – e essa gente toda estava na Paulista pela anistia – não é urgente. Então não é urgente tirar da prisão quem está lá injustamente? A ironia é que muitos dos que agora estão gritando “sem anistia” foram anistiados, ou são filhos, netos, sobrinhos de gente anistiada em 1979. Foi uma anistia ampla, geral e irrestrita para pacificar o país. Então, vejo aí um certo farisaísmo, como escrevi no meu artigo que saiu em 38 jornais. É óbvio que uma pessoa que pintou de batom uma frase na estátua da Justiça – que, aliás, nem tem a balança, só tem a espada, parece que foi feita para a época atual – não tem nada a ver com golpe de Estado.

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Incerteza joga dólar perto dos R$ 6 mais uma vez

O dólar voltou a bater nos R$ 6. Por quê? Porque o país está cheio de dúvidas, cheio de incertezas. Os investidores estão com o pé atrás, porque a política econômica do governo está mostrando que o presidente da República – não é o ministro da Fazenda – acha que a gastança é boa, que é preciso gastar, é a demagogia populista. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula, diz que R$ 30 bilhões são apostados por mês nessas bets, e que o Banco Central não tem como evitar que esse dinheiro saia do Bolsa Família. Então tem quem receba Bolsa Família, que é dinheiro dos pagadores de impostos, nosso dinheiro, e jogue fora em aposta! Vivo dizendo que nunca apostei na minha vida a não ser em mim mesmo – e sempre ganhei, além de ter economizado o dinheiro que eu não desperdicei em aposta. O melhor jogo é apostar em si mesmo.

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Lula está em mais uma reunião do clubinho da esquerda latino-americana

O presidente Lula está em Honduras para uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). É coisa inventada pelo Hugo Chávez, quem gosta disso é Nicolás Maduro, porque é uma reunião de esquerda. E Lula saiu sem tomar nenhuma decisão em relação ao ministro das Comunicações, Juscelino Filho. O caso já é conhecido; ele pegou uma emenda e asfaltou uma estrada que vai para a fazenda da família dele. Agora a Procuradoria-Geral da República denunciou Juscelino Filho, que entregou o cargo.

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Compra do Master pelo BRB é história muito mal-contada 

E temos essa história do Banco de Brasília, que é o banco estatal do Distrito Federal, comprando o Banco Master, que ninguém queria comprar – o BTG parece que havia oferecido R$ 1, e o Banco de Brasília comprou por R$ 2 bilhões. É um banco que, aparentemente, teria patrimônio porque compra precatórios pagando bem abaixo do valor nominal, que fica esperando receber. Como é que o Banco de Brasília entrou nisso? Eu estou na dúvida; esperei um tempo, atrás de informação segura lá de Brasília, mas até agora não há nada que garanta que tenha sido um negócio superlimpo.

ALEXANDRE GARCIA

ATÉ A OAB TEM DE SUPLICAR PARA ADVOGADOS FAZEREM SEU TRABALHO

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O presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, durante sessão do STF

Nunca imaginei que veria uma coisa dessas: o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teve de ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir para os advogados conhecerem a íntegra da acusação contra seus clientes. Saber de que eles são acusados, quais são as provas da acusação. Mas foi o que aconteceu: o presidente da OAB foi pedir ao relator do “inquérito do Fim do Mundo” – como batizou o ministro Marco Aurélio – que os advogados saibam do que seus clientes são acusados, e quais são as provas contra eles.

E para muita gente vai ser muito difícil o STF entregar algo substancial. Para a Débora Rodrigues, por exemplo, a prova foi a foto dela pintando a estátua na frente do STF com um batom – um crime “gravíssimo”, que dá 14 anos de prisão. O crime da moça do Maranhão, que ficou presa por quase dois anos, foi estar com lápis e papel fazendo anotações para uma tese de Psicologia sobre manifestações do povo. E, assim como esses, tem vários outros casos.

Existe prova para incriminar quem jogou o relógio no chão, todos viram. Alguns se filmaram quebrando cadeiras, fazendo sujeira, mas, para uma maioria, certamente não há comprovação de nada, e os advogados estão desesperados. E ainda há aquela história de a defesa gravar um vídeo e mandar. O advogado grava uma defesa de 25 minutos, mas já tem uma resposta cinco minutos depois de ter colocado o vídeo no sistema do STF. É o milagre de leitura potencializada em velocidade. O que isso mostra? Que o direito de ampla defesa, previsto no artigo 5.º da Constituição, que é cláusula pétrea, não está sendo obedecido – e nem o processo legal, e nem o direito ao contraditório.

