ALEXANDRE GARCIA

AO ACEITAR DINHEIRO, ACABA SE TORNANDO DEVEDOR

Eu falei em meu canal de YouTube sobre Flávio Bolsonaro e a prisão do pai de Daniel Vorcaro, mas gostaria de considerar com vocês os efeitos disso tudo. A esquerda está festejando e a direita está brigando – uma briga entre candidatos, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que estão vendo a oportunidade de subir nas pesquisas. Muita gente pode estar decepcionada com Flávio, mas claro que não votará em Lula; vai esperar que venha Michelle, talvez, se Jair Bolsonaro assim decidir; teremos de esperar.

Aquela conversa entre os dois foi em 8 de setembro. Se Flávio tivesse divulgado o conteúdo no dia seguinte, ninguém nem entenderia, porque ainda não se falava em Vorcaro como se fala agora. No máximo, Vorcaro ainda era o grande patrocinador de eventos que reuniam ministros do Supremo, do STJ, da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria-Geral da República, em Londres, em Lisboa, em Nova York, isso em abril, maio e junho. A conversa daquele áudio aconteceu em setembro. O problema é que os telefonemas continuaram até dias antes da prisão de Vorcaro. Na véspera, Flávio ainda disse para ele: “Meu irmão, eu estou com você, vou estar sempre com você”. Isso pega mal para a candidatura de Flávio e surpreende a direita, que ainda está procurando o que vai fazer.

O erro de Flávio foi pedir o favor, porque ele fica devendo. Vorcaro se torna credor de Flávio, assim como é credor de todos os que ele patrocinou: do contrato de R$ 129 milhões, dos aportes no Tayayá, dos aviõezinhos, dos jatinhos, das viagens, dos hotéis caríssimos, do patrocínio aos Gilmarpalooza e aos fóruns jurídicos em Londres e Nova York. Sendo ano eleitoral, isso vira notícia.

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Informações importantes não deveriam sair da PF, mas estão saindo

Outra questão é a prisão do pai de Vorcaro. Isso significa que o banqueiro, ou o pai, terão de fazer uma delação premiada e contar mais coisas. Se não contarem, a Polícia Federal vai descobrir. Isso que foi divulgado, por exemplo, foi descoberto pela PF, e o Intercept conseguiu isso de alguma forma dentro da PF. A operação de quinta-feira afastou a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva, que tinha acesso a informações privilegiadas e as repassava ao grupo de Vorcaro. O marido, Francisco José Pereira da Silva, agente aposentado, também é investigado. Obviamente sabíamos que havia pessoas na Polícia Federal ou no Supremo com acesso à informação, porque existe aquele telefonema do “conseguiu bloquear?”, destinado a um telefone do Supremo e que apagava as mensagens depois.

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Lula agora compra voto com subsídio à gasolina

As despesas públicas e a dívida pública vão aumentar porque agora teremos subsídio à gasolina – desde março, já havia subsídio ao gás e ao diesel. A Petrobras não pode inventar ou segurar preços, porque tem acionistas, é empresa listada na Bolsa de Nova York e precisa se comportar com equilíbrio; se o preço internacional do petróleo sobe, por causa do Estreito de Ormuz, a Petrobras tem de seguir, do contrário prejudicará a si mesma e aos seus acionistas. Então, o governo vai subsidiar; serão quase 50 centavos por litro. Quando eu voltar ao Brasil e for abastecer meu carro, os impostos de todos me darão R$ 30 reais em subsídio, que eu deveria pagar pelo combustível.

Isso é compra de votos e populismo em ano eleitoral, como tantos outros atos praticados pelo presidente, candidato à reeleição. Por isso, muita gente acha que não deveria haver reeleição, pois o candidato usa seu poder para fazer propaganda política com o dinheiro do povo.

ALEXANDRE GARCIA

ATRÁS DE VOTO, GOVERNO ACABA COM TAXA DAS BLUSINHAS E ABANDONA INDÚSTRIA

Vocês se lembram de como o governo defendeu a indústria têxtil nacional para lançar a taxa das blusinhas? A taxa era necessária, diziam, porque 80% dos produtos do vestuário brasileiro são de valor inferior a US$ 50; então, o governo taxou em 20% as compras no exterior até esse valor. Mas, em ano eleitoral, Lula concluiu que os consumidores que compram as blusinhas são mais numerosos que os empresários que produzem o vestuário. Para pegar os votos deles, tomou a iniciativa de contrariar tudo o que havia dito: se antes ele estava defendendo a indústria nacional, agora ele defende o consumidor nacional e beneficia a indústria estrangeira, principalmente a chinesa.

