ALEXANDRE GARCIA

VIAGENS DE LULA

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Lula e Janja abanam para Alckmin na partida para Havana

Neste ano, o Presidente do Brasil visitou 26 países e ficou 62 dias fora. No balanço, essa política externa viajante parece ter gerado mais desgaste que ganhos. Em Buenos Aires, em entrevista à Rádio Mitre, Bolsonaro ironizou as viagens internacionais  de Lula, dizendo que quando voltar a ser presidente vai nomeá-lo ministro do Turismo. O pior é Lula ter que engolir isso, em razão da opção feita por países onde o autoritarismo abafou a democracia e por objetivos no mínimo polêmicos, que não são aprovados pela maioria do público brasileiro e nem sequer são compreendidos pelo seu próprio público. E sem resultados práticos: o investimento estrangeiro em setores produtivos no Brasil caiu 40% até setembro.

Com dois meses de governo, Lula já criava tensão com o mais tradicional parceiro do Brasil, os Estados Unidos, ao autorizar que dois navios de guerra iranianos – uma fragata e um porta-helicópteros – fossem acolhidos no porto do Rio de Janeiro. Os americanos, reconhecendo a soberania brasileira, recomendaram que não os acolhesse, pois se trata de navios que facilitam o terrorismo e já tiveram sanções da ONU. Lula os recebeu às vésperas da visita oficial a Washington. O Irã é parte do “eixo do mal”, segundo o governo americano. Lula também defende abertamente os regimes de Cuba, Nicarágua e Venezuela.

Em maio, em Brasília, tentou limpar a imagem de Maduro na reunião de Presidentes Sul-Americanos. Falou em democracia relativa e até em Maduro defensor dos direitos humanos, irritando profundamente o socialista do Chile, Gabriel Boric. Um mês antes, havia sugerido que a Ucrânia cedesse a Crimeia para acabar com a guerra. Por meia dúzia de vezes defendeu uma governança global para cuidar da Amazônia, arrepiando os nacionalistas brasileiros. E, provocando arrepios também nos que prezam a representação popular, por algumas vezes argumentou que é preciso uma ordem supranacional para cuidar de certos assuntos, principalmente do clima, porque os acordos e tratados têm sido anulados pelos congressos nacionais. É a ideia da Nova Ordem Mundial.

Depois do ataque terrorista do Hamas, o governo brasileiro mostrou a mesma hesitação que agora demonstra ante as ameaças de Maduro contra a Guiana. Fica fácil perceber que o presidente não consegue esconder suas simpatias. E o mundo, principalmente a Europa, percebe que o Brasil tem um presidente que não condena agressores. E o acordo Mercosul-União Europeia foi pelo ralo. Aliás, o Mercosul, pelo jeito, vai estagnar. Lula mandou marqueteiros para impedir a vitória de Milei, coisa que o vencedor não vai esquecer. E não terá amigos do peito no Paraguai, Uruguai e Argentina. A vizinhança toda certamente esperava uma ação decisiva de Lula para impedir as fanfarronices de Maduro, mas o que se vê é uma reação pastosa, sem assumir a responsabilidade de quem tem crédito com o vizinho belicoso.

Os áulicos anunciaram aos quatro ventos que Lula poderia mediar o conflito Rússia-Ucrânia e encontrar a paz; que poderia mediar a liberação dos reféns do Hamas, e resolver a questão Israel-Palestina. Tudo geograficamente longe dos brasileiros e fácil de esquecer sem cobrar. Restaria a fama de ser o pacificador potencial. Agora a questão está aqui, ao lado do Brasil, e Lula em vez de ir pessoalmente a São Vicente tentar alguma coisa, manda Celso Amorim, como observador. O Brasil vai ficar olhando, observando a oportunidade passar. Viajando. Nem a conta das viagens compensou e fica no ar a cobrança da mediação brasileira, na expectativa criada pela propaganda. Em 2007, o Rei Juan Carlos perguntou a Chavez ¿Por qué no te callas? Quando será que Lula vai perguntar a Maduro ¿Por que no paras?

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DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

EMANUEL GIROTTO – SÃO PAULO-SP

Sr. Editor,

Enquanto o Lula vive se escondendo do povo, veja só a recepção que teve Jair Bolsonaro em Alagoas.

Aconteceu ontem, no aeroporto de Maceió.

É sempre assim em todo lugar onde o Mito chega.

