Arquivo do Autor: Luiz Berto Filho
DEU NO JORNAL
CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA
NOVENTINHA É LASCA!
Luiz Carlos, este colunista e o escritor Euler de Souza, no Clube Português do Recife, durante o “emplacamento compulsório”
No último 18 de junho, dois fraternos amigos homenagearam o cronista pela “quota máxima” atingida: 90 anos de idade, meta para poucos mortais. Um almoço com minha família no Clube Português do Recife representou sinônimo de fraternidade e prestígio, ao chegar a esta marca. Uma graça de Deus!
No dia anterior, a Presidente Thelma Loureiro de Carvalho, da Academia de Artes e Letras, me colocou, com todas as honras, na Mesa dos trabalhos e ao final da assembléia festiva convocou a plateia a formar um coro e interpretar a cançoneta “Parabéns pra você”.
Para fins de “amostras grátis” devo dizer que não é moleza tal corrida de obstáculos. O destino foi generoso e a sorte me empurrou. Só fiz amigos. Alguns que conheci superficialmente se equivocaram com minhas ideias e os falamos apenas respeitosamente.
Nasci no Espinheiro, meus pais nunca se separaram, fui filho único, tive direito a nota em jornais, logo que “desembarquei”. Fui bancário a partir dos 14 anos, por três décadas.
Aposentei-me com 30 anos, alguns dias e poucas horas. Na mesma semana assumi uma assessoria no Grupo Preserve onde permaneci quase 10 anos.
Publiquei a primeira matéria em jornal aos 15 anos e ainda ontem os editores do Diário de Pernambuco se mostraram generosos comigo, publicando mais um artigo.
Fui diretor do Naútico, durante seis anos; do Internacional, quatro anos; do Sport, dois anos e da AABB-Recife, alternadamente 12 anos.
De medalhas, guardo uma tuia: do Salesiano, do Náutico, do Atlético, além de várias da AABB-Recife. Carrego, também, no matulão, dois títulos de Benemérito, e dois de Reconhecimento, sendo um durante as comemorações dos 100 anos do Banco do Brasil em Pernambuco. Já correm o mundo alguns dos meus 35 livros escritos.
Mas vim com o bisaco cheio de obrigações. O destino traçou minhas metas difíceis e perigosas. Da “Véia da Foice” escapei várias vezes.
Pequenino ainda, correndo pela calçada do Hotel Central, dei uma topada, bati com o “quengo” na calçada. Fiquei” cego durante mais de 26 horas. Uma tragédia para a família!
Adulto, limpando uma calha, cai do telhado. Depois, outra queda: na escada do primeiro andar de um prédio, escorreguei, fui bater no térre;, quebrei dois ossos da canela. No hospital, meteram-me um pedaço de titânio com quatro parafusos. Virei um “Robocop Brasileiro”.
Passageiro de um Fusca, à noite, numa estrada alagoana, em missão jornalística, vindo de Aracaju, numa curva fechada, batemos de frente numa jamanta e capotamos feio. Saímos vivos.
Um aperto de lascar foi quando, por cima da cidade de Brasília, voei aflito, por quase 30 minutos sem pousar, sentado e bem amarrado na poltrona de um Electra da Varig, com mais 48 vizinhos, “aflitos rezadores”.
Perto do Aeroporto o “desgramado” PP-VJM – 2784 “novinho em folha”, começou a circular pelo céu, deu cinco voltas pelas nuvens, como se estivesse mostrando aos infelizes passageiros, que já estávamos a caminho “desta para uma melhor”. Eram os Bombeiros na pista, em exercício.
Tive a felicidade de extirpar dois “bichos” daqueles tão assustadores, que comem os humanos por dentro e se alastram, às vezes pensando que fígado é picanha.
Em outros tempos estive soltando sangue pelo “cano ladrão” e fui pra faca costurar as hemorróidas. Após ter sido esfaqueado pelo bisturi do Dr. Booz, esperei vitorioso os visitantes. Aí a porca torceu o rabo!
O primeiro a chegar, às seis da manhã, foi meu Gerente José Augusto, que disse reservadamente: Depois da cirurgia sob anestesia, sei que, agora, sua dor é apenas moral!
Precisava lembrar que eu tinha sido operado através do canal “escapativo do barro”, precisava?!… Foi outro pedaço carregado de más lembrança, porque durante a recuperação cai dentro de uma bacia de água aquecida a 80º graus e queimei as duas bolinhas de gude. Foi danado?
E sobre os ganhos e perdas, prefiro não falar dos desamores. Costumo usar o artifício do saudoso Álvaro Moreira, quando o entrevistei no Rio Grande do Sul: “Seu Carlos, por favor, “As amargas, não!” Depois publicou um livro com este título, que ainda hoje faz sucesso.