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Inflação está chegando perto do teto da meta outra vez

A inflação acumulada dos últimos 12 meses está em 4,39% – são números oficiais, não é pesquisa de mercado. Está chegando perto do máximo admissível da meta de inflação: a meta é 3% ao ano, e a tolerância é de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Em ano eleitoral, isso deve estar causando pesadelos no presidente. Mas foi ele quem provocou isso com sua mania de gastar, de criar ministérios, criando pressão inflacionária, que desvaloriza o dinheiro de todos. E, já que o governo não arrecada o suficiente para pagar tanta despesa, o governo tem de lançar papéis no mercado e pagar juros altos por eles.

Pobre do Banco Central – felizmente independente, do contrário ainda seria manipulado politicamente pelo governo –, que tem de controlar isso, pois é sua obrigação garantir a higidez e a saúde da moeda e do crédito, porque, se a moeda se desvalorizar, se desvaloriza no nosso bolso. Recebemos 100 no início do mês, e no fim do mês estamos com 98. Alguém levou.

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Alguém vai se desculpar com os jovens que tiveram os nomes publicados no caso do cão Orelha?

Surpreendeu a reviravolta no caso do cão Orelha. De repente, o Ministério Público mandou arquivar tudo. O cachorro morreu de morte natural – mais exatamente, de uma osteomielite maxilar, segundo a autópsia veterinária do cão. O exame das câmeras na praia mostrou que, na verdade, os jovens e o cachorro estavam distanciados em 40 minutos e em 600 metros. Mas agora o nome dos jovens suspeitos já é público, um deles até foi mandado pelos pais para os Estados Unidos, por causa da pressão.

Isso me faz perguntar: será que aconteceu o mesmo que ocorreu em São Paulo nos anos 90, com a Escola Base, e com o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina? Um delegado – que inclusive é pré-candidato a deputado – lança a história, divulga os nomes, e as pessoas já são condenadas. Eu fico muito preocupado com isso. Aliás, toquei nesse assunto outro dia em uma grande entrevista que concedi para um documentário que está sendo feito sobre o jornalismo, a mídia, a verdade e as pessoas que são denunciadas por coisas que não cometeram.

ALEXANDRE GARCIA

BRASIL TEM DE SE MEXER PARA GARANTIR VENDA DE CARNE PARA A EUROPA

A agência Lusa, aqui em Portugal, noticiou algo que pode afetar muito o Brasil inteiro, a começar pelo agronegócio: uma proibição, com bases sanitárias, da compra de produtos brasileiros de origem animal, incluindo ovos e mel, em toda a União Europeia. O Piauí, por exemplo, é um grande produtor de mel, e pode sentir os efeitos a partir de setembro, quando a medida entra em vigor. Estão alegando exigências sanitárias para evitar contaminação; parece que nesta quarta-feira o Brasil já vai tentar reuniões com autoridades europeias da área da certificação de saúde animal.

Isso é muito sério porque o mercado brasileiro anual desses produtos está em quase US$ 2 bilhões. Eu vejo, por exemplo, nos restaurantes que servem carne aqui em Portugal, a propaganda da carne argentina e da carne uruguaia. Provavelmente, nos restaurantes que se anunciam como “churrascaria brasileira” ou “rodízio brasileiro”, a carne venha do Brasil. Mas ela não poderá mais chegar aqui a partir de setembro se o governo brasileiro, que foi surpreendido por essa medida, não se acertar no lado sanitário.

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Rússia testa novo míssil e assusta o mundo

Os países europeus estão todos à mercê das armas nucleares da Rússia, que investe na intimidação para o equilíbrio de forças no mundo. A Rússia está agora terminando os testes de um míssil que tem um alcance de 35 mil quilômetros. Como aprendemos na escola, uma volta à Terra pelo Equador tem 40 mil km, ou seja: esse míssil, que não vai circular a Terra por cima do Equador, pode atingir qualquer parte do mundo. A Otan está chamando esse míssil de “Satanás 2”; os russos o chamam de Sarmat. O que é isso? É Vladimir Putin se sentindo enfraquecido. Ele está há 26 anos no poder, pensou que fosse dobrar a Ucrânia em poucos meses ou em semanas, mas não conseguiu nada disso. Os ucranianos enfraqueceram as forças russas e o moral russo. Então, Putin surge com uma arma para assustar a Europa e o mundo.

Conversei nesta terça-feira com amigos portugueses, mais novos que eu, sobre armas e o poderio da China e dos Estados Unidos. Eu disse a eles que sempre foi assim. Os erros dos políticos, que flertaram com a guerra, resultaram na Grande Guerra, que depois passou a se chamar Primeira Guerra Mundial porque veio a Segunda Guerra Mundial – novamente causada por erros de gente como Chamberlain e Daladier, que acreditaram em Von Ribbentropp e nas garantias de que a Alemanha não invadiria nada. “Ganhamos a paz”, disseram, e em setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia e iniciou a Segunda Guerra Mundial. Assim foi com os franceses e os norte-americanos no Vietnã, com a guerra Irã-Iraque. Essas guerras são muito boas para a indústria bélica, mas nunca para a população, nem para os soldados. E é a população que fornece seus filhos para as guerras.

