Arquivo diários:1 de dezembro de 2025
DEU NO X
DEU NO JORNAL
HADDAD, O POMBO
Adolfo Sachsida

Haddad vive num mundo próprio: ignora juros altos, rombo fiscal e crise real, agindo como quem derruba o tabuleiro e ainda acha que venceu o jogo
Há um antigo ditado — daqueles que revelam mais sobre a vida do que muitos tratados de filosofia — segundo o qual não vale a pena discutir com um idiota. A imagem é conhecida: debater com ele é como jogar xadrez com um pombo. O pombo desce, derruba as peças, suja o tabuleiro e ainda sai batendo asas como se tivesse vencido a partida. É uma parábola simples, mas de utilidade inesgotável no Brasil de hoje.
Nas últimas semanas, o ministro Haddad decidiu oferecer ao país uma demonstração prática do fenômeno. Segundo ele, a oposição teria abandonado o debate econômico para falar de segurança pública — e teria feito isso, pasmem, porque “o governo venceu na economia”.
É uma conclusão tão desconectada da realidade que deveria constar em manuais internacionais de autoengano. Basta olhar em volta: a taxa de juros permanece entre as mais altas de nossa história recente, o endividamento explode, a dívida pública cresce sem freios, as contas se deterioram mês após mês, e a única criatividade do governo está em aumentar impostos.
Desde 2023, já são 27 iniciativas de arrocho tributário — vinte e sete! — tirando recursos de quem trabalha e produz, e, mesmo assim, o rombo fiscal só aumenta. A economia ainda cresce, é verdade, mas empurrada pelas reformas realizadas entre 2016 e 2022 — justamente aquelas que o pombo Haddad tanto critica. E até esse fôlego começa a rarear após três anos de comando errático da política econômica.
E, como pombos raramente voam desacompanhados, surgiu nesta semana o mini-pombo: o secretário-executivo da Fazenda, que repetiu o mesmo discurso ensaiado. Para ambos, a economia brasileira estaria com “os problemas resolvidos”. Se não fossem pombos, poderiam tentar emprego nas lendárias Organizações Tabajara, do inesquecível seu Creisson, aquele que vendia milagres embalados pela frase “seus problemas se acabaram”. Faltou apenas o selo de garantia.
Mas a realidade, essa velha senhora que não negocia com fantasia, mostra outra história. A segurança pública tomou o centro do debate não pelo suposto sucesso da economia, mas pelo fracasso ainda maior da política de segurança deste governo. Estudos indicam que cerca de 25% da população brasileira vive hoje em áreas controladas por facções criminosas. Em termos simples: um em cada quatro brasileiros habita um território onde o Estado não entra e onde a lei é ditada por organizações que não constam no Diário Oficial.
Governos podem ignorar fatos, mas fatos não ignoram governos.
A incompreensão do pombo e do mini-pombo sobre a segurança pública só é menor do que a incompreensão de ambos sobre a economia. E, em 2027, quando um novo governo tiver de arrumar a bagunça que eles deixarão, veremos a mesma cena conhecida: ambos dando entrevistas, derrubando as peças, sujando o tabuleiro e batendo asas como se tivessem vencido o jogo.
Estatais acumulam prejuízo? Os pombos cacarejam: “é investimento”. O déficit explode? Batem asas e garantem: “é superávit”. Surge a crise fiscal? Emporcalham o tabuleiro e berram: “gasto é vida”. Pombos não aprendem nada, não entendem nada e, sobretudo, jamais admitem nada. São pombos — e acreditam sinceramente que estão jogando xadrez.
DEU NO X
REPUBLIQUETA BANÂNICA
DEU NO JORNAL
ENTENDA COMO ISTO É BOM
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
O BRASIL TEM FUTURO ?
DEU NO JORNAL
UM TIQUINHO DE NADA
DEU NO X
DESPREZOU A VENEZUELA
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
MADRUGADA EM MEU JARDIM – Jansen Filho
Um divino clarão vem do nascente
E sobre o meu jardim calmo resvala!
Na graça deste quadro reluzente,
A aragem fria os meus rosais embala!
