ALEXANDRE GARCIA

CPMI DO INSS PODE SER MAIOR QUE A LAVA JATO E O MENSALÃO

Senadores e deputados abrem trabralhos da CPMI do INSS.

Senadores e deputados abrem trabralhos da CPMI do INSS

Confirmado: ocorre nesta segunda-feira (15) um grande depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que apura o desvio de bilhões de reais e teria atingido milhões de idosos e até crianças com doenças graves, beneficiários da Previdência. Vai depor o careca do INSS, o Antônio Carlos Camilo Antunes.

Consta que ele concordou em depor porque quer se defender. Então, ele vai ter que contar. E a gente sabe que ele não é funcionário da Previdência nem do governo. Obviamente, para fazer tudo o que fez ao lado de seu sócio, Maurício Camisote – já preso -, era necessária a contrapartida dentro do governo. Não tem como alguém achar que alguém de fora fez tudo, sem contrapartida dentro do governo, sem dividir o dinheiro.

E teve muito dinheiro envolvido, porque foram apreendidos, segundo informações, carros de luxo: um Bentley e uma Ferrari. É bom a gente lembrar que a Polícia Federal estava investigando o caso e o ministro Dias Toffoli pediu todos os inquéritos, não sei a troco de quê. Ele não era o relator. O Procurador-Geral da República reagiu: “Opa, peraí. Queremos um relator para tocar isso”. Houve sorteio e o caso foi para as mãos do ministro André Mendonça, e aí o processo passou a andar. Já são dois presos e um advogado com pedido de prisão negado pelo ministro Mendonça.

O processo avançou e agora há um prato cheio de investigações. A Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos é apontada como principal beneficiária, mas há muita gente envolvida. Vamos esperar. Este pode ser um grande momento. Vejo algo maior que a Lava Jato, maior que o Mensalão. Aliás, falando em Mensalão, o careca do INSS lembra Marcos Valério, até no perfil físico. Ele parece ser apenas um eixo, mas muita gente ainda deve aparecer.

* * *

Lula elogia Supremo no NY Times

O presidente Lula publicou um artigo de opinião no jornal New York Times neste domingo (14). Ele elogiou o Supremo por condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ele, orquestrou uma tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Lula disse no texto que está orgulhoso do Supremo. Criticou Trump afirmando que está usando tarifa e a Lei Magnitsky para buscar impunidade de Bolsonaro. Continuou defendendo o Supremo, dizendo que a justiça não é “caça às bruxas”, nem está perseguindo as big techs americanas. E depois disse que é desonesto chamar regulação de redes de censura. Então eu vou ser desonesto agora: eu digo que querem regular as redes para fazer censura política, porque já existem os meios de combater discurso de ódio, pornografia, agressão a crianças e adolescentes. O Estatuto da Criança e da Adolescente, o Código Penal, está tudo lá, é só aplicar. Não precisa fazer censura, porque, aliás, a censura é proibida pela Constituição. É impossível pela Constituição, a menos que esta seja desrespeitada.

* * *

Movidos pelo ódio

Uma outra questão que eu queria comentar é o caso daqueles que festejaram o tiro, que era para ser na cabeça, mas pegou no pescoço, do Charlie Kirk, um religioso, pai de família, pai de duas filhinhas.

Eu me pergunto, pergunto a vocês: quem festeja um crime de violência? Não é igualzinho ao assassino? É movido pelo mesmo ódio, pelas mesmas emoções, os mesmos sentimentos do assassino. É isso que precisamos considerar com tristeza. Mas esse ódio vem sendo pregado há muito tempo. Lembrem-se de Marilena Chaui gritando: “eu odeio a classe média”. Ou de Mauro Iasi, no encontro do PT, citando Bertolt Brecht, dramaturgo comunista, ao dizer: “uma boa espingarda, uma boa bala para botar esse fascista no paredão, uma boa pá para fazer uma boa cova para ele”. Esses são exemplos da pregação de ódio repetida por anos e anos.

O ódio que a gente vê nas universidades não é só com o advogado Jeffrey Chiquini. Qualquer aluno que entre em uma universidade federal com uma camisa de outra cor que não seja o vermelho vai sofrer esse ódio. Põe o verde e amarelo para ver o que acontece. Põe a camisa da seleção que é expulso. É o ódio que é pregado. O ódio é o oposto do principal mandamento do cristianismo, que faz parte da nossa cultura judaico-cristã, que é o amor. O ódio é o oposto.

ALEXANDRE GARCIA

A IDEOLOGIA QUE REALMENTE INCENTIVA O ÓDIO FEZ MAIS UMA VÍTIMA FATAL

Charlie Kirk

Charlie Kirk, assassinado nesta quarta-feira (10)

Estou preocupado com o discurso de ódio. Não é por causa das redes sociais, nem por causa da polarização atual. Sabe por quê? Porque polarização sempre existiu. Como lembrou muito bem o veterano Aloysio Carvalho — que trabalhou no rádio e depois no jornal O Globo —, não é novidade. Desde sempre houve direita contra esquerda. No meu estado era PSD contra PTB; em Minas Gerais, UDN contra PSD.

