MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

BOLSA FAMÍLIA

Li alguns comentários sobre o Nordeste, aqui no JBF, onde havia referências ao bolsa família, a região sul etc. Sem dúvida nenhuma, falo como pesquisador/economista/professor, os dados do governo mostram que na região Nordeste, o número de beneficiários do bolsa família superam a quantidade de empregos formais. Eu estava com uma proposta de orientação de uma dissertação sobre o bolsa família, mas a mestranda desistiu de minha orientação (diga-se: a primeira em minha vida como professor, que alguém desistiu dos meus conhecimentos). Caso essa dissertação tivesse sido encaminhada, teríamos um trabalho coeso, isento de paixões políticas e de doutrinação e com resultados importantes.

Eu acreditei muito nessa proposta e depositava as esperanças numa análise econômica considerando os efeitos sobre o consumo, o impacto na previdência e a contribuição para o crescimento econômico, não apenas da região, mas no país. Na minha cabeça, eu tinha alguns modelos que poderiam ser testados, mas infelizmente ficou esse vazio em minha trajetória.

Eu concordo com um comentário de que o nordestino não recebe bolsa família por preguiça, mas entendo que existe uma leniência muito grande em se sentir agradecido e dar votos os canalhas que usam de recursos dessa natureza para manter a pobreza. Concordo com a lógica de que o beneficiário prefere a econômica informal (a dissertação ia tratar disso também). Eu imaginei que com essa orientação, era possível testar algumas boas hipóteses. O mercado produtivo nordestino tem uma característica diferente do que temos no Sul e Sudeste. Aqui prevalece mais agricultura, comércio e serviços, enquanto no Sudeste e no Sul, há uma tendência maior de indústria e uso exaustivo de tecnologia, que é um produto fantástico. Imagine, por exemplo: quantos caminhões de banana teriam que ser vendidos para se comprar uma iphone 17 (R$ 6.000,00)?

No Sul ou Sudeste, sai de um emprego, ele busca outro na mesma atividade. No Nordeste ou Norte, a coisa fica em torno das atividades comerciais, prestação de serviços ou o próprio setor público. O estado do Maranhão é o maior descalabro em termos do uso nefasto dessa política: lá, para cada um emprego formal, tem dois beneficiários do bolsa família. O estado apresenta os piores indicadores sociais do país.

Em 2017, eu publiquei um artigo sobre os financiamentos do BNDES na região Nordeste entre 2002 e 2017 (quem tiver interesse pode consultar através do link Revista Paranaense). Esse artigo mostra que do total de financiamentos realizados 73% são destinados ao setor de comércio e serviços, aqui considerando-se aquilo que a gente chama de indústria do turismo que tem alta empregabilidade e uma cadeia produtiva interessante porque envolve transporte, lazer, restaurantes etc.

Não dá para comparar com o que acontece no Sul ou Sudeste. O estado de Pernambuco, o velho Leão do Norte, era a maior economia do Nordeste. Na região metropolitana do Recife, haviam três grandes parques industriais: ao norte, Paulista; ao oeste, o bairro do Curado, na entrada da cidade pela BR 232 e ao sul, o bairro de Prazeres (Jaboatão dos Guararapes) e Cabo de Santo Agostinho. As indústrias que constituíam estes parques eram do porte da Phillips, Tintas Coral, Pirelli, Hering, Aço Norte Gerdau.

O que havia em comum com estas indústrias? Todas elas receberam incentivos fiscais da SUDENE por um período de 30 anos, algo como um desconto nos impostos sobre produção da ordem de 75%. Em termos de benefício, era fantástico produzir aqui e escoar a produção para vender pelo preço do mercado no Sudeste. Daí, 30 anos passaram rápido e estas empresas fecharam suas portas. O custo de produção mais a colocação do produto no mercado ficou sem competição econômica.

Não tem como a gente desenvolver o país sem levar em conta as diferenças regionais. Pegue dados do Tesouro Nacional, e veja que estados da região sul arrecadaram, em 2025, mais do que a soma da arrecadação dos estados nordestinos. Só Santa Catarina arrecadou mais do que Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte, juntos. Mas, isso não é apenas pela empregabilidade da mão de obra ou pela baixa adesão ao bolsa família (em Santa Catarina, por exemplo, a relação entre beneficiários do bolsa família e empregos formais é 0,64, a mais baixa do país).

