
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
– Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
que arde no eterno azul, como uma eterna vela !
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
– Pudesse eu copiar o transparente lume,
que, da grega coluna á gótica janela,
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela !
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
– Misera ! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume !
Mas o sol, inclinando a rutila capela:
– Pesa-me esta brilhante aureola de nume…
Enfara-me esta azul e desmedida umbela…
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?

Joaquim Maria Machado de Assis, Rio de Janeiro-RJ, (1839-1908)
Após editar decreto que a oposição classifica como censura às redes sociais, Lula (PT) esteve no programa “Sem Censura”, apresentado por Cissa Guimarães, que recebe R$ 100 mil por mês da estatal EBC.
* * *
Assina decreto de censura e vai dar entrevista num programa chamado “Sem Censura”.
Num é pra rir.
É pra emputecer qualquer cidadão de bem.
Quanto aos 100 mil por mês, é muito pouco.
Pro padrão lulo-petralha, essa minxaria é um tiquinho de nada.
O caminho perseguido dia após dia
Faz pouco tempo. São passados poucos anos, quando a Summit Entertainment apresentou no Brasil, a obra de ação e ficção científica “O livro de Eli”, dirigido pelos irmãos Albert e Allen Hughes, tendo como protagonista o genial Denzel Washington.
Quem não viu, perdeu uma magnífica obra de entretenimento. O filme é daqueles que nos permite e faz comer vários pacotes de pipocas.
Eis que, quando a cor alaranjada do nascer do dia ouvia o cantar madrugador do galo, e, sem dizer “bom dia” penetrava por todas as frestas que existiam na parede da casa, eu, ainda atordoado, levantava da rede num pulo só, e me dirigia à latada para apreciar e me deixar “lavar” por aquela luz divina. Um bálsamo!
Poucos minutos depois daquele espetáculo que poucos têm o privilégio de ver, café tomado, me punha na estrada longa da vida, caminhando para onde, com certeza desejaria, voltar: a vida.
O sol morno terminava de iluminar o meu rosto, enquanto, com métodos e com obrigações a cumprir, eu caminhava para pegar o sol e trazê-lo para dentro de mim, como se aquela luz fosse egoisticamente só minha.
E não era – “o sol sempre foi e será para todos”.
Uns poucos aproveitam sua luz divina e brilham, espraiando bondade. Fazendo o bem. Iluminando a escuridão de muitas almas caminhantes. Como eu, que insistia em continuar caminhando para pegar o sol.
Não. Eu não sou apenas mais um Eli. Eu sou outro Eli. Diferente dos Elis da vida e com a vontade de escrever o meu próprio livro. Com o nascer do sol de cada dia, e o caminhar que a vida nos permite.
Embevecido pelo caminhar incessante, envolvido pela luz solar que aos minutos que passam muda da cor alaranjada e, com o milagre de todos os dias, se torna incolor. Mas continua nos banhando, lavando e secando para a vida. Para o caminhar que quer apenas pegar o sol e trazê-lo para dentro de si. Egoisticamente.
Agora, o sol se faz sentir pelo calor. Pela intensidade de si mesmo.
Mais uma manhã se foi. O galo desperto já cantou. Agora o som da vida é inaudível. Quase nulo. Mostrando apenas o movimento forte e passageiro das nuvens brancas que, pelo movimento, nos mostra o azul infinito do céu.
Caminho. Eis que chego ao pico onde o caminhar feito me permite olhar o sol, conversar com ele, que, como mais uma bênção de Deus, volta a se alaranjar. Agora, pela cor de despedida daquele dia – mas certamente voltará amanhã e será cumprimentado pelo cantar madrugador do galo.
Aos poucos, aparentemente repetindo o espetáculo matinal, agora ao reverso, o sol vai se escondendo e nos deixando órfãos da beleza repetitiva de todos os fins de tarde.
O fim do dia poético da caminhada
Eu, ungido ou não, conversei com o sol. Como se Ele, o sol, fizesse parte da minha família. Havia ares de intimidade, de proximidade, de confiabilidade…. e de respostas dadas, convincentemente.
Quem sabe, amanhã, quando o galo me acordar e as cores alaranjadas repetirem o espetáculo da invasão pelas frestas da parede, eu volte a tentar pegar o sol.
Egoisticamente, e só para mim.