Em toda parte era assim. Na cidade onde trabalhei, havia até o “médico da esquerda” e o “médico da direita”. E as pessoas escolhiam o médico conforme a ideologia. Estou falando dos anos 40, 50, 60, 70 e 80, bem antes das redes sociais. Portanto, não dá para culpar a internet. Veja o exemplo do Nepal: a maior rede de TV estatal culpava as redes sociais pela insatisfação popular. Resultado? Derrubaram o chefe de governo, incendiaram a casa dele com a mulher dentro, queimaram o parlamento, a Suprema Corte e até a própria TV. Isso mostra que o problema é mais profundo: o ódio vem de longe, desde quando essa ideologia de Marx e Lenin se espalhou. Lenin dizia: “Acuse-os do que você é, do que você faz”. E assim se transfere o ódio, quando, na verdade, ele parte de um lado só — um ódio que matou milhões. Só na China, 77 milhões. No Camboja, Pol Pot exterminou 20% da população. Stalin matou mais soviéticos do que os alemães na guerra. Fidel Castro mandava dissidentes para o paredão. É uma ideologia de ódio.

E falo tudo isso por causa do atentado na Universidade do Vale de Utah, contra Charlie Kirk, de 31 anos, pai de dois filhos pequenos e influenciador de direita. Um jornal do Rio noticiou: “foi morto um extremista de direita ligado à invasão do Capitólio”. Ligado, apenas. Não participou. Isso justificaria um tiro no pescoço? Assim como o disparo que quase matou Trump ou a facada em Bolsonaro — cuja origem até hoje não foi esclarecida. Quem colocou na cabeça de Adélio Bispo que ele tinha um álibi pronto na Câmara dos Deputados? Nunca descobriram. Incrível.

Recentemente, o advogado Jeffrey Chiquini foi hostilizado e agredido na Faculdade de Direito da UFPR por militantes radicais. O deputado Nicolas Ferreira precisou de proteção da Polícia Federal para palestrar no Espírito Santo, após receber ameaças de morte, assim como já ocorrera com um estudante da USP. Até o ministro Fux foi alvo de uma enxurrada de xingamentos nas redes. Isso é ódio. Mas será que não foi o próprio ódio que se criou quando se condenou sem provas? Como lembrou Fux, sem provas não há condenação. Criaram uma narrativa. Seria uma narrativa “odienta”?

Entre amor e ódio, como escrevi essa semana, está a essência humana. Todos sentimos ódio, mas é algo pequeno, sem grandeza — sobretudo quando mata. O episódio da família Mantovani, hostilizada em Roma após discussão com o ministro Moraes, mostra como o ódio também move a vingança.

ALEXANDRE GARCIA

AULA DE FUX FRAGILIZA ARGUMENTOS DE MORAES CONTRA BOLSONARO

Em voto pró-Bolsonaro Fux diz que juízes não podem usar medidas cautelares para limitar ou censurar liberdade de expressão

Se a ministra Cármen Lúcia e o ministro Zanin, que ainda não votaram, tiverem prestado atenção à verdadeira aula de devido processo legal, de Constituição, de Código Penal e de jurisprudência do Supremo dada pelo ministro Luiz Fux — e se não estiverem anestesiados, mas sim com a razão e a sensatez em funcionamento, livres de paixões —, votarão como ele. Não sei, claro. Mas, se o fizerem, haverá uma reviravolta, porque Fux mostrou que não encontrou nenhuma prova para condenar Bolsonaro, tampouco para condenar o almirante Almir Garnier. Houve condenação apenas pelo fato de ele ter recebido dinheiro entregue por Mauro Cid, nada além disso. E é provável — estou gravando já imaginando — que Fux também libere o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio e, principalmente, o general Heleno.

Foi uma aula magistral. Fux mostrou o que significa ser um juiz de carreira com verdadeira vocação para a magistratura, enquanto o relator, Alexandre de Moraes, tem se comportado muito mais como acusador, quase como membro do Ministério Público. Um caso inédito no direito mundial: ele é, ao mesmo tempo, vítima, carcereiro, investigador, acusador — sobretudo acusador — e julgador. Já o ministro Dino, embora também seja juiz de carreira, deixou cedo a magistratura para seguir a vida política e defender abertamente a causa da esquerda marxista-leninista. Diferente de Fux, que construiu sua trajetória passo a passo, em instâncias superiores, até chegar ao Supremo.

Na sessão, Fux lembrou que o processo deveria ser declarado nulo, pois não havia juiz natural — deveria estar na primeira instância, exceto no caso do deputado Ramagem. Argumentou ainda que não existe “abolição violenta” sem armas, nem golpe sem armas; não há organização criminosa sem histórico de reuniões estáveis; não houve golpe de Estado porque não se buscava trocar o governo; não houve crime porque não houve sequer início de execução, apenas cogitação, se é que houve. Derrubou todos os fundamentos da acusação. Foi um marco.