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Mesmo territorialmente longe das guerras, o Brasil sofre os efeitos

Aqui na Europa as pessoas se sentem mais próximas do perigo. No Brasil há um Oceano Atlântico a nos separar da Europa, ou, no caso de guerras na Ásia, um Oceano Pacífico, que fica mais longe ainda, do outro lado da América do Sul. Somos um país pacífico, mas temos de estar atentos às consequências econômicas das guerras, por exemplo no preço do petróleo. Enchi o tanque e paguei bem mais que no ano passado. Como estou perto da fronteira com a Espanha, já me aconselharam que por lá o combustível ainda está mais barato, porque estão segurando o preço. O mundo está todo interligado; o que acontece nas montanhas do Irã acaba, de um jeito ou de outro, batendo na Petrobras e nos postos de combustíveis no Brasil.

ALEXANDRE GARCIA

MINISTRO AJUDA A POLITIZAR CASO DA YPÊ

Quando eu soube da história da Ypê, que teve produtos recolhidos por ordem da Anvisa devido a uma bactéria, a primeira coisa que me ocorreu foi perguntar: desinfetante com bactéria? Isso é um paradoxo; desinfetante existe justamente para matar bactéria, como é que vai haver uma bactéria nadando lá no desinfetante? Ficamos pensando em sabotagem, qualquer coisa. Os produtos da empresa sediada em Amparo foram proibidos, mas depois a empresa conseguiu suspender a proibição.

A Ypê é um dos maiores fabricantes de desinfetantes, lava-louças e lava-roupas. Como os donos da empresa contribuíram para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, já se politizou tudo. Já imaginam que a Anvisa estaria dando um aviso para a próxima campanha eleitoral: “se patrocinar campanha de gente oposta a nós, vamos perseguir”. É o que ficou no ar.

Estão politizando tudo no Brasil. A Anvisa disse que vai rever o caso. Mas para isso terão de trocar a equipe, e aí vai ser necessário um exame para saber se a equipe é isenta. Mas a razão pela qual eu trouxe esse caso aqui é que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também entrou na discussão.

Padilha, vocês se lembram, está sem visto para os Estados Unidos por causa do tráfico de escravos, os supostos médicos cubanos, que recebiam uma parcela mínima do salário enquanto o resto ia para a ditadura cubana, com a anuência, a concordância e provavelmente o estímulo do Brasil. O mesmo Brasil que recomendou à Odebrecht dar propina para a mulher do presidente do Peru, que hoje está abrigada em São Paulo – não sei quem está pagando, se somos nós ou não. O mesmo governo que patrocinou o Porto de Mariel, em Cuba, e obras e túneis lá na Venezuela. Governo que faz favores a ditaduras amigas – mas não podemos dizer que Lula é amigo do ditador; a Justiça proibiu, revogando a parte da Constituição que garante, no artigo 220, a liberdade de informação. Mas estou divagando.

Voltando ao ministro Alexandre Padilha, ele resolveu defender a Anvisa, dizendo que o caso da Ypê foi politizado na internet, que é uma barbaridade, que é desinformação. Mas a Anvisa é uma agência independente, ela não é vinculada ao Ministério da Saúde. Então, quando o ministro da Saúde vem a público defender a Anvisa e acusar a politização desse caso, é ele quem está politizando, tomando uma atitude política, ao assumir um assunto que é de uma agência independente.

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Deputado estadual petista corre risco de cassação por briga com manobrista

Vocês se lembram de Renato Freitas? Ele, quando era vereador em Curitiba, invadiu a igreja de Nossa Senhora do Rosário. Foi um sacrilégio. Ele foi cassado pela Câmara de Vereadores, mas o Supremo, novamente intervindo e interferindo no Poder Legislativo, anulou a cassação. Depois, ele se elegeu deputado estadual. E agora está correndo risco de ser cassado de novo, desta vez porque andou a socos e pontapés com um manobrista. Há também um outro pedido por causa de um protesto em um supermercado de Curitiba. A Comissão de Ética decidiu pela cassação por falta de decoro. Agora, o caso vai para a Comissão de Constituição e Justiça e, depois, para o plenário da Assembleia Legislativa.

Sempre digo que quem faz as leis e fiscaliza o governo tem de ser exemplo de decoro. Freitas é pré-candidato a deputado federal. Eu sei que falta muito decoro e muita conduta na política brasileira, mas espero que os eleitores, em outubro, façam uma filtragem e não deixem entrar (ou permanecer) gente de conduta indecorosa no Legislativo federal.