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Congresso acovardado por causa da anistia

Outra parte da Constituição que não está sendo respeitada é o inciso XI do artigo 49, que diz que é da competência do Congresso Nacional “zelar pela preservação da sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros poderes”. Mas o Supremo está legislando, e os legisladores nada fazem. Agora, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que é preciso ter muito cuidado com esse projeto de anistia para não agravar a crise entre poderes. Mas o poder ofendido é o mais importante dos poderes, é o mais poderoso deles, porque representa diretamente a origem do poder, que é o povo. Todos lá receberam uma procuração para exercer o poder em nome do povo – uma procuração chamada voto.

Por que o Congresso, os deputados e senadores, se encolhem tanto? Alguns acham que a razão está em uma coisa errada: o fato de o Supremo julgar deputados e senadores. Aqueles que têm contas a pagar na Justiça ficam na mão do STF, que não julga, deixa o processo na gaveta esperando; se o sujeito não se comporta bem, aí, sim, pegam a ação para julgar. Essa é uma espada de Dâmocles pesando sobre a cabeça dos congressistas.

Essas coisas deveriam mudar. Juiz do Supremo tem de ser escolhido entre juízes de carreira. Porque a natureza do juiz de carreira é ser isento, neutro, ser o fiel da balança, ouvir os dois lados, aplicar a lei e a justiça, usar sensatez, compaixão, humanidade, e julgar. Esse é o ideal salomônico de um juiz. Já o advogado defende uma causa, essa é a sua natureza. Já o integrante do Ministério Público está lá pra defender a lei e acusar alguém, para botar a pessoa na cadeia, ou então descobrir que esse alguém é inocente e mandar arquivar a ação. Mas o Supremo tem hoje mais advogados e promotores públicos que juízes de carreira. Aí está a origem da politização, da defesa de causas.

ALEXANDRE GARCIA

HUGO MOTTA ACHA QUE TUDO É MAIS IMPORTANTE QUE ESSAS SENHORAS QUE ESTÃO PRESAS

Milhares de pessoas foram à manifestação a favor da anistia na Avenida Paulista

Ontem a gente viu oradores mostrando a necessidade de anistia. Eu estava percorrendo as histórias de algumas pessoas. Sem falar na Débora, que é um símbolo: 14 anos de prisão por escrever uma frase de um ministro de Supremo no granito da estátua da Justiça.

Mas tem um outro caso aqui incrível, da Giovana Vieira da Costa. Ela é casada com um motoboy, está com oito meses de gravidez, e chegou de ônibus no fim da tarde, depois que tudo tinha acontecido. Mas foi presa. Ela invocou o motorista do ônibus para dar um testemunho, mas o motorista não quis se meter com medo. Esse é o objetivo: impor medo para as pessoas lavarem as mãos. “Te vira”.

Assim como a dona Adalgisa, doente, a dona Vildete da Silva Guardia, de 74 anos, que já foi condenada há 12 anos, estava dentro do Palácio Planalto. Não quebrou nada, estava lá abrigada da fumaça lançada por bomba do helicóptero. Já perdeu 40 quilos, usa cadeira de rodas, mas foi presa porque poderia fugir. Ela recentemente retirou um tumor, ela não consegue caminhar.

Então agora mandaram para casa, estava no presídio dois anos, a moça missionária, manicure, que estava colhendo dados pra uma tese sobre manifestação popular na Faculdade de Psicologia. A Eliane Amorim de Jesus, 30 anos, está em casa. Prisão domiciliar. Não pode se comunicar com ninguém, não pode dar entrevista, não pode usar rede social, está lá de tornozeleira.

O Estadão mostra que tem 107 deputados que não contam no que vão votar, sim ou não pro projeto de anistia. Tem 197 que já disseram: “estamos a favor”. E tem 127 que disseram: “vamos votar contra”. Essa é mais ou menos a maioria da esquerda, dá uns 127.

Estadão ouviu 84% da Câmara, não ouviu todos ainda. Mas o presidente da Câmara, Hugo Motta, que deu uma entrevista dizendo que aquilo não foi golpe. Claro que não foi. Foi uma manifestação, foi uma explosão, mas não foi golpe. Golpe tem que ser conspiração, tem que ser planejado, tem que ter armas para resistir a qualquer contragolpe. Não tinha.