Abraços e um Feliz Ano Novo para todos os leitores dessa magnífica gazeta!

 

DEU NO JORNAL

ESCONDIDINHOS NA RESTINGA

Lula e Janja já se mandaram de Brasília rumo ao litoral do Rio de Janeiro.

O casal passa o réveillon na base naval da Restinga de Marambaia, Costa Verde do Rio.

Voltam ao Planalto em 3 de janeiro.

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Bem longe do povão.

Guardados e protegidos por militares.

Vão comemorar, encher o rabo e esbanjanjar bem muito.

E também vão cantar  hinos de louvores às urnas eletrônicas e seus milhões de votos.

janja

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ALEXANDRE GARCIA

A DISPUTA PELA PREFEITURA DE SÃO PAULO

A disputa pela Prefeitura de São Paulo está se configurando como a mais importante das eleições do ano que vem. São Paulo é um município em que a cidade, ou seja, a área urbana, se confunde com os limites do município. A importância econômica e política da cidade de São Paulo, agora tem mais um ingrediente. O Partido Socialista Brasileiro (PSB), que é o partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, está lançando Tábata Amaral. E já tem lá o Guilherme Boulos, do PSOL, que é o candidato de Lula, e possivelmente o Ricardo Nunes, que é o atual prefeito. Chegou a haver uma expectativa de que o ex-presidente Bolsonaro apoiaria o Ricardo Salles, mas isso agora passou para o Nunes, que é do MDB.

Então, vai ser o principal interesse da nação no ano que vem, esse confronto em que está um ex-presidente, o atual presidente e o vice-presidente, cada um apoiando um candidato diferente na eleição municipal de São Paulo.

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Milícia

A milícia do Rio de Janeiro, a principal milícia domina a zona oeste e o líder dessa milícia, que estava foragido e condenado desde 2018, se entregou à polícia, ficou uma semana negociando, e está no presídio Bangu 1, que é de segurança máxima. Dizem que está numa cela de 6 m². Supostamente, 2 metros por 3. É um catre de cimento, deve ter um colchão, uma mesinha, ele faz as refeições dentro da cela e não tem banho de sol, para evitar qualquer atentado. E o governo está falando muito de um acordo de leniência com delação premiada. De certo vai mostrar todo o esquema da milícia e suas ligações políticas. Apareceu aí a Lucinha, que é a madrinha, deputada estadual, mas certamente deve ter mais gente nisso aí.

O Rio de Janeiro é um exemplo de ligações, veja a Baixada Fluminense, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, as ligações todas que a gente sempre conheceu entre o crime organizado, quer seja o traficante, quer seja o da milícia, com políticos que os representam. Eles ajudam políticos a se elegerem com dinheiro, apoio, com obrigação de voto nas regiões dominadas. É algo totalmente fora das leis do Estado brasileiro. Tudo errado, mas está há décadas. E o Estado brasileiro permite. E a nação brasileira convive com isso. Acha normal. Entrou na cultura. Terrível. Quando entra na cultura, é dificílimo sair.

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Combustível

E o outro assunto é que, a partir de hoje, teremos menos preço no litro do diesel. 30 centavos no distribuidor, vai dar uns R$ 0,26 para o dono do caminhão, dono do veículo a diesel, dono do trator. Só que, no dia 1, já vai voltar o imposto que tinha sido retirado do diesel, que é igualzinho, 30 centavos também. Então até chegar na bomba tudo isso, não vai mudar nada, provavelmente. Mas serve para fazer propaganda.

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O CRESCIMENTO ECONÔMICO EM 2024

Editorial Gazeta do Povo

resultados econômicos 2023

A questão econômica ocupa papel central nas preocupações e desafios de uma sociedade sobretudo pelo papel que o progresso material desempenha na viabilização das condições necessárias ao bem-estar físico, psicológico e cultural dos seres humanos. Isto é, sem os bens materiais capazes de atender às necessidades de alimento, habitação, lazer, assistência à saúde, educação, cultura, lazer e realização pessoal e social, os seres humanos não conseguem alcançar o bem-estar físico e emocional. Os bens materiais são compostos pelo conjunto de bens e serviços que a sociedade produz, e o nível de desenvolvimento e bem-estar social que eles propiciam depende inicialmente de dois elementos principais: o volume de bens e serviços produzidos e sua distribuição entre os membros da sociedade.