Aproveito para destacar que o mesmo Moraes, que agora autorizou Bolsonaro a deixar a prisão domiciliar para tratar de lesões dermatológicas no hospital, foi alvo de uma reação internacional: o partido Chega, segunda maior força no Parlamento português, propôs nesta semana que ele seja impedido de entrar em Portugal por violações a direitos humanos. Aliás, Fux mencionou o Pacto de San José da Costa Rica, assinado pelo Brasil. Também em Belo Horizonte a Câmara Municipal declarou, por maioria, Moraes persona non grata. Claro, PT e PSOL votaram contra, mas foram derrotados.

Outro ponto: fala-se muito em combater o chamado “discurso de ódio”, mas, na prática, o ódio tem vindo de outro lado. Vi nas redes sociais ataques violentos contra Fux, inclusive de jornalistas que, anestesiados por ideologia ou interesses, ignoraram sua argumentação. E lembro também do episódio na Universidade de Utah, quando militantes de esquerda tentaram impedir uma palestra de Charlie Kirk, influenciador conservador americano ligado a Trump. Ele compareceu mesmo assim e foi baleado no pescoço, atingindo a carótida, e morreu aos 31 anos, deixando esposa e dois filhos pequenos. Esse é o mesmo ódio que esfaqueou Bolsonaro e que atirou contra Trump, acertando de raspão sua orelha.

Esse é o ódio real. E é por isso que precisamos continuar atentos.

ALEXANDRE GARCIA

O AVISO DOS EUA SOBRE COMO VÃO AGIR PARA DEFENDER A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO MUNDO

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt

Nos Estados Unidos, a porta-voz da Casa Branca declarou que o governo Trump usará todos os meios econômicos e militares para garantir a liberdade de expressão, fundamental para o Brasil. Aqui, porém, vive-se um momento preocupante: prisões e julgamentos vêm sendo usados para intimidar manifestações, limitando a liberdade de opinião e o direito de protesto — pilares da democracia. Afinal, o poder emana do povo, que é a instância suprema, o verdadeiro detentor da vontade soberana. É o povo que autoriza, pelo voto, a criação de uma Constituição, e ela deve ser respeitada. Quando a Constituição, as liberdades, o devido processo legal, o amplo direito de defesa, o juiz natural e princípios como o “na dúvida, pró réu” deixam de ser observados, a própria democracia é ameaçada.

Na Colômbia, o presidente esquerdista Gustavo Petro propôs legalizar a cocaína, argumentando que o combate à coca está devastando a Amazônia. Para ele, liberar cocaína, maconha e todas as drogas seria uma solução para preservar a floresta — um raciocínio simplista que, na prática, condenaria a população à escravidão química. Situação parecida ocorreu no Nepal, onde um governo marxista-comunista acreditou que calar a voz digital do povo seria simples. Não foi. A juventude se rebelou.

* * *

Fraude na Previdência

Por fim, surge um escândalo no Brasil de proporções alarmantes. A fraude contra milhões de idosos da Previdência, que já era gravíssima, empalidece diante de uma nova revelação. O senador Izalci Lucas questionou o ex-ministro da Previdência Carlos Lopes se ele sabia que meio milhão de crianças com esquizofrenia, síndrome de Down, paralisia cerebral e atrofia muscular tiveram seus nomes usados para a contratação de empréstimos consignados. É uma fraude gigantesca, cometida dentro do próprio Estado brasileiro, por meio do INSS. Um crime de tamanha crueldade que, ao que tudo indica, supera o Mensalão e a Lava Jato.

* * *

Revolta no Nepal

No Nepal, a Geração Z se revoltou. Jovens que cresceram no mundo digital, quando o governo bloqueou as redes, não se calaram: resistiram, invadiram o parlamento, incendiaram a residência do chefe de governo — onde a primeira-dama acabou morrendo —, atacaram a sede da Suprema Corte e enfrentaram uma repressão que deixou muitos mortos. O que se viu foi uma geração mais bem informada, que não se deixa domesticar por uma ou duas emissoras de televisão, mas busca saber o que realmente acontece, sem se submeter ao “isso pode, isso não pode” imposto pelo poder.

Enquanto isso, em Israel, um ataque do Hamas deixou mortos e feridos. Militantes metralharam pessoas em uma parada de ônibus, matando seis. Eu vi algo parecido em Buenos Aires, quando a guerrilha esquerdista fazia o mesmo para espalhar terror. Mas os israelenses não se intimidaram: no dia seguinte, um ataque aéreo cirúrgico, em Doha — capital do Catar, onde estava reunida a cúpula do Hamas —, eliminou cinco de seus líderes.