O Hugo Motta explicou essas coisas, mas agora ele tem coisa mais importante para decidir, como as tarifas de Donald Trump. Tudo isso é mais importante que essas senhoras, essas moças que estão presas. Um dia a mais para elas é uma eternidade. Já imaginou essa missionária naquele presídio lá do Maranhão? E para essa outra que chegou depois dos acontecimentos?

As pessoas estão presas, há doentes. O Clesão ficou preso e morreu. Não foram atendidos os pedidos dele ser mandado para casa para se tratar. Comida do presídio. Piora a situação, né? Ele acha que isso não é importante, pessoas não são importantes. Uma pessoa é importante por um dia na prisão. Um dia de liberdade é um bem muito grande, importante. Liberdade é logo depois da vida. E vida sem liberdade deve ser uma coisa terrível.

Aliás, é o Hugo Mota na Câmara, com o Davi Alcolumbre lá no Senado, que não deixam o Congresso discutir tudo isso que está acontecendo. Tudo à revelia da Constituição, que proíbe censura, garante a liberdade de expressão, garante o direito de ir e vir, garante a inviolabilidade do deputado e do senador por quaisquer palavras e opiniões.

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Não é necessário vacinar crianças contra Covid

Bom, só pra concluir, eu acho uma crueldade o que tem acontecido por aí, obrigando crianças a serem vacinadas de Covid. Uma que não é necessária, todo mundo mostra isso. Eles não têm essa necessidade, esse perigo, eles não correm esse perigo. E outra que essa vacina que mexe com o DNA é perigosa. Basta que vocês investiguem.

Agora as duas últimas que deu no noticiário, porque em geral não dá no noticiário, 14 anos, o Ezequiel, lá em Senador Caneto, perto de Goiânia. Estava jogando futebol, 14 anos. A Maria Eduarda, fazendo física na Universidade Federal de Goiás, 25 anos. Teve um AVC, morreu, sei lá. A gente não sabe, porque é tanto jovem morrendo agora.

ALEXANDRE GARCIA

QUEREM DEIXAR O RIO PIOR QUE O “INFERNO” DE DANTE

Desde 2020, a pedido do PSB, o STF interfere em operações policiais em favelas do Rio de Janeiro. Ação deixa precedentes graves de ativismo judicial

Desde 2020, a pedido do PSB, o STF interfere em operações policiais em favelas do Rio de Janeiro. Ação deixa precedentes graves de ativismo judicial

Dante, no Inferno, dizia que à entrada estava escrito “Deixai toda a esperança, vós que entrais” – Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate. Eu tinha uma esperança enorme de que o Supremo desistiria das restrições à polícia, nas ações em territórios liberados da soberania brasileira no Rio de Janeiro, locais tomados pelo crime que está deixando o Rio de Janeiro insuportável, com medo – são palavras do governador Cláudio Castro. Ele mesmo está mostrando que não há vocação turística que aguente, não há paz para os moradores. Mas o Supremo parece que colocou mais regras, agora tem de ficar tudo registrado lá, câmera, policial.

Vi ministro do Supremo dizendo que a letalidade policial diminuiu, mas é preciso que se continue a combatê-la. Pelo amor de Deus, combatam a letalidade dos bandidos! Está tudo errado, estão combatendo a letalidade da polícia e não combatem a letalidade dos criminosos. Não é a polícia que atira em primeiro lugar. O Brasil deve ser o lugar onde mais se matam policiais no mundo. Mas não vejo ninguém do Judiciário indo a enterro de policial e consolando as famílias dos policiais que morreram pela lei que eles aplicam.

E vai ficar cada vez pior. Eu lembro de quando o bandido no Rio usava revólver; hoje ele usa fuzil .50, granada e armas mais sofisticadas que as armas dos policiais. A bandidagem faz barricadas para marcar a fronteira. “Territórios liberados” é o nome; são santuários, como havia lá na Guerra do Vietnã. “A polícia aqui não entra, aqui mandamos nós”, dizem os traficantes. Eles mandam na distribuição de gás, de internet, cobram pedágio. É um outro Estado, fora da lei brasileira. Será que o Judiciário vive em uma ampola, isolada da dureza da população do Rio de Janeiro? O carioca sofre, em todas as regiões do Rio.

