DEU NO X

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

DIFERENÇA

Impressiona a expressão de ódio que Lula fez ao afirmar que Bolsonaro “tem que pagar”.

Aliados dizem que a prisão do ex-presidente que tanto o amedronta é a vingança pelos seus 500 dias de xilindró por corrupção.

* * *

Interessante…

Os motivos das prisões de cada um deles são diferentes.

Bem diferentes mesmo.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

CORNO VÉIO

Inocêncio Ferreira, assíduo funcionário do Correios, trabalhando, sentado, conferindo carimbos e certidões, sentiu-se mal, suando frio, gritou para seus colegas:

– Socorro! Estou com dor no peito. Estou com…

Não terminou a frase, sua cabeça pendeu, caiu de bruços em cima do birô. Deitaram Inocêncio no chão, afrouxaram a roupa, uma jovem fez respiração boca-a-boca. Quando a ambulância chegou, estava morto.

Inocêncio era homem sério, austero, funcionário exemplar. Tinha 52 anos, 29 dedicados ao serviço público, nunca faltou um dia à repartição. Homem formal, não bebia, nunca fumou. Tinha um físico magro de dar inveja aos amantes da malhação. Não sabia que seu coração era fraco. Todos esses predicados enchiam de orgulho à esposa. Maria Augusta afirmava convicta.

– Homem sério e decente é Inocêncio, por ele ponho a mão no fogo. Os amigos concordavam. Apenas algumas amigas mais íntimas, diziam para si mesma que Augusta poderia queimar as mãos. Inocêncio tinha um divertimento, gostava de pescaria. Em fim de semana, muitas vezes, viajava com amigos para pescar no litoral Sul de Alagoas.

O campo santo Parque das Flores estava cheio de amigos e curiosos. Maria Augusta arrasada, muita comoção no cemitério. Os amigos abraçavam, consolavam. Por conta do estado emotivo, ela não percebeu que uma senhora desconhecida chorava além do normal. Muitos notaram quando uma mocinha de seus treze anos aproximou-se do caixão depositou uma rosa, teve acesso de choro e chamou Inocêncio de pai. Essa senhora retirou a jovem discretamente.

Ao terminar a missa de sétimo dia, a viúva foi procurada pela senhora, morena, bonita, cabelos escorridos, olhos irritados vermelhos.

– Dona Augusta, eu me chamo Josefa, preciso falar com a senhora, assunto de nosso interesse.

A viúva, que estava abraçada à sua única filha, Rosinha, de treze anos, convidou-a para tomar café em sua casa com os amigos. Os parentes mais próximos tomaram o lauto café da manhã, lembrando Inocêncio que deveria estar no céu àquela hora.

Depois que todos saíram, Augusta chamou a senhora para conversar na varanda. Josefa entrou no assunto, direta, sem preparar a viúva:

– Dona Augusta a senhora precisa saber agora, não se pode adiar. Eu e Inocêncio há alguns anos tivemos uma relação amorosa. Tenho duas filhas com ele. A mais velha, Rosália, é essa que está na sala conversando com sua filha. São irmãs, incrível, nasceram quase no mesmo dia.

Augusta arregalou os olhos, desnorteada com a imprevisível notícia. Foi um choque como se tivesse levado um coice no estômago. Não admitiu. Não podia acreditar. Respondeu aos berros para Josefa.

– Mentirosa, ponha-se para fora! Não manche o nome de meu marido!

A amante sem fazer barulho disse apenas com firmeza:

– A Senhora precisava saber. Eu aceitei ser amante porque amava Inocêncio. Ele não era um santo, como a senhora pensa. Tome meu cartão, telefone-me quando acalmar. Meu advogado vai procurar a senhora.

Saiu levando sua filha que havia adorado a nova amiga, sua meia irmã e não sabia.

Pela tarde, Lindalva, uma vizinha, bateu à porta. Augusta atendeu se lamentando, chorando:

– Descobri a traição! Eu era corna e não sabia!

Lindalva teve um choque. Começou a chorar e inesperadamente confessou com voz baixa.

– Desculpe Augusta! Agora que você descobriu, quero dizer que não tive culpa. Inocêncio quando me via começava a falar aquelas coisas bonitas. Era um finório na lábia. Juro que dei a primeira vez porque prometeu parar com aquelas cantadas. Peço perdão, pelo amor de Deus.

