ALEXANDRE GARCIA

TARIFAS DOS EUA CONTINUAM E GOVERNO FESTEJA COMO SE NÃO EXISTISSEM

Trump retira tarifa de 10%; Brasil segue com taxa adicional de 40%

Redução de tarifas recíprocas anunciada pelos Estados Unidos traz alívio de 10% para o Brasil, que continua a ser alvo da taxação de 40%

Muita gente se enganou, festejando — inclusive o governo festejou — que Trump tirou as tarifas e tal. Só que não foi só do Brasil: tirou de todo mundo. E tem gente que é concorrente do Brasil que foi altamente beneficiado, como o Vietnã, por exemplo, que ficou com zero tarifa para o café. Tirou 10% aqui, mas o nosso café ainda tem os 40% da tarifa punitiva.

Por que é punição? Porque a Constituição brasileira diz, no artigo 5º, inciso 37, que não haverá juízo ou tribunal de exceção. E está havendo. E aí o Trump sabe que está havendo e vai manter a punição enquanto houver.

Então, tirou de carne, de aço, de banana, de açaí. Vamos ver se tem mais algum outro produto que interessa. Foram 200 produtos. Sucos. Só que tirou de todo mundo, inclusive dos nossos concorrentes. O próprio ministro do Comércio Exterior, que é o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que piorou a situação. E o governo festejou. Bom, mas enfim, agora a gente continua com 40% dessa punição.

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Barroso e o risco de novas sanções Magnitsky

Só para lembrar dessas punições: Barroso foi punido, como todos os ministros — quase todos os ministros — do Supremo, com perda de visto. Mais o AGU, Messias, e o procurador-geral da República. No Supremo, só não perderam o visto Fux, André e Cássio; os outros perderam.

Acho que alguém soprou para Barroso que havia a iminência de mais Magnitsky. E ele, como adora os Estados Unidos e tem bens por lá, resolveu sair do Supremo para ver se seria dispensado de mais uma punição. Eu não sei o que pode acontecer ainda, porque continuam os problemas contrariando a Constituição brasileira, que proíbe que haja tribunal de exceção.

Por exemplo, esses que estão sendo julgados lá no Supremo deveriam estar na primeira instância. Eles não têm foro privilegiado, nenhum deles. Deveriam estar na primeira instância e ter o direito de defesa, direito de recurso na segunda instância, na terceira instância. Mas não têm. Então a Constituição também diz, no mesmo artigo 5º, que exige o amplo direito de defesa. E isso não existe.

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PGR denuncia irmãos por ameaças, mas caso vai ao Supremo

Dois irmãos foram presos, estão em prisão domiciliar, por ameaçar Moraes e sua família. E agora a Procuradoria-Geral da República os denuncia no Supremo.

Mas esses dois irmãos são deputados? São senadores? São ministros? Não. São pessoas comuns, que deviam estar na primeira instância. Esse é o problema. Como é que a própria vítima é quem vai julgar? Isso é tribunal de exceção? Não faz sentido.

Eu tenho dito que o Kafka, autor de “O Processo”, está sendo humilhado aqui no Brasil. A ficção dele está sendo simplesmente história da carochinha, de Poliana, perto do que acontece aqui no Brasil.

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UNB e o filtro ideológico em novos professores

O sujeito vai lá na Unb, Universidade de Brasília, para começar a lecionar e passa por um interrogatório para saber se ele é de direita ou esquerda, em quem ele votou. Se ele votou “errado” para a UnB, se ele não é de esquerda, ele não entra na UnB. E o nome dele fica marcado para não entrar em nenhuma universidade federal.

A UnB, o setor que toma decisões, decidiu dar doutor honoris causa — ou doutora — a Dilma Rousseff, cuja administração na Presidência da República provocou um encolhimento do produto interno bruto em 7%. Foi um dos piores períodos da economia brasileira. Certamente não é doutora honoris causa em Economia. E a comunicação foi publicada, escrita por uma professora, num português tão paupérrimo quanto.

ALEXANDRE GARCIA

COP 30 É VEXAME ATRÁS DE VEXAME

Invasão COP 30

Manifestantes forçam entrada em área reservada a credenciados na COP 30

A ONU, que realiza a conferência do clima, está reclamando da COP 30. Reclamou expressamente, formalmente, da falta de segurança, da falta de estrutura e do excesso de calor nos recintos do evento. Falou em precariedade das instalações. Que vexame! Só estamos passando vergonha nessa COP – aliás, eu faço uma análise da conferência no meu artigo desta semana na revista Oeste.