O ponto principal é o tipo de produto que produzido. A região tem forte atuação no plantio de soja que é uma comodity, que é valorada na bolsa de futuros. A região tem um desenvolvimento tecnológico e, como disse lá em cima, tecnologia é valor de mercado.

Eu acredito que a orientação política e a herança do coronelismo, dos feudos, gera esse comportamento de carência no Nordeste. Aqui em Pernambuco, por exemplo, nas eleições de 1982, o governador eleito – Roberto Magalhães – era de direita. Depois dele, os únicos govenadores de direita foram Gustavo Krause, Joaquim Francisco e Mendonça Filho e estes governaram por 9 meses. Mendonça Filho foi vice de Jarbas Vasconcelos e tentou a reeleição, mas foi derrotado por Eduardo Campos.

Em Pernambuco tivemos: Miguel Arraes (8 anos), Jarbas Vasconcelos (6 anos), Eduardo Campos (8 anos), Paulo Câmara (8 anos) e Raquel Lyra (esta vincula sua campanha ao atual presidente da república e tenta a reeleição). O que me admira é não perceber o mal que esse pessoal faz e votar neles. João Campos, por exemplo, concorre ao governo. Dá para ser feliz?

DEU NO JORNAL

APOIOS

A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto vai ganhar reforço internacional, o presidente da Argentina.

Javier Milei anunciou que vem ao Brasil apoiar o aliado.

Tem data: 25 de julho.

* * *

E Maduro, lá na cadeia americana, vai gravar também um vídeo.

Em apoio à candidatura do seu parceiro brasileiro.

Trump já autorizou a gravação.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A REVOLUÇÃO DOS CURURUS

Bola de Neve o cururu líder da “revolução”

Nascido Eric Arthur Blair no dia 25 de junho de 1903 na Índia, mas, famoso e mundialmente conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, o autor do livro best-seller traduzido para a língua portuguesa com o título de “A revolução dos bichos” é motivação e inspiração para revoluções.

Perseguidos durante anos por “Napoleão” (Napoleon) os bichos foram aprisionados numa espécie de “Papudinha” existente na selva, pelo simples fato de reclamarem a escassez da ração.

Foram enganados e presos. A partir de então, a ração passou a ser apenas uma vez por dia e, ainda assim, apodrecida.

A humilhação, o sofrimento e a perseguição foram tamanhas que, “do nada”, apareceu “Bola de Neve” disposto a liderar um levante sem fim e sem medição das consequências: o movimento ficou conhecido como “A revolução dos cururus”.

Eu, Zé Ramos (conhecido apenas entre os familiares, pelo pseudônimo de “Zé Alfredo”) nascido não na Índia, mas entre eles com descendência materna dos índios Paiakus, vou lhes contar em poucas linhas os dias que antecederam, como aconteceu e as consequências dessa “cururuzada”.

Bola de Neve “convencendo” a perereca

Lembro ainda que era noite. Chovia. Aquela chuva fininha, mas que molha muito. Principalmente o chão de terra “regando” as plantas. Por volta da meia-noite a chuva cessou.

Como trombetas anunciando algo, as cigarras começaram a cantar. Foram seguidas pelos grilos e, como marcação orquestral ouvia-se o coaxar dos sapos. Era o sinal para a luta contra as tiranias de Napoleão. Ninguém ali o suportava mais.

Foi quando Bola de Neve, o mais antigo e maior cururu da Papudinha, resolveu esquecer a perereca com a qual se multiplicava por instantes, e resolveu organizar aquela cururuzada para que a Revolução tivesse êxito.

Todos os sapos, bichos e afins à luta.

“Chega de injustiça. Queremos tratamento e ração diferenciada. Temos esse direito. Tudo está consagrado pela nossa constituição aprovada no dia 22 de setembro de 1988, e promulgada no dia 5 de outubro do mesmo ano” – bradava Bola de Neve!

Mas, Napoleão, o tirano, por inúmeras vezes invadiu o matagal, ofendia os bichos e até jogava água de sal nos cururus, depois de inúmeras vassouradas como castigo. Sempre determinando um prazo de 48 horas para que todos se humilhassem.

A hora dele havia chegado!

Bola de Neve orientando um dos muitos soldados da Revolução dos Cururus

Eis que o destino final do tirano Napoleão começava a ser desenhado.

Do outro lado do rio de águas caudalosas, havia uma selva repleta de ocupantes esclarecidos e poderosos. Eles também tinham entre si, o seu Bola de Neve, com características diferenciadas. Ele era quase “albino” e tinha entre os auxiliares alguém de extrema confiança e conhecedor das falcatruas e perversidades de Napoleão. Os dois se identificaram muito com Bola de Neve. Se tornaram amigos confiáveis e agiram rápido.

