DEU NO JORNAL

A MANDO

Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues respondeu ao STF sobre a suposta arapongagem contra o ministro André Mendonça.

Disse que enviou os relatórios a mando de Alexandre de Moraes.

* * *

Agiu corretamente: foi disciplinado e cumpriu a ordem do chefão.

Seguiu o regulamento.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CREPÚSCULO AMAZÔNICO

Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Mote deste colunista

Rio Madeira. Porto Velho-RO

Distante de João Pessoa
E morrendo de saudades,
Faço a ponte entre as cidades
Tendo por base esta loa.
Meu pensamento canoa
Pelo rio da emoção,
Ravel me vem em canção
E no Jacaré me vendo,
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Melchior SEZEFREDO Machado

Enfrentei um desafio
Que prometi a mim mesmo
Ir naquele lugar esmo
Na curva daquele rio
Lá faz calor e faz frio
Ele é uma imensidão
Encanta a região
Tudo lindo, fiquei vendo!
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Poeta Nascimento

Do meu quarto eu não vejo
Mesmo a janela aberta
Para mim é um alerta
Se tem luz é um lampejo
Como se fosse um gracejo
Guarda roupas é tampão
Logo da minha visão
Estou vendo e não estou vendo
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Cabal Abrantes

Por esta época do ano
O sol vai dormir mais cedo
Deixa no peito do aedo
Um sentimento cigano
De seguir o mesmo plano
Que Catulo da Paixão
Abraçado ao violão
Declamando e padecendo.
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Wellington Vicente

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O SISTEMA

Alguém disse que “o sistema muda para permanecer igual”. Se a gente for olhar o que está acontecendo atualmente no Brasil, vai entender que é exatamente assim que a coisa funciona. Bem antes das relações espúrias entre a família de Alexandre de Morais com o Banco Master, explodiu a relação Toffoli envolvendo um resort que era dos irmãos dele – até um padre entrou vivo nesse paraíso. Só depois de muita pressão ele admitiu que era sócio e resgatou a lei que diz que qualquer servidor público pode ser sócio de uma empresa, mas não administrador.

Havia mensagens de cobrança de pagamentos, por parte de Toffoli, sobre a venda do resort, inclusive a suspeita de que há R$ 35 milhões em paraísos fiscais que lhe beneficia. Toffoli viajou para Lima acompanhando de um advogado do Master, apenas ver um jogo da Libertadores. Enquanto quis, ele permaneceu na relatoria do caso e só depois de muita pressão, declarou-se impedido. Mudou o relator, mas não o retrato. Não há uma punição sequer imputada a nenhum desses pseudo-deuses.

No próximo dia 15 o plenário vai avaliar o caso de Alexandre de Morais e quem corre o risco de sair preso é André Mendonça. Há uma indignação generalizada no Brasil, mas algumas pessoas preferem acreditar em idiotices, em mentiras e ao invés de cobrar medidas austeras ficam fazendo comparações imbecis: “o que você acha de Ciro Nogueira ter recebido dinheiro do Vorcaro?”. Caramba, eu nunca passei pano para corrupção de ninguém. Mas, a pessoa que me pergunta isso é a mesma que acredita que o escândalo do INSS foi descoberto no governo Lula. Esquecem que no primeiro ano do governo, Carlos Lupi foi comunicado numa reunião que isso estava acontecendo. Esquecem que o congresso derrubou uma medida provisória do governo anterior que exigia identificação biométrica para autorizar os descontos em nome de entendidas sindicais.

O que se espera do julgamento do dia 15, portanto, vai muito além de saber se será ou não aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes. O plenário terá de enfrentar uma questão que atinge a própria credibilidade da Corte: o Supremo aceitará que fatos envolvendo um de seus integrantes sejam examinados com o mesmo rigor que costuma exigir quando julga qualquer outra autoridade? Fachin marcou uma sessão extraordinária, concentrou sob a Presidência a supervisão dos procedimentos envolvendo ministros e retirou de Moraes a condução do inquérito das fake news. São mudanças importantes. Mas a pergunta permanece: mudou-se o procedimento para que alguma coisa efetivamente mude ou para que, depois da tempestade, tudo possa voltar ao mesmo lugar?

A crise ficou ainda mais estranha porque Moraes pediu que o caso de André Mendonça também fosse levado ao plenário. O investigador passa a ser investigado, o investigado acusa o investigador e, no meio disso, a discussão sobre o Banco Master corre o risco de ser substituída por uma guerra interna do Supremo. É uma técnica conhecida do sistema político brasileiro: quando a pergunta é incômoda, multiplicam-se as perguntas; quando um personagem está acuado, colocam-se outros personagens no palco. No final, há tanta fumaça que ninguém mais consegue identificar onde começou o incêndio.