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Alarmismo climático continua a ser uma bela fonte de dinheiro

Ainda na COP, o ministro da Saúde anunciou que o Brasil está recebendo US$ 300 milhões para “saúde climática”. Fui ver que diabo é isso, e descobri que tem a ver com doenças causadas pelo clima. Isso é óbvio, e antigo – e também existe cura causada pelo clima; nos anos 1940, minha tia foi a Campos do Jordão (SP) para curar uma tuberculose. Morei por muitos anos no Rio Grande do Sul, e tinha dor de garganta todos os anos por causa do clima; vim para Brasília, estou aqui há quase 50 anos, e nunca mais tive dor de garganta. Em Manaus, onde faz um calor insuportável, um arquiteto amigo projetou uma casa em que a natureza, sozinha, vai trocando o ar quente por um ar fresco, que vem das árvores. Aqui em Brasília temos a estação da seca e a estação da umidade, da chuva. E quem vive à beira-mar e não suporta a maresia, a umidade, sofre. Isso tudo já se sabe. Mas precisam de US$ 300 milhões doados por instituições de benemerência.

Isso revela que todo esse negócio de clima – primeiro era “aquecimento global”, agora é “mudança climática”, mudam de nome porque as coisas não se confirmam e tudo começa a perder credibilidade – é para gerar dinheiro. E muito cientista deve saber disso.

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Estão exagerando no caso do ex-prefeito de Lajeado

Achei exagerado o que estão fazendo com Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado (RS). Foi em Lajeado que ganhei meu primeiro salário na Rádio Independente, como locutor. Eu me formei em contabilidade, meus pais estão enterrados lá, e nem conheço esse ex-prefeito, nem sei qual o partido dele. É aliado de Eduardo Leite, porque estava como secretário de Desenvolvimento Urbano do governo gaúcho, e pediu demissão. A Polícia Federal executou um mandado de busca e apreensão contra ele. O que é que ele teria feito? Dizem que ele se aproveitou da emergência climática, da enchente do ano passado, quando ele era prefeito, para contratar serviços terceirizados de motorista, psicólogo, assistente social. Estão fazendo um barulho danado, desproporcional ao caso. Caumo pediu demissão para ficar livre e o caso não respingar no governador. Achei positivo da parte dele, e me lembrou Henrique Hargreaves, que era ministro-chefe da Casa Civil de Itamar Franco, surgiram denúncias contra ele, e ele imediatamente pediu demissão; provou a inocência, e Itamar o chamou de volta.

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Será que trabalhadores sem vínculo empregatício estão recebendo Bolsa Família?

Um amigo estudioso de economia e de sociologia me fez alguns comentários sobre essas novas atividades sem vínculo empregatício, sem horário definido, em que a pessoa tem renda, produtividade e pode ter a sua vida privada normalmente. Por exemplo, o motorista de Uber que aproveita para levar o filho para a escola, de carro, e depois começa no Uber; ou a pessoa que faz entrega na Amazon, tem uma atividade durante o dia e tem outra à noite, fazendo entregas. Eles se livram de todos aqueles encargos trabalhistas, é um fenômeno novo. O que eu respondi a ele? “Tem de fiscalizar esse sujeito que faz isso, para ver se ele não quer carteira assinada porque está recebendo o dinheiro dos impostos de todos na forma de Bolsa Família.”

ALEXANDRE GARCIA

MORADORES DE RUA

morador de rua

Prefeituras de capitais querem poder mandar de volta para cidades de origem os migrantes que não conseguiram casa ou emprego

Bons exemplos arrastam. O exemplo de Florianópolis, de buscar os moradores de rua que estão por aí, drogados, alcoolizados, sem trabalho, e oferecer trabalho e condução para voltar para casa, carregou a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, uma das grandes capitais brasileiras. Os vereadores de BH aprovaram em primeiro turno, contra os votos do PT, uma lei que permite à prefeitura levar de volta para casa aquelas pessoas que saíram do interior de Minas, ou de outros estados, foram tentar a vida em BH, mas não tiveram sucesso e agora não sabem o que fazer, não têm como voltar, no desespero não têm onde viver, dormir e comer, e se tornam moradores de rua, mendigos. O projeto vai para o segundo turno de votação.

O projeto não impõe nem obriga nada; falam como se a prefeitura fosse algemar o mendigo, colocar no camburão e mandar para fora da cidade. Não é nada disso. E é muito justo imaginar que essas pessoas se desligaram dos vínculos que tinham em sua cidade de origem, família, amigos, e com o regresso poderão receber ajuda dessas pessoas mais próximas, em um ambiente conhecido, de familiaridade.

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Quem pode trabalhar, mas não quer, merece benefício do governo?

Uma outra boa ideia é a do prefeito de Bento Gonçalves: ele quer saber quantas pessoas que estão ganhando Bolsa Família, sustentados pelo pagador de impostos, têm higidez física, tem saúde, podem trabalhar, mas não querem porque estão recebendo um dinheirinho com o qual sobrevivem, e preferem não fazer nada. O prefeito quer dar um jeito de cortar o Bolsa Família de quem pode trabalhar, mas não quer; mas, se a pessoa estiver com boa vontade para trabalhar, vai aprender um ofício e ter oportunidade de emprego.

