DEU NO JORNAL

ABSURDA COMÉDIA

“Vivemos em um estado de pré-anarquia institucional”, na avaliação de Aldo Rebelo, após Gilmar Mendes legislar para blindar ministros do STF de processos de impeachment.

Ele viveu muita coisa, foi três vezes ministro, até da Defesa, e presidente da Câmara, mas nunca viu nada parecido.

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Alguma coisa parecida com o que vivemos agora pode ser encontrada na obra de Dante Alighieri, a Divina Comédia.

Um trecho do clássico livro resume com perfeição a situação atual desta nossa maltratada republiqueta.

Frase escrita na entrada do Inferno:

Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate

“Deixai toda esperança, vós que entrais”.

Vamos lutar pra não perder a esperança!!!

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

HISTÓRIA ANTIGA – Raul de Leoni

No meu grande otimismo de inocente,
Eu nunca soube por que foi… um dia,
Ela me olhou indiferentemente,
Perguntei-lhe por que era… Não sabia…

Desde então, transformou-se de repente
A nossa intimidade correntia
Em saudações de simples cortesia
E a vida foi andando para frente…

Nunca mais nos falamos… vai distante…
Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
Em que seu mudo olhar no meu repousa,

E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,
Que ela tenta dizer-me qualquer cousa,
Mas que é tarde demais para dizê-la…

Raul de Leoni, Petrópolis, (1895-1926)

DEU NO JORNAL

ALEXANDRE GARCIA

CONGRESSO PARALISADO

Muitas pessoas aguardam um “troco” do Congresso diante da decisão de Gilmar Mendes, que retirou do Parlamento a iniciativa de abrir processos de impeachment, especialmente contra ministros do Supremo. Segundo ele, o único que pode iniciar esse tipo de procedimento é o Procurador-Geral da República. Mas fica a pergunta: e quando o processo é justamente contra o PGR?

Conforme a Constituição, em casos que envolvem Presidente da República, Vice-Presidente, Procurador-Geral, ministros do STF, entre outros, cabe ao Senado agir. Mas Gilmar alega que o impeachment seria um “absurdo” devido às eleições de 2026 — e há muitos processos pendentes que deveriam ser conduzidos pelos novos senadores. São 99 julgamentos.

O “campeão” em número de pedidos é Alexandre de Moraes, seguido por Gilmar Mendes, Flávio Dino e Toffoli. No entanto, o presidente do Senado segue no topo da lista: antes Rodrigo Pacheco, agora Davi Alcolumbre. Gilmar afirma que esse volume de pedidos é um absurdo: excesso de ações, perseguição e reação política.

Mas, se há reação política, é porque houve antes uma ação política do Supremo, que passou a agir como um tribunal político, como defendia Luís Roberto Barroso, que saiu com medo da Lei Magnitsky. Barroso também discursava dizendo que o Supremo havia deixado de ser apenas um tribunal constitucional para se tornar um tribunal político.

Diante disso, qual seria a reação possível? A mais direta, embora drástica, seria o Senado agir. E, como alguns observam, Alcolumbre estaria até “mais leve” para se levantar e cumprir seus deveres: afastar, pelo menos, quatro ministros que teriam extrapolado os limites da Constituição.

Ao longo da semana, a própria grande imprensa, em diversas páginas de opinião, reconheceu que houve um ciclo de exceção — portanto, um tribunal de exceção e magistrados de exceção — algo vedado pelo Artigo 37 e pelo Artigo 5º, que trata dos Direitos e Garantias Individuais.

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Por que Gilmar usou uma liminar?

A decisão de Gilmar foi por meio de uma liminar, que significa uma decisão usada quando há pressa, quando existe risco na demora e algum direito pode ser atingido (em latim, periculum in mora).

Neste caso, não havia nenhuma pressa. A lei de 1950, baseada na Constituição de 1946, foi acolhida pela Constituição de 1967 e pela atual Constituição de 1988. Foi com base nessa lei que dois presidentes foram impedidos de continuar governando: Collor e Dilma.

Agora, Gilmar simplesmente a altera. Ele poderia declarar sua inconstitucionalidade, mas reescrever seu conteúdo é legislar. E foi isso que fez: criou um novo texto, redefiniu o papel do PGR, mudou o quórum para aceitar denúncias (que deixaria de ser maioria simples e passaria a dois terços) e impediu o afastamento de ministros do Supremo, entre outros pontos.

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Lula critica “teto de gastos”

Enquanto isso, o presidente Lula, cuja desaprovação subiu no Datafolha — 37% consideram seu governo ruim ou péssimo, contra 32% que o avaliam como ótimo ou bom — fez um discurso contra o teto de gastos, uma das medidas mais importantes aprovadas no governo Temer.

