DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

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NORMAL, NORMAL

Lula agora diz que o filho “será investigado”, mas foi ele quem ordenou a bancada do PT et caterva na CPMI do INSS a blindar o filho e o irmão, impedindo suas convocações.

E também a de outros suspeitos.

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Agiu conforme os padrão luloso.

Nada de anormal.

Tudo dentro dos conformes.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O MELHOR PRESENTE

Há quem não goste do Natal, sente melancolia ou coisa parecida, fica triste, deprimido com a proximidade da festa natalina. Entretanto, há quem ame o Natal. Eu, por exemplo, quando dezembro aparece, me envolvo em clima de festa. São tantas as comemorações natalinas e ano novo que o velho fígado reclama. Talvez esse minha alegria natalina seja fruto das boas recordações do que ficou em minha mente e em minha alma dos belos natais de minha infância e juventude.

A festa de rua natalina iniciava em fim de novembro na Praça Sinimbu. Roda mundo, roda-gigante, navios, carrossel, tiro-ao-alvo e folguedos: reisado, chegança, pastoril. Que bonito: Viva o cordão azul! Viva o cordão encarnado! Lá vinham as pastoras num palco, dançando e cantando as jornadas: “Boa noite meus senhores todos, boa noite senhoras também. Somos pastoras, pastorinhas belas que alegremente vamos à Belém…” No intervalo nós meninos, chamávamos a Mestra ou outra pastora do encarnado em cena. Ela aparecia, saia rodada, dançando, se requebrando ao som da música, tocando no pequeno pandeiro de lata enfeitado de fitas coloridas. Meninos na pré-puberdade, subíamos ao palco com uma nota de Cr$ 1,00 (um) cruzeiro, prendia-a com presilha, como se estivesse condecorando, em seu vestido, nesse momento não resistíamos, roçávamos com a costa da mão os seios da divina pastora.

Aliás, era esse o principal objetivo daqueles meninos, maloqueiros, felizes. A pastora saía de cena rubra ainda sentindo o roçar de nossas mãos, dançando para trás, cantando até desaparecer entre as cortinas do palco. Logo depois apareciam todas novamente, cantando sorridentes outra jornada: “Meu São José dai-me licença, para o pastoril dançar. Viemos para adorar, Jesus nasceu para nos salvar. “ O pastoril era uma festa dentro da festa de rua. Andávamos em grupo paquerando as meninas desfilando pela calçada. Um olhar, um sorriso, era o bastante para alegrar o coração do jovem. O alto-falante tocava música romântica e dava recados que eram cobrados ao preço de Cr$ 0,50 (cinquenta centavos): “Alô, alô, Cidinha Madeiro, você é a menina que mais brilha nessa festa. Assinado: Você já sabe.” E dedicava música às musas de nossa ingênua e pura adolescência.

Quando aparecia um grupo de Guerreiro com vistosos chapéus de espelhos enfeitados, era sucesso. O visual do Guerreiro empolga a todos. Em algum local da praça construíam uma embarcação, um navio de taipa, de barro. A “Nau Catarineta” era palco da Chegança, dança folclórica de origem ibérica, tendo como personagens, o Almirante, o padre, os marinheiros; as músicas fala em luta entre mouros e cristãos. Muita música na praça, uma banda de pífano dava voltas na calçada tocando em animação carnavalesca.

Na véspera de Natal, pouco depois das onze horas da noite retornávamos em bando, cada qual para sua casa na Avenida da Paz. Hora de abrir os presentes embaixo da árvore de Natal, o momento da alegria Nos empanturrávamos com a ceia, sempre havia peru assado. Uma hora da manhã começava a Missa do Galo no coreto da Avenida; várias famílias reunidas em torno do Coreto, parecíamos uma só família. A alegria tomava conta de todos

Nos meus 12 anos ganhei no Natal o melhor presente de minha vida. Uma bicicleta Monark, vermelha, aro grande, uma belezura. Naquela noite assisti à missa do coreto montado na bicicleta, torcendo que acabasse rápido. Dei incontáveis voltas em torno da calçada da Avenida até meus pais me botarem para casa, cansado de tanto pedalar. No dia seguinte rodei com a bicicleta todo bairro de Jaraguá, Pajuçara, Ponta da Terra. Por muitos anos essa bicicleta foi minha companheira. Muitas vezes ia para o Colégio Diocesano (Marista) de bicicleta. Percorri toda Maceió em cima de minha amada Monark. Várias vezes desci a ladeira do Farol perigosamente guiando com os pés no guidão, as mãos soltas, menino sem juízo. Inesquecível aventuras. Ainda sinto o cheiro de borracha dos pneus furados, consertados com michelin.