Por isso, o julgamento do dia 15 terá um significado institucional muito maior do que o destino pessoal de Moraes ou de Mendonça. Se o plenário autorizar uma apuração independente, com acesso integral às informações e sem escolher previamente quem deve ser protegido ou atingido, poderá ser o começo de uma resposta institucional. Se, ao contrário, a sessão se transformar numa disputa para decidir qual ministro tem mais força, o Supremo terá mudado a forma sem mudar o conteúdo. E o sistema terá feito exatamente aquilo que sabe fazer: reorganizar suas peças para preservar o tabuleiro.

O comportamento do governo também merece atenção. Nos primeiros momentos da crise, Lula evitou se afastar frontalmente do Supremo. Depois, passou a defender a divulgação das informações, criticou vazamentos seletivos e afirmou que, se Moraes ou Mendonça tiverem cometido irregularidades, devem pagar. Ao mesmo tempo, defendeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afastado cautelarmente por Mendonça e posteriormente mantido no cargo por decisão de Fachin. É uma posição que procura ocupar dois lugares ao mesmo tempo: apresentar-se como defensor da investigação e, simultaneamente, impedir que a crise destrua uma relação institucional que foi central para o governo nos últimos anos.

Há uma razão política evidente para essa cautela. Lula e o STF estiveram do mesmo lado em momentos decisivos recente e qualquer rompimento brusco, em plena campanha eleitoral, teria consequências imprevisíveis. Mas é justamente aí que surge a pergunta incômoda: até onde vai a relação institucional normal entre Poderes e em que ponto começa uma dependência política recíproca? Governo não pode depender de tribunal para sobreviver, assim como tribunal não pode depender de governo para preservar seus integrantes. Quando essas fronteiras ficam borradas, a separação entre os Poderes continua existindo no texto constitucional, mas começa a desaparecer na prática política.

Nesse contexto apareceu um episódio ainda mais grave. William Waack relatou em seu programa que teria chegado ao marqueteiro de Lula um recado atribuído a “um pedaço do Supremo”: o presidente não deveria se afastar do STF, porque parte do PT da Bahia estaria “na mão” da Corte e Lula governaria com a ajuda do Supremo. A afirmação é explosiva, mas precisa ser tratada pelo que efetivamente é até agora: um relato de bastidor porque não foi apresentado publicamente documento que comprove a mensagem, nem foi identificado de maneira verificável quem a teria enviado. Isso não diminui a necessidade de esclarecimento; ao contrário, aumenta. Se o recado não existiu, a gravidade da acusação exige desmentido e esclarecimento. Se existiu, estamos diante de algo incompatível com qualquer concepção saudável de independência entre os Poderes.

E aqui talvez esteja a melhor demonstração da frase que abre este texto. O sistema muda para permanecer igual porque ele aprendeu a administrar suas próprias crises. Sai um relator e entra outro. Retira-se um sigilo. Abre-se uma sessão extraordinária. Um ministro perde determinado inquérito, outro passa a ser questionado. O governo muda o discurso. Os partidos reposicionam suas alianças. Todo mundo parece estar se movimentando. Mas movimento não significa transformação.

Transformação seria estabelecer regras que valessem para todos. Seria discutir impedimento e suspeição de ministro do Supremo com critérios objetivos. Seria impedir que investigações envolvendo membros da própria Corte fossem administradas de maneira a produzir a impressão de julgamento entre colegas. Seria limitar decisões monocráticas em matérias capazes de alterar o funcionamento de outros Poderes. Seria estabelecer transparência sobre relações econômicas de ministros e de familiares quando possam produzir conflito de interesses. Seria permitir investigação sem que o investigador precise temer que, no dia seguinte, ele próprio se transforme no alvo principal.

É por isso que trocar pessoas talvez seja a mudança mais fácil e menos importante. O Brasil tem uma extraordinária capacidade de substituir personagens sem modificar os mecanismos que lhes deram poder. Ontem era um ministro, hoje é outro; ontem era um presidente do Senado, amanhã será outro; muda-se o partido no governo, mudam-se os discursos, mas permanece a lógica segundo a qual quem ocupa determinado espaço institucional passa a dispor de instrumentos capazes de proteger aliados, pressionar adversários ou simplesmente impedir que determinadas perguntas sejam respondidas.

A própria reação à crise do Master mostra esse mecanismo. Em vez de existir uma cobrança comum para que se abra tudo e se investigue todo mundo — direita, esquerda, governo, oposição, empresários, parlamentares ou ministros — cada grupo procura saber primeiro quem será atingido. Se o nome revelado é adversário, a investigação é prova definitiva de corrupção. Se é aliado, passa a ser vazamento seletivo, perseguição, narrativa ou falta de contexto. Corrupção deixou de ser um problema moral e institucional e virou instrumento de torcida organizada.

