Direitos e preceitos fundamentais não surgiram por acaso. Eles são resultado de um longo processo civilizatório, que vem desde os filósofos gregos, passando pelos juristas romanos, pelos canonistas medievais e pelos filósofos do iluminismo
Não sou jurista e isso me ajuda a ver a situação do Brasil com alguma clareza. Sou engenheiro. Trabalhamos com lógica e cálculo. Depois de calcular tudo, aplicamos um fator de segurança. É assim que se constroem pontes, prédios e computadores. O Direito funciona de uma forma diferente. Existem fundamentos, regras e leis, mas tudo está sujeito a graus variados de interpretação. Nos últimos tempos, no Brasil, a interpretação passou a valer mais que a lei, e a ser feita conforme a conveniência política, ideológica ou – às vezes – patrimonial do intérprete.
Se a Constituição garante a liberdade de expressão, a interpretação do magistrado não pode estabelecer censura. Qualquer tipo de censura viola a Constituição – mesmo se for só “até o final desse mês” (nunca houve um mês tão longo). Se um dos fundamentos do Direito diz que ninguém pode ser juiz da própria causa, e um juiz julga um processo no qual ele também é a vítima, o fundamento foi violado. Não importa a justificativa.
As justificativas para a violação de leis ou preceitos fundamentais são sempre nobres. “É preciso reparar injustiças históricas”. “É preciso proteger os mais fracos”. “É preciso garantir a higidez do pleito”. “É preciso fazer a justiça social”. Mas a justificativa é irrelevante: a violação é uma violação.
Direitos e preceitos fundamentais não surgiram por acaso. Eles são resultado de um longo processo civilizatório, que vem desde os filósofos gregos, passando pelos juristas romanos, pelos canonistas medievais e pelos filósofos do iluminismo. Todo jurista deveria saber disso.
Por mais brilhantes que sejam os juristas brasileiros da atualidade – e, quanto a esse brilho, há controvérsia – eles não têm o poder de apagar a herança ocidental e reescrever os fundamentos do Direito. Mas é isso mesmo que estão tentando fazer.
Os exemplos são tantos que seria exaustivo listar todos. Basta mencionar dois. Primeiro, o já citado caso do juiz multifuncional, que é, ao mesmo tempo, vítima, investigador, promotor, juiz e supervisor da execução da pena. Pode isso, Arnaldo? Não pode.
O outro exemplo é a abertura de inquéritos, por ofício, pelo Judiciário. O Judiciário é um poder inerte; ele só reage quando provocado – e provocado de forma adequada, com fundamentos na lei. Entretanto, os processos judiciais mais devastadores do país foram abertos de próprio punho por magistrados. Não pode.
Se você viola os fundamentos da matemática ao calcular as fundações de um edifício, ele desaba. A mesma coisa acontece no Direito. A teoria dos frutos da árvore envenenada diz que, se você envenena as raízes de uma árvore, seus frutos serão ruins. Qualquer processo ou decisão que use fundamentos inválidos, é inválida.
“Não tenho dúvida de que todos esses processos serão anulados”, me disse uma querida amiga, uma das pessoas mais competentes, honradas e corajosas que já exerceram o cargo de magistrado no Brasil. “Ficarei feliz quando, um dia, a justiça for feita”, disse ela. “Mas o país vai passar décadas para se recuperar desse estrago e teremos que pagar milhões em indenizações para todas as vítimas”.
Esse acerto de contas é o que espera o país. A única dúvida é se ele será feito com, ou sem, amargura.
O Datafolha está mostrando um segundo turno em que Lula está com 47 pontos e Flávio com 43. Se fosse Caiado, seria 47 Lula, 41 Caiado. Se fosse Zema, seria 48 Lula e 39 Zema.
A gente está vendo aí que o anti-Lula não está unido. Não é o mesmo resultado. A rejeição: Flávio com 48% e Lula 46%. É bom a gente começar a ver isso porque estão se aproximando as eleições. Nós temos junho indo para o fim, julho, agosto, setembro e outubro já é a eleição.
* * *
A volatilidade de Lula
Repercutiu muito uma frase de Trump dizendo que Lula é muito volátil. Volátil é aquela qualidade de, por exemplo, o álcool é volátil: ele se transforma em gás ou em vapor rapidamente. Ele diz uma coisa, em uma hora; em outra, diz outra.
Agora, conversando lá no G7, disse que nunca foi esquerdista. Outro dia ele declarou que, até o fim deste ano, é fome zero. A mesma coisa que ele disse lá no início do ano 2000 e essas coisas todas.