ALEXANDRE GARCIA

AS PESSOAS TÊM O DIREITO DE NÃO TRABALHAR E SEREM SUSTENTADAS PELO ESTADO?

Nove estados têm mais beneficiários do Bolsa Família do que CLTs

Nove estados brasileiro têm mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada

Uma ex-ministra, ex-deputada federal, Flávia Perez, antes Flávia Arruda, que era a primeira-dama de Brasília, casada com o governador José Roberto Arruda: vejam o drama dessa mulher. Flávia se casou com o CEO do Master, Augusto Lima, que depois foi preso lá na Bahia. Nesse meio tempo, o pai dela foi diagnosticado com leucemia e morreu imediatamente. E agora o irmão dela, o Fábio Perez, está envolvido no caso do BRB, e também foi preso. Imagino o que ela deva estar passando.

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Encontro entre presidentes

Teve gente que não gostou da avaliação que eu fiz do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump. Eu pergunto se o Trump desmentiu alguma coisa que o Lula falou na entrevista, no relatório que ele prestou lá na embaixada? Não estou falando dos ministros, que fizeram uma louvação sabugenta – ministro é um mero auxiliar do presidente da República.

Aliás, acho horroroso que alguém abandone milhares de eleitores para ser ministro. Eu não entendo isso. Um deputado é muito mais que ministro; um senador, muito mais ainda. E o sujeito quer ser empregadinho do presidente da República. Incrível. Ele simplesmente abandona os seus eleitores.

Ele recebe uma procuração para fazer uma coisa em favor de seus eleitores. Prometeu: “Olha, vou representar vocês”. E não representa mais. Vai trabalhar para o presidente da República e fazer discursinho para elogiar o presidente. Mas o Trump não reclamou de nada.

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Reembolso na AGU

Mudando de assunto, queria saber como se sentem os advogados da União. Advogados da União são pessoas que estavam furiosas comigo porque eu elogiei o que o prefeito Diogo Siqueira, lá de Bento Gonçalves, estava fazendo para resolver a questão do Bolsa Família. Reduziu 40% do Bolsa Família lá.

A Advocacia-Geral da União agora aparece nos jornais, inclusive nos editoriais e nos artigos, com uma vergonhosa inclusão de parentes afins para receber reembolso de tudo: inclusive academia, médico, dentista. Pode ser o sogro, o cunhado. Meu Deus do céu! O que estão pensando que é o imposto de quem paga imposto? Estão pensando o quê? Que são donos do mundo? Não, são empregados do povo! Porque, se são empregados do governo, são empregados do povo. Porque o governo está a serviço do povo. O Estado é uma instituição feita para servir à origem do poder, que é o povo. É de envergonhar.

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“Direito de não trabalhar”

Eu comentei essa questão do Diogo Siqueira, o prefeito de Bento Gonçalves, que mandou seu pessoal da área social visitar cada família que recebia Bolsa Família e saber se está todo mundo apto ao trabalho, se tem higidez física para trabalhar e se quer trabalhar. Querendo trabalhar, tem aqui um emprego.

A Advocacia veio me falar: “Não, mas as pessoas têm o direito de não trabalhar”. E eu respondi: têm, sim, desde que não seja com direitos sustentados pelo trabalho alheio, porque o Bolsa Família é pago pelo trabalho dos que trabalham e pagam imposto.

A Gazeta do Povo publicou uma reportagem sobre as consequências da obra do prefeito Diogo Siqueira. Mil cento e quatro pessoas que ganhavam Bolsa Família decidiram trabalhar e não ganhar mais o Bolsa Família. Lá no município de Bento Gonçalves tinha 2.115 famílias; agora tem 1.266 dependentes do Bolsa Família. O mais justo programa social se chama trabalho – trabalho e sua consequência, renda.

ALEXANDRE GARCIA

PILILI É UM DESASTRE DE COMUNICAÇÃO DE R$ 6 MILHÕES

pilili

Na última segunda-feira, o TSE lançou a mascote Pilili. Ao lado, a ministra Cármen Lúcia, a mesma que falou em censura “até as eleições” e criticou “200 milhões de tiranos” nas redes

Não sabia quanto tinha custado aquela criação da Justiça Eleitoral, o Pilili – quer dizer, a Pilili, porque é uma urna. A ministra Cármen Lúcia pode até dizer que não tem gênero, que é neutro, mas neutro não existe na língua portuguesa, que é o idioma oficial do Brasil segundo o artigo 13 da Constituição, que a ministra tem de respeitar. Ou é a Pilili ou é o Pilili, não tem neutro, não temos o “it” do inglês. E ainda assim o inglês chama navio de “she”.