É uma ideia excelente. Há oposição, claro: a Defensoria Pública, por exemplo, diz que ninguém pode obrigar uma pessoa a trabalhar. E obrigar um pagador de impostos a sustentar alguém que não quer trabalhar, isso pode? E, como o pagador de impostos é fonte do poder, é bom pensar nisso em um ano como 2026, que será de eleições. Precisamos saber quem acha válido deixar que uma pessoa capaz não trabalhe por opção, e quem prefere ensinar a pescar em vez de apenas dar o peixe.

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Recondução de Gonet mostra como eleição para o Senado em 2026 será fundamental

Nesta quarta-feira tivemos uma demonstração de que a ideia de o Senado corrigir os ministros do STF que saem da Constituição não tem muita chance. O presidente Lula indicou ao Senado a recondução do atual procurador-geral da República, Paulo Gonet. Todo o Brasil tem acompanhado a atuação de Gonet. Na Comissão de Constituição e Justiça, onde é realizada a sabatina, como manda a Constituição, ele recebeu 17 votos de aprovação e 10 votos de reprovação. O relator Omar Aziz foi muito elogioso; o que ele encontrou de mais significativo foi que “Gonet não é midiático”, que não atua em vista a ganhar um like aqui ou perder um like ali, e “isso é muito importante”. É esse o critério para decidir se alguém pode continuar sendo o procurador-geral da República?

Outro que defendeu Gonet foi Renan Calheiros, que aproveitou para criticar Jair Bolsonaro. O ex-presidente, disse Calheiros, “nunca fez segredo de que tentaria dar um golpe”. É assim que se escolhe o procurador-geral da República. Depois da CCJ, a indicação foi para o plenário do Senado, e Gonet foi aprovado por 45 a 26. Isso acaba com a esperança de quem acha que, como o Senado é o fiscal do Supremo, haveria alguma esperança de se corrigir os desvios da Constituição praticados no Supremo. Com esse Senado, não há; só será possível elegendo-se bem mais que dois terços dos senadores na eleição de outubro do ano que vem.

ALEXANDRE GARCIA

UM EX-SECRETÁRIO DE LULA AVISA: AS CONTAS PÚBLICAS VIRARAM FICÇÃO

economista marcos lisboa 2017

O economista Marcos Lisboa

Dizem que a bolsa está bombando, que o dólar está lá embaixo, mas o que nos espera? Estamos a 40 semanas do início da campanha eleitoral. O presidente Lula quer ser candidato, mas ele está bem enrolado, principalmente pela economia. Ele está dando presentes com o dinheiro dos impostos de todo mundo – é Bolsa Família, bolsa-gás, bolsa-eletricidade e muitas outras bondades –, mas nem essa isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil vai resolver, porque a questão da renda está desequilibrada: muita gente ganha muito e paga pouco, e muita gente ganha pouco e paga muito.

Isso foi lembrado em uma inteligente entrevista de página inteira que o Correio Braziliense fez com Marcos Lisboa, que foi secretário nacional de Política Econômica no primeiro governo Lula – ou seja, é uma pessoa que conhece Lula, conhece o PT, conhece o governo por dentro. O entrevistador perguntou por que o orçamento do ano que vem está cada vez mais apertado, e Lisboa explicou que há despesas obrigatórias, que o governo gasta muito e ainda resolveu aumentar a despesa. Então, o entrevistador, Raphael Pati, continua: “Na sua avaliação, o arcabouço fiscal já nasceu como um fracasso?” E Marcos Lisboa respondeu que sim. “As regras que vieram com a PEC da Transição e com o arcabouço não deixavam claro, porque não se faziam as contas, que ele era inconsistente. Na semana em que saiu o arcabouço, eu e o Marcos Mendes fizemos um longo artigo mostrando todas as contas, e não tem como. Você pode aumentar as receitas o quanto quiser [aumentar impostos, ele quer dizer] e não vai comprimir as despesas discricionárias”, ele afirmou.

E Marcos Lisboa continua: “O que o governo tem feito? O governo tem usado uma contabilidade criativa [Dilma sofreu impeachment por isso] para algumas despesas não fazerem parte do limite e mascarar o tamanho do problema. O déficit primário que o governo anuncia hoje, eu confesso que nem eu olho mais [imaginem, um especialista que foi secretário de Política Econômica do governo Lula dizendo isso] porque é tão distante do déficit primário verdadeiro que perdeu o sentido. Inclusive, as contas do Tesouro são até diferentes das contas do Banco Central. Então, você está usando truques para dizer que está com o arcabouço, quando, na verdade, está muito distante. O arcabouço já nasceu morto”, completou.