E isso explica por que a discussão sobre Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro, Jaques Wagner, Lula, Moraes, Mendonça ou qualquer outro nome não deveria servir para absolver ninguém. Se houve dinheiro, influência, favorecimento, tráfico de influência ou qualquer relação ilícita, investigue-se. O erro de um não inocenta o erro do outro. Essa lógica infantil do “mas o outro também fez” talvez seja uma das engrenagens mais eficientes de preservação do sistema, porque transforma a fiscalização do poder numa disputa de torcidas e garante que cada corrupto encontre alguém disposto a defendê-lo.

A expectativa para o dia 15 deveria ser muito simples: que o Supremo faça consigo aquilo que exige dos outros. Que não escolha antecipadamente culpados e inocentes. Que não transforme divergência entre ministros em instrumento para impedir a apuração dos fatos. Que permita conhecer a extensão das relações de Vorcaro com agentes públicos, independentemente do partido, do cargo ou da toga. E, sobretudo, que ninguém seja protegido porque sua queda seria inconveniente para o governo, para a oposição, para o Senado ou para o próprio tribunal.

Talvez seja exatamente esse o teste que o sistema brasileiro quase nunca consegue superar. Quando a crise chega perto demais do centro do poder, surge uma grande operação de rearrumação. Mudam-se nomes, discursos, procedimentos e alianças. Produz-se a sensação de que as instituições reagiram. Passado algum tempo, entretanto, percebe-se que os mesmos mecanismos de proteção continuam funcionando. É a mudança necessária para impedir a mudança verdadeira.

O caso Master ainda está longe do fim. Pode atingir gente de todos os lados e provavelmente continuará produzindo fatos novos. Melhor assim. Que apareçam todos. O que não pode acontecer é escolher antecipadamente quem merece investigação de acordo com a conveniência eleitoral ou ideológica de cada um. Se queremos realmente sair do fundo do poço institucional, a regra precisa ser uma só: abriu para um, abre para todos; investigou um, investiga todos; comprovou, pune. Sem toga, partido, sobrenome ou cargo capaz de servir de escudo.

Caso contrário, depois de toda essa confusão, Fachin terá reorganizado o Supremo, o governo terá reorganizado o discurso, o Congresso terá reorganizado seus interesses e cada grupo político terá reorganizado sua narrativa. Parecerá que muita coisa mudou. E talvez seja justamente esse o objetivo. Porque, no Brasil, o sistema parece ter desenvolvido uma habilidade extraordinária: mudar tudo aquilo que for necessário para que, no final, permaneça exatamente igual.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O SINCERICÍDIO DE GABRIELLI SOBRE OS RUMOS QUE LULA DESEJA PARA A ECONOMIA

Editorial Gazeta do Povo

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José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, disse que é “fake news” falar em crise fiscal

José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, é uma figura em uma posição curiosíssima: é o coordenador do programa de governo da campanha de Lula à reeleição, mas está desautorizado a falar sobre um dos principais temas da campanha, a economia – tarefa que foi delegada ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, no que é praticamente um desvio de função. Felizmente, no entanto, Gabrielli nem sempre se segura e comete alguns sincericídios que dão pistas muito concretas sobre para onde Lula quer conduzir a economia brasileira, caso seja reeleito. E mostra que, apesar das promessas de Durigan ao mercado financeiro, o petismo não abandonará tão cedo seu característico terraplanismo econômico.

Em entrevista à Folha de S.Paulo no fim de agosto, Gabrielli afirmou que “não existe uma questão fiscal, ou uma crise fiscal. É meio fake news isso. Não há nenhum motivo para pânico”. No mesmo dia da entrevista, o Banco Central informava que a dívida pública havia chegado a 82,5% do PIB, número muito acima da média latino-americana e dos países emergentes, e o maior valor da série histórica descontando-se a época da pandemia de Covid-19. Além disso, as contas públicas seguem registrando sucessivos rombos – a meta fiscal só será cumprida porque várias despesas estão excluídas do cálculo, fazendo do déficit primário oficial uma ficção que o mercado financeiro já desconsidera.

Mesmo os dois indicadores que Gabrielli cita em sua defesa – a inflação e o desemprego – também tem uma explicação que não ajuda o governo. O IPCA, por exemplo, só está desacelerando graças ao Banco Central e sua política monetária contracionista, necessária para se contrapor à gastança do governo; e a deflação de agosto se explica pelo “bônus de Itaipu”, que baixa os preços da energia elétrica de forma excepcional. Quanto ao mercado de trabalho, ele tem se beneficiado da estratégia petista de manter a economia artificialmente superaquecida, e a experiência de crises anteriores também mostra que o desemprego costuma ser o último indicador a se deteriorar em épocas de recessão – e o último a se recuperar totalmente quando a economia volta a crescer.