Certa vez, correndo, descontrolei-me, bati com a bicicleta num muro, ela entortou, empenou. Mandei consertá-la num mecânico, me plantei na oficina, acompanhando como se ela fosse um parente sendo operado no hospital. Maior felicidade ver minha querida amiga renovada, rodando nos trinques. Natal me lembra generosidade, amizade, paz, lembra minha querida bicicleta Monark, o mais valioso presente de minha vida.

DEU NO JORNAL

NO PLURAL

A investigação do roubo a aposentados chegou em definitivo a Fabio Luiz Lula da Silva, o “Lulinha”, o filho de Lula (PT) e sócio de Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, personagem central nesse escândalo de corrupção que pode ser o maior de todos os tempos, superando outras roubalheiras de governos Lula, como Mensalão e Petrolão.

“Se tiver filho meu envolvido nisso, será investigado”, rendeu-se o petista, fingindo não saber que Lulinha e sua relação com a quadrilha estão sob investigação.

O dinheiroduto do Careca de INSS para Lulinha atendia pelo nome de Roberta Luchsinger, dona da RL Consultoria e Intermediações Ltda.

De acordo com depoimentos e documentos, ao ordenar o pix para Lulinha, via RL, Careca justificava assim: “É para o filho do rapaz”.

À PF, Edson Claro, ex-braço direito do Careca, contou que Lulinha tinha o próprio mensalão no esquema, com pagamentos de R$ 300 mil/mês.

* * *

Essa nota aí de cima fala, no primeiro parágrafo, em “roubalheiras de governos Lula”.

Isso mesmo. Tudo no plural.

Roubalheiras e governos.

Já no segundo parágrafo, diz que Lula estava “fingindo”.

Num é preciso falar mais nada.

Fingir, mentir, embromar são especialidades que o Descondenado exerce com perfeição.

Tá tudo resumido de forma perfeita.

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

O FUTURO DAS UTOPIAS

Thomas Morus escreveu em latim sua Utopia, em 1516. A inspiração veio ao ler Mundus Novus (1504), de Américo Vespúcio, um navegador experiente que sabia escrever. Talvez o primeiro best-seller do mundo, com mais de 40 edições. Tanto sucesso fez que quando quiseram dar nome ao novo continente, que surgiu para o mundo em 12/10/1492, em vez de Colômbia (que seria o natural, por conta de Cristóvão Colombo), escolheram América (pela crença de ter sido uma descoberta dele, Américo Vespúcio).

Nesse livro, relata Vespúcio que 24 homens, mulheres e crianças, presos em uma feitoria de Cabo Frio, seguiriam como degredados para uma ilha – aquela que, depois, teria nome de um italiano que quase acabou com o pau-brasil do nosso Nordeste, Fernan di Norogna ‒ hoje, Fernando de Noronha. Daí veio a ideia, do inglês, para conceber uma outra ilha, a de Utopia.

Só que Morus logo depois, em 1535, perdeu a cabeça. Literalmente. Sem nem saber que aquelas pessoas sequer chegaram a viajar; e encontraram seu destino, longe da ilha que sonhou, pelas mãos de índios Termiminós chefiados por Arariboia. Mais tarde, 500 anos depois de sua morte (em 1935), Morus foi canonizado e virou santo, mas essa é outra história.