ALEXANDRE GARCIA

HÁ MUITOS ERROS E DISTORÇÕES NO DISCURSO DURANTE O 7 DE SETEMBRO

O presidente Luíz Inácio Lula da Silva, em seu pronunciamento oficial

Nunca vi alguém, na grande imprensa, fazer qualquer ressalva ao discurso de Lula em rede nacional na véspera do 7 de Setembro. Todos aceitaram, de cabeça baixa, como se fosse a mais pura verdade. Quero, então, pontuar algumas distorções. Lula disse: “O 7 de setembro representa o momento em que deixamos de ser colônia”. Não. O Brasil deixou de ser colônia no dia 2 de setembro, quando a princesa regente Leopoldina assinou a separação de Portugal. O 7 de setembro foi apenas o grito, simbólico, dado quando D. Pedro recebeu a comunicação da decisão tomada por sua esposa, como regente, perante o Conselho de Estado.

Em outro trecho, afirmou: “Na época da colonização, nosso ouro, nossas madeiras, nossas pedras preciosas, nada disso pertencia ao povo brasileiro”. Ora, ainda hoje não pertencem. O ouro é do Estado brasileiro, as pedras preciosas também, e as madeiras, muitas, são contrabandeadas.

Lula declarou ainda: “Somos capazes de governar e de cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro”. Mas a realidade é outra. Estamos sendo incapazes de cuidar da nossa terra e da nossa gente. Chineses compram minas, contrabandistas atravessam fronteiras, drogas entram livremente — não produzimos cocaína no Brasil, mas ela chega de fora, junto com grupos guerrilheiros, e isso não é de hoje. E nosso povo segue desassistido, amedrontado pela insegurança pública.

Outra frase: “Foram eleitos para trabalhar pelo povo brasileiro, mas defendem apenas seus interesses pessoais”. Felizmente, nesse ponto, parece ter feito um ato de contrição em nome dos políticos egoístas — porque isso, de fato, temos visto.

“Soberania está no dia a dia da gente”, disse. Sim, está. E podemos notar que o crime organizado exerce soberania sobre territórios do Rio de Janeiro, da Amazônia, sobre rios da Amazônia. Lula também declarou: “Soberania é apoio aos jovens para que tenham um futuro melhor”. Mas qual apoio? É um ensino de qualidade, que ensina matemática, português, capacita para bons empregos e para vencer na vida? Ou é um ensino reduzido à catequese ideológica, que pouco ou nada ensina — e, quando ensina, ensina errado?

Quando entrei no primeiro ano primário, não era governo militar, e eu já estava alfabetizado no pré-primário. Hoje, crianças chegam ao segundo, ao terceiro ano, e ainda não estão alfabetizadas.

Lula disse ainda: “Tivemos coragem de fazer a maior operação contra o crime organizado da história”. Se foi a maior, como deixou o crime crescer tanto? Por que deixou? Porque, sabemos, o crime já está infiltrado no Estado. “Defender nossa soberania, defender o Brasil” — ótima frase. Mas é preciso explicar o que é soberania, para que o povo saiba do que se trata.

Sobre as redes digitais, afirmou: não podem continuar sendo usadas para espalhar fake news e discurso de ódio. Não é preciso censura para isso. O Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal já existem. Basta aplicá-los. Não há necessidade de criar novas leis para impor censura política nas redes sociais.

Queria apenas fazer essas observações. E, para concluir: “Zelamos pelo cumprimento da nossa Constituição”, disse o presidente. Mas cabe lembrar que ele jurou, perante o Congresso Nacional, defender a Constituição. Resta a pergunta: está, de fato, defendendo?

* * *

Julgamento

Hoje reiniciou-se o julgamento de Bolsonaro e dos demais acusados de uma suposta conspiração para um golpe está em andamento. Mas o que se vê são apenas narrativas no inquérito. Não há materialidade, não há fatos concretos. Não houve golpe, ninguém sequer tinha armas para isso. Confundiu-se uma manifestação – que foi, na verdade, a explosão da paciência de quem estava há muito tempo inconformado com a derrota de Bolsonaro nas eleições – com uma tentativa de ruptura institucional.

Ao rever um recorte de um artigo meu, publicado nos jornais em 19 de agosto de 2020, intitulado “Preconceitos”, lembro que o então vice-presidente do TSE, ministro Edson Fachin, declarou que a eleição de 2022 poderia trazer um “cavalo de troia do autoritarismo” e que seria bom para a democracia se Lula tivesse podido ser candidato em 2018.

Ou seja, um ministro do Supremo já deixava claro seu posicionamento político. Naquele artigo, destaquei também que o único voto contrário às constantes fustigações movidas por PSOL, Rede e PT, que recorriam ao Supremo para tentar atrapalhar o governo Bolsonaro, foi o do ministro Marco Aurélio. Ele foi voto vencido, isolado, em uma decisão de 9 a 1. Tratava-se de um pedido do Partido Socialista e da Rede para impedir que a Abin compartilhasse informações com outros órgãos públicos. Marco Aurélio disse, com clareza: “Recuso-me a julgar com base em preconceitos”.

Pouco depois, negou uma liminar que pedia o afastamento de Paulo Guedes, solicitado pelo PDT. Na sequência, PSOL e PSB ingressaram contra a reforma da Previdência, e o ministro Alexandre de Moraes afirmou ver nisso uma “tirania da maioria”. Uma falácia. Porque quem governa é a maioria. Democracia é a vontade da maioria — não é, jamais, a tirania da maioria.