Isso é assustador. Nós vemos que a contabilidade fiscal está um desastre. O que é que Lula vai dizer na campanha eleitoral, daqui a 40 semanas? E não é só isso: ele vai ter de explicar também toda essa preferência por bandidos contra a polícia, todas as críticas à ação da polícia carioca. E até lá ele estará mais isolado na América Latina. Já terão sido realizadas eleições no Chile e, segundo as pesquisas, a esquerda vai perder. Vão sobrar só o Gustavo Petro, da Colômbia, e o Nicolás Maduro, da Venezuela – isso se o porta-aviões Gerald Ford, que já está por ali, não tiver tirado Maduro.

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Em Belém, gente desfila vestida de bicho; no interior, o crime organizado desfila impune

Lula está na COP 30 e eu recebi fotografias assustadoras de cidades do interior do Pará. Por toda parte nos muros e paredes das cidades estão duas letrinhas escritas em vermelho: CV. E as pessoas não se queixam apenas dos bandidos, mas também das autoridades, do Estado. O trabalhador, o operário, o que vende, o que produz, estão todos no meio do fogo. Então, é meio hipócrita tudo aquilo que estão desfilando em Belém, gente vestida de bicho, parece uma ficção, como é toda essa argumentação do clima, se não respeitarem a natureza, que é o sol.

Agora, falam de um fundo para as florestas. O que vão fazer, plantar florestas? Como vai funcionar o fundo? O dinheiro vai para onde? Nós sabemos: vai para as ONGs que enchem a Amazônia e também estão mais fortes que o Estado brasileiro. Não sei como é que vai ser: Comando Vermelho e PCC contra as ONGs? Ou vão se unir? O que vai acontecer na Amazônia? É uma vergonha para nós; durante décadas, martelamos essa ficção de que países estrangeiros estavam de olho na Amazônia. Enquanto isso, perdemos a Amazônia para a bandidagem e para as ONGs que levando dinheiro público – ou, melhor dizendo, dinheiro do público.

ALEXANDRE GARCIA

DESMONTOU A NARRATIVA

onyx lorenzoni cpmi inss

O ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni depôs à CPMI do INSS

Um levantamento feito na CPMI que investiga esse crime hediondo que tirou dinheiro dos idosos da Previdência mostra que os mais prejudicados foram os pensionistas e aposentados do Nordeste. Quase 37% dos que tiveram descontos indevidos são de lá, e tiraram um dinheirão deles.

Eu estava revendo um depoimento raríssimo, de alguém que foi à CPMI para responder a tudo que perguntaram, sem habeas corpus, e que ainda veio de Portugal para prestar depoimento: o ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni. Ele usou dados do Banco Central para derrubar completamente a narrativa de que no governo Bolsonaro facilitaram a fraude. Ele mostrou que os descontos no último ano do governo Temer eram de R$ 794 milhões (atualizados pela inflação); no último ano do governo Bolsonaro, os descontos eram de R$ 706 milhões. Em janeiro de 2019, 2,778 milhões de aposentados e pensionistas tinham descontos. Quando terminou o governo Bolsonaro, eram 2,706 milhões, quer dizer, 72 mil pessoas a menos. E por que conseguiram diminuir? Porque fizeram a biometria, exatamente para evitar a desonestidade.

E, daqueles 2,706 milhões de pessoas no fim de 2022, agora são 7,491 milhões que tiveram descontos, ou seja, o número explodiu no governo Lula. Lorenzoni demonstrou isso, e demonstrou também que, em 34 anos, nunca tinha havido medidas para fiscalizar isso. A biometria e o rigor administrativo fecharam a porta do consignado. E o ex-ministro ainda disse que, mesmo com o TCU e a Controladoria Geral da União reclamando, o governo Lula só se mexeu depois que a polícia entrou na história.

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COP-30 está cheia de exibicionismo e uma ironia muito triste

O Estadão mostrou que o ditador do Congo, um militar que governa desde 1997, mandou botar um tapete vermelho no corredor do hotel Vila Galé Collection, em Belém. Aliás, o hotel só ficou pronto porque o presidente de Portugal ligou para o dono da rede Vila Galé e cobriu a conclusão, porque do contrário a delegação portuguesa não teria onde ficar.

A COP-30 está cheia dessas coisas divertidas, essa história de as pessoas que vieram da Europa precisarem mostrar floresta tropical atrás delas. Achei muita graça naquela foto dos líderes, parece que as pessoas estão protegidas por um muro coberto de trepadeiras, sei lá se são de verdade ou de plástico. A floresta mesmo está atrás, ninguém consegue ver. Aí os líderes vão para aquelas reservas, para um bosque, a Ursula von der Leyen, que é a chefe da União Europeia, pegou um quati, mas é um daqueles animais em cativeiro, que estão ali para as pessoas tirarem fotos. Os turistas vão lá para olhar os bichos, mas ninguém arrisca ir à floresta.