Afinal, falar os maus pedaços dos “noventinha” é lasca!
DEU NO JORNAL
MAIS, MAIS, MAIS
DEU NO JORNAL
A OPERAÇÃO CONTRA JAQUES WAGNER MOSTRA QUE VORCARO NÃO TEM PREFERÊNCIA PARTIDÁRIA
Editorial Gazeta do Povo

O senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero
Na quinta-feira, dia 18, a Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, tendo como alvo principal o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, e pegou de surpresa até mesmo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que estava com o presidente Lula na França, para a reunião do G7 – Rodrigues, recorde-se, foi uma das autoridades que participaram de uma exclusiva degustação de uísque patrocinada por Daniel Vorcaro em Londres, em 2024.
Nos endereços do senador, a PF encontrou US$ 55 mil e € 33,5 mil (quase R$ 480 mil, na cotação atual). A decisão de Mendonça que autorizou a operação ainda menciona supostos pagamentos, voos em jatinhos de empresas ligadas a Vorcaro, e até mesmo um apartamento no valor de quase R$ 2,5 milhões em Salvador (BA). Em troca, o senador teria atuado em favor de medidas que ajudassem o Banco Master no Congresso, como a emenda apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI) que elevaria o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), além de uma proposta de ampliação do limite do crédito consignado, que beneficiaria a atuação do banco na Bahia para a operação de um produto conhecido como Credcesta – apontado como um dos “embriões” do esquema do Master.
Assim que a operação foi deflagrada, uma série de lideranças políticas importantes saiu em defesa de Wagner, caso do presidente nacional do PT, Edinho Silva (embora uma ala do partido defenda que o senador se afaste provisoriamente da liderança), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre – em quem o escândalo do Master também já respingou, no mínimo devido ao enorme investimento que a Amapá Previdência, à época comandada por um indicado do senador, fez no banco de Vorcaro. Lula, que já está de volta ao Brasil após a viagem à França, não mencionou o caso em seu primeiro discurso após a operação. Na Bahia, adversários de Wagner, também enroscados com o Banco Master, devem partir para um “pacto de silêncio” durante a campanha eleitoral que se aproxima.
O petista, no entanto, não é o único a ter detalhes de suas supostas relações com Vorcaro expostas nos últimos dias. Documentos cujo sigilo foi levantado por Mendonça apontam novos luxos que integravam o “tratamento privilegiado” e “diferenciado” dado a Ciro Nogueira; o banqueiro também pagou a viagem e a hospedagem do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para o “Gilmarpalooza”, em Lisboa; Motta confirmou a carona e o hotel de luxo, acrescentando que não via crime nisso – na verdade, ele não vê nem sequer um problema de ordem ética, mostrando como as bússolas morais em Brasília andam completamente desreguladas.
Ao contrário de alguns outros enormes escândalos de corrupção do passado, o caso do Master é bastante “ecumênico” na sua lista de envolvidos. Se é que Vorcaro tem alguma preferência político-partidária, ele certamente não a usou como critério na hora de despejar dinheiro sobre políticos e outras autoridades: esquerda, direita, centro e Centrão; Executivo, Legislativo e Judiciário – ninguém ficou de fora. Ainda que o esquema possa ter começado com algum grupo político específico (caso se confirmem, por exemplo, as suspeitas em relação ao Credcesta), em algum momento Vorcaro concluiu que era melhor cercar-se por todos os lados. E o Brasil tem o direito de saber toda a verdade sobre quem recebeu o quê do banqueiro, e quais contrapartidas eram esperadas.
A hora pede mais investigação, mais transparência, mais empenho. No entanto, uma das primeiras ações do governo na esteira da operação contra Jaques Wagner foi convocar delegados da PF cedidos a outros órgãos, o que deve tirar das investigações sobre o Master cerca de 30% dos delegados que apuram o escândalo – um deles seria Thiago Ferreira, lotado no gabinete de André Mendonça, onde cuida das investigações sobre o Master e sobre as fraudes no INSS. Interessados em abafar o caso Master há muitos; os que desejam a verdade precisam ser mais numerosos e mais incisivos, para que este não seja mais um exemplo de impunidade e de crime que compensa no Brasil.
PENINHA - DICA MUSICAL
TARGINO GONDIM
BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS
CÓDIGO
BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS
BLOQUEIO
DEU NO JORNAL
LÁ FORA
Repercutiu até na imprensa estrangeira a fala de Lula (PT) de que ele “não é esquerdista” e que “o mundo é do caminho do meio”.