Essa negação da realidade não é exclusividade do coordenador da campanha lulista. Quase um ano atrás, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmava que a menção a uma crise fiscal “é um delírio que eu preciso entender do ponto de vista psicológico, porque, do ponto de vista econômico, eu não consigo entender”. Até mesmo Durigan, apresentado como a face “fiscalmente responsável” da campanha, já afirmou em entrevista que a culpa dos atuais juros altos não é do Ministério da Fazenda ou da política econômica gastadora de Lula, afirmando que “o debate fiscal importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil” – de fato é a resposta fácil, mas apenas porque é a resposta escandalosamente correta.

Gabrielli, obviamente, não se autoproclamou coordenador do programa de governo lulista contra a vontade do presidente; se está onde está, pensando da forma como pensa, é porque Lula o quis nesta posição. E isso é tudo o que precisamos saber sobre como Lula planeja conduzir a economia caso seja reeleito, por mais que Durigan ou algum marqueteiro tente apagar os incêndios causados pelo sincericídio de Gabrielli, afirmando que ele não fala em nome de Lula, ou fazendo promessas de ajuste fiscal que não convencem mais ninguém. O próprio presidente, recorde-se, fugiu de uma pergunta direta sobre a política fiscal em entrevista ao Jornal Nacional, preferindo criticar a apresentadora Renata Vasconcellos. Não há como enxergar boas perspectivas para a economia em um eventual Lula 4.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

REFLEXÕES SETEMBRINAS

Tudo tem uma história e um lugar de produção. Para quem pretende tornar-se cristãmente um pouco mais cidadão, recomendo duas oportuníssimas leituras. A primeira – Santo Domingo, Conclusões da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano,1992, é uma edição didática elaborada pelo teólogo jesuíta João Batista Libânio, de quem fui aluno, um dia. A segunda, para se obter uma visão atualizada da vida cristã, reúne quatro volumes num só, tomando o título de Catecismo Popular. Seu autor, Frei Betto, transmite os fundamentos da doutrina cristã descolorida, de acordo com as mais recentes análises teológicas. Sem preconceitos, sem receio dos medos e dos mitos que ainda povoam as cabeças de inúmeros leigos ingênuos, alguns religiosos e até bispos e cardeais oitentões, o Frei Betto busca enfatizar as raízes bíblicas da nossa fé e sua dimensão ecumênica, sem nostalgias vitimistas.

O prefácio do Libânio, além de conter um histórico completo acerca das fases preparatórias que antecederam a IV Conferência, aponta para alguns silêncios acontecidos. O mais importante deles: o total desaparecimento da palavra libertação, do ideário dominante a partir de Medellin. As Comunidades Eclesiais de Base também não merecem uma maior atenção, apenas sendo simplesmente mencionadas como uma das inúmeras formas de realização da comunhão na Igreja. As análises da realidade estiveram ausentes no documento de Santo Domingo. E elas são fundamentais na obtenção de um mais acurado ajuizamento acerca das etapas de construção do Reino. Quando especialistas de milhares de outras instituições estão debruçados sobre as “tendências globais” de hoje, nas primeiras décadas de um novo milênio, a exigir mais disposição fraterna para um diálogo franco além dos formais cumprimentos.

A leitura do Catecismo Popular do Frei Betto pode se caracterizar como um reencontro com a mensagem do Senhor, numa linguagem acessível, sem prejuízo algum da profundidade teológica. Em oitenta e seis capítulos curtos, Frei Betto esclarece, ilustra com citações balizadoras, oferecendo à inteligência humana as razões de nossa esperança, como recomendou Pedro em sua Primeira Carta (3,15). Creio que os trabalhos de Libânio e Betto se interconectam. Um analisa o cotidiano do ser cristão, à luz do Evangelho do Senhor Jesus. O outro reproduz as linhas mestras de uma Igreja Latino-americana, que necessita revitalizar-se através dos seus leigos mais comprometidos com as urgentes novas estruturas sociais, desafiadoras por excelência até por instinto de sobrevivência de todos.

Nós, leigos, urgentemente necessitamos entender mais efetivamente as mensagens do Senhor da História. O documento de Santo Domingo é incisivo: “A persistência de certa mentalidade clerical nos numerosos agentes de pastoral, clérigos e inclusive leigos (cf. Puebla,784), a dedicação preferencial de muitos leigos a tarefas intra-eclesiais e uma deficiente formação privam-nos de dar respostas eficazes aos atuais desafios da sociedade”. Para todo cristão, mormente para os mais jovens, os que ultrapassarão em pleno vigor as décadas do Século XXI, ser potencialmente cristão será historicamente fundamental. Para ele e para todo os seus derredores. E para todas as demais regiões do Brasil e da América Latina. Para que Deus seja tudo em todos (1Cor 15,28).

PENINHA - DICA MUSICAL

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