Todos foram para bons restaurantes, mas o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o francês Emmanuel Macron não quiseram saber de peixe, disseram que não comeriam peixe de água doce. Um dos restaurantes tinha uma sobremesa bastante eloquente: um bolo de chocolate com calda de chocolate belga cobrindo tudo. No Pará, há brasileiros plantando cacau e sendo expulsos por forças federais, pelo Ibama, pelo pessoal do meio ambiente. Brasileiros pobres plantam cacau lá, mas o bolo leva chocolate belga, que coisa triste.

ALEXANDRE GARCIA

DEIXOU EXPORTADORES BRASILEIROS DE LADO PARA APOIAR MADURO

Lula deixa exportadores brasileiros de lado para apoiar Maduro

Lula saiu da COP 30 e foi para a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Santa Marta, na Colômbia. De um lado e de outro eventos esvaziados. Tinham poucos presidentes da República na Celac. Os presidentes do Uruguai e do Chile não foram. O do Paraguai também não, porque participou da posse do presidente da Bolívia.

A presidente mexicana, que é de esquerda, tampouco esteve presente. Foi uma reunião para defender o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Lula se queixou da ação americana no Caribe, dizendo se tratar de uma intervenção militar. A operação é, na verdade, para evitar que a droga chegue nos Estados Unidos. O que acontece com isso?

Lula briga com os Estados e os pobres dos exportadores brasileiros, como disse o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vão ficar meses na espera por uma resolução para o tarifaço. Parece que Lula não se importa muito. Ele quer fazer política, estar no palanque.

E deve estar no palanque errado, porque defende — de novo, ele é coerente — a droga. Se os Estados Unidos combatem a droga, Lula defende, como defendeu ao chamar a megaoperação da polícia do Rio de Janeiro de “desastrada” e de “matança”. A maciça maioria da população, 87% dos moradores do morro, aprovaram a ação.

Enquanto isso, cada vez mais se restringe a exportação brasileira. No primeiro mês com tarifas em vigor, que foram só 15 dias de agosto, a queda foi de 18%. No segundo mês, em setembro, a redução foi de 20%. Agora, a queda nas exportações é de 38%. É uma perda muito grande e significa que impacta empregos e empresas brasileiras que vivem de exportar para os Estados Unidos.

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Amigos de Lula no alvo do Departamento de Justiça dos EUA

Já os amiguinhos de Lula, o pessoal da JBS, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, estão sendo investigados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Quatro grandes frigoríficos são acusados de cartel, uma vez que o rancheiro americano, criador de gado, está ganhando menos pela carne vermelha enquanto o preço sobe no supermercado.

Os irmão Batista são apoiadores de Lula, inclusive, foram até ele e disseram que poderiam levar recados ao presidente americano. Trump cumprimentou, mas pediu para o Departamento de Estado verificar.

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Juiz não tem que se meter na política

Um juiz de Brasília mandou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) remover uma publicação do X, na qual afirmava que PT significa “Partido dos Traficantes”. O artigo 53, da Constituição, estabelece que deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.

O juiz da Vara Cível não é constituinte, mas disse que a inviolabilidade só vale no âmbito da Câmara dos Deputados. Não é o que está escrito na Constituição. A inviolabilidade é absoluta, no universo. Urbi et orbi.

O editorial do Estadão, deste domingo (9), destaca que um juiz não tem que se meter na luta política: “Democracia implica confronto de discursos, ainda que sejam ásperos, exagerados, injustos ou mesmo mentirosos. A Justiça não tem o papel de policiar o discurso de deputados eleitos pelo voto popular, muito menos de higienizar o debate público”.

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Gilmarpalooza: Refugiado interrompe evento de Gilmar Mendes na Argentina

Um refugiado brasileiro interrompeu um evento de Gilmar Mendes, em Buenos Aires, para dizer que está sendo acusado injustamente por Alexandre de Moraes. O homem será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre os dias 14 e 25 de novembro pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Ele é acusado por suposto uso de substância inflamável; deterioração de patrimônio tombado; dano qualificado pela violência e grave ameaça; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado. Durante o protesto, o homem relatou que não entrou em prédios públicos e que está sendo acusado sem provas, assim como outros. O auditório ouviu em silêncio.

Quando a equipe de segurança se aproximou, ele disse que não faria mal a ninguém e que só queria dizer que está longe dos filhos há três anos por causa dessa perseguição. O homem saiu do evento e foi embora. Gilmar não respondeu, passou a palavra para a pessoa seguinte, que era o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.

O evento é promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição fundada pelo ministro. O evento não foi nos Estados Unidos, porque Gilmar já não tem mais o visto. Agora, ele vai correr o risco de ter pessoas que fugiram para Portugal, Espanha, Estados Unidos, protesto em seus eventos.