Desço do ponto do qual pude apreciar e conversar com o sol – agora, meu amigo íntimo. Nos envolvemos. Nos aproximamos a ponto de revelar nossos segredos e nossos desejos mútuos.
Eu, de pegá-lo só para mim.
Ele, de me fazer ver e entender, que “o sol é para todos”.
Assim Deus quer e permite.
Por hoje estou convencido. Provavelmente amanhã pensarei diferente.
A volta para a casa
Caminho de volta para a casa. Satisfeito por ter escrito mais uma página do “meu” livro de Eli.
Espero ter o privilégio divino de acordar com o cantar do galo, enquanto me regozijo pela volta.
Amanhã, com certeza o galo canta. Hoje, agora, meu prêmio é a sinfonia rítmica e de paz das cigarras.
Rogério Marinho (PL-RN) desmontou falatório de Fernando Haddad (PT) sobre ter feito o Brasil crescer.
O senador lembrou a carestia no mercado e a inadimplência, “o governo Lula dá com uma mão e tira com as duas”.
* * *
Isso mesmo, sinhô Rogério.
Dá com um mão e tira com as duas.
Sendo que uma dessas duas mãos tem apenas nove dedos.
Ivo Hélcio Jardim de Campos Pitanguy nasceu em 5/7/1926, em Belo Horizonte, MG. Cirurgião plástico, professor e escritor. Em 2008, a revista New York Magazine chamou-o de “o rei da cirurgia plástica” e a revista alemã Der Spiegel de “Michelangelo do bisturi”.
Filho de Maria Stael Jardim de Campos Pitanguy e do médico Antônio de Campos Pitanguy. Teve os primeiros estudos em Belo Horizonte e cursou medicina na UFMG até o 4º ano e, sem interromper os estudos, foi servir no CPOR-Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, do Exército. Em seguida transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, onde concluiu o curso, ao mesmo tempo em que servia na Cavalaria dos Dragões da Independência.
Iniciou a formação cirúrgica no Hospital do Pronto-Socorro do Rio de Janeiro, atual Hospital Souza Aguiar. Vocacionado para a cirurgia plástica, inscreveu-se num concurso organizado pelo Institute of International Education e ganhou um bolsa de estudos que o levou aos EUA como cirurgião residente no Bethesda Hospital. Logo foi “visiting fellow” da Mayo Clinic, em Minnesota e do Serviço de Cirurgia Plástica do Dr. John Marquis Converse, em Nova Iorque.
De volta ao Brasil, retornou ao Hospital onde se formou cirurgião e recebeu convite do prof. Marc Iselin, em visita ao hospital, para ser seu “assistant étranger” em Paris. Ficou por 2 anos, período em visitou os serviços de cirurgia plástica dos professores C. Dufourmentel e R. Mouly em Paris e do prof. Paul Tessier em Suresnes. Tal formação foi reforçada com uma bolsa de estudos do British Council, quando frequentou os serviços de cirurgia plástica de Sir Harold Gillies, em Londres; Sir Archibald McIndoe, no Quenn Victoria Hospital e do prof. Kilner, no Churchill Hospital, em Oxford.
Novamente no Brasil, sentiu a necessidade de criar uma Escola e ressaltar a importância social da cirurgia plástica para a classe médica e a população em geral. Criou o Serviço de Queimados do Hospital do Pronto-Socorro e o primeiro serviço de cirurgia de mão e de Cirurgia Plástica Reparadora da Santa Casa. Em seguida assumiu a cátedra de cirurgia plástica da Universidade Católica do Rio de Janeiro e mais tarde a do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas. Nesta época, com a colaboração dos médicos residentes, pôde tratar de forma abrangente as vítimas do grande incêndio do Gran Circo Norte-Americano em Niterói, despertando a atenção para a importância social da cirurgia plástica.
Em 1963 inaugurou a Clínica Ivo Pitanguy, integrada a 38ª Enfermaria da Santa Casa, permitindo a formação profissional e de ensino. Trata-se de um centro de saúde que atende os mais pobres, abolindo da especialidade seu caráter elitista. A clínica tornou-se um centro de referência nacional e internacional na área frequentada por cerca de 5 000 cirurgiões plásticos, entre fellows e visitantes. Sua clínica/escola mudou os padrões da cirurgia plástica mundial, não apenas pelas técnicas revolucionárias empregadas, mas pela filosofia que permeava. Sob sua orientação, o curso de 3 anos de pós-graduação na PUC/RJ, formou 500 cirurgiões plásticos de mais de 40 países.