O teto é essencial, e ainda assim Lula afirmou que os Estados Unidos não possuem teto de gastos, algo incorreto, já que o tema é amplamente debatido por lá. Também disse que o Brasil é a oitava maior economia do mundo. Não é. Já perdeu para a Rússia e hoje ocupa a 11ª posição, isso se o PIB brasileiro confirmar as projeções até o fim do ano — o país, de certa forma, está encolhendo.

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Ex-general chavista e acordo de delação

Hugo Carvajal tem feito grandes depoimentos nos Estados Unidos para tentar reduzir sua pena. Essas revelações envolvem Cuba, Venezuela, o presidente Gustavo Petro, o Foro de São Paulo, narcotráfico, o Cartel de los Soles e facções brasileiras.

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Opositor morto na Venezuela

Alfredo Díaz, ex-governador preso por Nicolás Maduro durante a campanha eleitoral — aquela em que Maduro, segundo a oposição, aplicou um golpe em 28 de julho — morreu na prisão neste sábado, 6. O Brasil permaneceu em silêncio sobre o caso.

Díaz só podia falar com a filha, estava confinado e faleceu encarcerado. Mais um cadáver nas mãos do regime de Maduro.

DEU NO JORNAL

ROMBO

Prestes a registrar rombo de R$ 10 bilhões só em 2025 e na iminência de um colapso, a estatal Correios luta para manter o Postal Saúde, plano de saúde exclusivo para funcionários, aposentados e dependentes, que drena bilhões dos cofres públicos.

Além dos cônjuges e filhos, o plano também beneficia pais dos funcionários e mais 203 mil aposentados.

A cada três meses, R$ 700 milhões são tirados de quem paga impostos para cobrir o rombo do Postal, que aumentou 80% em relação a 2024.

O envelhecimento da clientela reduz a chance de recuperação do Postal Saúde: 25% dos 203 mil aposentados beneficiários têm mais de 59 anos.

O custeio anual do Postal Saúde já chega a R$ 2 bilhões, segundo fontes dos Correios, consumindo 10% do faturamento da empresa.

Sindicalistas do PT que dirigiram os Correios condenaram a empresa à morte, fechando acordos que ignoravam a sustentabilidade financeira.

A situação é tão crítica o atraso nos repasses levou hospitais como Rede D’Or e Unimed a suspender atendimentos dos beneficiados do plano.

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Uma situação lamentável, absurda.

A nota aí de cima fala nos “sindicalistas do PT” que condenaram a empresa à morte.

Isso resume tudo.

Nada que venha desse bando traz algum resultado positivo.

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

IARA AL-SHALAH

Deus sempre me presenteou com parceiros do mais alto nível. Não vou citá-los para não cometer a omissão injusta de alguns nomes mas devo registrar aqueles mais frequentes: Dominguinhos (12 músicas) Maria Dapaz (43 músicas), Braulio Medeiros (40 músicas), Leninho de Bodocó (38 músicas), além das parcerias póstumas, que muito me orgulham: Luiz Gonzaga, Accioly Neto e Pedro Sertanejo. Iara, minha mais nova parceira, é mais uma desse time. Ela também é Cratense como eu. Nasceu no pé da serra do Araripe e hoje, mora na Arábia Saudita, tendo adotado o sobrenome do marido muçulmano. Ela agora é Iara Al-Shalah. Conheci-a ainda adolescente, no Crato, filha da melhor tapioqueira da região do Cariri cearense, dona Adelaide. Não quis seguir a profissão da mãe, preferindo, desde novinha, a música, notadamente o Samba. E música da boa (até porque se assim não fosse ela não seria minha parceira). Intuitiva, cria melodias encima de letras que lhe encaminho. Assim nasceu nossa parceria. Ela prefere o anonimato em decorrência de suas atuais convicções religiosas. Talento raro, fala em voltar ao Brasil para reencontrar a mãe e seu único irmão, Julinho, que mora no Rio de Janeiro e faz parte da bateria da Escola de Samba da Mangueira. Assim é minha mais nova parceira. Fizemos um repertório de 16 músicas (sambas, bossa nova, sambas-canção e até um samba de breque. Faltou um samba-enredo, mas vai sair!) e em breve o mundo conhecerá o talento de Iara de Adelaide. Vamos conhecer alguns de seus Sambas? Chamei-os de FORROBOSAMBA pela interseção que fiz entre o samba tradicional e o forró, utilizando a sanfona onde os ‘puristas’ usariam instrumentos de sopro. No mais, contei com a competência de músicos do mais grandioso gabarito, comandados pela regência e violão 7 cordas do Mestre Jorge Simas e pela sanfona bem tocada de Luizinho de Serra. Querem mais? Ouçam nossos FORROBOSAMBAS. Muito em breve entraremos em estúdio e o mundo conhecerá o talento de Iara Al-Shalah, nas plataformas. SALAMALEICO!