No dia 8 de janeiro de 2023, elas fizeram uma manifestação que é permitida pela Constituição, não estavam armadas. Os que praticaram dano ao patrimônio público têm que pagar, mas devem ser identificados e tem que haver prova de que eles fizeram o dano.

ALEXANDRE GARCIA

TRAGÉDIA

Uma tragédia doméstica muito frequente no Brasil agora atingiu a família de um dos fundadores do PT.

Paulo Frateschi – ex-deputado estadual, ex-secretário de Marta Suplicy, ex-secretário de Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo – estava com 75 anos e foi morto pelo próprio filho, esfaqueado dentro de casa.

A mulher dele tentou defender o marido, conter o filho, e foi ferida também. O casal já tinha passado por outras tragédias – perdeu um filho de 7 anos, num acidente de trânsito, e no ano seguinte perdeu outro filho, de 17 anos.

Segundo a polícia, que levou o filho para a delegacia, ele estava em surto. Não sei se era uma questão de problema psiquiátrico, ou se foi uma dessas tragédias causadas pelo narcoestado que precisa de mercado para vender drogas.

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Nova York já teve prefeitos de muitas etnias e religiões; agora terá um muçulmano

zohran mamdani

Zohran Mamdani, prefeito eleito de Nova York, durante evento de campanha em setembro de 2025

Nova York é uma cidade simbólica, marcante. Quem não conhece New York, New York? Na Ellis Island, ao lado da Estátua da Liberdade, os turistas conhecem o lugar por onde os imigrantes entravam nos Estados Unidos, o lugar que acolheu gente de tantos países do mundo. Agora a cidade está dando o que falar porque elegeram um muçulmano como prefeito. Zohran Mamdani nasceu em Uganda, de pais indianos. Ele é bem jovem, ele tem 34 anos e é democrata. Nos últimos 50 anos, praticamente só os democratas têm vencido as disputas para a prefeitura de Nova York, com duas exceções: os republicanos Rudy Giuliani, descendente de italianos, e Michael Bloomberg, daquele famoso canal de notícias do mercado financeiro.

Mas estou vendo um certo preconceito. “Ele é muçulmano”, dizem. Sim, mas Nova York é uma mistura, é a capital do mundo. Quando ainda era Nova Amsterdam, recebeu os judeus do Recife. Recebeu calvinistas que sofreram perseguição religiosa. Teve prefeitos judeus, católicos, protestantes, brancos, negros, muitíssimos italianos – o mais famoso, Fiorello La Guardia, é nome de aeroporto –, já teve holandeses, irlandeses, escoceses, alemães, franceses. Só não teve ibéricos; não vi nenhum sobrenome português ou espanhol, embora os Estados Unidos tenham tantos ibéricos – não vou dizer “latinos”, porque isso inclui italianos e franceses. A Califórnia, por exemplo, era mexicana, os nomes das cidades, San Francisco, San Diego, são espanhóis. O mesmo acontece na Flórida. Mas Nova York é uma cidade que representa o mundo, em religiões, em cor da pele, em etnias. Vamos pensar se não estamos exagerando nas conclusões que os especialistas estão tirando dessa eleição, que é normal para os padrões de Nova York.

ALEXANDRE GARCIA

NAÇÃO SÓ É CRISTÃ DE VERDADE SE FOR SOLIDÁRIA COM OS CRISTÃOS PERSEGUIDOS

Enterro coletivo de fazendeiros cristãos massacrados pelo Boko Haram em Zaabarmari, em 2020

O IBGE fez um levantamento dos nomes dos brasileiros, e descobriu que o nome mais usado para os homens é José e, para as mulheres, é Maria. Maria e José: o que significa isso? Que somos um país de raízes, pilares e fundamentos fortemente cristãos. Mas estamos realmente defendendo os princípios cristãos ocidentais, nossa cultura judaico-cristã? Temos o Velho Testamento, que é judaico, e o Novo Testamento, que é cristão. Essa herança está dentro de nós.

Digo isso porque Donald Trump, tão criticado pela esquerda aqui no Brasil, anunciou, por meio de sua brilhante porta-voz, que vai cortar todo o auxílio para a Nigéria se continuar a matança de cristãos por bandos muçulmanos. Ninguém fala disso; os jornais daqui vivem falando em racismo, denunciando racismo, reclamando de racismo, mas é uma atitude racista da parte dos jornais achar que a morte de nigerianos cristãos não é um problema, não é notícia, mesmo sendo uma tragédia imensa, gigantesca. Preferem falar do Hamas. Aliás, Trump também está incomodado com a vitória de um muçulmano socialista, do Partido Democrata, para prefeito de Nova York.