Augusta ficou atônica e estarrecida com a nova descoberta. Botou Lindalva para fora de casa. Chorou o resto do dia. Inconformada com as histórias amorosas do defunto, ficou reclusa em sua casa. Passou um tempo sem receber ninguém, com vergonha de ter sido uma idiota. Uma incontrolável raiva de Inocêncio apoderou-se de sua alma. Na noite da missa do 30º dia, ela reapareceu, escandalizando. Entrou na Igreja com um vestido vermelho, bem decotado e justo, transparecendo as bonitas pernas. Chocou mais ainda, quando, no final da missa, convidou as amigas para dar uma volta na noitada da cidade.

A partir dessa noite Augusta se liberou. Dá para quem tem vontade. Não perde as baladas de fim de semana. Quando entra em casa, bêbada, olha o retrato do marido com a filha e ela, pendurado na parede, e pragueja.

– Agora sou livre. Dou a quem eu quiser. Corno Véio!

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

MESTRES DO IMPROVISO

João Pereira da Luz, o João Paraibano (1952-2014)

João Paraibano

Quando esbalda o nevoeiro,
rasga-se a nuvem, a água rola,
um sapo vomita espuma;
onde o boi passa se atola,
e a fartura esconde o saco
que a fome pedia esmola.

*

O menino e o rapaz,
estando juntos na sala,
um fala porém não ri,
o outro ri mas não fala;
um tem na mão um brinquedo,
tem o outro uma bengala.

*

Linda é a baixa de arroz
quando está amarelando;
uma vara em pé no meio
com um molambo balançando,
pros passarinhos pensarem
que tem gente tocaiando.

*

A cabra abana as orelhas
para espantar o mosquito,
e se acocora lambendo
os cabelos do cabrito,
depois vai olhar de longe
pra ver se ficou bonito!

*

Não fale mal de Zefinha,
Que nunca foi amor seu,
A mulher que fez da sua
Honra um presente e me deu.
Sonhou beijando um poeta,
Quando acordou era eu.

* * *

Lenelson Piancó

Extremista maluco do Hamas
Esperando ganhar rios de mel
Desafia o poder de Israel
Decepando a cabeça dos rivais
Entre os dois é difícil encontrar paz
Quando a face do ódio se levanta
Cessar fogo também não adianta
Pra quem sente prazer em mutilar
Um milagre de Deus pode acabar
Com quem faz o terror da guerra santa!

* * *

Otacílio Batista

Um caboclo na cabana
Deitado em sua palhoça
Olhando o verde da roça
Diz sorrindo prá serrana:
Bote um traguinho de cana
Bebe, tempera a garganta
Almoça , pensa na janta
Faz um cigarro de fumo
Abre a porta e sai no rumo
Da sombra de qualquer planta.

*

O poeta e o passarinho
São ricos de inteligência
Simples como a natureza
Eternos como a ciência
Estrelas da liberdade
Peregrinos da inocência.

* * *

Diniz Vitorino

Nós temos por certa a morte,
mas ninguém deseja tê-la…
Quando morre uma criança,
o pai lamenta em perdê-la,
mas Jesus, todo de branco,
abre o céu pra recebê-la.

*

Meu colega, você vive
da fama que teve outrora,
e esses versos bem bolados
que o povo escuta e decora,
você faz de ano em ano
e eu faço de hora em hora!

* * *

Joaquim Vitorino

Tenho enorme inteligência
Poeta não me dá vaia
Sou vento rumorejando
Nos coqueiros de uma praia
Sou mesmo, que Rui Barbosa
Na conferência de Haia.

* * *

Zé de Vidal

O coveiro é um vivente
De pequena autoridade;
De baixo nível e salário,
Porém na realidade,
Preso que coveiro prende
Nunca mais tem liberdade!

* * *

José Lucas de Barros

Quando menino, eu queria
Ser homem com rapidez,
Depois, contabilizando
Tudo que o tempo me fez,
Hoje morro de vontade
De ser menino outra vez.

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ALEXANDRE GARCIA

TENSÕES EM ALTA

Carla Zambelli STF Eduardo Bolsonaro Alexandre Ramagem

Cassação de Carla Zambelli foi barrada pela Câmara em meio a crise do Congresso com o STF

Câmara e Senado estão olhando para o Supremo, e o Supremo está olhando para o Congresso; na hora em que um lado peitar o outro, vai acabar caindo a última gota que faz transbordar o cálice. Gilmar Mendes recuou naquela liminar absurda pela qual só o procurador-geral da República poderia encaminhar um pedido de impeachment de ministro do STF. E tem parlamentar que gosta de perguntar a opinião dos ministros do Supremo sobre projetos de lei. “Perguntar não ofende”, dizem; foi o que Paulinho da Força fez sobre a lei da dosimetria. Como me disse um amigo, estão convertendo o Supremo em Comissão de Constituição e Justiça, que é a comissão da Câmara ou do Senado que avalia a constitucionalidade de uma proposta.