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Brasil ainda ficou com a menor tarifa na lista do Trump 

No fim das contas, o Brasil ficou com a tarifa mínima, de 10%, no “tarifaço” de Donald Trump. Antes de fazer qualquer discurso, temos de pensar como é que podemos tirar vantagem disso. A tarifa pode prejudicar o café que vendemos para os Estados Unidos? Mas o Vietnã também vende café para os norte-americanos e vai pegar uma tarifa de 46%! Outro exemplo: a China está com uma tarifa de 34%; ela vende sapatos, roupas, itens que nós também produzimos. A União Europeia levou uma tarifa de 20%, o dobro da nossa. O Japão, 24%. E, se o Japão foi tarifado em 24%, é porque cobra 48% dos norte-americanos. Se a China é tarifada em 34%, é porque cobra 68% dos EUA. Se a União Europeia foi tarifada em 20%, é porque já vinha cobrando 40% dos Estados Unidos. Foi esse o critério do governo Trump.

O Congresso aprovou a Lei da Reciprocidade, o presidente Lula leu um belo discurso sobre isso, nós vamos reagir com reciprocidade. Pois eu lembro de palavras de Pierre Trudeau, ex-primeiro-ministro do Canadá, pai do Justin: ele dizia que “ficar do lado dos Estados Unidos é dormir com um elefante. Qualquer movimento dele nos afeta”. Então, temos de ter muito cuidado com o elefante.

ALEXANDRE GARCIA

NÃO É RETALIAÇÃO A TARIFAS QUE VAI SALVAR A INDÚSTRIA BRASILEIRA

crescimento industria

Indústria nacional está há cinco meses sem crescer

Saiu o tarifaço de Donald Trump, que até tratou bem o Brasil na comparação com países asiáticos. Algumas nações na Ásia levaram 90% de sobretaxa nos produtos importados de lá. Para produtos do Brasil, parece que a tarifa geral será de 10%, que é o mínimo; estão dizendo que automóveis brasileiros seriam taxados com 25%, mas eu duvido que o Brasil venda automóveis para os Estados Unidos, não tenho detalhes a esse respeito.

A indústria aqui no Brasil vai mal. A Câmara e o Senado estão reagindo, para devolver com tarifas iguais, mas o problema é outro. De fevereiro de 2022 até o fevereiro de 2025, ou seja, num intervalo de três anos, a indústria cresceu apenas 1,1%, e foi graças à indústria de mineração e de alimentos. O setor não vai bem; caiu pelo quinto mês consecutivo agora em fevereiro, queda de 1,3% segundo o IBGE. Há uma insegurança jurídica muito grande nesse país. Não é apenas a insegurança pessoal, de falta de segurança pública; o investimento se retrai e a indústria não se moderniza, não ganha mercado, não vende, não produz.

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Que Justiça é essa que condena a 9 anos por ganhar um tríplex e a 14 anos por escrever com batom?

Queria fazer uma comparação, sobre a nossa Justiça. A Débora do batom passou 743 dias na prisão, os filhos ficaram sem a mãe – só agora ela foi para casa, em prisão domiciliar, com tornozeleira – por causa de um batom, e já há dois votos no Supremo para condená-la a 14 anos de prisão. O atual presidente ficou 580 dias na prisão, condenado por ter recebido um tríplex no Guarujá; a condenação foi até diminuída (embora tenha sido confirmada) pelo Superior Tribunal de Justiça, depois que a segunda instância tinha aumentado a pena. Um pegou 8 anos e 10 meses por um tríplex. A Débora, 14 anos por um batom. E o atual presidente já tinha uma segunda condenação, pelo sítio de Atibaia; dois outros processos em que ele era réu, do Instituto Lula e da Operação Zelotes, foram suspensos porque não podiam correr em Curitiba, mas em Brasília e São Paulo.

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Filipe Martins participará de audiência em investigação de possível fraude na imigração americana

Na próxima quarta-feira, em Orlando, na Flórida, haverá uma audiência da qual Filipe Martins vai participar remotamente, lá de Ponta Grossa, porque ele não pode sair do país. Ficou seis meses na prisão, igual à Débora, sem condenação, nem sequer uma denúncia. Prenderam para ele não fugir do país, porque inventaram que ele tinha ido para a Flórida no fim de 2022, mas ele estava em Ponta Grossa o tempo todo; comprovou com o rastreamento do celular, com passagens aéreas de Brasília e Curitiba, com fotos daqueles dias.

O processo em Orlando está investigando se houve fraude no sistema de migração dos Estados Unidos, o que é muito grave. Como escreveram errado o nome dele, eu tenho um palpite. O nome do Filipe Martins é com “i”; acho que em todas as línguas é assim, inclusive no inglês dos Estados Unidos, é Phillip. Mas aqui no Brasil muita gente se chama Felipe, com “e”, que não é o caso de Filipe Martins, Filipe com “i”. Como escreveram o nome errado, meu palpite é de que foi algum brasileiro que errou.