Traçaram as ações e nelas tiveram o apoio total de Patinhas, o multimilionário que vivia encantado com outros planetas.

Foram à travessia das águas caudalosas do rio e atravessaram até com muitas facilidades. Prometeram ações diversas para o começo de outubro.

Pelo visto, sem contar a tremedeira, o tirano Napoleão encontrou panos para as mangas das camisas.

COMENTÁRIO DO LEITOR

UM SER QUE EXTRAPOLA A SENSATEZ

Comentário sobre a postagem QUE PENA… OS CONSERVADORES SÃO MAIORIA…

Mauro Pereira da Silva:

O ser esquerdista é imediatamente reconhecido pela sua manifesta condição de tentar burlar a inteligência daqueles que pensam diferente dele.

Ardiloso, representa com competência o patético papel de pessoa normal.

Na verdade, trata-se apenas de uma entidade movida pelo ódio, pela soberba e pela psicopatia.

O ser esquerdista extrapola a sensatez e consegue se perder na cotidiana aventura humana de ser um ser.

Às vezes sou surpreendido pela dúvida sobre a essência de sua condição humana.

Fica difícil recorrer até mesmo à regra da exceção.

Mas deve haver.

Creio.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A MÃO DO TEMPO

A mão do tempo rasgou
Meu manto de ilusão.

Mote de George Alves (Major)

Sem querer o tempo furta
A juventude da gente,
E o vigor de antigamente
Cada dia mais encurta.
A vontade anda curta
Para brincar no colchão,
Que o gás da disposição
Parece que evaporou,
A mão do tempo rasgou
Meu manto de ilusão.

Jr. Adelino

Meus castelos fictícios
Um a um desmoronaram,
Os anos duros mostraram
Incontáveis sacrifícios.
Hoje rezo meus Ofícios
Implorando a Deus perdão,
Quando feri meu irmão
Meu íntimo também chorou.
A mão do tempo rasgou
Meu manto de ilusão.

Wellington Vicente

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Dandara dos Palmares

Dandara dos Palmares nasceu em 6/2/1694, em Pernambuco ou África. Foi uma guerreira do período colonial do Brasil. Sua memória transcende os limites da história documentada para afirmar-se como símbolo de liberdade, luta e liderança feminina na defesa do seu território. Teve papel decisivo na criação do Quilombo de Palmares, no século XVII, liderado por seu marido Zumbi dos Palmares.

Sua vida é envolta em mistério, pois quase não existem dados sobre sua trajetória, inclusive se nasceu no Brasil ou na África. Descrita como uma heroína, dominava técnicas da capoeira e lutou ao lado de homens e mulheres nos ataques ao quilombo estabelecido no século XVII na Serra da Barriga, atual Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas, criado em 2007. Em 1630 os ataques se tornaram frequentes, com a invasão holandesa.

Segundo a narrativa em torno de Dandara, ela teve papel relevante no rompimento do marido com seu antecessor, Ganga-Zumba, primeiro grande chefe do Quilombo. Em 1670, Ganga Zumba, filho da Princesa Aqualtune e tio de Zumbi, assume a chefia do quilombo. Teve seu auge na segunda metade do século XVII, constituindo-se no mais emblemático dos quilombos formados no período colonial. O Quilombo contava na época com mais de 30 mil habitantes.

Num dos últimos confrontos e após não concordar com o acordo político proposto pelos colonizadores portugueses, foi presa e preferiu cometer suicídio se jogando de uma pedreira ao abismo para não retornar à condição de escravizada. Estudos recentes destacam Dandara como líder de um dos mocambos de Palmares, responsável por aconselhar a comunidade em temas políticos e econômicos, e por organizar a resistência em aliança com outras mulheres líderes do movimento.

Tais estudos buscam compreender a atuação de Dandara a partir de uma cosmovisão negra, que reconhece os corpos e saberes quilombolas como portadores de racionalidades próprias, articuladas entre África e diáspora. Segundo estudos realizados por Décio Freitas e publicados no livro Palmares – A Guerra dos Escravos (1984, ed. Mercado Aberto), Dandara foi uma descendente do Rei do Congo, na África e da princesa Aqualtune.

