COMENTÁRIO DO LEITOR

NO TEMPO DOS BONDES

Comentário sobre a postagem LARGO DA PAZ, DE ONTEM

DECO:

Eu sou do tempo dos bondes na minha cidade natal Juiz de Fora-MG.

Ontem, num filme na TV, tive ótimas recordações vendo os bondes percorrendo avenidas em São Francisco-EUA.

Isto porque, como todo jovem, gostava de viajar pendurado no estribo dos bondes, tal e qual na foto desde ótimo artigo.

Os bondes elétricos, que foram instalados, e circulavam por vários bairros, em Juiz de Fora, circularam de 1906 a 1969, quando foram retirados de circulação.

Infelizmente, não deixaram nenhuma linha como histórica e para o turismo, como existem nos EUA e em outras partes do mundo, como Portugal.

Pois é, Recife também poderia ter uma linha de bondes funcionando normalmente.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

VAI UM CAFEZINHO AÍ?!

Etíope na colheita do café

O café é uma bebida preparada a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro. Tradicionalmente consumido quente, também servido gelado. A bebida contém cafeína, substância com efeito estimulante, cuja concentração varia conforme o método de preparo, situando-se geralmente entre 80 e 140 mg por cerca de 207 ml.

Estudos epidemiológicos sugerem que o consumo moderado de café pode estar associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, embora os resultados variem conforme a metodologia e a população analisada. O Dia Mundial do Café é celebrado em 13 de abril.

O café é originário das terras altas da Etiópia, em um local chamado Kaffa. Porém, a palavra “café” não é originária de Kaffa, e sim da palavra árabe qahwa, que significa “vinho”. Por esse motivo, o café era conhecido como “vinho da Arábia” quando chegou à Europa no Século XIV.

Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que seus carneiros ficavam saltitantes e conseguiam percorrer longas distâncias ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava.

Parece que as tribos africanas, que conheciam o café desde a Antiguidade, moíam seus grãos e faziam uma pasta utilizada para alimentar os animais e aumentar as forças dos guerreiros. Seu cultivo se estendeu primeiro na Arábia, onde os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Iêmen. Até então, era comum o consumo da fruta in natura. O conhecimento dos efeitos do café disseminaram-se e no século XVI o café foi levado a península Arábica, sendo torrado para se transformar em bebida pela primeira vez na Pérsia. Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue. Enquanto na língua turco otomana era conhecido como kahve, cujo significado original também era “vinho”. A classificação Coffea arabica foi dada pelo naturalista Lineu.

O café, no entanto, teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. No entanto, logo o café venceu essas resistências e até os doutores muçulmanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época.

No Brasil, o estado de Minas Gerais destaca-se como o principal produtor nacional, com cerca de 26,6 milhões de sacas, correspondendo a mais de 50% da produção brasileira e aproximadamente 17% da produção mundial.

O município de Patrocínio, em Minas Gerais, saltou três posições e assumiu a liderança no ranking de produtores do grão. Em 2012, a safra de café atingiu 64.789 toneladas naquele município (2,1% do total nacional). As informações são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Café em sacos

O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida como café com leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se enfraqueceram politicamente com a Revolução de 1930.

Uma cronologia do café no Vale do Paraíba Paulista seria a seguinte:

· fins do século XVIII – exportação insignificante por Santos

· 1790 – primeiras plantações em Areias

· 1797 – 100 sacos de café exportados por Santos

· 1801 – exportação de 34 sacas

· 1803 – irradiação dos cafezais em direção a Parnaíba

· 1807 – exportação de 316 sacas

· 1822 – pequenos cafezais em Cachoeira, Taubaté, Guaratinguetá

· 1822 – em Jacareí, se plantava em larga escala

· 1822 – em Taubaté, todos abandonavam a cana de açúcar para investir em café

· 1822 – de Lorena até Bananal, apareciam os primeiros barões do café

O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias, e, depois embarcado nos trens e enviado ao Porto de Santos, através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.

Consumo

Os maiores consumidores de café per capita do mundo encontram-se no Norte da Europa, mais concretamente nos países nórdicos. A Finlândia é o atual líder do ranking com 3 a 4 xícaras de café por dia, o que equivale a aproximadamente 5,8kg ao ano, seguida de perto pela Noruega e pela Suécia. Esse consumo elevado dos finlandeses, justifica-se porque esse país, localizado no norte da Europa, possui temperaturas de extremo frio no inverno, ou seja, suas condições climáticas contribuem para a necessidade de consumo da bebida, consumido quente.