ALEXANDRE GARCIA

EUROPA ASSUSTADA

Estou em Lisboa e, meu Deus, estão fazendo o que fizeram na Covid, na pandemia. Estão assustando a população da Europa. “Pode ter uma guerra nuclear, vocês têm que ter um kit sobrevivência em casa”.

Estão divulgando coisas desses tipo e é um monte de itens. Deve ter gente vendendo bem, não é? Extintor, garrafa para conservar água, para conservar alimento, enlatados. Estão dizendo que devem ter um lugar em casa para fazer um abrigo, manter estojo de primeiros socorros.

Por que isso?

No fundo, a causa é política. É a União Europeia dizendo que há perigo de guerra. E por quê? Por causa do Trump.

Os governantes europeus não sabem que essas conversas do Trump com o Putin servem para o Putin não se jogar nos braços da China, ao ser isolado pela Europa.

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Os incríveis contracheques

Gente, a agência UOL de notícias fez um levantamento em mais de 3 mil contracheques de conselheiros de tribunais de contas do Brasil. Vejam só, é incrível, mas o teto do funcionalismo público é o salário de um ministro do Supremo. Dá uns R$ 42 mil. No entanto, lá em Roraima um conselheiro ganha R$ 164 mil. É o salário e os penduricalhos. Todos aqueles penduricalhos, né? Tem de tudo. Como se eles vivessem numa zona de perigo, em um fronte, sendo atacados por inimigos, sendo sujeitos a doenças, ambiente insalubre, hostil, mais ou menos isso, trabalho excessivo. A média é R$ 66 mil, a média de mais de 3 mil contracheques.

São 33 tribunais de contas. Vocês dirão, como assim? São 27 estados mais o Distrito Federal. Acontece que há quatro capitais, se não me engano, que têm tribunais municipais.

Entre os campeões, além de Roraima, está o Distrito Federal. O valor lá é 158 mil. Aliás, o Tribunal de Contas do Distrito Federal está começando a examinar agora essa compra por parte do BRB, Banco Regional de Brasília, que é um banco estatal, de um banco privado, o Banco Master, de São Paulo. A compra está saindo por uns R$ 2 bilhões. Está todo mundo estranhando.

Em terceiro lugar, Ceará. R$ 133 mil por mês. Depois acho que é Minas Gerais que vem depois.

No Tribunal de Contas da União, a média é R$ 107 mil. Sabe o que é que acontece? Quem são os integrantes do Tribunal de Contas? Supostamente teria que ser gente formada em Ciências Contábeis, Economia ou similares, né? Mas não. Quem está lá são políticos aposentados que não foram reeleitos ou são mulheres de governador. Já teve até mulher de jornalista. Mulher de governador tem três, é o do Ceará, do Pará e de Roraima. Cinco conselheiras são casadas com ministros do governo Lula.

Enfim, é uma delícia. Isso aqui é Brasil. Por minha conta, por sua conta. Porque a gente paga imposto para isso.

ALEXANDRE GARCIA

OS “ESTUDANTES FANTASMAS” DO PÉ-DE-MEIA

O Estadão fez uma denúncia importante sobre o programa Pé-de-Meia, que o governo está anunciando agora, dando R$ 200 por mês para alunos do ensino médio que comprovem necessidade, além de mais R$ 1 mil por ano – no total, daria R$ 9,2 mil por aluno, com o dinheiro dos nossos impostos. É um programa que leva adiante a ideia do estudante mercenário. O jovem tem de estudar para seu próprio bem, mas agora ele vende sua dedicação ao estudo. O Estadão descobriu que há cidades com mais beneficiários que alunos na escola.

Em Riacho Fundo (BA), só existe uma única escola de ensino médio, com 1.024 alunos. Mas, em fevereiro, o governo pagou (e não foi pouco) para 1.231 estudantes, ou seja, 207 beneficiários além dos alunos matriculados, 20% a mais. A Secretaria da Educação da Bahia diz que os estudantes de ensino médio naquela cidade são 1.677; o MEC acha que são 1.860. Nada bate! Os órgãos de governo não sabem nem sequer o número de alunos nessa escola pública, que em fevereiro somou R$ 1,75 milhão em pagamentos do Pé de Meia.