Mas, voltando ao custo, a agência contratada para fazer a publicidade do TSE recebeu R$ 6 milhões. O TSE vende o quê? Vende voto, vende urna, vende eleição? Para quê um contrato de propaganda? Durante décadas e décadas, nunca vi a Justiça Eleitoral ou o governo fazer propaganda de si próprio. Governo não vende sabonete; governo “vende” serviços ou obras. E, quando oferece bons serviços e boas obras, nem precisa fazer propaganda, porque as ações do governo já falam por si, são a melhor propaganda.

Dizem que é a “propaganda da democracia”, mas é o contrário. Se isso é o símbolo da democracia, estão achando que a cidadania é um bando de bebês chorões, de crianças, porque aquilo ali está mais para Zé Gotinha. É algo feito para meninos e meninas de 5 ou 6 anos, que não votam. Cármen Lúcia diz que se dirige aos que vão votar aos 16. Mas todo mundo sabe que quem está no fim da adolescência detesta ser tratado como criança, quer ser adulto.

A Justiça Eleitoral tinha de se preocupar com a baixa confiança nas urnas, 53% em uma pesquisa Quaest de fevereiro. Essa Pilili – parece o Cebolinha dizendo que está com diarreia – é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões, que saíram de onde mesmo? De Taiwan, de Marte? Não: foi do seu trabalho. E às vezes você nem nota, porque pode não pagar tanto imposto direto, mas paga em tudo o que consome. Algo que custaria R$ 50 sai por R$ 70 porque você teve de deixar R$ 20 para o governo. É assim que as coisas funcionam, e na hora de votar você tem de saber escolher uma pessoa que vai gastar bem o seu dinheiro em bons serviços públicos de segurança, saúde, ensino.

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Depois das brigas, Lula e Trump ensaiam aproximação

Lula e Donald Trump estão em uma fase de abertura. Lula fez questão de repetir várias vezes na entrevista que deseja recuperar a parceria histórica e a amizade entre Brasil e Estados Unidos. Somos do mesmo continente, do mesmo mundo ocidental, compartilhamos dos mesmos valores judaico-cristãos. E temos uma história de parceria. Os norte-americanos foram os primeiros a reconhecer os nossos sistemas de governo. Estivemos juntos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial – na Primeira, mandamos um bom contingente de médicos e enfermeiras e alguns poucos oficiais; na Segunda Guerra, enviamos a Força Expedicionária Brasileira e o Grupo de Aviação de Caça, e deixamos quase 500 brasileiros que entregaram a vida pela libertação da Europa do jugo nazifascista.

Neste 8 de maio, comemora-se a vitória aliada na Europa; o último a assinar a rendição pelos alemães foi o marechal-de-campo Wilhelm Keitel — o general Alfred Jodl havia assinado na véspera. O terceiro escalão de brasileiros da FEB, acho que com 1,6 mil combatentes, desfilou em Lisboa (de onde eu falo agora), a pedido de António Salazar e com o aval de Eurico Dutra, ministro brasileiro da Guerra, e depois presidente da República. Nós desfilamos na Avenida da Liberdade, com todo o significado que isso tem. O interessante é que desfilamos diante de um ditador, e no Brasil também havia um ditador semelhante, Getúlio Vargas, que foi derrubado logo depois, muito por causa do que havia ocorrido na Europa: como tínhamos derrotado ditaduras na Europa, não fazia sentido ter uma ditadura no Brasil.

ALEXANDRE GARCIA

COMO É QUE AINDA NOS DEIXAMOS ENGANAR PELOS PROGRAMAS ELEITOREIROS?

lula desenrola

O presidente Lula discursa no lançamento do novo Desenrola

Eu tenho falado aqui sobre esse Desenrola, e os números mostram como a situação piorou. Hoje, há 82,3 milhões de brasileiros endividados; isso equivale a 49% dos brasileiros adultos. É muita gente! E então, quando chega a época da eleição, Lula vem com esses programas. Quando lançou o primeiro Desenrola, os endividados eram 15 milhões. Como a renegociação facilita, as pessoas se endividam mais. Mas eu não imaginava que o salto fosse tão grande. Pensei que o número de endividados havia dobrado, mas não: mais que quintuplicou, quase sextuplicou. O programa abrange quem ganha até R$ 8.105 por mês, e a dívida média é de R$ 6,3 mil – mesmo assim, é dívida que não está sendo paga.