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A esquerda não quer que as facções sejam consideradas terroristas

A ministra Gleisi Hoffmann anunciou que todos os governistas na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara votarão contra o projeto de lei que classifica como terroristas as facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho e o PCC. Gleisi diz que o presidente Lula não aceita o projeto, porque abriria um pretexto para uma intervenção estrangeira no Brasil. Mas qual seria essa intervenção? Oferta para combater o narcotráfico terrorista! Vou ler de novo a carta do DEA, o departamento antidrogas dos Estados Unidos, para o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro:

“É com profundo pesar que expressamos nossas mais sinceras condolências pela trágica perda dos quatro policiais que tombaram no cumprimento do dever. Reconhecemos o valor e a honra desses policiais que deram suas vidas na defesa da segurança pública. Nesse momento de luto, reiteramos o nosso respeito e admiração pelo trabalho incansável das forças de segurança do Estado e nos colocamos à disposição para qualquer apoio que se faça necessário. Nossos votos de força e consolo diante dessa irreparável perda.”

É uma senhora oferta! A carta chegou pelo consulado americano no Rio de Janeiro, um dia depois de o presidente Lula dizer para a imprensa estrangeira que a ação da polícia do Rio de Janeiro tinha sido desastrosa. Assim vamos vendo de que lado estamos neste país cristão.

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Brasil libera arma só para bandidos, ao contrário da Argentina

Lembremos que a polícia encontrou praticamente 100 fuzis nas mãos dos traficantes. Essas armas entraram pela fronteira que devia ser cuidada pelas forças federais. Então, o governo federal tem responsabilidade nisso, sim. Mas ele tem um respeito enorme pelos bandidos, enquanto o povo de bem tem toda uma regulamentação para evitar a posse e o uso de armas. Do outro lado da fronteira, na Argentina, Javier Milei liberou praticamente tudo, baixou de 21 para 18 anos a idade para possuir arma, permitiu ter em casa fuzil, semiautomático, carabina, desde que comprove que é para uso esportivo.

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Milei troca a COP por encontros nos Estados Unidos e na Bolívia

Milei não vai nem para a COP 30, nem para aquela reunião de esquerda lá na Colômbia, para onde Lula irá depois da COP, dar apoio ao Maduro. Em vez disso, Milei chega nesta quinta nos Estados Unidos, e depois vai para a Bolívia, que tem o gás natural de que o Brasil precisa. A Argentina está se aproximando da Bolívia, que agora terá um governo afinado com Milei, assim como o outro vizinho, com quem os bolivianos já guerrearam na Guerra do Chaco, o Paraguai. O Brasil vai ficar olhando, com o presidente indo lá encontrar o Gustavo Petro.

ALEXANDRE GARCIA

SÓ UM PAÍS DE VALORES MUITO INVERTIDOS PODE CONDENAR GOVERNADOR POR OPERAÇÃO NO RIO

claudio castro operação policial rio de janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, durante entrevista coletiva sobre operação policial no Complexo do Alemão

Na quinta-feira os governadores de Santa Catarina, Paraná, Goiás, Minas Gerais e outros estados foram ao Rio, manifestar apoio ao governador Cláudio Castro, que está sendo acusado pela morte de bandidos que tentaram matar policiais. É incrível a inversão de valores neste país. Os policiais descobriram, por exemplo, que entre os fuzis apreendidos há armas do exército da Venezuela, do Peru, da Argentina, do Brasil, roubados de quartéis, possivelmente do Rio de Janeiro. Além disso, foram 117 mortos por parte dos bandidos. Entre eles, nenhuma pessoa idosa, nenhuma mulher, nenhuma criança. Isso é resultado de planejamento, de inteligência, que evitou danos colaterais em inocentes.

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GLO em Belém, Comando Vermelho no Amazonas

A polícia subiu o morro para executar mandados de prisão e de busca e apreensão: 100 mandados de prisão, sendo que 30 eram de Belém (PA) – ou seja, a polícia paraense também ajudou nessa operação – e 180 mandados de busca e apreensão. O interessante é que Lula está assinando nesta sexta-feira a GLO para que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica cuidem da segurança de Belém durante a COP. Mas é só para Belém, na foz do Rio Amazonas. Rio adentro, quem está dominando é o mesmo Comando Vermelho que domina áreas do Rio de Janeiro. Mas em Tabatinga (AM) não tem GLO. Novamente, a inversão de valores.

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O Brasil pode aprender com El Salvador?

No encontro dos governadores, Romeu Zema contou o que viu em El Salvador ao visitar o presidente Nayib Bukele. El Salvador era o país mais perigoso da América Latina, e hoje é um dos mais seguros, porque Bukele botou os bandidos no seu lugar, os que resistiram foram abraçar o “papai do chão”, como eles dizem, brincando, e os outros estão na prisão. Aumentaram o número de prisões e isolaram os bandidos das pessoas inocentes, das vítimas.

