DEU NO JORNAL

EFEITOS NOCIVOS DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O CRESCIMENTO ECONÔMICO

Editorial Gazeta do Povo

O ministro Fernando Haddad: Fazenda diz que desoneração da folha é cara, ineficiente e favorece os mais ricos.

Na gestão da política econômica nacional, os ministros da economia têm a missão de conduzir uma das principais questões: a política fiscal, que trata da arrecadação tributária e dos gastos públicos, com foco principal no crescimento econômico, na geração de empregos e na redução das desigualdades. Na maioria dos países, as autoridades encarregadas da gestão macroeconômica se deparam com dois problemas recorrentes que atuam contra o alcance daqueles três objetivos: a elevada dívida pública e o déficit fiscal anual.

Para sustentar a estrutura de governo, com seus gastos correntes, seus investimentos, os juros da dívida pública e as parcelas vincendas a cada ano, as fontes de recursos são as receitas tributárias, a contratação de novos empréstimos e eventualmente receitas obtidas com a privatização de empresas estatais. O que varia entre os países é o tamanho da carga tributária como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) e o resultado primário anual do governo, obtido pelo saldo entre as receitas menos as despesas e os investimentos, antes do pagamento dos juros da dívida governamental.

Se o resultado primário for um superávit, o governo tem um saldo positivo destinado a pagar os juros da dívida e, se sobrar algum valor, amortizar um pedaço da dívida vincenda no ano referido. Mas a situação é grave quando certos fatores aparecem em conjunto: a carga tributária é alta e, portanto, não há espaço para aumento de tributos; as despesas correntes da máquina pública mais os investimentos são maiores que as receitas tributárias e, portanto, o saldo é um déficit primário; a dívida pública como proporção do PIB é elevada e, portanto, os encargos de juros são de alta monta relativa.

Quando a situação do governo tem essa configuração, o ministro da Economia se vê diante de difícil tarefa, em geral dispondo das seguintes opções (todas indesejáveis): aumentar tributos (provocando a disparada da carga tributária), reduzir gastos públicos correntes (medida que dificilmente tem apoio dos políticos) e/ou aumentar a dívida pública (prática que, além de piorar a situação, provoca aumento da taxa de juros e apenas joga o problema para os anos seguintes). Em situações análogas, a esperança dos gestores econômicos repousa na torcida pelo expressivo crescimento do PIB, como instrumento para a busca dos três objetivos principais referidos no início, pois um PIB maior eleva a arrecadação tributária e ameniza o déficit nas contas públicas.

Essa é a situação pela qual passa atualmente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e são várias as razões. Primeiro, a elevação dos tributos é rejeitada pela população e é nociva à economia justamente porque a carga tributária brasileira já é muito alta (a arrecadação efetiva anual ultrapassa 34% do PIB). Segundo, o ministro não pode contar com seu chefe, o presidente Lula, para qualquer política de austeridade nos gastos capaz de ajudar no equilíbrio fiscal. Terceiro, a dívida pública do Brasil é alta e, se não for contida, pode chegar a 100% do PIB em poucos anos, logo, não há espaço para a contração de mais empréstimos além daqueles feitos para pagar dívidas vincendas. Quarto, as despesas correntes do governo são elevadas e, mesmo com baixo gasto em investimentos, o saldo primário é um déficit enorme, R$ 230,5 bilhões em 2023, equivalente a 2,12% do PIB apenas no governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central).

Sempre que organismos internacionais analisam os impedimentos ao crescimento do Brasil, aparecem nos primeiros lugares o complexo sistema tributário e a elevada carga sobre a população e sobre o sistema produtivo. Não bastasse a carga ser alta demais para o estágio de desenvolvimento do país, a estrutura de leis e normas tributárias no Brasil é uma das piores do mundo, instável e cara para ser conhecida, escriturada e obedecida.