Em Porto de Moz (PA), as duas escolas somam 1.382 alunos, mas o governo pagou para 1.687 (22% a mais). E o MEC diz que o município tem 3.105 estudantes de ensino médio. Como assim, se as duas escolas, somadas, têm 1.687? Natalândia (MG) tem uma escola, com 317 alunos. O MEC diz que está pagando para 326 e que, na verdade, o município tem 600 estudantes. É muito preocupante isso, pois quer dizer que a estatística está mostrando mais alunos do que realmente estão na escola. Não está batendo, e é dinheiro dos nossos impostos.

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Sanções econômicas

A mudança de tempo aqui em Portugal me pegou a garganta, vocês devem ter percebido. Muita autoridade brasileira deve estar perdendo o sono com as sanções econômicas pesadas anunciadas pelos Estados Unidos contra seis autoridades importantes da segurança e da polícia de Hong Kong. O território já foi do Reino Unido, agora pertence à China. Eles perseguiram 19 militantes pela democracia, quatro dos quais estão refugiados nos Estados Unidos, e um é cidadão americano.

As sanções incluem bloqueio de empresas em que tenham mais de 50% de capital e que estejam vinculadas aos Estados Unidos; proibição de entrar nos Estados Unidos ou mesmo de transitar por aeroportos americanos; e proibição de qualquer contato bancário, financeiro, econômico, com qualquer coisa vinculada a empresas ou bancos americanos; e controle de contas bancárias americanas. Eles são párias nos Estados Unidos de agora em diante, por terem promovido repressão contra manifestações pela democracia e contra o Partido Comunista Chinês. E o que os brasileiros têm a ver com isso? É sinal que os americanos não estão brincando com a proteção dos direitos humanos e das liberdades.

ALEXANDRE GARCIA

PRISÃO DOMICILIAR PARA DÉBORA NÃO TEM NADA DE BENEVOLÊNCIA

Débora Rodrigues dos Santos é mãe de duas crianças e está presa desde 17 de março de 2023, por ordem do ministro Alexandre de Moraes

Débora Rodrigues dos Santos é mãe de duas crianças e estava presa desde 17 de março de 2023

Tem coisas que a gente não entende na Justiça. A justiça é compaixão. Aí muita gente diz: “puxa, funcionou a compaixão, Débora Rodrigues foi pra casa”. Não, funcionou a crueldade. Débora ficou dois anos presa, a maior parte dos quais sem denúncia sequer. E estava sendo condenada a 14 anos, já tem dois votos, por escrever com batom uma frase do ministro Luís Roberto Barroso. Uma frase bem popular, vulgar: “perdeu, mané”.

Imagine só, 14 anos por isso. Normalmente seria, talvez, uma cesta básica num juizado de pequenas causas. Mas não tem nada de benevolência aí. Os filhos dela ficaram sofrendo, traumatizados, por dois anos, indo dormir sem a mãe, acordando pela manhã sem a mãe, indo para a escola sem a mãe, sem a mãe para contribuir com o trabalho dela como cabeleireira, na renda da casa, nas despesas da casa. Terrível.

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Arquivamento do caso do cartão de vacina

Diz o procurador-geral da República: “olha, vamos arquivar a história do cartão de vacina de Bolsonaro porque só o depoimento de Mauro Cid não serve”. Mas o depoimento serve para outras coisas? Para golpe de Estado? Não serve para cartão de vacina? Está brincando.

Para justificar a acusação que fizeram, inclusive pra Débora, de golpe violento armado para derrubar o Estado Democrático, o ministro Flávio Dino justifica. “Estava cheio de militar da reserva e todo militar da reserva, eu sei”, diz ele, “usa arma”. Portanto, havia arma, mas encontraram alguma arma de fogo? Não, mas são palavras de um juiz e ele é juiz, não viu arma, supõe que houvesse arma porque havia gente que usa arma.

O ministro Barroso deu uma declaração dizendo que a não punição desse episódio pode fazer parecer que na próxima eleição quem não estiver satisfeito com o resultado pode pregar a derrubada do governo eleito e invadir prédios públicos. Então, não é bom para a democracia nem para o futuro do país que prevaleça esse tipo de visão. Ou seja, é um juiz que já antecipa que tem que condenar. Eu nunca vi isso na minha vida.

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Lula arruma briga com as donas de casa

O presidente Lula arranjou mais uma briga com as donas de casa. Disse que a Janja não é clandestina e que ela escolheu essa vida porque ela não nasceu para ser dona de casa. Arrumou briga com as donas de casa, podia dizer que não nasceu para ficar em casa. Mas ficou estranho porque a dona Marisa era dona de casa. A dona Marisa trabalhava quando teve o primeiro filho com Lula, passou a ser dona de casa.