A partir dele, muitas outras utopias foram sendo criadas. Quando o mundo era maior, concebidas como um lugar distante – Anidro, Acórea, Eldorado, Ilhas Afortunadas. Mais tarde, passou a ser apenas um outro tempo – a sociedade dos homens de bem, de Proudhon; a Nova Atlântida, na ilha de Bensalém, do filósofo Francis Bacon; a sociedade sem regras, de Bakunim; a sociedade sem classes, de Marx e Engels.

Bom lembrar, por fim, a da igreja católica. Mais competente de todas, que promete um outro lugar (o Paraíso) em um outro tempo (depois do Juízo Final). Aldo Moflley contou prá lá de duas mil delas. “Dolorosas utopias de todos os filósofos do mundo”, segundo Raul de Leôni em seu poema Crepuscular (do livro Luz mediterrânea).

No capítulo das utopias brasileiras, mais conhecida é a de Bandeira, sua Pasárgada – em que há camas e mulheres a escolher. Mas, apesar de muito apreciar o poeta do Recife, prefiro a utopia que Guilherme de Figueiredo concebeu em seu Viagem a Altemburgo. Dando-se então que, por muito gostar desse curioso conto, não resisti à tentação de reescrevê-lo. E tantas vezes o fiz que já nem sei, hoje, de quem é cada pedaço. Faz mal não, o que prestar é dele e o resto meu.

Seja como for, nesse país imaginário, tudo funciona bem. Militares por exemplo, que sempre querem chegar ao poder, em Altemburgo começam as carreiras como Marechal. A partir daí, para cada vez que tentarem ser Presidente da República, ou depois de cada ato de bravura praticado, perdem um posto, até findar suas carreiras como soldado raso. Pra aprender a ficar quietos.

Criminosos violentos e irrecuperáveis, outro exemplo, são obrigados a tomar uma “injeção de bondade”; após o que passam a viver em santidade, com vidas castas e puras de dar inveja a Madre Tereza de Calcutá. Até que, no máximo em quatro anos, acabam todos mortos. De tédio.

Nesse lugar perfeito, cumpre ver também a solução encontrada para os males da saúde. Simples e prática, como tudo em Altemburgo. Médicos, por lá, são os profissionais mais bem remunerados. Com direito a resolver tudo, na vida dos seus pacientes. Inclusive recomendando regimes cruéis e exercícios insensatos – como o das esteiras, em que se anda mais de hora pra chegar onde já se está. Por conta de lipídios e colesteróis, dizem sempre, como se fosse uma desculpa respeitável.

Voltando aos médicos, remédios apenas quando os pacientes precisem. Poucos, de preferência. E operações, apenas se forem mesmo necessárias. Problema é só quando morre um desses pacientes; posto que então, e simplesmente, eles não recebem o salário do mês. Assim se explicando porque nos velórios, algumas vezes até mais que as viúvas, médicos sempre choram desconsoladamente.

E com tantas utopias no mercado, em um fim de ano como este em que estamos, não resisto em dizer a minha. Um lugar que não é imaginário, como Pasárgada ou Altemburgo, mas real. Nosso querido Brasil. E a utopia é ver esse país majestoso se reencontrar com sua história.

Um país menos radicalizado. Mais parecido com aquele habitado por “homens cordiais”, como sonhado por Sérgio Buarque de Holanda (no seu Raízes do Brasil). Em que possamos conviver bem, mais fraternalmente, respeitando as opiniões dos que nos são próximos e não pensam como nós.

É o presente que desejo receber nesse Natal. Algo impossível? Talvez. Mas devemos seguir nessa trilha. E lembro do amigo Eduardo Galeano que vivia repetindo uma definição de Fernando Birri

‒ A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos e se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais o alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

Essa é a utopia que sonho. Um caminhar que não finde nunca. Para que possamos construir e reconstruir, sempre, nosso futuro. Na linha dos Provérbios e Cantares, de Antonio Machado, poeta do rio Guadalquivir,

‒ Caminhante não há caminhos, caminhos se fazem no andar.

Bom Natal, amigos. Caminhando, sempre em frente, na direção de um Brasil parecido com o de nossas raízes. Mais decente. Sobretudo mais solidário. E mais fraterno. Abraços, então, para todos e para cada um.