Apesar do Brasil ser um dos países a produzir mais café no mundo, estando em primeiro lugar no ranking, os brasileiros não consomem tanto café, visto ao que produzem. Com o cafezinho incluído tradicionalmente na cultura brasileira, atualmente o Brasil é o 14º país que mais consome café por habitante do mundo. (Informações compiladas do Wikipédia)

Grãos de café após secagem prontos para torrar

Independentemente da origem, da produção e do consumo, o café ganhou “status” brasileiro. Empresas brasileiras se dignam a observar “a hora do café” para seus funcionários. Normalmente um intervalo de 15 minutos. Era assim, quando trabalhei no Rio de Janeiro. Não sei se a prática seguiu moda Brasil à fora.

Rapadura garante um café mais gostoso

Conheci café através de uma velha que não nasceu na Etiópia. Nasceu dos índios Paiakus. Adulta e casada, sempre “mandava” (era, era assim mesmo: mandava) meu Avô comprar fumo de rolo na bodega que não ficava tão próximo, e “pedia” (agora, ela pedia mesmo) para Vovô comprar, além da pinga para tomar antes do banho, rapadura e uma quarta (250 gramas) de grãos de café. Àquelas 250 gramas ela adicionava mangirioba e torrava tudo num tacho, sem esquecer de transformar a rapadura em melado que adicionava aos grãos torrados.

Depois, punha à secar o café torrado.

A etapa seguinte era levar ao pilão, e pilar. Peneirava numa arupemba e, os pedaços que ficavam eram passados pelo moinho manual de mesa.

Aquele café era muito gostoso!

E eu nem desconfiava, naquele tempo, que os grãos eram originários da Etiópia, mas multiplicados nos sertões de Minas Gerais.

Era um pó de café tão forte e gostoso, que ela “passava” duas vezes. Fervia água numa lata dependurada numa vara sobre o fogão, e adicionava nacos de rapadura. Coava num saco velho e levava ao bule. A mesa ainda era composta com leite de cabra, batata doce cozida e beiju de farinha com nacos de coco.

Tacho usado para torrar grãos de café

Muito mais que selar o jumento, e se deslocar até a bodega para comprar fumo de rolo, pinga rapadura e grãos de café, Vovô tinha a “obrigação” de colocar o machado no ombro e sair na mata cassando uma árvore cujo tronco servisse para fazer um pilão.

E, convenhamos, um pilão não é feito de uma noite para o outro dia. É trabalho! A peça mais fácil é a “mão-de-pilão”, que pode ter uma ou duas cabeças. E essas cabeças são feitas, via de regra, nas tardes de domingo depois da madorna do almoço.

Pilar café é um serviço que requer perícia. Café é caro. Durante o pilar, perder café que encha uma colher, é prejuízo. O pilão também pila milho torrado para fazer fubá, milho cru para fazer xerém para os pintos e massa para fazer cuscuz. Além de pilar arroz para retirar as cascas.

Esse tipo de trabalho ainda hoje é mantido em alguns povoados municipais.

Café sendo “pilado” no pilão

Durante muito tempo, nas capitais e cidades grandes, era fácil beber um cafezinho. Os fumantes adoravam acender um cigarro após o café vendido nos balcões. Hoje, mesmo com o Brasil dominando o ranking do consumo, aquele cafezinho numa xícara pequena desapareceu.

Agora, só se bebe café nos shoppings. Café expresso, diga-se.

Nesses shoppings, o café expresso é sempre degustado em rodas e conversas entre amigos.

O que mais assusta aos mais antigos, é a quantidade de cafés isso, cafés aquilo.

Mas, a cultura que faz o Brasil dominar o ranking do consumo desse produto etíope, continua sendo o café matinal de todo dia. Às vezes, um “café da manhã” está repleto de frutas, yogurts, sucos e o que menos se vê é o café.

Por falar nisso, aceita tomar um café comigo?

Minha Avó em voz alta diria: “o café tá botado”!

O nosso famoso cafezinho

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Maria Boa

Maria Oliveira Barros nasceu em Remígio, PB, em 24/6/1920. Empreendedora bem-sucedida dona de um cabaré, em Natal, RN, na década de 1940 e seguintes. Um luxuoso prostíbulo com apresentações musicais, teatro de revista e encontros casuais. No início sua clientela era constituída principalmente por soldados norte-americanos, instalados na base de Natal, durante a II Guerra Mundial. Teve seu nome gravado numa aeronave da FAB-Força Aérea Brasileira.

