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O senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero

Na quinta-feira, dia 18, a Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, tendo como alvo principal o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, e pegou de surpresa até mesmo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que estava com o presidente Lula na França, para a reunião do G7 – Rodrigues, recorde-se, foi uma das autoridades que participaram de uma exclusiva degustação de uísque patrocinada por Daniel Vorcaro em Londres, em 2024.

Nos endereços do senador, a PF encontrou US$ 55 mil e € 33,5 mil (quase R$ 480 mil, na cotação atual). A decisão de Mendonça que autorizou a operação ainda menciona supostos pagamentos, voos em jatinhos de empresas ligadas a Vorcaro, e até mesmo um apartamento no valor de quase R$ 2,5 milhões em Salvador (BA). Em troca, o senador teria atuado em favor de medidas que ajudassem o Banco Master no Congresso, como a emenda apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI) que elevaria o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), além de uma proposta de ampliação do limite do crédito consignado, que beneficiaria a atuação do banco na Bahia para a operação de um produto conhecido como Credcesta – apontado como um dos “embriões” do esquema do Master.

Assim que a operação foi deflagrada, uma série de lideranças políticas importantes saiu em defesa de Wagner, caso do presidente nacional do PT, Edinho Silva (embora uma ala do partido defenda que o senador se afaste provisoriamente da liderança), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre – em quem o escândalo do Master também já respingou, no mínimo devido ao enorme investimento que a Amapá Previdência, à época comandada por um indicado do senador, fez no banco de Vorcaro. Lula, que já está de volta ao Brasil após a viagem à França, não mencionou o caso em seu primeiro discurso após a operação. Na Bahia, adversários de Wagner, também enroscados com o Banco Master, devem partir para um “pacto de silêncio” durante a campanha eleitoral que se aproxima.

O petista, no entanto, não é o único a ter detalhes de suas supostas relações com Vorcaro expostas nos últimos dias. Documentos cujo sigilo foi levantado por Mendonça apontam novos luxos que integravam o “tratamento privilegiado” e “diferenciado” dado a Ciro Nogueira; o banqueiro também pagou a viagem e a hospedagem do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para o “Gilmarpalooza”, em Lisboa; Motta confirmou a carona e o hotel de luxo, acrescentando que não via crime nisso – na verdade, ele não vê nem sequer um problema de ordem ética, mostrando como as bússolas morais em Brasília andam completamente desreguladas.

Ao contrário de alguns outros enormes escândalos de corrupção do passado, o caso do Master é bastante “ecumênico” na sua lista de envolvidos. Se é que Vorcaro tem alguma preferência político-partidária, ele certamente não a usou como critério na hora de despejar dinheiro sobre políticos e outras autoridades: esquerda, direita, centro e Centrão; Executivo, Legislativo e Judiciário – ninguém ficou de fora. Ainda que o esquema possa ter começado com algum grupo político específico (caso se confirmem, por exemplo, as suspeitas em relação ao Credcesta), em algum momento Vorcaro concluiu que era melhor cercar-se por todos os lados. E o Brasil tem o direito de saber toda a verdade sobre quem recebeu o quê do banqueiro, e quais contrapartidas eram esperadas.

A hora pede mais investigação, mais transparência, mais empenho. No entanto, uma das primeiras ações do governo na esteira da operação contra Jaques Wagner foi convocar delegados da PF cedidos a outros órgãos, o que deve tirar das investigações sobre o Master cerca de 30% dos delegados que apuram o escândalo – um deles seria Thiago Ferreira, lotado no gabinete de André Mendonça, onde cuida das investigações sobre o Master e sobre as fraudes no INSS. Interessados em abafar o caso Master há muitos; os que desejam a verdade precisam ser mais numerosos e mais incisivos, para que este não seja mais um exemplo de impunidade e de crime que compensa no Brasil.

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