Nos esquemas e propostas de solução para o problema das finanças públicas, o crescimento do PIB entra como prioridade maior, no mínimo por levar ao aumento da arrecadação tributária, geração de empregos, melhoria na arrecadação do INSS e redução dos gastos do governo com seguro desemprego e programas de auxílios aos desempregados. No Brasil, porém, o governo sempre adota a solução mais cômoda para o governante e uma das piores para a economia que é o puro e simples aumento de tributos. Neste governo Lula 3, não tem sido diferente, e a fala mais constante do ministro Haddad nestes 13 meses de mandato é sobre aumentar tributos.

Outro problema que é pouco divulgado e pouco discutido é a baixa produtividade do imposto. Isto é, no setor estatal, tudo é feito com alto custo, muito desperdício, ineficiência gerencial e o conhecido e astronômico índice de corrupção. A baixa produtividade é fazer uma obra ou um serviço pelo dobro do custo, ou mais. Baixa produtividade é gastar mais do que o valor racionalmente necessário para fazer um produto um bem ou serviço.

Sendo assim, quanto maior for o tamanho do governo, mais ineficiente será a economia nacional, pois o governo é menos eficiente que o setor privado e, naquilo em que não haja comparação com o setor privado – a exemplo de produção de serviços judiciários –, a ineficiência local é constatada na comparação com os gastos de outros países. Em resumo, quanto maior a tributação, menor é o setor privado, menor é a renda disponível nas mãos da sociedade, maior é a fuga de capitais para o exterior e, não raro, maior é a inflação e o desemprego. A carga tributária brasileira chegou ao limite e cabe à sociedade pressionar contra aumentos de tributos.

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ALEXANDRE GARCIA

O QUE A ABIN NÃO PODE E O TSE PRETENDE FAZER: BISBILHOTAR AS REDES SOCIAIS

TSE inicia divulgação de dados dos candidatos das eleições 2022

Como vocês estão vendo, a Abin, Agência Brasileira de Inteligência, não pode ficar bisbilhotando a vida das pessoas. Mas o Tribunal Superior Eleitoral pode? Porque está sendo anunciado que vão monitorar para saber quem está mentindo nas redes sociais. Acho que isso invade o artigo 5º da Constituição, cláusula pétrea sobre garantias fundamentais, sobre vida privada, intimidade, liberdade de expressão, inviolabilidade das comunicações. É muito estranho isso. Acho que o livro 1984, do George Orwell, está superado aqui no Brasil. George Orwell não imaginaria que chegasse a esse ponto. E quanto a outras questões judiciais aqui no Brasil também está se vendo que o processo do Franz Kafka também está superado. Está no chinelo, está pouco.

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Educação

Outro assunto que diz respeito a todos vocês que são pais, que têm filhos estudando. Terminou o tal Conae, a Conferência Nacional de Educação, que está preparando o Plano Nacional de Educação, que vai valer por 10 anos. O que aconteceu nessa reunião de três dias que foi encerrado por Lula, e até o discurso de Lula reflete bem o que é: é anti tudo. Tudo que é sensato é anti. Bom, é anti Bolsonaro, é anti escola em casa, o homeschooling. É anti escolas cívico-militares.

Seria mais ou menos como uma convenção do PSOL, com Che Guevara, com Marx, com Paulo Freire dominando. A minha colega Ana Paula Henkel leu todas as 282 páginas e fez uma espécie de avaliação. Vejam só: matemática e literatura são palavras que aparecem só quatro vezes. Quilombolas aparecem 134 vezes. Deve ser um tema muito importante para as escolas. Desigualdade, 119 vezes. Diversidade, seja lá o que for isso, 124 vezes. LGBT e outras letras, 46 vezes. Bom, isso tem que passar pelo Congresso. E aí é com você, que é o mandante do seu mandatário que está lá, do seu senador e do seu deputado federal. Portanto, a decisão também está com você.