Em outras palavras, o padrão de vida médio de um povo é definido pelo tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação com o tamanho da população e pela distribuição desse produto entre todos os que compõem a população. É por isso que, de início, não há mérito apenas no tamanho do PIB, posto que a capacidade do PIB em promover o bem-estar social está vinculada a quantas pessoas esse produto deve atender. Tanto é assim que, quando se olha o ranking do PIB por país, o Brasil fica em torno da nona posição, mas quando se analisa o PIB por habitante – isto é, o PIB dividido pelos 203,1 milhões de pessoas (total da população em dezembro de 2022, segundo o IBGE) –, O Brasil oscila em torno da posição 64, conforme o ano.

Pelos critérios usuais, dos 193 países filiados à Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 35 deles são considerados desenvolvidos, logo há pelo menos 29 países não desenvolvidos que têm renda por habitante superior ao Brasil, sendo que a renda brasileira por habitante é apenas 23,5% do que é nos Estados Unidos. Esses dados comparativos dão a dimensão do grau de atraso e pobreza do Brasil, dissipando assim a ilusão de grandeza provocada pela divulgação de que o país tem a nona economia mundial.

Visto isso, para o Brasil subir na escala do nível médio de bem-estar social e se aproximar do último colocado entre os 35 mais desenvolvidos, o PIB tem que crescer regularmente entre 3% e 5% ao ano acima da taxa de aumento da população durante pelo menos três décadas. A rigor, já foram feitos planos e muitas previsões sobre a possibilidade de o Brasil atingir o grau de desenvolvimento em 2050, objetivo que parece distante logo de saída, por uma razão: para a chegada do ano 2050 faltam apenas 27 anos, e nada indica que o Brasil está no caminho de obter expressiva taxa de crescimento do PIB em tão pouco tempo.

Medida pela renda por habitante, a distância econômica entre o Brasil e os países mais adiantados é grande, impossibilitando ser percorrida em 27 anos. Entretanto, é preciso começar e persistir no caminho do avanço, tarefa na qual o Brasil tem tido dificuldade, como mostra o histórico do país em não crescer sistematicamente por muitos anos seguidos. Pelo contrário: o país é useiro na fabricação de crises políticas e econômicas. De qualquer forma, a meta primeira tem que ser o crescimento do PIB, não bastando que seja meta apenas anunciada, mas que a ela se sigam as políticas públicas, reorganização das leis, melhoria nas instituições nacionais e implantação de medidas capazes de puxarem o crescimento do PIB.

Segundo estimativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a economia brasileira deve crescer 1,8% no próximo ano, enquanto o Ministério da Fazenda fala em 2,2%. Em qualquer dos casos, se descontada a taxa de aumento populacional, o crescimento líquido será muito pequeno, especialmente para um país com deficiências estruturais que impedem o crescimento a taxas maiores.

No ano de 2010, o último dos dois mandatos de Lula como presidente da República e ano da eleição de Dilma Rousseff, no debate público falava-se que, para o Brasil deslanchar e ter crescimento robusto, o novo governo petista deveria atacar dois problemas graves logo no início de 2011: a necessidade de aumentar com urgência os investimentos em infraestrutura física e fazer uma revolução na indústria de transformação.

A infraestrutura física brasileira era pequena e seus equipamentos envelhecidos e superados do ponto de vista tecnológico. Por coincidência, o setor industrial passava por gargalo parecido, isto é, era pequeno em termos de tamanho, com plantas industriais envelhecidas e equipamentos produtivos longe das tecnologias modernas, cujo resultado era estagnação da produtividade (produto por hora trabalhada). A indústria brasileira está com a produtividade estagnada desde os anos 1980, apesar de alguns subsetores de excelência. O fato é que trazendo esses problemas para o momento atual, portanto após 22 anos, o diagnóstico da infraestrutura e do setor industrial continua o mesmo que era em 2010, mesmo contando alguns melhoramentos nesse período.

Claro que há outros problemas que emperram o crescimento brasileiro, mas sem melhorias substanciais na infraestrutura e no setor industrial, mesmo que haja crescimento expressivo em outros setores, a economia brasileira como um todo não terá crescimento geral para sonhar com crescimento nas próximas duas ou três décadas capaz de aproximar o país do clube dos desenvolvidos. O problema está posto e cabe à sociedade e ao governo dar respostas ao desafio.