ALEXANDRE GARCIA

DOIS DISCURSOS

Houve dois discursos importantes no 7 de setembro. Um, que eu já mencionei no meu canal no YouTube, é o discurso da filha do Clesão, dizendo que a anistia não ressuscita, não traz a vida do pai dela. Uma menina de 17 anos. Mas vai fazer a vida voltar a mais de mil famílias que estão com avô, avó, tio, tia, pai, mãe, filho, injustiçados, condenados. A Débora, por exemplo, por escrever uma frase com batom numa pedra de granito que não estragou.

E o outro discurso foi do governador de São Paulo, que é o mais importante governador do país, sobre anistia. Pressionando Hugo Motta e mostrando que já há 350 votos na Câmara Federal para decidir sobre anistia.

Será que o pessoal do Supremo pensou nisso? Pensou nas coisas que foram feitas, totalmente fora do devido processo legal, processo que devia estar correndo na primeira instância, que poderia se resolver em pequenas causas. Meu Deus, não pensaram nisso. Estão causando essa inquietação, mas isso é um eufemismo, é bem mais do que isso. A gente corre um risco muito grande. E a solução está no Senado.

* * *

Presidentes do Senado e do STF somem na crise

O presidente do Senado nem compareceu à tribuna onde estava o presidente da República ontem e nem o presidente do Supremo. Será que estão alheios à busca de uma solução para isso? Parece aquela coisa da mentira: quem mente precisa primeiro mentir para si mesmo, depois mente para os outros. A pessoa, por exemplo, que estudou Direito na faculdade, tem que contrariar tudo que aprendeu antes de fazer o que está fazendo.

Daí o presidente da República fez um discurso antes do 7 de setembro falando muito em soberania, soberania, soberania. Gente, o PCC e os narcotraficantes em geral tem territórios soberanos ali na cara da ex-capital do país, no Rio de Janeiro. Estão tomando conta da Amazônia, estão vendendo o ouro para fora, tem compradores na Venezuela, que não são da Venezuela, comprando ouro de facções criminosas brasileiras. Esse é um assunto de soberania, de responsabilidade do poder executivo.

* * *

Trump deixou espaço para negociação

Daí o Lula diz que é o Lulinha, paz e amor, se o Trump quiser negociar. Meu Deus, mas o Trump quer negociar. Está aqui a carta do Trump, que ele mandou dia 9 de julho.

“Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma caça às bruxas que deve acabar imediatamente. Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e a violação fundamental da liberdade de expressão, como recentemente demonstrado, com censura, com ordens secretas ilegais, etc. A partir de primeiro de agosto, cobraremos 50%.” Ele tá dizendo por que. E lá no final ele diz: “Se o senhor desejar abrir seus mercados comerciais e eliminar as tarifas políticas, não tarifárias e barreiras comerciais, nós poderemos talvez considerar um ajuste nesta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América. Obrigado por sua atenção.”

Qual foi a resposta? Ofereceu jabuticaba? Meu Deus.

* * *

A sabedoria do Evangelho que falta a Lula

Eu estava lendo ontem: Lucas 14:31 e 32 no Evangelho. Cristo para uma multidão, diz: “Qual é o rei que ao sair para a guerra com outro não se senta primeiro a examinar bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz.” Sabedoria.

ALEXANDRE GARCIA

MARCOS DO VAL TERÁ UMA PAUSA

Marcos do Val Senado recurso STF

Marcos do Val expõe tornozeleira eletrônica durante sessão do Senado

O senador Marcos Do Val pediu licença para tratamento de saúde, passou pelo serviço de saúde do Senado, foi aprovado, ele vai ficar 115 dias fora. O senador ainda disse que a mãe está com câncer e o pai está se recuperando de uma cirurgia delicada; mas certamente ele quer um descanso depois de tudo o que lhe aconteceu: a tornozeleira eletrônica ao sair do avião em que voltou dos Estados Unidos, para onde havia ido com o passaporte diplomático, e o contracheque bloqueado no Senado. Tudo isso porque agora temos um Davi Alcolumbre, e não um Antônio Carlos Magalhães, como presidente do Senado; na época de ACM isso não teria acontecido de jeito nenhum.

* * *

Anistia e proteção a parlamentares ganham força com aumento da oposição

A oposição está estudando uma ação baseada no artigo 53 da Constituição, aquele segundo o qual deputados e senadores são “invioláveis por quaisquer palavras”, e que o Supremo finge que não existe. O parágrafo 3.º diz que uma ação contra um parlamentar só pode ter continuidade se, por iniciativa de partido político, o Senado ou a Câmara concordarem. Parece-me o caso de Alexandre Ramagem, que é réu nesse julgamento fantástico – “fantástico” no sentido estrito da palavra, de algo mitológico, difícil de acreditar, uma invenção fora da realidade.