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Mãe de traficante sabe mais que toda a esquerda bandidólatra

Eu falei em vítima? Vejam só este caso: Artur é o nome de um dos narcotraficantes presos pela polícia do Rio de Janeiro. A mãe dele foi até o local em que ele estava preso, gritando: “Você, meu filho, não é vítima da sociedade! Você é vítima das suas escolhas!” Uma grande verdade que nos faz pensar. A esquerda adora um bandido e detesta policiais – a menos que sejam policiais de Nicolás Maduro ou da ditadura cubana – e diz do bandido: “coitadinho, é vítima da sociedade”. A mãe do Artur escancarou a verdade, mostrando que o criminoso é vítima apenas de suas escolhas.

ALEXANDRE GARCIA

STF PEDE EXPLICAÇÕES SOBRE OPERAÇÃO POLICIAL, E RIO RECEBE APOIO DE GOVERNADORES

rio de janeiro operação policial

Policiais do Rio de Janeiro levam suspeitos presos durante operação contra o Comando Vermelho

Começou a discussão sobre as responsabilidades na operação policial no Rio de Janeiro. O ministro Alexandre de Moraes mandou que o governador Cláudio Castro e os secretários da Polícia Civil e da Polícia Militar deem explicações. Com que autoridade?, alguém pode perguntar. Moraes está relatando aquele pedido do hoje ex-deputado Alessandro Molon, que resultou em uma liminar do ministro Edson Fachin que impediu a polícia de subir o morro – e aí a bandidagem cresceu. Depois, o STF confirmou a liminar. Mas Fachin, que era o relator e autor da liminar, virou presidente do Supremo, e passou a relatoria para Moraes.

Nesta quinta-feira os governadores vão prestar solidariedade a Cláudio Castro, e isso significa que a federação é forte. Vejam como é nos Estados Unidos, que beleza, a união de estados. Eles são uma federação, e o Brasil também. Deve haver autonomia para os governos estaduais, que estão mais perto do seu povo. O presidente da República está em Brasília, no Distrito Federal, perto de Goiás, de uma parte de Minas, mas longe do Amapá, de Roraima, do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Santa Catarina, de São Paulo, do Amazonas, do Nordeste. Longe do sentimento popular e da responsabilidade.

A Constituição diz que os governadores são responsáveis, sim, pela segurança pública. O governo federal é responsável pelas fronteiras terrestres e marítimas. E é por elas que entram fuzis modernos, metralhadoras pesadas, drones ucranianos feitos para defender a Ucrânia dos russos, e drogas que são feitas para destruir jovens e famílias, enfraquecendo o país. Isso se chama narcoterrorismo. E essa gente, além de tudo, agride a soberania do país, porque toma conta de grandes áreas, fala-se em 9 milhões de metros quadrados do Rio de Janeiro sob comando das facções, por exemplo. Sem falar da Amazônia, que é muito importante e onde esse mesmo Comando Vermelho controla a entrada do Rio Solimões, que depois vira Amazonas – e na foz do Amazonas ainda teremos uma COP para defender o meio ambiente, e não as pessoas. O PCC está forte em Coari (AM), aliado a piratas colombianos dentro da Amazônia. Isso é soberania nacional?

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Quatro policiais deram a vida, mas não receberão o reconhecimento merecido

As Forças Armadas existem para a defesa da pátria, ou seja, defesa da soberania também contra o inimigo interno. Mas não emprestaram nem sequer blindados, porque a AGU de Jorge Messias deu um parecer contrário. A Polícia Federal foi convidada, mas não quis entrar. Então, ficou tudo para o estado do Rio de Janeiro, com as brilhantes e competentes Polícia Militar (a polícia ostensiva) e Polícia Civil (que é a Polícia Judiciária, que faz as investigações) dando a vida. Quatro policiais foram mortos; em um país sério, eles receberiam post mortem a maior comenda nacional, porque deram sangue em defesa da paz, das famílias, das pessoas, dos pagadores de impostos, das empresas e, sobretudo, da soberania nacional, do território nacional e das leis do país.

Mas, enquanto isso, o novo ministro Guilherme Boulos, lá no Palácio do Planalto, pediu um minuto de silêncio para todos os mortos. E o ministro Ricardo Lewandowski revelou que Lula está “estarrecido”. Combate-se o crime, neutralizam-se criminosos e o presidente fica estarrecido. Isso serve para sabermos de que lado as pessoas estão.

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No Pará, são os trabalhadores que apanham do governo federal

Uma curiosidade: parece que a polícia do Pará também participou dessa operação. É nesse estado que helicópteros e forças do governo federal estão lá, batendo em brasileiros que estão produzindo, plantando, colhendo, criando, e não são bandidos. Que preferência é essa?