ALEXANDRE GARCIA

LULA FINALMENTE ACHOU UMA BOQUINHA PARA GUIDO MANTEGA

Guido Mantega Eletrobras

Lula nomeou Guido Mantega para o Conselho Fiscal da Eletrobras

Vocês lembram do Guido Mantega? Nasceu na Itália, veio para o Brasil, virou ministro da Fazenda de Lula, caiu na Lava Jato, foi detido, mas se negou a fazer delação premiada, ao contrário de Antonio Palocci. Agora ele está livre, mas não consegue se encaixar de novo no mundo financeiro, mesmo sendo economista formado nos Estados Unidos. Lula vinha procurando um lugar para Mantega, como agradecimento por ele ter se recusado a assinar uma delação premiada. Tentou umas três opções, não conseguiu, mas agora Lula encontrou uma boquinha para seu ex-ministro.

Mantega será um dos integrantes do Conselho Fiscal da Eletrobras. Para o Conselho de Administração, Lula também nomeou, muito agradecido, três pessoas que sempre foram contra a privatização da Eletrobras, que ganhou um status diferente, agora está capitalizada. Os escolhidos foram Nelson Hubner, que já foi diretor da Aneel; Maurício Tomalsquim, que é diretor da Petrobras; e Silas Rondeau, que já foi ministro de Minas e Energia do governo PT. Está todo mundo garantido lá.

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Vagas em conselhos são recompensa para engordar salário de aliados

Esses lugares em conselhos e coisas do tipo – a primeira-dama Janja, por exemplo, foi nomeada em 2005 para o gabinete de Jorge Samek, que era o diretor brasileiro da Itaipu Binacional – são um tipo de compensação. A pessoa tem uma boa renda em um determinado lugar, é convidada para um cargo, e ganha lugar nesses conselhos de “brinde”. Digo isso porque já aconteceu comigo: no governo Sarney fui convidado para ser o presidente da Empresa Brasileira de Notícias, da agência oficial; eu não aceitei porque ganharia menos, mas tentaram me convencer dizendo “não, você também vai ser conselheiro de Itaipu, da Petrobras, vai ganhando jetons por cada reunião do conselho”… É mais ou menos isso que acontece nos órgãos públicos, para levantar a renda da pessoa e convencê-la a poder aceitar o cargo. Mas, no caso de Guido Mantega, é um agradecimento de Lula por ele não ter sido delator, como foi Palocci. Vocês se lembram daquele telefonema de Lula sobre Palocci, em que ele estava furioso, queria vingança.

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A lógica de Trump nas negociações com Putin

Almocei, aqui em Lisboa, com dois embaixadores, gente que conhece tudo da política externa, que fez parte de gerações maravilhosas do Instituto Rio Branco. Um deles me chamou a atenção dizendo que os governos europeus estão totalmente enganados sobre as intenções de Donald Trump com relação a Vladimir Putin. Aliás, o ucraniano Volodymyr Zelensky acabou de dizer que Putin vai morrer em breve, e ficou todo mundo surpreso. É fofoca? Será que ele sabe de alguma doença?

O que um desses embaixadores me disse é que a Europa quer isolar Putin, porque o considera um perigo para a Europa. Tudo bem: mas, isolando Putin, isolando Moscou, para onde Moscou vai? Imaginem uma aliança entre China e Rússia, as consequências geopolíticas de uma aliança que vai do Báltico até o Pacífico. O que está fazendo o Trump, um excelente estrategista, então? Atraindo Putin para ele não se juntar à China. Enquanto isso, Zelensky fica brigando.

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Juro alto para consignado não tem a menor lógica

Parece que o consignado não está vendendo bem. As pessoas estão com o pé atrás, e eu até me surpreendi, porque pensava que os juros eram de 2%, mas são 50% mais do que isso: os juros são de mais de 3% – ao mês! É caríssimo! E os números da Fecomércio de São Paulo são impressionantes. Os lares endividados no estado são 69,2%, e subindo. Os inadimplentes são quase um em cada cinco. Isso atinge 2,83 milhões de lares. As pessoas já estão endividadas. E o juro do consignado é alto. Justifica-se o juro alto quando há inadimplência, ou risco de inadimplência. Só que isso não existe nesse consignado, porque o FGTS do tomador do empréstimo está servindo de garantia. É um dinheiro que já está lá, o risco do banco é zero.