Ele não considera um estado sólido da palavra, então a palavra fica volátil. Bom, mas a despeito disso, está na frente na pesquisa, como se viu do Datafolha.
* * *
O BRB no caso Master
Uma outra questão: Master. Agora do BRB, que é o banco aqui da capital do país, está envolvido também, além do ex-presidente do BRB, que está no presídio em prisão cautelar e está preparando delação, aparece também o nome do ex-secretário de economia do governador Ibaneis, que quer ser candidato ao Senado; mas a gente vê que está contaminado pelas ligações do BRB com o Master.
Agora entram o PicPay, da J&F, e o Instituto de Previdência dos Servidores. Grande novidade: 81 milhões de descontos em folha com juros altíssimos num programa chamado Juro Zero. Aliás, a operação da Polícia Federal também usou esse nome.
Interessante o que aconteceu: o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, mandou que o governo do Distrito Federal devolvesse à União R$ 4 bilhões do fundo especial para o Distrito Federal que foram mal usados. Vai ter que devolver.
A resposta? Devolveram a filha de Augusto Nardes, que tinha um cargo no governo do Distrito Federal e perdeu o cargo por causa disso. Incrível tudo isso na cara da gente, assim como essas coisas que Lula está fazendo de chamar os delegados federais que estão envolvidos no caso Master, no caso do INSS. Incrível.
* * *
OAB da medicina nas mãos do MEC?
Vejam só, discutiram, discutiram, discutiram sobre ter que fazer exame para saber se o sujeito que se formou em medicina realmente pode virar médico. Porque, meu Deus, eu que sou casado com médica, vejo cada caso.
Obviamente, se a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é quem faz o exame do formado em direito para saber se pode ou não exercer a advocacia, é óbvio que é o Conselho Federal de Medicina que avalia.
Só que não, porque hoje a gente vê, por exemplo, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo faz uma prova e tem resultados incríveis: o sujeito não sabe diagnosticar uma gravidez, uma pneumonia, um ataque cardíaco ou uma apendicite. E então, óbvio que seria o Conselho Federal de Medicina.
Estão entregando para quem?
O presidente da República, em uma questão que estava sendo discutida no Congresso, fez uma medida provisória e se atravessou, dizendo que é o Ministério da Educação que decide isso. Coisas incríveis.
É o Brasil de hoje. Chance de mudar isso?
A gente muda essas coisas pelo voto, fazendo uma boa escolha. E a boa escolha significa conhecer o candidato: não é dar uma olhadinha no nome; é olhar mil vezes, saber a história toda. Imagina que a gente elege a pessoa que está envolvida no Mensalão, na Lava Jato, e a gente elege. Que eleitor é esse?
*Metodologia da pesquisa citada: 2.004 entrevistados pelo Datafolha entre os dias 17 e 19 de junho de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha da Manhã S/A. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-09956/2026.
Com o poema “A Flor do Cárcere”, Euclides da Cunha, criou uma obra-prima que explora com maestria o contraste entre a dureza de um ambiente prisional e a delicadeza regeneradora da natureza, fazendo uma feliz associação dos temas da pureza e do consolo em cenários de dor e escuridão, e celebrando assim o poder da poesia em encontrar beleza na adversidade.
Por meio do recurso de abordar a beleza encontrável em cenários sombrios, como o nascimento de uma flor entre os muros de uma prisão, o poema sugere que a presença da flor tem o poder de transformar até mesmo um “bruto e vil descrente”, que passa a encontrar nela um motivo de prece e alívio para sua dor.
Digno de destaque no texto é a metáfora da flor sendo comparada a uma “estrela perfumada e branca” que brilha na “noite de sua alma”, simbolizando a luz da esperança em meio ao sofrimento existencial.
Para justificar o mau hábito alimentar próprio das crianças de minha época – doces, chocolates e afins, dizíamos, em alto e bom som, que ‘o que não mata, engorda’. Hoje, conscientes de que a alimentação saudável é responsável pelo ‘esticamento’ da vida, uma ‘garantia estendida’ do bom viver, dizemos o contrário: ‘o que engorda, mata’. E haja regimes, caminhadas, academias, remédios e renúncias alimentares. Uma dobradinha ou uma picanha das boas são sinônimos de veneno. A endocrinologista é como uma delegada da Polícia Federal investigando deslizes alimentares para nos condenar à distância das mesas fartas e saborosas, usando tornozeleira estomacal.