Ministrou inúmeros cursos de Cirurgia Plástica no Brasil e no exterior, destacando-se o 1º Curso de Extensão Universitária em Cirurgia Plástica, da então Universidade do Brasil, ministrado no anfiteatro da Clínica Ivo Pitanguy, unindo a iniciativa privada ao ensino público. Organizou o 1º Curso de Cirurgia da Mão, o 1º Curso de Cirurgia Plástica da Academia Nacional de Medicina; os Cursos da Universidade Camplutense de Madrid; o Curso de Cirurgia Plástica do XXIII World Congress of the International College of Surgeons, além de cursos na Universidade de Harvard e Universidade de Paris.
Recebeu diversos títulos e prêmios honoríficos: Philosophiae Doctor Honoris Causa, pela Universidade de Tel Aviv (1986) e Honoris Causa pela UNIRIO (2016), Cidadão Honorário do Rio de Janeiro (1976), Chanceler da Universidade de Paris (1988) e Membro Honorário da Società Medica di Bologna (1988), Humanitarian Award, pela University of Chicago (1984), Prêmio Cultura per la Pace, concedido pelo Papa João Paulo II (1989).
Foi membro titular da Academia Nacional de Medicina, Academia Brasileira de Letras, Academia Brasileira de Médicos Escritores, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura e várias associações médicas internacionais. É autor de mais de 900 trabalhos publicados em prestigiadas revistas nacionais e internacionais. Deixou mais de 20 livros técnicos publicados, entre os quais a obra Aesthetic surgery of the head and body, eleito o melhor livro do ano (1981), na Feira Internacional do Livro de Frankfurt e livros de memória ou biográficos: Aprendendo com a vida (1993); Cartas a um jovem cirurgião (2009); Vale a pena viver (2014).
Faleceu em 6/8/2016, aos 90 anos, vitimado por um ataque cardíaco. No dia anterior a sua morte estava carregando a chama olímpica dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Quando Lula critica quem administrou mal o Brasil, fica a dúvida: é discurso ou confissão? pic.twitter.com/kV1JT1OH87
— Malcon Mazzucatto (@MalconMazzucato) May 23, 2026
Dedicado a Luiz Xavier e João Franscisco
Semana passada abordei uma questão relacionada ao banco Master envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro. Provavelmente o título – A mulher de César – tenha induzido alguma interpretação equivocada e por isso resolvi acrescentar mais coisas que foram divulgadas pelos jornais.
O problema do Brasil é que as pessoas criticam outras por fazerem, igual ou pior ao que elas fazem. A transferência de responsabilidades é sem precedentes e, vergonhosamente, seletivamente escancarada. No âmbito político, há uma pré-disposição enorme em acusar um adversário, quando correligionário prática o mesmo ato. Em que país do mundo um partido político que teve três tesoureiros presos, deputados, diretores de empresas públicas, um presidente da república que era presidente de honra do partido, teria moral de acusar, . . quem que seja, de corrupção? Só no Brasil.
O deputado Lindenberg Farias – acredito ser esse nome dele – tem um comportamento atípico diante dos fatos. Falta-lhe total discernimento da realidade. O PT protagonizou o mensalão e depois veio o petrolão. A Odebrecht – já disse isso milhares de vezes – tinha uma diretoria específica para pagar propinas. Chamava-se Diretoria de Operações Estruturadas e dela saíram, além de propinas, codinomes como: lindinho, amante ou coxa, viagra, ferrari, avião, amigo do meu pai, o amigo do amigo do meu pai, italiano e tantos outros. Isso não faz a menor diferença para lindinho. A preocupação é falar que a corrupção do Master é obra de Campos Neto.
Já falei isso uma vez e não custa repetir: acusam Campos Neto de ter autorizado o surgimento do Master, a partir da compra de outro banco, como se ele fosse o responsável pela análise técnica ou como se tivesse bola de cristal para prever que o banco ia se transformar num esgoto dessa magnitude. O mais interessante é o seguinte: beneficiários que receberam dinheiro em suas contas correntes, devidamente atestado pelo COAF, são, na sua grande maioria, vinculados ao PT. Tem aqui ou ali um caso, que precisa ser esclarecido com cuidado, ou seja, é bom separar o joio do trigo.