A anistia também está avançando no Congresso. A oposição hoje está forte, porque o Centrão já saiu totalmente; o União Brasil e o PP desembarcaram do governo, tinham três ministérios e caíram fora. Os ministros até podem querer ficar no governo, mas serão expulsos do partido.

* * *

Xingue um ministro do STF e ganhe um indiciamento

Dias atrás, o ministro do STF Flávio Dino foi xingado em um avião. Talvez não houvesse avião da FAB disponível, talvez estivesse faltando combustível para a Força Aérea – dizem que o próprio comandante da FAB está usando voos comerciais para seus compromissos de trabalho, para não gastar uma quantidade grande de combustível; gasta-se menos viajando de avião de carreira que usar um jatinho para levar uma pessoa só. Fato é que Dino resolveu pegar um voo comercial e foi xingado no avião. A passageira dizia “o avião está contaminado, vejam quem está aqui, Flávio Dino”.

Essas coisas são perigosas, eu reconheço. Certa vez um sujeito me xingou em Confins, se não me engano; o comandante queria chamar a Polícia Federal para retirá-lo, mas eu disse: “Não faça isso, comandante, por favor. Ele quer aparecer”. No entanto, o comandante me disse que metade do avião poderia ficar ao meu lado, a outra metade contra mim, e haveria um motim dentro do avião. No fim das contas, o sujeito foi lá, viajou, e desceu tranquilo, coitado. Só disse que eu o estava atingindo. Com ele não aconteceu nada, mas a passageira do voo de São Luís para Brasília está sendo indiciada por injúria e incitação ao crime.

* * *

Teimosia de Lula custa empregos, mas ele só pensa em fazer populismo com gás

Uma empresária de um polo moveleiro gaúcho, acho que de Bento Gonçalves, disse que deve haver perda de 9 mil empregos porque Lula não quer negociar com Donald Trump. Todos negociaram, menos Lula. Em vez disso, o presidente está investindo na demagogia populista dele. Anunciou na quinta-feira o Gás do Povo, com botijão de 13 quilos de graça para 15,5 milhões famílias, o que dá umas 70 milhões de pessoas, ou 30 milhões de eleitores. O programa vai custar, nesse ano, quase R$ 4 bilhões; no ano que vem, mais de R$ 5 bilhões. É o Lula quem vai pagar tudo isso? Claro que não! Quem vai pagar esse gás? Você adivinhou: você é um dos pagadores desse gás, porque não há outra fonte de dinheiro para o governo gastar a não ser nós, que pagamos impostos sobre tudo que compramos.

ALEXANDRE GARCIA

ACUSADOR DISFARÇADO DE JUIZ

Não sei se vocês estão acompanhando o julgamento no Supremo. Eu não estou; como já sei o resultado – aliás, todos sabem –, não vou ficar vendo o teatrinho e perder tempo, porque tenho muita coisa importante para fazer durante o dia. Mas nota-se que Alexandre de Moraes não é um juiz. Um juiz é imparcial, não odeia ninguém, não tem raiva de ninguém, não quer vingança. Um juiz não é vítima; ele está acima disso, e por isso se diz que a Justiça é cega. A Justiça é movida pelo Ministério Público, por exemplo; não toma iniciativa de nada. E ela pesa os dois lados. Mas Moraes é promotor público de carreira, e não consegue abandonar essa natureza. Ele é acusador, tão acusador quanto Paulo Gonet, que é o procurador-geral da República. O relatório de Moraes não passa de um libelo de acusação, não é uma apresentação de um caso para o voto dos demais.

Quando fizerem uma reforma da Constituição, precisam parar de mandar procurador, promotor e advogado para o Supremo. Que o STF seja o ponto máximo da carreira de juiz de Direito; ele começa na primeira instância, depois se torna desembargador, vai para um tribunal superior. O Superior Tribunal de Justiça tem 33 ministros; basta pegar um terço, o melhor terço, e mandar para o Supremo, que tem 11 membros, e aí está resolvido. A natureza do juiz é ficar distante do caso. Não pode odiar ou amar o réu, não pode ter nenhum vínculo. Aliás, o juiz não pode ter vínculo com mulher, filho, sobrinho, neto, bisneto, que trabalhe em escritório de advocacia que tenha casos no próprio tribunal. Mas isso está acontecendo aqui no Brasil, para vergonha nossa e daqueles que ainda acreditam na ética e na moral. É tudo feito na nossa cara, e vamos aceitando, vamos nos familiarizando com isso, e achando que é normal. Não é: isso é anormal, é uma aberração, é imoral.

* * *

Ministros aprontam, mas não querem que a população cobre deles por seus atos

A consequência disso tudo é que os ministros do STF não podem sair à rua, porque eles são xingados pelas pessoas. Mas eles são servidores do público, são pessoas públicas, e uma pessoa pública tem de se expor a isso. O próprio Moraes já disse uma vez: “Se não quiser ser xingado, ironizado, gozado, não entre na vida pública, fique em casa e tenha atividades privadas”. Quem se torna servidor público, como é um ministro do Supremo, é sustentado, mora de graça, recebe o mais alto salário do Estado brasileiro, bancado pelos impostos das pessoas. Então, tem de ouvir, como aconteceu com o ministro Flávio Dino, que pegou um voo comercial de São Luís para Brasília na segunda-feira e foi xingado no avião. Essa é a consequência.