E vamos, nós, camaleões humanos, nos empanturrando de verduras, nos enchendo do verde, de nutrientes essenciais (carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais). ‘Alimentos in natura, frutas, vegetais, legumes e grãos integrais são bons’, dizem os entendidos. E o paladar reclamando de sua não satisfação. Nada de açúcar ou sal. Bebida, nem pensar. Em compensação, a diabetes e a obesidades demorarão alguns dias, apenas alguns dias, até nos fazer a visita inescapável e indesejada.
Eu mando às favas os conselhos médicos, à merda os compêndios tratando do assunto. Agora mesmo vou ali na feijoada de Candeias, tomar minha cervejinha e saborear a feijoada bem temperada. Com muito bacon, por favor. Depois, a madorna tradicional, também condenada por especialistas, todos escravos do peso exato das balanças, mas infelizes por completo. Pode ser coincidência, mas eu percebo dificuldade dos magrinhos para sorrir. Nunca vejo um magrinho sorridente, ao contrário dos gordinhos, sempre alegres, sorridentes e felizes. Coincidência ou não, prefiro ser feliz.
Tudo o que o PT entregou ao Brasil foi desgraça. O caso Master é só mais um. Jaques Wagner é só mais um. Antes dele, em 2015, outro líder do Partido dos Trabalhadores no Senado já tinha sido alvo da Polícia Federal: Delcídio do Amaral, que era do PT de Mato Grosso do Sul, foi preso por atrapalhar as investigações da Lava Jato. E a operação, destruída pela turma do Lula, tinha também colocado atrás das grades um monte de gente ligada ao petista, além dele próprio: João Vaccari Neto, João Santana, Antônio Palocci…
O guerrilheiro treinado em Cuba José Dirceu conseguiu a proeza de ser preso duas vezes, não apenas na época da Lava Jato. Ele já tinha sido pego nas investigações sobre o mensalão, e estaria “pedindo música no Fantástico” indefinidamente, a cada três prisões, se o Brasil fosse um país quase sério. Se fosse sério, Dirceu teria residência permanente na cadeia. Mas, para o PT, bandido bom é bandido solto. E tanta gente agradece: José Genoino, João Paulo Cunha, Delúbio Soares, os ladrões de celular, os sequestradores, os narcoterroristas, as “vítimas da sociedade”…
Onde tem PT tem apoio a bandidos. Os ladrões do INSS, a gangue do Master, todos agradecem ao partido de Lula. E tem o apoio internacional também. Os ditadores e terroristas ao redor do mundo são gratos. Se tem crime, o que defende quem tomou o poder é a não investigação, a não punição, a impunidade, que só pode gerar mais crime. Corrupção nunca foi o problema, mas, sim, o combate a ela. Facções criminosas nunca foram o problema, mas, sim, o endurecimento da guerra contra elas.
O empenho do PT quase sempre está ligado a ilegalidades, à falta de ética e de moralidade. Onde tem PT tem censura, perseguição política, tem guerra. O “Lulinha paz e amor” é uma invenção sem pé nem cabeça. Onde tem PT tem mentira, enganação, falsidade, narrativas desapegadas dos fatos. Tem propaganda enganosa, e nisso se gasta uma fortuna. Os pagadores de impostos que se danem. Com o dinheiro deles, o partido de Lula jura que já tirou o Brasil da pobreza e acabou com a fome umas quatro ou cinco vezes.
Onde tem PT tem vacina aprovada em desacordo com a lei que determina que a inclusão de novas tecnologias no SUS deve passar por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). E o Ministério da Saúde interpreta o texto e libera a vacina do Butantan contra a dengue porque ela seria parecida com o imunizante japonês aprovado pela comissão. Se duas pessoas que receberam a vacina morreram e dezenas tiveram reações graves, a interrupção da aplicação é considerada um ato “responsável”.
Onde tem PT tem negociata, gastança desenfreada, governo que gasta mal e gasta muito… E, claro, as consequências disso: inflação, juros altos, déficit, dívida. Sempre foi desse jeito. E não podia ser diferente, se o partido de Lula acredita num Estado gigante, burocrático, incompetente, como se ele fosse a solução de todos os problemas, e não a causa da maioria deles. E, assim, onde tem PT tem povo endividado, empresa quebrando sem parar, estatais no prejuízo, maquiagem de estatísticas, tem reuniões secretas, tem sigilo de cem anos. Em suma, onde tem PT tem desserviço ao Brasil e uma impossibilidade doída de um dia sermos um país decente.