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Antissemitismo na Bahia

Vocês viram lá no Arraial d’Ajuda, na Bahia, a chilena que entrou numa loja de uma judia e começou a quebrar tudo, chamando-a de sionista, assassina de crianças, maldita? Ela teve que prestar depoimento na delegacia, houve queixa da pessoa que foi agredida. E eu fico pensando: “Puxa, meu amigo José Genoíno andou pregando aí um boicote às lojas de judeus”.

Eu não sei se vocês sabem, basta estudar a História do nazismo e saber que isso começou na Alemanha. A primeira coisa do regime hitlerista foi pregar o boicote às lojas de judeus na Alemanha. Depois eles quebraram as lojas, na Noite dos Cristais. Quebraram tudo, picharam, escreveram: “Vão embora, vão morrer. Essas coisas”. Então, Arraial d’Ajuda, Bahia.

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Milei aprovado

Eu queria comentar também que Milei está com tudo: 58% de aprovação e foi aprovado lá um megaprojeto dele, 144 votos a 109. Ou seja, uma parte da oposição votou a favor dele pela aprovação. Tem 300 artigos. Tem lá reforma tributária, autonomia do Banco Central, privatização, desregulamentação. Olha, desregulamenta: 380 mil regulamentos, demissão de 5 mil funcionários públicos, eliminação de 12 dos 21 cargos da presidência, ministério de 18 para 9, um ano sem propaganda de governo, congelamento de licitações, linguagem neutra fora do governo, aprovação de homeschooling, fim do monopólio de petróleo, são coisas aí que algumas já foram, outras virão.

É a vitória, enfim, sobre um sistema que não deu certo na União Soviética. Por 70 anos não deu certo, nem nos países europeus que estavam sob o julgo comunista da União Soviética. Por que que daria certo aqui na América Latina? Eles acham que daria. Como lá não deu certo, vamos lá, esse povo é muito ingênuo, não pensa, é passivo, talvez cole.

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DEU NO JORNAL

QUEM DEVE, TEME

Roberto Motta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda Fernando Haddad

Haddad e Lula: em 2024, foco do governo é o mesmo de 2023. Prioridade é arrecadar mais e não há anúncio de medidas para conter gastos

Todas as dívidas precisam, um dia, ser pagas. Só há duas alternativas: ou as dívidas são pagas ou o devedor dá calote em quem lhe emprestou o dinheiro. Isso vale tanto para as dívidas de pessoas como dívidas de empresas e de governos. Não há diferença: dívida é dívida. Se você pegou dinheiro emprestado de alguém, precisa, um dia, devolver esse dinheiro – e com juros. É evidente que, se uma dívida não para de aumentar, ela um dia explodirá. Em algum momento no futuro ela ficará tão grande que não será mais possível pagá-la.

Alguns “economistas”, “especialistas” e jornalistas vão te dizer que esse raciocínio óbvio não se aplica às dívidas do governo. Vão dizer que “todos os governos têm dívidas grandes”. Na verdade, no caso de governos a situação é ainda pior. Como o governo nunca consegue pagar sua dívida, ele pega novos empréstimos para pagar aquelas dívidas que estão vencendo. Isso se chama “rolagem da dívida”.

Muitos brasileiros emprestam dinheiro ao Estado. Fazemos isso quando compramos títulos da dívida pública. Eles podem ser uma boa opção de investimento, porque o governo paga juros atraentes. Portanto, quando falamos de “dívida pública” estamos falando também de dinheiro que o governo deve a milhares de brasileiros que compraram títulos públicos e que, um dia, vão querer receber seu dinheiro de volta – com juros.

Mas como surge a dívida pública? A dívida pública nasce quando o Estado gasta mais do que arrecada. Funciona assim: a fonte principal de dinheiro do Estado são os impostos. Mas, frequentemente, o Estado gasta tanto dinheiro que a arrecadação de impostos não é suficiente para pagar todas as contas. O Estado então tem duas formas de conseguir recursos extras: ou ele simplesmente manda imprimir mais notas de dinheiro (o que desvaloriza a moeda e dá origem à inflação) ou ele pega dinheiro emprestado. Esses empréstimos que o Estado toma para cobrir o buraco nas suas contas é que formam a chamada “dívida pública”. Um nome melhor seria dívida do Estado.

