Dandara dos Palmares nasceu em 6/2/1694, em Pernambuco ou África. Foi uma guerreira do período colonial do Brasil. Sua memória transcende os limites da história documentada para afirmar-se como símbolo de liberdade, luta e liderança feminina na defesa do seu território. Teve papel decisivo na criação do Quilombo de Palmares, no século XVII, liderado por seu marido Zumbi dos Palmares.
Sua vida é envolta em mistério, pois quase não existem dados sobre sua trajetória, inclusive se nasceu no Brasil ou na África. Descrita como uma heroína, dominava técnicas da capoeira e lutou ao lado de homens e mulheres nos ataques ao quilombo estabelecido no século XVII na Serra da Barriga, atual Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas, criado em 2007. Em 1630 os ataques se tornaram frequentes, com a invasão holandesa.
Segundo a narrativa em torno de Dandara, ela teve papel relevante no rompimento do marido com seu antecessor, Ganga-Zumba, primeiro grande chefe do Quilombo. Em 1670, Ganga Zumba, filho da Princesa Aqualtune e tio de Zumbi, assume a chefia do quilombo. Teve seu auge na segunda metade do século XVII, constituindo-se no mais emblemático dos quilombos formados no período colonial. O Quilombo contava na época com mais de 30 mil habitantes.
Num dos últimos confrontos e após não concordar com o acordo político proposto pelos colonizadores portugueses, foi presa e preferiu cometer suicídio se jogando de uma pedreira ao abismo para não retornar à condição de escravizada. Estudos recentes destacam Dandara como líder de um dos mocambos de Palmares, responsável por aconselhar a comunidade em temas políticos e econômicos, e por organizar a resistência em aliança com outras mulheres líderes do movimento.
Tais estudos buscam compreender a atuação de Dandara a partir de uma cosmovisão negra, que reconhece os corpos e saberes quilombolas como portadores de racionalidades próprias, articuladas entre África e diáspora. Segundo estudos realizados por Décio Freitas e publicados no livro Palmares – A Guerra dos Escravos (1984, ed. Mercado Aberto), Dandara foi uma descendente do Rei do Congo, na África e da princesa Aqualtune.
Em 2019 o grupo “Samba de Dandara”, sob a direção de Samuel Silva e produção de Laís de Oliveira, gravou o álbum Samba de Dandara exaltando a força ancestral feminina dessa mulher. Em2022 Jarid Arraes publicou o livro As Lendas de Dandara, uma quase biografia com relatos fantásticos, lançada pela Editora de Cultura Ltda. No carnaval do ano seguinte, a Escola de Samba Acadêmicos do Jardim Bangu homenageou-a com o samba-enredo “Dandara: o preço da liberdade”.
Os sambas-enredo costumam cair no esquecimento logo após o carnaval; porém em 2019 seu nome foi inscrito em folhas de aço no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria” à disposição do público no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília, através da Lei nº 13.816, de 2019.