* * *

Denúncias de Eduardo Tagliaferro são escandalosas, mas ainda há jornais escondendo tudo

O Estadão noticiou as denúncias de Eduardo Tagliaferro, mas eu vi que muitos jornais brasileiros simplesmente se omitiram. Vocês acham que um jornal que esconde informações merece ser lido por vocês? Merece que vocês paguem a assinatura? Não merece. E o que Tagliaferro conta sobre essa Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação dentro do Tribunal Superior Eleitoral é escandaloso, as ligações com o Supremo através do ministro Moraes. A comissão do Senado que recebeu esse depoimento está oficiando ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, pedindo providências. O que o Supremo vai fazer diante disso? Ali há vários indícios gravíssimos de fraude processual: invenções, até mesmo inversões de datas – primeiro faz-se a busca e depois, se ela rendeu alguma coisa, com base no que rendeu, faz-se uma falsa autorização de busca com data anterior. Querem pegar Fulano, então vão procurar um motivo. Na União Soviética, isso era costumeiro. Nós não podemos permitir que o Brasil vire uma União Soviética, uma Venezuela, uma Cuba, uma Nicarágua, uma China, uma Coreia do Norte.

ALEXANDRE GARCIA

PP E UNIÃO BRASIL DESEMBARCAM DO GOVERNO E COMPLICAM LULA

federação união brasil pp

Anúncio da federação entre União Brasil e PP, em abril de 2025

União Brasil e PP, que agora integram a União Progressista, uma federação de partidos que se tornou líder em tudo – Câmara, Senado, número de prefeitos, número de vereadores, número de deputados estaduais –, decidiu, formalizou e anunciou na terça-feira a sua saída do governo Lula, onde tem três ministros. O ministro que quiser ficar tem de sair do partido. O anúncio foi feito pelos presidentes dos dois partidos, Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), que já foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Eis aí mais uma dificuldade para o governo Lula e para sua campanha presidencial no ano que vem.

* * *

Lula segue megalomaníaco, achando que é Trump quem precisa procurá-lo

E Lula insiste que é Donald Trump quem tem de tomar a iniciativa de negociar. Lula sabe muito bem que só ele fez isso, que todos os demais atingidos pelas tarifas tomaram a iniciativa de fazer contato com Trump, perguntar o que fizeram para ser alvo dessa tarifa, e se mostrar dispostos a corrigir, achar um meio termo. E muitos acertos foram feitos assim. Menos para o Brasil – e os brasileiros pagam as birras do presidente Lula. Não é ele quem vai ser humilhado se conversar com Trump, como ele diz; qualquer dono de empresa se humilha para manter o emprego dos seus assalariados. Mas Lula parece não entender isso, e faz esse teatro para dizer que está sempre disposto a conversar. “Lulinha paz e amor” nada. O “Lulinha paz e amor” provoca e faz blague todos os dias.

* * *

Erika Hilton perde processo contra feminista no STF

Erika Hilton perdeu no Supremo, como tinha perdido na 7.ª Vara Criminal de São Paulo, um processo contra a feminista Isabella Cêpa. Em 2020, quando saiu o resultado das eleições para vereador em São Paulo, Isabella lamentou que poucas mulheres tinham sido eleitas e postou que a vereadora mais votada era um homem. Erika Hilton achou que tinha de processar, porque o Supremo decidiu que homofobia e transfobia se equiparavam ao racismo, mas não conseguiu nada no STF. Gilmar Mendes disse que não havia discurso de ódio. Isabella, por sua vez, está no exterior, comemorou e disse que não se pode silenciar alguém por dizer o óbvio, mas afirmou também que não vai voltar ao Brasil por insegurança jurídica. Se os brasileiros, que estão acostumados com isso aqui, não voltam por insegurança jurídica, imaginem os investidores estrangeiros que já estão se mobilizando e saindo muito.

* * *

Lula passou por todas as instâncias da Justiça; Bolsonaro não terá a quem recorrer

Não estou acompanhando o teatro no Supremo porque, se todos já sabemos a conclusão, por que vamos perder tempo? Mas questiono: o processo de Lula começou na primeira instância, na 13ª Vara Federal de Curitiba; depois foi para o Tribunal Regional Federal em Porto Alegre; a seguir, houve recurso no Superior Tribunal de Justiça; e acabou no Supremo. Lula teve chance de recurso em várias instâncias. Agora, Jair Bolsonaro e seus companheiros, esse pessoal que está preso com tornozeleira, foram todos para a instância derradeira, não há mais nada acima para recorrer. Não têm chance de recurso. Isso é mais uma violação do direito à ampla defesa. Na terça-feira, o Superior Tribunal de Justiça anulou um processo em que uma mulher foi condenada a 61 anos de prisão simplesmente porque a defesa não teve acesso aos depoimentos que incriminavam a sua cliente.