Na adolescência ajudava o pai numa banca da feira de Campina Grande e ganhou o apelido de Maria Boa, devido a gentileza com os fregueses e, também, aos belos atributos físicos. Era uma moça bonita, que chamava à atenção com seus cabelos pretos e longos. O apelido não agradou o pai, mas encantou os rapazes que passavam na barraca só pra vê-la. Ela acabou engraçando-se por um deles, que tirou-lhe a virgindade. O pai exigiu o casamento como reparação, mas o rapaz recusou. Ela se viu abandonada pelo namorado e pelo pai, que a expulsou de casa.

A mãe sentiu muito o desfecho da tragédia, mas não pode fazer nada e teve que aceitar a decisão do marido seguindo o padrão exigido pela sociedade local naquela época. A família não podia manter sob o mesmo teto uma filha sem honra. Era este era o costume. A partir daí, ela sentiu-se estranha e indesejável na cidade e foi tentar uma nova vida na capital João Pessoa, em meados de 1935. Arrumou emprego numa tipografia como secretária. Pouco depois conheceu um político; namoraram; brigaram e ela foi ameaçada de morte. Em pouco tempo passou a ganhar a vida como prostituta em algumas cidades da Paraíba até chegar em Natal.

Segundo relata o jornalista Luiz Henrique Gomes, há uma controvérsia entre os cronistas sobre o modo como chegou em Natal. Diz-se que ela já trabalhava num bordel, quando Madame Georgina, dona da Boate Estrela, soube que em Campina Grande havia uma bela jovem que acabara de cair na vida. Foi até lá e trouxe-a para sua Boate. Outra versão conta que ela chegou em Natal, em julho de 1942, aos 22 anos. “Sem eira nem beira”, porém bonita e atraente, logo encontrou emprego na Boate Estrela, onde foi bem recebida por Madame Georgina, que não poupou nos vestidos e joias, nem nas músicas para apresentá-la à sua clientela. Logo encontrou um alto funcionário público, com quem manteve relacionamento e engravidou. Ao saber da gravidez, o namorado não gostou e acabou o namoro. Ela abortou, ficou impossibilitada de procriar e abalada com a situação, afastou-se do Cabaré.

Em seguida trabalhou em algumas “casa de drink” e tinha como característica o respeito e educação. Era reservada, não tolerava gaiatices e tratava os clientes com cortesia. Levava seu trabalho a sério e era respeitada pelas colegas. Por esta época os soldados norte-americanos se instalaram em Natal, causando uma mudança urbana na capital potiguar. Em 1943, a cidade com 40 mil habitantes fervilhava com a chegada dos 15 mil militares americanos, que trouxeram o cinema de Hollywood, cigarros com filtro, coca-cola e os bailes na base militar alimentando fantasias de progresso material. Foi aí que ela aguçou o tino empreendedor. Percebeu que a cidade não dispunha de um lugar onde os homens pudessem se divertir. Em parceria com um amigo, alugou um casarão e montou seu negócio. Além dos soldados norte-americanos, a casa era frequentada pelos homens da alta sociedade e, assim, prosperou, rapidamente.

O Cabaré tornou-se um lugar conhecido não só pela prostituição. Mantinha uma boa cozinha e dizem que lá foi o primeiro lugar a servir o galeto assado, quando só existia o frango caipira cozido. Em pouco tempo reuniu um time de garotas bonitas dos estados vizinhos e fez com que sua Boate se tornasse uma referência no turismo da cidade e ponto de encontro dos empresários, fazendeiros e políticos da região. O serviço era impecável naquele ambiente, digamos, do pecado. Cuidava da saúde das moças e exigia algum recato na recepção e trato com os clientes. Foi neste ambiente que Maria Boa reinou com seu Cabaré.

Sua fama chegou também aos militares da aeronáutica brasileira. Os aviões B-25 eram identificados com variadas cores, conforme o local da base aérea. Na Base de Natal, além das cores foi acrescido desenhos artísticos de mulheres em trajes de praia, ao lado esquerdo da fuselagem. Na aeronave 5079 foi aplicado o desenho e o nome de Maria Boa. Alguns tenentes levaram-na até o hangar dos B-25 para lhe mostrar a homenagem prestada, deixando-a comovida.