Em 2019 o grupo “Samba de Dandara”, sob a direção de Samuel Silva e produção de Laís de Oliveira, gravou o álbum Samba de Dandara exaltando a força ancestral feminina dessa mulher. Em2022 Jarid Arraes publicou o livro As Lendas de Dandara, uma quase biografia com relatos fantásticos, lançada pela Editora de Cultura Ltda. No carnaval do ano seguinte, a Escola de Samba Acadêmicos do Jardim Bangu homenageou-a com o samba-enredo “Dandara: o preço da liberdade”.

Os sambas-enredo costumam cair no esquecimento logo após o carnaval; porém em 2019 seu nome foi inscrito em folhas de aço no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria” à disposição do público no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília, através da Lei nº 13.816, de 2019.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

DESASSISTÊNCIAS BRASILEIRAS

Toda nação possui suas enfermidades, causadas por fatores os mais diferenciados: fome, seca, má distribuição de renda, analfabetização profissional, mediocridades televisivas, epidemias, machismos alucinatórios, corrupção, desescolarização crescente, drogadição comunitária, sistema político involuído, Poder Judiciário sem consistência analítica, manifestações religiosas apenas marqueteiras, celebrações cristãs descristocêntricas, áreas indígenas assaltadas, feminicídios, mediocridades sociais e atividades esportivas comandadas por dirigentes que apenas apreciam usufrutos financeiros pessoais, ignorantes de pai e mãe de estratégias gerenciais empreendedoras.

Toda sociedade contaminada com os sintomas acima termina se caracterizando como uma sociedade do cansaço, título da análise social feita por Byung-chul Han, um coreano que se fixou na Alemanha, doutorando-se em Friburgo com um estudo sobre Martin Heideger, hoje docente de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim. Seu livro: SOCIEDADE DO CANSAÇO, Byung-Chul Han, 3ª. edição, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2024, 126 p. Páginas compostas por uma das mentes mais especializadas sociologicamente da atualidade, que detalha magistralmente como o Ocidente está se tornando uma sociedade cansada.

Com base na análise acima, quais são os fatores desassistenciais que estão vitimizando a atual sociedade brasileira? Elenquemos os mais significativos, sem qualquer ordem de prioridade:

a. Nosso sistema educacional, em todos os níveis, está a carecer de uma gigantesca reestruturação. Estamos multiplicando mentes analfabéticas sem criticidade em todos os níveis e setores de ensino nacional.

b. Nossa política de redistribuição de renda é vexatória, indigna até.

c. Nossa Segurança Pública há décadas está entrelaçada com o que há de mais vexatório nos quatro cantos do país, desatenta aos mais diferenciados níveis de bandidagem, dos roubos de celulares até os assaltos de condomínios de alto padrão.

d. Ausência de novas Bibliotecas Públicas nas principais cidades brasileiras. Para se ter uma ideia, só Buenos Aires, capital da Argentina, tem mais bibliotecas que todas as capitais brasileiras.

e. Ausência de um Poder Judiciário desburocratizado, com um Código de Processo Penal atualizado, com idade criminal mínima reduzida para 14 anos.

d. Um SUS mais operante, proporcionando um atendimento de mais qualidade nas áreas urbanas e rurais.

f. Atividades esportivas da juventude brasileira com incentivos, os setores das entidades esportivas públicas sem uma mínima fiscalização do Ministério Público, federal e estaduais.

g. Currículos escolares com reduzido número de dias de aula, docentes do Primeiro Grau de Ensino mal remunerados e sem capacitação periódica, advindos de Cursos Pedagógicos e de Pedagogia de ínfimas qualidades.

h. Um Sistema Previdenciário sem uma mínima dinamicidade operacional, favorecendo patifarias financeiras que humilham a dignidade dos beneficiados.

i. Um sindicalismo trabalhista sem densidade empreendedora, servindo apenas para o abrigo de práticas pelegas e populismos eleitorais.

Os fatores acima muito contribuem para o agravamento do cansaço da sociedade, brasileira, favorecendo um eleitorado indolente, sem uma mínima criticidade, sem ideário, sempre buscando contemplar os próprios umbigos.

Além disso, a redução em 1/3 das agremiações partidárias, a diminuição em ¼ do Congresso Nacional, Assembleias e Câmaras de Vereadores, estas sem remuneração dos eleitos para os municípios sem sustentabilidade financeira, muitas grandezas proporcionariam ao todo pátrio. Sinais evidentes de uma evolução civilizatória da amada nação que tanto amamos.

PENINHA - DICA MUSICAL