E falam em usar dinheiro do Fundo de Garantia. Mas o FGTS é para comprar o que chamamos “bem de raiz”. A pessoa usa o FGTS se ficar doente, ou se aposentar, precisar do dinheiro, não tiver mais renda, ou para comprar um imóvel, um bem de raiz que não vai se deteriorar – pelo contrário, em geral vai se valorizar. Agora, usar para pagar dívidas? Isso se chama volatização do Fundo de Garantia. É mais uma das muitas irresponsabilidades do governo, que vão se somando por causa das medidas eleitoreiras, demagógicas e populistas. Nós conhecemos essa história há quase 30 anos, mas continuamos insistindo. Será que não usamos o cérebro que Deus e a natureza nos deram, para pensar a respeito? Estamos sendo enganados; não somos gente, somos cordeirinhos conduzidos.

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Alguém vai bancar o Desenrola; você imagina quem é?

Também não sabia que, além do Fundo Garantidor de Crédito – aquele que vai ter R$ 50 bilhões de prejuízo com Daniel Vorcaro –, existe um outro, o Fundo de Garantia de Operações, que deve ser usado no novo Desenrola. É claro que você sabe de onde vêm esses fundos. Não é de Marte, nem de Taiwan. Vêm das pessoas que investem no mercado financeiro. Sempre se retira um pouquinho para bancar esses fundos garantidores. Alguém sempre vai pagar o almoço, porque não existe almoço grátis.

Isso tudo deveria nos mostrar a importância de administrar a nossa vida financeira. Eu vejo tanta gente devendo e lembro do meu avô, que sempre me ensinou: não dê o passo maior que as pernas, porque senão rasga as calças. Há momentos em que talvez seja necessário fazer uma dívida, mas o ideal é a emprestarmos dinheiro para o banco; o banco empresta para os outros e nos paga juros. Viramos sócios do banco – mesmo que um sócio menor, já que o banco sempre fica com a melhor parte.

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Deputado petista segura pedidos de informação na Câmara

O editorial do Estadão, um dos mais importantes jornais do país, está falando de um deputado do PT que faz parte da Mesa Diretora da Câmara como primeiro-secretário: Carlos Veras. O jornal fez um levantamento e apurou que, de 1 mil pedidos de informações sobre coisas do governo – incluindo o escândalo do Master – feitos por deputados, 600 estão parados na gaveta dele. E o Estadão pergunta no editorial: sem informação, como haverá fiscalização? Isso é uma espécie de censura, uma blindagem ilegal, porque o artigo 37 da Constituição menciona a publicidade como um dos princípios do serviço público. Tudo é público, e a fonte do poder e do dinheiro tem todo o direito de saber o que estão fazendo com o dinheiro e com o poder.

ALEXANDRE GARCIA

O NOVO DESENROLA INCENTIVA A CULTURA DO “RESOLVE DEPOIS”

Lula, na cerimônia de assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil

Bom dia.

Vejo muitos órgãos de informação dando ampla cobertura ao “Desenrola”. Na verdade, o programa tem uma essência negativa, porque estimula o endividamento. Dirão: “Ah, está oferecendo crédito, está ajudando a resolver”. Sim, mas o primeiro Desenrola, lançado às vésperas da eleição anterior — portanto, com caráter eleitoreiro, na eleição municipal de 2024 —, já lidava com 15 milhões de endividados. Agora, esse número mais que dobrou. Por quê? Porque se oferece crédito fácil e, depois, tenta-se resolver o problema.

É isso que vemos no país: facilita-se no início, e a situação piora depois. Quando se solta um condenado, o crime piora; a corrupção também, porque se transmite a ideia de que alguém pode cometer diversos crimes, ser condenado em várias instâncias e, ainda assim, ser solto. A mensagem que fica é: “Vamos fazer de novo”. Enquanto isso, retiram-se bilhões dos aposentados da Previdência, e o Poder Judiciário acaba aceitando situações questionáveis, como se tudo fosse simples.

Os juros são altos por causa dos gastos do governo. Isso é amplamente conhecido: o governo precisa tomar dinheiro emprestado no mercado, emitir títulos e pagar juros. Sendo o principal devedor — com uma dívida que supera os 10 trilhões de reais —, o Estado brasileiro pesa diretamente na definição das taxas. Ainda que o Banco Central faça um grande esforço para controlar o crédito e a inflação, esta deve ultrapassar o teto da meta neste ano.

É o resultado de um governo que gasta demais e, ao mesmo tempo, estimula excessos. Não existe almoço grátis. A riqueza não surge do nada. A geração de renda depende da combinação de natureza, capital, trabalho e tecnologia. Não há outro caminho. A normalidade está na economia de mercado, nas leis de oferta e demanda, nessa “mão invisível” que regula a produção e o consumo de bens e serviços.

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Perseguição contra famílias

Há ainda outra questão, que já mencionei e volto a destacar, por me tocar particularmente: conheço muitas famílias que educam seus filhos em casa, com excelentes resultados. Além disso, as crianças ficam menos expostas a influências externas indesejadas. No entanto, em Jales, um juiz condenou um casal — pais de duas meninas — porque elas não frequentam a escola. Estudam em casa, com a mãe e duas professoras, apresentando alto rendimento.