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

A FRAUDE MARXISTA

Roberto Motta

Pol Pot: nada, no comportamento do líder de 1,73 metro, fala baixa e pausada e sorriso ambíguo no rosto, indicava que aquele homem era capaz de destruir completamente seu próprio país num período de apenas quatro anos

Marxismo é uma doutrina obcecada pela ideia da “luta de classes”. A solução marxista para todas as questões é sempre derrubar a classe dominante. Na sociedade marxista ideal não existe propriedade privada. Nada pertencerá a ninguém, nem mesmo ao Estado – toda a propriedade será comum; tudo pertencerá a todos. Quando explicadas a um leigo, de forma clara, essas e outras ideias do marxismo parecem simplórias e infantis. Isso acontece porque essa é sua natureza real. A menos que sejam envoltas em um embrulho de pseudo-cientificismo e mistificação, as ideias marxistas se dissolvem diante de questionamentos simples.

Não é à toa que os “pensadores” marxistas – muitas aspas, por favor – têm o hábito de falar de forma extraordinariamente complicada, usando termos que eles mesmos inventam. A complicação é essencial; ela é a roupa que cobre a nudez intelectual. Vamos lembrar um trecho da Pedagogia do Oprimido, do marxista Paulo Freire: “Na verdade, não há eu que se constitua sem um não-eu. Por sua vez, o não-eu constituinte do eu se constitui na constituição do eu constituído” (Pedagogia do Oprimido, Editora Paz e Terra, 17a edição, 1994, p.41).

Essa é uma das razões para o apelo e a popularidade do marxismo: ele dá a qualquer pessoa a possibilidade de fingir que entende de filosofia, economia ou qualquer coisa que exija estudo, inteligência e capacidade de reflexão. Basta memorizar meia dúzia de frases com as palavras “revolução”, “opressão”, “dívida histórica” e – para aqueles que precisam produzir máximo impacto – “mais valia”.

O marxismo é um livro de colorir para crianças com desenhos que só podem ser pintados de vermelho. É uma doutrina reducionista, incapaz de ajudar na compreensão do mundo porque ignora princípios básicos da economia, do funcionamento da sociedade e da natureza humana.

Marx viveu durante a Revolução Industrial e não soube interpretar o que testemunhava. Ele acreditava que os operários ficariam cada vez mais pobres e os empresários cada vez mais ricos, até que o sistema capitalista desabaria. A realidade foi outra: graças aos ganhos de produtividade, à evolução da gestão e à criação de um mercado de consumo de massa, a prosperidade capitalista foi compartilhada com a sociedade. Hoje um operário tem acesso a bens com os quais um aristocrata do século 18 nem poderia sonhar. A riqueza foi dividida e a vida de toda a humanidade melhorou.

Jamais houve uma revolução operária como previa o marxismo; todas as revoluções “marxistas” foram projetos de tomada de poder liderados por políticos ou intelectuais de classe média, que usaram o vocabulário marxista para justificar crimes e genocídio. O marxismo continua fornecendo a justificativa intelectual e moral para tiranos, das estepes geladas da Rússia às florestas da América Latina.

Nenhum ditador marxista acredita em marxismo, claro. Eles usam o marxismo como instrumento de poder, como poderiam usar qualquer outra ideologia. Mas o marxismo tem charme, porque conta com apoio entre os intelectuais. Não é por acaso que a maioria dos intelectuais marxistas depende do Estado para sobreviver – seja como professor universitário, propagandista do regime ou artista engajado que vive do patrocínio estatal de filmes e shows.

É impossível contar o número de vítimas massacradas para que tiranos marxistas triunfassem. No Camboja, o ditador marxista Pol Pot – educado na França – matou o equivalente a 25% da população. Se isso tivesse acontecido no Brasil, 50 milhões de pessoas teriam sido assassinadas. Apesar de tudo isso, o marxismo encontrou no meio acadêmico um refúgio seguro. A teoria marxista é especialmente útil para intelectuais e “especialistas” que precisam se destacar, mas não têm nada a dizer. Basta apelar para o marxismo. Aplicado a qualquer assunto, ele transforma a questão em uma luta revolucionária de oprimidos contra opressores, gerando visibilidade e prestígio instantâneos.

Muitas questões importantes são hoje tratadas quase exclusivamente sob a ótica marxista. O marxismo aplicado a questões étnicas virou a “teoria crítica da raça”. O marxismo aplicado ao direito virou “garantismo penal” e “criminologia crítica”. O marxismo na educação virou a “pedagogia do oprimido”. O marxismo na religião virou a “teologia da libertação”. O marxismo aplicado à sexualidade virou a “ideologia de gênero”.

Apesar do fracasso na economia e na política, as ideias marxistas ainda mantêm hegemonia na cultura, nas artes, no ensino, na mídia, no sistema de justiça e até no mundo corporativo, onde o ideário marxista, embrulhado na linguagem da “responsabilidade social” – ESG e DEI – corrói os princípios da livre iniciativa, a igualdade de oportunidades, a meritocracia, a inovação e a liberdade.

PENINHA - DICA MUSICAL