Com o tempo adquiriu a sobriedade de uma madame. Não gostava de ser fotografada nem dava entrevistas, talvez para proteger sua família. Adotou duas crianças e manteve-as em boas escolas. Ajudou a pagar os estudos das primas e sobrinhos e fazia questão que todos tivessem uma formação diferente da sua. Chegou a ajudar inúmeras famílias carentes e as mães de suas funcionárias. Enfim, o nome Maria Boa fez justiça ao nome e tornou-se uma mulher respeitada e admirada em Natal. Em 1997, aos 77 anos, tinha problemas cardíacos e passou por uma cirurgia de alto risco. Pouco depois teve um AVC e faleceu em 22/7/1997. No dia seguinte o Diário de Natal estampou a manchete: “Morre a Dama das Camélias”.

DEU NO JORNAL

ACORDO DE “CÉU ÚNICO” TEM TUDO PARA SER IMPULSO AO TRANSPORTE AÉREO

Editorial Gazeta do Povo

acordo ceus abertos céu único

Movimentação no aeroporto de Guarulhos: Brasil, Argentina, Chile e Paraguai assinaram acordo que prevê céus abertos no futuro

No Brasil, o transporte aéreo é um dos modais que estão muito aquém do seu potencial, seja pela quantidade de empresas e rotas oferecidas, seja pela infraestrutura aeroportuária, especialmente na aviação regional. Em alguns casos, políticas públicas para o setor tiveram bons resultados, como na maioria das concessões de aeroportos, especialmente na modelagem adotada a partir de 2017; outros programas não passaram de populismo barato – o Voa Brasil, que prometia passagens a R$ 200, não entregou nem 5% do previsto, segundo um levantamento do jornal O Estado de S.Paulo feito no início deste ano. Agora, um acordo entre países sul-americanos abre portas para um possível aumento na oferta não apenas no Brasil, mas em toda a região.

O Brasil assinou um memorando de entendimento com Argentina, Chile e Paraguai para estabelecer um acordo de Liberalização Aérea para o Desenvolvimento do Céu Único Sul-Americano (Alas). As quatro nações, agora, terão um ano para estabelecer regras comuns para o transporte aéreo – por exemplo, na certificação de aeronaves e normas de segurança –, com o objetivo final de criar uma política de céus abertos, em que companhias aéreas de um país têm liberdade para operar rotas que não envolvam origem ou destino no país dessa empresa.

Em uma primeira etapa, o transporte aéreo entre cidades de um país por uma empresa de outro país só poderá ocorrer como parte de uma rota internacional – por exemplo, uma empresa argentina poderá vender passagens entre São Paulo e Salvador, se o trecho fizer parte de um voo proveniente de Buenos Aires; da mesma forma, uma empresa brasileira poderia vender passagens entre Buenos Aires e Bariloche, desde que a rota tenha começado no Brasil. Posteriormente, as empresas teriam a liberdade de oferecer trechos desvinculados de seu país de origem – uma companhia brasileira poderia operar trechos domésticos na Argentina, ou entre Assunção e Santiago, por exemplo, sem que a rota envolvesse qualquer cidade brasileira.

Nada disso é novidade – trata-se de implementar em sua totalidade as chamadas “liberdades do ar”, e que já são praticadas em outras regiões, especialmente a Europa, onde a União Europeia abriu o mercado de aviação há mais de 20 anos. A liberalização levou ao aumento da oferta de rotas diretas entre destinos europeus – algo que seria muito bem-vindo no caso brasileiro, onde frequentemente é preciso fazer conexões em grandes hubs como Congonhas, Viracopos ou Brasília – e o aumento da concorrência ajudou a baixar preços.

No entanto, ninguém deve esperar mudanças significativas no curto prazo. Primeiro, porque será preciso harmonizar regulamentações de quatro países; segundo, porque ao menos no Brasil há muitos outros entraves à maior oferta de rotas aéreas. Questões tributárias, trabalhistas e a alta judicialização dificultam a entrada de novos players e atrapalham a vida dos que estão no mercado. O ambiente regulatório brasileiro, por exemplo, é especialmente hostil ao modelo das empresas low cost, conhecidas por venderem passagens baratas enquanto cobram separadamente por todo o resto, e que são parte importante do sucesso dos céus abertos europeus.