ALEXANDRE GARCIA

OS GRANDES AUSENTES DO PROCESSO DO “GOLPE”

Quando eu era jovem, o jornalista David Nasser, talvez o mais famoso do país naquela época – fim dos anos 40, anos 50, e início dos anos 60 –, escrevia para os Diários Associados e para a revista O Cruzeiro, que era a principal do Brasil. Ele publicou um livro chamado Falta alguém em Nuremberg. Era referência ao julgamento dos nazistas; à exceção de dois, todos os demais foram enforcados. E quem estava faltando em Nuremberg? Era o chefe da polícia do ditador Getúlio Vargas. No livro, Nasser denunciou torturas que se igualavam àquelas dos campos de concentração, citou várias mortes, e a existência de prisioneiros políticos no tempo da ditadura Vargas.

Acompanhando o julgamento de terça e quarta-feira, que tornou Bolsonaro réu, eu me pergunto algo parecido: não está faltando alguém? As imagens mostravam o general Gonçalves Dias, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, circulando entre os primeiros invasores, oferecendo-lhes água, mostrando-lhes os caminhos para outros andares, as portas, sempre muito solícito… e ele não aparece no inquérito, não aparece em nada. Que milagre é esse? Uma pessoa que no mínimo foi testemunha ocular da invasão, ao que me consta, nem sequer testemunhou para incriminar ninguém. Ele não viu tudo acontecendo lá dentro?

Um manifestante quebrou o relógio, isso todo mundo sabe. Mas quem furou uma tela de Portinari? Quem estragou obras de arte? Quem quebrou vidros, inclusive um vidro blindado, que não é rompido nem por tiro de fuzil? Estavam ou não estavam com pé de cabra, instrumentos pesados? Muitas perguntas, mas o general Gonçalves Dias está fora dessa. E isso de oferecer água nem é novidade, porque, quando houve uma greve de policiais, não lembro agora se foi no Espírito Santo ou na Bahia, ele confraternizou com os grevistas. É muito estranho isso.

Outra pessoa que deveria estar no inquérito, e não julgando a denúncia, é o ex-ministro da Justiça Flávio Dino, que era responsável pela Guarda Nacional e estava ali do lado presenciando tudo, sendo testemunha visual dos fatos. Ele inclusive está envolvido na polêmica do sumiço de imagens das câmeras do Ministério da Justiça, mostrando o movimento naquele 8 de janeiro. Então, está faltando alguém no processo.

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Críticos dos processos no STF estão cobertos de razão

E não resta dúvida de que o ministro Luiz Fux, a OAB do Rio de Janeiro e o Partido da Causa Operária têm razão nesse processo. Criticaram essa maneira de julgar que não individualiza, que se tornou um julgamento em massa. Imaginem a cabelereira Débora: a única coisa que se sabe dela é que escreveu com batom na estátua da deusa da justiça, mas ela está sendo enquadrada por associação criminosa armada, abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça com prejuízo, e deterioração do patrimônio tombado. Ela não deteriorou nada; lavaram o batom dela em minutos, a estátua da Têmis está lá incólume. Foi um absurdo. A OAB do Rio, o PCO e Fux querem saber por que as pessoas não estão sendo julgadas individualmente, como manda o devido processo legal, e estão sendo julgadas em massa, atribuindo crimes genéricos a todos. Nem Franz Kafka, no seu O Processo, seria capaz de imaginar uma coisa dessas.

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Embraer anuncia mais encomendas, e é um exemplo de sucesso nacional
 
O presidente Lula está no Japão, e aproveitaram para anunciar mais uma venda grande da Embraer, do jato E190. Eu viajei com ele de Brasília a Belo Horizonte faz poucos dias; é um excelente avião, voei com ele de São Petersburgo a Varsóvia, e por aqui a Azul usa muito esses aviões. Eles venderam 20 unidades, dá quase R$ 10 bilhões. A carteira da Embraer já está em mais de US$ 26 bilhões, um sucesso. Ela virou uma das grandes fabricantes de aviões do mundo – em todos os setores: aviões militares, particulares e comerciais.

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Não é só a oposição que quer saber o que Janja anda fazendo

A primeira-dama Janja foi ao Japão antes do presidente, e ficou lá por uma semana; nesta quarta-feira, ela deve estar em Paris, a convite de Emmanuel Macron. Disse que vai discursar em um evento chamado Nutrição para o Crescimento. A oposição quer saber quais são as atividades de Janja, e o PT está querendo saber o tamanho da influência de Janja sobre o presidente da República. Atribui-se a ela uma espécie de bloqueio dos velhos amigos e de alianças políticas para não incomodar o marido.