“Lula surgiu do movimento sindical”, lembrou a agência de notícias Bloomberg.
* * *
Até a imprensa estrangeira está oficializando a condição de mentiroso do descondenado.
Seu talento de escondedor da verdade está brilhando internacionalmente.
DEU NO X
PLATÉIA DO HUMORISTA SE RINDO-SE
🚨AGORA – Lula diz que Neymar é o primeiro jogador home office convocado
Lula – “Quem é que o Brasil tem de bom agora?
Criança – “Neymar!”
Lula – “O Neymar não tá nem jogando, cara! Ouvi ontem que ele é o primeiro jogador convocado em home office do mundo” pic.twitter.com/Ag7p1rYVRI
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) June 19, 2026
CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
NORDESTE INDEPENDENTE
O povo feliz, com alma lavada e enxaguada, dançava na praia da Avenida da Paz, celebrando a Independência do Nordeste. A festa varou a noite, continuou por mais uma semana. No palco armado um vistoso pastoril cantava acenando para o povo.
De um lado, o cordão encarnado, uma coluna com sete pastoras, moças charmosas, bonitas com seus vestidos de chita, fantasias de saias rodadas. Do outro lado, o cordão azul, outras sete jovens, louras, morenas, mulatas, todas acenavam para o povo na praia com seus pequenos pandeiros fantasiados de fitas coloridas. Entre as duas colunas, entre os dois cordões, dançava a Diana de minissaia, dividida entre azul e encarnado. Atrás da Diana, ao fundo, o pastor, segurando um cajado feito bengala com uma estrela incrustada na ponta. Todos dançavam, todos sorriam, era Festa da Independência.
A primeira pastora do encarnado- a Mestra- era a guerreira Heloísa Helena; a Diana, que não tem partido a afinadíssima cantora Leureny Barbosa; e a Contra-Mestra, primeira pastora do cordão azul com seu saiote rodado, a valorosa Kátia Born. Elas pareciam ter vinte aninhos iguais às outras pastoras. Atrás da Diana dançava o pastor, pelos trejeitos afeminados reconheci Lolita, um famoso fresco do Recife que costumava dizer: “Quem não conhece Lolita, não conhece o Recife”. Cantavam a primeira jornada do pastoril:
Boa noite meus senhores todos; Boa noite senhoras também… Somos pastoras, pastorinhas belas, Que alegremente vamos a Belém…
E o povão, embaixo do palco, enlouquecia quando as pastoras rodavam levantando os saiotes coloridos, mostrando as pernas. Eram mulheres-meninas com suas bonitas e empinadas bundas cobertas apenas por uma minúscula calcinha. A moçada ia ao delírio, ajudada pelo artista, poeta Chico de Assis, animando ao microfone:
Viva o cordão encarnado! Viva o cordão azul! Viva a Independência!
Sem deixar de olhar para as pastoras o povão respondia: – VIVA!
Durante toda a noite apresentaram-se fandangos, folguedos, folias, coco de roda, baiana, caboclinho, reisado, nega da costa, chegança, guerreiro e outras danças populares nordestinas.
No Museu Théo Brandão acontecia um agitado e divertido baile de carnaval. A orquestra do maestro Elizaubo Wanderberg tocou durante toda noite. O povão se esbaldava se empolgava com as músicas, ia ao delírio quando a orquestra arrochava no frevo Vassourinhas. Afinal o dia foi despertando, a orquestra desceu à rua, deu algumas voltas na Avenida, puxando os foliões em direção à praia.
O povo dançava na extensa praia de areia branca, cantando música de Edécio Lopes: Subi a ladeira do Farol… Fiquei no mirante a olhar… Os raios dourados do sol… No azul imenso do mar… Olhei a cidade sorriso… E vi Maceió tão feliz… Mostrando tanta riqueza… Ao povo desse país
Continuavam os gritos: “Viva a Independência”. “Viva o Nordeste!”.
De repente os foliões entraram na água cristalina e morna naquela luminosa manhã. O mar de um esverdeado com matizes azuis, levemente dourado pelo sol da madrugada convidava ao mergulho. O povo de roupa e fantasia, lavava sua alma. A música continuou.
De repente emergiram das águas tranquilas, os Deuses do mar: Yemanjá, Netuno, o Príncipe Submarino e algumas belíssimas sereias com caras e rabos humanos, alegres pelo carnaval inesperado. Como no Olimpo deuses e homens se misturaram, caíram na folia. Deuses brasileiros, deuses nordestinos, Deuses da alegria e do amor. A festa da Independência do Nordeste durou uma semana.
De repente acordei-me. Triste com a realidade, percebi que tudo foi apenas um sonho, um feliz sonho sonhado.