Alguns economistas vão te dizer que “o déficit das contas públicas é uma coisa comum”. Outros vão até afirmar que o déficit nas contas do governo, na verdade, é uma coisa benéfica para a sociedade porque “faz girar a economia” e “combate o desemprego”. São afirmações ingenuamente desinformadas ou mentiras grosseiras. O que se chama de “déficit” é um buraco nas contas que surge quando o governo gasta mais do que arrecada.

Embora isso possa acontecer eventualmente, em situações de crise – assim como pode acontecer em qualquer família ou empresa – quando isso vira uma rotina trata-se de irresponsabilidade grave na administração pública, sempre motivada por incompetência, ideologia, populismo ou corrupção – ou tudo isso junto.

Um Estado que gasta mais do que arrecada, e que acumula uma dívida sempre crescente, é um estado destinado ao desastre. Não se sabe ao certo quando ele acontecerá – se em nosso tempo ou no tempo de nossos filhos ou netos – mas ele é inevitável. O desastre só não afetará os políticos que o promovem, e que estarão sempre seguros em suas fortalezas construídas com dinheiro, influência e impunidade. O desastre só não afetará os políticos que o promovem, e que estarão sempre seguros em suas fortalezas construídas com dinheiro, influência e impunidade.

XICO COM X, BIZERRA COM I

SAUDADES DO EU MENINO

Meus sonhos, trato de sonhá-los com o maior gosto. Melhor que deixá-los amarrados com laços de fita, como faz Claribel, É assim que junto os pedaços de minh’alma. Ultimamente tenho encontrado meu eu menino quando durmo. Saudades afloram. Das tardes de sombra em que jogava futebol na rua de areia, capinzal à frente, com alvinegras vacas pastando, sem ligar o mínimo para o nosso jogo. Dos pênaltis que perdi por não tê-los batido e das mangas não provadas – tinha medo (ainda tenho) de altura, e sobre aquelas que caíam, os passarinhos eram mais rápidos que eu.

O amigo Tupã

Sonho com saudades de Tupã, cão fiel que meu pai criou até o dia em que, com um derradeiro latido, caiu no cacimbão e nunca mais voltou. Lembranças sonhadas do sol das manhãs que me via acordar todo mijado, mas sem qualquer sentimento de culpa. Era normal entre as crianças de minha idade. Do sabiá cantador que serenatava no pé de seriguela, no fundo do quintal, pertinho do cacimbão em que Tupã caiu. Do presépio iluminado que todo ano ajudava minha mãe a montar, reclamando da feiura do menino Jesus – sempre achei que o menino de verdade era mais bonito que aquele de louça. De minha coleção de selos e da lupa que usava para ver o Olho de Boi e o Rui Barbosa sem picote.

Jenipapo e Gibis

Saudades da colheita de jenipapo, fruta que eu tanto detestava, mas que adorava colher, segurando a mão de minha avó materna, lá na serra do Araripe num sol quente de dar dó … Dos meus gibis, Super-Homem, Capitão América, Tarzan. Das carteiras de cigarro vazias, dinheiro vivo pra nós na troca por bolinhas de gude: Continental, Hollywood e a mais valiosa delas, Marlboro. Onde estão? Saudade enorme do chaveiro que ganhei, presente do meu pai, do Brasil 58, campeão nas ‘oropa’, comprado nas Casas Parente, de Fortaleza (eu sabia a escalação, nomes completos, de Gilmar dos Santos Neves até Mário Jorge Lobo Zagalo) … Acordo feliz com meus sonhos. Melhor que deixá-los viajar, a exemplo do que faz Helena, que vai para estação de trem vê-los partir, lencinho na mão, para acenar-lhes um adeus.

(Claribel e Helena são personagens de Eduardo Galeano, in O LIVRO DOS ABRAÇOS)

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PENINHA - DICA MUSICAL