Gilmar recuou porque viu que o Senado estava votando um projeto de lei. Agora, Lindbergh Farias recorreu ao Supremo contra a votação que não cassou Carla Zambelli e contra a decisão de Hugo Motta de mandar ao plenário o pedido de cassação de Alexandre Ramagem; ambos foram condenados pelo Supremo, e o plenário não deu votos suficientes para cassar Zambelli. Na noite de quinta, Alexandre de Moraes cassou Zambelli por conta própria.

E não é só isso: o Supremo está olhando meio assim para seu presidente, Edson Fachin, que deseja um código de ética para acabar com essa história de relações promíscuas que já foram denunciadas pelo senador Alessandro Vieira diante do ex-presidente do STF Ricardo Lewandowski. Vieira falou em “jatinhos custeados pelo crime organizado, hotéis pagos pelo crime organizado, almoços pagos pelo crime organizado”. Fora os contratos com escritórios de parentes de ministros que nem especificam qual é o trabalho. É só para pegar dinheiro. Isso é tudo falta de ética, é imoral. O Supremo pode até ter decidido que pode receber ações de escritórios da mulher, dos filhos, do sobrinho, do primo, mas isso está completamente fora dos mais comezinhos princípios éticos.

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PEC da Segurança pode incluir referendo sobre maioridade penal

Pode vir aí mais uma mudança da Constituição, agora na segurança pública. O deputado Mendonça Filho, relator da PEC da Segurança, está propondo referendo sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Eu não acho suficiente. Quando saiu o Código Penal, em 1940, a maioridade era 14 anos; com essa idade, quem cometia crime já podia ser punido. Hoje isso é ainda mais necessário. A faixa etária dos criminosos baixou muito. Depois que a maioridade penal passou de 14 para 18 anos, quanta gente abaixo dessa idade não assaltou, matou, sequestrou? Mas não pode punir, o jovem é inimputável, diz a Constituição – pois é esse “inimputável” que tem de mudar. Eu sou a favor de baixar para 14 anos, mas quem vai decidir são os nossos representantes.

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Insistem em debater o marco temporal, mas a solução é clara, basta saber português

O Supremo deixou para decidir agora quatro ações sobre marco temporal das terras indígenas. Fizeram uma lei do marco temporal em 2023, e o Supremo disse que era ilegal. Fizeram outra, Lula vetou muita coisa. Com isso, disseram que a Constituição é ilegal, é inconstitucional. Mas é tão fácil resolver o assunto: basta ser alfabetizado e saber português. O artigo 231 diz que “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários, sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. Ocupam é presente do indicativo, refere-se a 5 de outubro de 1988, quando a Constituição foi promulgada. Naquele dia, quem ocupava aquela terra tem direito a ela, podem demarcar. Não são as terras que vierem a ocupar ou que tenham ocupado, mas as terras que ocupavam naquele dia, bastando comprovar. Está claro que esse é o marco temporal.

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México também aplica tarifaço e pega o Brasil

Mais uma para nossa economia. O México, nosso sexto parceiro comercial, para onde exportamos US$ 7 bilhões (ou R$ 40 bilhões) por ano, nos aplicou uma tarifa de no mínimo 35%. A culpa é da China, que estava usando o México para entrar nos Estados Unidos fazendo uma triangulação, disse a presidente Claudia Sheinbaum. Nós vendemos para o México principalmente carnes, soja, café, veículos e peças, aviões, ferro e aço, e tudo isso agora será taxado em 35%.

DEU NO JORNAL

BRANQUELO MALDOSO

Além de capturar um navio tanqueiro, o governo Trump anunciou sanções a outros seis navios do país do ditador Nicolás Maduro.

Cada um pode carregar mais de US$ 120 (R$ 660) milhões em petróleo.

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Esse galegão americano é muito maldoso.

Que sacanagem com o nosso vizinho.

O amigo brasileiro de Maduro, grande democrata, deve estar completamente emputiferado com estas medidas absurdas.