Tudo desperta misteriosamente!
E a luz cresce e se expande em doce escala,
Avivando o Lençol resplandecente
Da brancura dos lírios cor de opala!
E o sol, doirando as franjas do horizonte,
Celebra a missa do romper da aurora
Na doce Eucaristia do levante!
Da passarada escuta-se o clarim !
E a madrugada estende-se sonora,
Na aleluia de luz do meu jardim !

Miguel Jansen Filho, Monteiro-PB, (1925-1994)
DEU NO JORNAL
ABSORVENTES, FILTRO SOLAR E POPULISMO: A MENTIRA DOS BENEFÍCIOS “GRATUITOS”
Roberto Motta
Era uma manhã de dezembro. Eu estava em um carro de aplicativo, percorrendo a Avenida Atlântica, em Copacabana, rumo ao centro da cidade do Rio de Janeiro.
O rádio do carro estava ligado e sintonizado em uma estação de notícias.
Três locutores conversavam sobre o verão que se aproximava. Eles comentavam como os dias tinham sido ensolarados.
“As pessoas não se cuidam”, disse um deles, “não se protegem contra o sol. Sol demais pode causar câncer de pele”.
“Pois é”, disse outro. “A prefeitura devia fazer alguma coisa”.
Eu, que olhava a paisagem carioca pela janela, levei um susto. Por que o gosto dos cariocas pelo sol era um problema da prefeitura? Eu não tinha ideia do que ouviria a seguir.
O que ouvi foi isso:
“Sabe aqueles painéis que borrifam água e que foram colocados nas praias para os banhistas se refrescarem?”, perguntou o primeiro locutor. Sem esperar resposta, ele completou: “A prefeitura deveria colocar painéis para distribuir filtro solar de graça aos banhistas”.
Qualquer jornalista sabe que filtro solar jamais seria “de graça”. O produto teria que ser fabricado por alguém, e isso custaria dinheiro. Depois ele precisaria ser comprado pela prefeitura – através de algum processo de licitação – e pago com o dinheiro dos impostos. Isso significa o seguinte: todos os pagadores de impostos financiariam o filtro solar que seria usado apenas por aquelas pessoas que frequentam a praia. Mas no Brasil ainda predomina, mesmo entre pessoas informadas, a ideia de que o Estado e o governo têm a capacidade mágica de dar coisas de graça ao cidadão.
Recebi as primeiras lições sobre liberalismo com Rodrigo Constantino e Hélio Beltrão. Até então eu achava – como todos os brasileiros – que o Estado é a solução para tudo. Lendo Thomas Sowell, Ludwig von Mises e Friedrich Hayek eu descobri que liberdade econômica é indissociável da liberdade política. Liberdade econômica significa usar seu dinheiro da forma que você achar melhor e manter a maior parte do que você ganha com você, sem ter que entregar uma parcela enorme ao Estado na forma de impostos ou confisco. O direito à propriedade privada – que inclui a propriedade do seu dinheiro – é tão fundamental quanto o direito de ir e vir e a liberdade de expressão.
O Estado que ambiciona satisfazer todas as necessidades do cidadão precisa de fontes infinitas de recursos – não só para pagar os benefícios mas, principalmente, para financiar uma gigantesca máquina estatal. O Estado que ambiciona dar “de graça” tudo o que o cidadão precisa será, inevitavelmente, o mesmo Estado que escolherá o que o cidadão pode pensar, dizer e consumir. Qualquer dissidência implicará no fim de todos os benefícios.
Eu aprendi com Milton Friedman que nada é “de graça”. Tudo tem um custo. Quando o Estado dá uma coisa a alguém é porque ele, o Estado, pagou por aquilo com o dinheiro que ele tirou de outra pessoa. Esses “benefícios” dados pelo Estado são, quase sempre, trocados por votos.
Não faz muito tempo uma deputada social-democrata aprovou um projeto de lei obrigando o Estado a distribuir absorventes íntimos gratuitamente. O maior apoio ao projeto deve ter vindo dos fabricantes de absorventes.
Aguardemos para breve um projeto da deputada distribuindo filtro solar.
DEU NO X