O ponto levantado foi o fato de as meninas não gostarem de funk, o que o juiz considerou discriminatório. O Ministério Público pediu a absolvição dos pais, mas, ainda assim, eles foram condenados a 50 dias em regime semiaberto. A pena pode ser suspensa caso matriculem as filhas na escola, mas ainda terão de prestar serviços à comunidade. Trata-se de uma decisão que provavelmente será revertida em segunda instância, por carecer de fundamento razoável. Há, ao que parece, um viés ideológico nesse caso.

Vale lembrar que o ensino domiciliar, ou “homeschooling”, já foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2022 e agora está em análise no Senado. É hora de pressionar para que o projeto avance.

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Astronauta ausente

Também comentei sobre o chamado “senador astronauta”, que explicou por que não votou. Ele afirmou que estava presente, mas optou por não votar para não favorecer a indicação de Messias, que precisava de maioria simples. Ao se abster, contribuiu para que o resultado esperado não fosse alcançado. Trata-se de uma estratégia pouco compreendida, o que gerou cobranças.

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Lula, Trump e Leão XIV

Para encerrar, há a questão envolvendo PCC, Lula e Trump. Lula viaja nesta quinta-feira para Washington, onde se encontrará com Trump, que deve cobrá-lo sobre esse tema. O presidente brasileiro busca algum tipo de acordo no combate ao narcoterrorismo.

Chega-se a questionar se haveria intenção de proteger facções como o Comando Vermelho ou o Primeiro Comando da Capital, o que não parece plausível de forma tão explícita. Outro ponto curioso é que Marco Rubio não deve participar da reunião, pois será recebido pelo Papa, no Vaticano, no mesmo dia.

O Papa Leão, de origem americana e com experiência missionária no Peru, fala também espanhol. Fica a curiosidade sobre o idioma da conversa. Na véspera do encontro, Trump voltou a criticar o Papa, sugerindo que ele não se oporia ao Irã possuir armas nucleares. No entanto, o Papa nunca afirmou isso. Sua posição é pela paz. Trump interpreta que buscar diálogo com o Irã equivale a permitir o avanço nuclear, o que não corresponde ao que foi dito.

A missão do Papa é promover a paz. Sua mensagem é, essencialmente, de amor e reconciliação.

Essa é a mensagem.

ALEXANDRE GARCIA

PREVISÕES PARA A INFLAÇÃO DE 2026 NÃO PARAM DE SUBIR

previsões inflação 2026

Gasolina voltou a ser o item que mais influenciou o IPCA em março

Todas as segundas-feiras sai o Boletim Focus, do Banco Central, que faz uma pesquisa com mais de 100 agentes do mercado financeiro sobre expectativas para a economia brasileira. E a previsão para o IPCA deste ano continua crescendo; agora, é de 4,89%. A inflação está acelerando mesmo: foi de 0,7% em fevereiro e 0,88% em março. No acumulado dos últimos 12 meses, ainda está em 4,14%. A meta de inflação é 3%, admitindo-se um máximo de 4,5%, mas nas previsões esse limite já foi estourado, pois a estimativa é de quase 5%. Isso serve de alerta para o Banco Central, que cuida do crédito e da moeda.

Enquanto isso, o presidente Lula está propondo um plano de rolagem de dívida, para facilitar o pagamento dos endividados. Delfim Netto dizia, ironicamente, que dívida é para ser rolada, não para ser paga. Pois a dívida do Estado brasileiro está em R$ 10,356 trilhões. São papéis jogados no mercado, pelos quais o Estado paga juros para poder cobrir suas dívidas, porque gasta demais. Os municípios têm superávit; já no governo federal, o déficit primário de março foi de R$ 80 bilhões. Não sei como a economia brasileira resiste.

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Atenção às promessas mirabolantes na campanha eleitoral

Margaret Thatcher dizia que não existe dinheiro público; o que existe é uma parte do trabalho das pessoas que vai para o Estado. E quando acabar esse dinheiro, como é que o Estado faz? Essa é uma questão muito séria, pois veremos muitas promessas e mentiras durante a campanha eleitoral, e é bom que fiquemos com todos os pés atrás em relação a promessas e discursos de políticos. Como eleitores e pagadores de impostos, temos de endurecer a espinha; não dá para nos curvarmos só porque o sujeito é político. O político é nosso empregado, nosso mandatário. Os mandantes somos nós. O poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes, diz a Constituição. Eles são nossos procuradores, é bom ficarmos repetindo isso para fixar na mente. E agora temos uma voz pública, uma voz digital; todos podem nos ouvir, não dependemos mais de uma estação de televisão ou de um meio específico. A ágora digital está disponível para todos criticarem, reclamarem e cobrarem daqueles que se dispõem a nos representar.