Destravar o potencial do transporte aéreo brasileiro é importante também para fomentar o turismo, já que o Brasil ainda recebe pouquíssimos visitantes internacionais para uma nação com tantas belezas naturais e atrativos culturais e arquitetônicos. As regras europeias, por exemplo, permitiram o estabelecimento de inúmeras rotas aéreas sazonais para destinos de férias, sem falar do estímulo ao uso de aeroportos menores em centros regionais. O Brasil tem de fazer sua parte não apenas no acordo Alas, mas também removendo todos os outros obstáculos que atrapalham a expansão do transporte aéreo.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

NOTAS SILVÍNICAS

No feriado de 16 de julho último no Recife, dia consagrado à Nossa Senhora do Carmo, encontro o João Silvino da Conceição num supermercado olindense. Papo vai e papo vem, pergunto ao sempre companheiro como vão suas anotações sobre os últimos perrengues da vida contemporânea. E ele me mostrou seu caderno 80 folhas, com suas últimas notas. Com a devida licença dele, transcrevo abaixo algumas delas:

1. No Brasil atual, há idades que promovem o todo nacional e idades que o colocam em situações vexatórias. Eis as que estão mais em destaque:

Idades positivas: espiritualidade, honestidade, fraternidade, capacidade, sinceridade, criticidade, fidelidade, profissionalidade, civilidade, solidariedade e humanidade.

Idades negativas: falsidade, criminalidade, imbecilidade, passividade, morosidade, futilidade, mediocridade, impunidade, agressividade e insalubridade.

2. Como eu gostaria de ver o José Múcio Monteiro, atual Ministro da Defesa do Brasil, eleito Governador de Pernambuco. Uma personalidade de excelente formação moral, capacidade estratégica e postura dialogal, que muito bem integraria Pernambuco num Desenvolvimento Regional dinâmico e sem sectarismos.

3. Que o próximo Dia dos Pais seja comemorado com bons livros presenteados, favorecendo um ambiente com mais sentimento humanístico, nulamente celulárico, sem solidariedade, individualistas e egolátrico.

4. Que neste ano eleitoral, os votantes brasileiros compareçam às urnas com a consciência ciente da reflexão feita pelo notável sociólogo Karl Mannheim: “Toda nossa tradição educacional e nosso sistema de valores ainda estão adaptados às necessidades de um mundo paroquial e no entanto espantamo-nos porque as pessoas se saem mal quando têm de agir num plano mais amplo.”

5. Os feminicídios só terão seus percentuais próximos de um mínimo, quando a pena de castração física integral for aplicada aos condenados em última instância, juntamente com uma pena de longa duração em regime radicalmente fechado e sem saidinhas beneficentes.

6. Sem mais torcer para qualquer clube de futebol pernambucano, torço pela rápida recuperação da saúde do Ralph de Carvalho, cujos comentários inteligentes e oportunos são por mim assistidos na resenha esportiva da Rádio JC das 13hotas, de segunda à sexta-feira.

7. Para os apenas modernosos, uma reflexão do nem sempre devidamente lembrado notável Gilberto Freyre mereceria mais atenção: “O moderno apenas moderno e efêmero e o eruditamente clássico nunca é perfeição definitiva, sempre exigindo sempre sucessivas.” Saibamos sempre bem diferenciar o moderno evolucionário do modernoso nunca convincente.

8. O sistema de governo brasileiro deveria ser parlamentarista, com 1/3 das atuais agremiações partidárias, com um Congresso Nacional reduzido de ¼, sem reeleição para presidente, governador e prefeito, com os ministros dos Tribunais Superiores com mandatos definidos e renovados apenas uma vez, os municípios sem sustentabilidade orçamentária com câmaras de vereadores sem qualquer tipo de remuneração.

9. O sábio Confúcio, hoje muito pouco estudo pelos que acham executivos tampa-de-foguete, enumerava as cinco falhas de caráter que podem levar ao fracasso: a negligência, a timidez, a emoção, o egoismo e a excessiva preocupação com a popularidade. E ele acreditava que toda boa liderança era consequência de seis características: autodisciplina, determinação, responsabilidade, conhecimento atualizado e exemplo.

10. Todo executivo, público ou particular, deveria observar, nas suas áreas de mando, quatro situações: a manifesta, a suposta, a existente e a que deveria ser. No mais, sempre seguir adiante, ouvindo e dialogando, com serenidade e resiliência, sempre percebendo-se um inconcluso.

Abracei o Silvino com um orgulho gigante, lamentando a existência de tão poucos no cenário pátrio.

PENINHA - DICA MUSICAL

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