MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Dedicado a Luiz Xavier e João Franscisco

Semana passada abordei uma questão relacionada ao banco Master envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro. Provavelmente o título – A mulher de César – tenha induzido alguma interpretação equivocada e por isso resolvi acrescentar mais coisas que foram divulgadas pelos jornais.

O problema do Brasil é que as pessoas criticam outras por fazerem, igual ou pior ao que elas fazem. A transferência de responsabilidades é sem precedentes e, vergonhosamente, seletivamente escancarada. No âmbito político, há uma pré-disposição enorme em acusar um adversário, quando correligionário prática o mesmo ato. Em que país do mundo um partido político que teve três tesoureiros presos, deputados, diretores de empresas públicas, um presidente da república que era presidente de honra do partido, teria moral de acusar, . . quem que seja, de corrupção? Só no Brasil.

O deputado Lindenberg Farias – acredito ser esse nome dele – tem um comportamento atípico diante dos fatos. Falta-lhe total discernimento da realidade. O PT protagonizou o mensalão e depois veio o petrolão. A Odebrecht – já disse isso milhares de vezes – tinha uma diretoria específica para pagar propinas. Chamava-se Diretoria de Operações Estruturadas e dela saíram, além de propinas, codinomes como: lindinho, amante ou coxa, viagra, ferrari, avião, amigo do meu pai, o amigo do amigo do meu pai, italiano e tantos outros. Isso não faz a menor diferença para lindinho. A preocupação é falar que a corrupção do Master é obra de Campos Neto.

Já falei isso uma vez e não custa repetir: acusam Campos Neto de ter autorizado o surgimento do Master, a partir da compra de outro banco, como se ele fosse o responsável pela análise técnica ou como se tivesse bola de cristal para prever que o banco ia se transformar num esgoto dessa magnitude. O mais interessante é o seguinte: beneficiários que receberam dinheiro em suas contas correntes, devidamente atestado pelo COAF, são, na sua grande maioria, vinculados ao PT. Tem aqui ou ali um caso, que precisa ser esclarecido com cuidado, ou seja, é bom separar o joio do trigo.

Coube a ACM Neto, um pagamento de R$ 5 milhões. Tranquilo, desde que haja uma contrapartida de serviços prestados. É nesse esteio que se seguem os casos de Lewandowski e Alexandre de Morais, este sendo mais vergonhoso. Ambos alegaram ter prestados serviços de consultoria jurídica, embora não se registre qualquer ligação ou contato telefônico, nem por outra via, entre o escritório e Daniel Vorcaro. Seguramente, temos um atendimento jurídico por telepatia. Diante dessa inovação tecnológica, o escritório da esposa de Alexandre recebeu, uma bagatela de R$ 80 milhões.

Ninguém sabe o Guido Mantega fez para receber R$ 14 milhões. Atribui-se que se tratou de uma consultoria que conduzia a compra do banco Master pelo Banco Regional de Brasília. Mais uma: em todas as operações envolvendo tais pessoas, praticou-se a máxima da Contabilidade de que quando se debita uma conta, deve-se creditar outra e isso se faz através da emissão de uma nota fiscal pelo prestador de serviços. Começa daí: se não tiver um documento formal que sirva como fato gerador, sinto muito meu caro, mas isso tem outra denominação contábil.

É simplesmente fantástico ver Renan Calheiros interessado em apurar os fatos. Renan tinha 17 processos abertos no STF por improbidade administrativa. Nenhum foi investigado e todos prescreveram. Há fotos públicos de Renan Calheiros com Alexandre de Morais, ou seja, ficou registrado para a posteridade a boa relação entre investigado e investigador. Simples assim: aquele que iria julgar, na maior integração com aquele que seria julgado. Isso acontece em outro país? Provavelmente, mas apenas no Brasil se faz de forma acintosa.

Chegamos a Flávio Bolsonaro. Nitidamente ele cometeu um grande equívoco nessa questão. A sua exposição pública e o desempenho nas pesquisas eleitorais precisam de um argumento ou de uma “narrativa” e, infelizmente, isso foi dado pelo próprio Flávio. Faltou maturidade e, principalmente, um conselho eleitoral constituído de pessoas, inclusive, com experiência de marketing e de eleição. No passado, Colbery do Couto e Silva teve seu filho envolvido num ato de corrupção e durante uma semana a impressa bombardeou o ministro para falar disso, mas ele recusou e quando perguntaram o motivo ele, simplesmente, respondeu que “não ia contribuir para que se falasse nisso por mais de uma semana”.

O problema é que as críticas sobre Flávio estão ocultas sobre os desejos, dentre os quais, afetar a campanha de Tarcísio. E já se fala na contribuição do Master para sua campanha. Observem: a doação de campanha é, perfeitamente, legal e se foi feita nos moldes previstos na lei, não há o que se questionar. Quem doa para partido político ou para candidato terá o registro da doação. No bojo do bombardeio eis que Zema esqueceu que recebeu dinheiro do Master e se apressou em criticar. Uma ação absolutamente oportunista.

O staff do presidente adorou essa divulgação de Flávio porque vislumbrou, não apenas, derrubar um concorrente que ameaça a hegemonia petista e de quebra favorece outros aliados. O presidente estava propenso a desistir e agora ele está animado em concorrer. Esse presidente faz qualquer coisa para continuar no poder. A taxa das blusinhas implantadas por ele foi um grande erro estratégico e foi regado de impopularidade. Essa semana ele declarou que essa taxação foi uma decisão de Haddad.

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