Coube a ACM Neto, um pagamento de R$ 5 milhões. Tranquilo, desde que haja uma contrapartida de serviços prestados. É nesse esteio que se seguem os casos de Lewandowski e Alexandre de Morais, este sendo mais vergonhoso. Ambos alegaram ter prestados serviços de consultoria jurídica, embora não se registre qualquer ligação ou contato telefônico, nem por outra via, entre o escritório e Daniel Vorcaro. Seguramente, temos um atendimento jurídico por telepatia. Diante dessa inovação tecnológica, o escritório da esposa de Alexandre recebeu, uma bagatela de R$ 80 milhões.
Ninguém sabe o Guido Mantega fez para receber R$ 14 milhões. Atribui-se que se tratou de uma consultoria que conduzia a compra do banco Master pelo Banco Regional de Brasília. Mais uma: em todas as operações envolvendo tais pessoas, praticou-se a máxima da Contabilidade de que quando se debita uma conta, deve-se creditar outra e isso se faz através da emissão de uma nota fiscal pelo prestador de serviços. Começa daí: se não tiver um documento formal que sirva como fato gerador, sinto muito meu caro, mas isso tem outra denominação contábil.
É simplesmente fantástico ver Renan Calheiros interessado em apurar os fatos. Renan tinha 17 processos abertos no STF por improbidade administrativa. Nenhum foi investigado e todos prescreveram. Há fotos públicos de Renan Calheiros com Alexandre de Morais, ou seja, ficou registrado para a posteridade a boa relação entre investigado e investigador. Simples assim: aquele que iria julgar, na maior integração com aquele que seria julgado. Isso acontece em outro país? Provavelmente, mas apenas no Brasil se faz de forma acintosa.
Chegamos a Flávio Bolsonaro. Nitidamente ele cometeu um grande equívoco nessa questão. A sua exposição pública e o desempenho nas pesquisas eleitorais precisam de um argumento ou de uma “narrativa” e, infelizmente, isso foi dado pelo próprio Flávio. Faltou maturidade e, principalmente, um conselho eleitoral constituído de pessoas, inclusive, com experiência de marketing e de eleição. No passado, Colbery do Couto e Silva teve seu filho envolvido num ato de corrupção e durante uma semana a impressa bombardeou o ministro para falar disso, mas ele recusou e quando perguntaram o motivo ele, simplesmente, respondeu que “não ia contribuir para que se falasse nisso por mais de uma semana”.
O problema é que as críticas sobre Flávio estão ocultas sobre os desejos, dentre os quais, afetar a campanha de Tarcísio. E já se fala na contribuição do Master para sua campanha. Observem: a doação de campanha é, perfeitamente, legal e se foi feita nos moldes previstos na lei, não há o que se questionar. Quem doa para partido político ou para candidato terá o registro da doação. No bojo do bombardeio eis que Zema esqueceu que recebeu dinheiro do Master e se apressou em criticar. Uma ação absolutamente oportunista.
O staff do presidente adorou essa divulgação de Flávio porque vislumbrou, não apenas, derrubar um concorrente que ameaça a hegemonia petista e de quebra favorece outros aliados. O presidente estava propenso a desistir e agora ele está animado em concorrer. Esse presidente faz qualquer coisa para continuar no poder. A taxa das blusinhas implantadas por ele foi um grande erro estratégico e foi regado de impopularidade. Essa semana ele declarou que essa taxação foi uma decisão de Haddad.
Em tudo tem poesia
Só precisa olhar direito.
Mote deste colunista
Tem na paixão de verdade
De um amor do passado,
Tem no velhinho cansado
Com o peso da idade.
Tem na palavra saudade,
Na dor sentida no peito,
No casamento desfeito,
Numa orquestra em sinfonia.
Em tudo tem poesia
Só precisa olhar direito.
Severino Damasceno
Tem na benção que mãe dá,
Com sua voz já cansada,
Tem nas notas da toada
Do cantador sabiá,
Tem na fruta do juá,
No trabalhador no eito,
No frade que traz no peito
A devoção por Maria.
Em tudo tem poesia
Só precisa olhar direito.
Wellington Vicente