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Dinheiro de emendas não compra mais a lealdade dos congressistas?

Falando em gasto público, é interessante essa história de liberar verbas em momentos de votação, como aconteceu nas votações da semana passada. Lula liberou R$ 12 bilhões em emendas, mas pelo jeito os que receberam as emendas, de um modo geral, disseram “não estamos mais à venda”. Tomara mesmo que isso seja verdadeiro.

ALEXANDRE GARCIA

A JUSTIÇA PRECISA AGIR COM ISENÇÃO, NÃO COM RAIVA

Nas galerias da Câmara, a derrubata do veto de Lula ao projeto da dosimetria foi celebrada.

Nas galerias da Câmara, a derrubata dos vetos de Lula ao projeto da dosimetria foi celebrada.

Talvez o maior assunto do momento seja como vai ser a adaptação das penas aos condenados do 8 de janeiro que foram presos naquela ação de perfídia. Não dá para a gente esquecer dessas coisas, de pessoas que estão respondendo por fatos que não cometeram. Associação criminosa armada, quando não tinha ninguém armado; ação violenta para derrubar o Estado de Direito, quando foi uma bagunça, uma manifestação. Aqueles que deterioraram e estragaram o patrimônio público têm que pagar: pagar, indenizar e, ao mesmo tempo, receber a punição.

Mas o exagero foi tanto que, num passo para a anistia, fez-se essa lei da dosimetria que foi aprovada pela maioria do Congresso Nacional. Lula vetou e o Congresso derrubou o veto por mais votos ainda. E agora, quem calcula isso? Seria o Alexandre de Moraes, o relator de tudo do inquérito do fim do mundo, ou seria cada juiz de comarca, cada juiz de execuções criminais das comarcas onde estão os condenados? É uma questão a ser considerada.

Infelizmente, tem alguns que foram condenados à morte, como é o caso do Clezão. Clezão precisava de tratamento e não teve. Houve seis ou sete ou mais avisos de sua defesa encaminhados à Procuradoria, que encaminhou ao relator, e a resposta foi a negativa. Ele acabou morrendo sob a custódia do Estado. O Estado é responsável por essa morte e alguém que está no Estado tem que ser responsabilizado.

Essa questão tem que ser resolvida, pois, do contrário, o cálculo demorará dez anos por envolver muita gente. Isso vai estimular a pressa por uma lei de anistia para simplesmente anular tudo o que foi feito. E, depois de anular, restará saber quem indeniza as pessoas que perderam a liberdade, perderam meses e anos de vida, além dos prejuízos às famílias. É muita injustiça a ser corrigida, porque isso foi feito com raiva. A Justiça não tem que ter raiva nenhuma; a Justiça tem que ter isenção, ouvir a acusação e a defesa, tomar uma decisão e aplicar a lei. Mas isso não foi feito porque entraram emoções. E emoções não é algo de juiz. Emoção é coisa de pessoa que não amadureceu o suficiente para manter a cabeça fria no momento em que precisa.

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Celebrações de Primeiro de Maio foram esvaziadas

Falando um pouco sobre o Primeiro de Maio: um feriado esvaziado, com manifestações em que vemos a tentativa de não mostrar o vazio. As fotos oficiais focam apenas em quem está discursando ou em quem está no primeiro plano; não abrem a câmera para não mostrar que há um vazio muito grande. É a falta de capacidade de mobilização da esquerda e também dos sindicatos. Inclusive, há uma grande reivindicação que é trabalhar menos. Trabalhar menos para receber a mesma coisa resultará, obviamente, em vender menos, produzir menos, fabricar menos e ter menos renda. Não tem como ser diferente.

E aqui está o resultado: a dívida pública está em 10 trilhões e 356 bilhões. A gente não sabe nem quanto é 1 bilhão, imagine 10 trilhões. A dívida pública são os papéis que o Estado brasileiro emite para poder pagar suas despesas, porque gasta demais. O último déficit primário foi de 80 bilhões e 700 milhões. Essa dívida pública é o motivo pelo qual você paga um juro muito alto.

Vejam outra coisa: a renda per capita média do mundo é de US$ 26.188; a do Brasil é de US$ 23.380. Tem 111 países que crescem mais que o Brasil e a nossa renda per capita está abaixo da média mundial. De 1980 até o ano passado, a renda cresceu 675% no mundo, enquanto no Brasil cresceu 428%. Perdemos a oportunidade na globalização porque ficamos com medo e fomos contra ela. Perdemos a chance. Somos o país das oportunidades perdidas por despreparo de cérebros e ideologia misturada aos fatos e ao pragmatismo. Tudo isso junto.