* * *

De quem é a culpa por termos tantos incapazes eleitos?

Termino com uma provocação: eu estava olhando, como nós elegemos incapazes. Como é que somos capazes de eleger incapazes? Será que também nós somos incapazes, como eleitores, de discernir quem são as pessoas? Nós reclamamos que “o Congresso não reage”. Mas o Congresso é formado pelos nossos representantes. Se não reage, é porque certamente há ali uma maioria de incapazes de resolver as grandes questões nacionais. Vamos pensar nisso.

ALEXANDRE GARCIA

O NOVO PADROEIRO DA INTERNET CONSEGUIRÁ PROTEGER AS MÍDIAS SOCIAIS DOS CENSORES?

carlo acutis canonização

Devota diante do corpo de Carlo Acutis, em exposição na cidade de Assis, em abril de 2025

As redes sociais são muito perseguidas aqui no Brasil; todos querem censurá-las. Talvez precisassem de um santo protetor, de um padroeiro. Pois a partir de domingo as redes sociais terão um padroeiro: Carlo Acutis, que será canonizado pelo papa Leão XIV. É considerado italiano; nasceu em Londres, de pais italianos. O “santo do milênio” criou um site de assuntos religiosos, de caridade, de amor, de pregação da religião judaico-cristã, dos valores judaico-cristãos; o pai era ligado a um banco, a uma companhia de seguro, e ele praticava nas ruas, no norte da Itália, a caridade com os necessitados.

Acutis morreu em Monza, de leucemia, com apenas 15 anos de idade, em 2006. Inclusive, um dos milagres que credencia a santificação ocorreu em Campo Grande: foi atribuída à intercessão dele a cura de um menino de 10 anos com um problema no pâncreas; a cura foi atestada como milagrosa.

* * *

O crime organizado conquista cada vez mais espaço no Brasil e na Colômbia

Na segunda-feira o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, confessou que 10% da gasolina refinada na refinaria estatal é distribuída pelo crime organizado. Parece o Brasil, onde o crime organizado tem suas próprias refinarias produtoras de álcool, que depois de adulterado é distribuído por 1,6 mil caminhões em centenas de postos de combustível, com cinco refinarias, contando aquelas em que o crime tem participação. Digo isso porque também na segunda-feira o controle da Reag Investimentos – que tinha, inclusive, um teatro lá em São Paulo, o Reag Belas Artes – foi posto à venda, porque sem o PCC não tem mais cliente.

Que vergonha! Empresa com escritório na Faria Lima, foi um escândalo. Agora estão todos culpando a Faria Lima quando, na verdade, essas coisas vicejam no Brasil desde os anos 80 e ninguém faz nada. Todos sabiam que o crime estava ocupando território no Rio de Janeiro, e nenhum prefeito ou governador fez alguma coisa; houve apenas algumas intervenções temporárias. Não houve a presença do Estado, e o crime tomou conta: milicianos de um lado, narcotraficantes de outro. E no Brasil os narcotraficantes já descobriram, como descobriram na Colômbia, que combustível é um negócio melhor, dá mais lucro e tem menos risco.

Na Colômbia, o crime ocupa já um terço do território do país. Se considerarmos a presença dessas grandes facções criminosas na Amazônia, acho que no Brasil chegaremos a um terço também. Vejam a presença das facções nos rios, com 100 pistas só no estado do Amazonas, segundo o próprio governo do estado; PCC e Comando Vermelho disputando o tráfego fluvial na Amazônia.

* * *

Governo de esquerda sempre tende a facilitar a vida do criminoso

O governo Petro é esquerdista e facilita o crime, porque não acha que o crime deva ser combatido, tem de ser compreendido. O coitadinho rouba um celular só porque quer tomar uma cerveja? Coitado, é vítima da sociedade. Então é bom que ele castigue a sociedade furtando, assaltando, sequestrando, matando. É mais ou menos assim. Então, obviamente o crime cresceu na Colômbia: a produção de coca subiu 36% só no governo Petro, a ponto de o país se tornar o maior exportador e o maior produtor de cocaína no mundo.

O poder armado dessas facções é tal que, neste momento, 35 militares das Forças Armadas da Colômbia estão reféns, como se fossem israelenses sob o poder do Hamas em Gaza. E ainda há os restos de instrução e armas das Farc, que viraram partido político. As Farc foram convidadas por Lula e Chávez para participar do Foro de São Paulo, que é a fonte de muita coisa aqui no Brasil também, assim como o Manual do Guerrilheiro Urbano de Carlos Marighella inspirou aqueles que assaltavam bancos, sequestravam aviões, matavam diplomatas estrangeiros, e depois serviu – porque botaram na mesma prisão os terroristas e os bandidos comuns – para orientar esses novos criminosos brasileiros, do chamado “crime organizado”.