DEU NO JORNAL

VELHAS E NOVAS LIÇÕES DA ESQUERDA SOBRE O JORNALISMO

Jocelaine Santos

Velhas e novas lições da esquerda sobre o jornalismo

É curioso perceber a diferença entre a teoria e a prática, entre o discurso e a ação. Falar sobre virtudes é bem diferente de ser virtuoso; defender ideais elevados não significa necessariamente (infelizmente) que se viva tais ideais na prática. Claro, pode ser que haja um verdadeiro desejo de agir da forma como se diz. Nesse caso, há pelo menos a intenção de se agir bem. Já é um começo. Muito pior é quando quem faz o discurso nunca teve a real intenção de buscar a realização daquilo que prega.

Mais ou menos isso é o que ocorre com a esquerda brasileiras em relação ao jornalismo e a liberdade de imprensa e pensamento. Mas é bom que se diga que isso não ocorre apenas com a esquerda: temos várias instituições e políticos de diversos matizes ideológicos que estão exatamente na mesma situação: defendem aos quatro ventos a liberdade de imprensa, expressão, pensamento e agem de todas as maneiras possíveis para censurar e impor sanções a quem diz aquilo de que não gostam.

Anos atrás, por exemplo, uma das lições mais repetida pelos professores com mais afinidade com a esquerda dentro das faculdades de comunicação era a de que o jornalismo dos grandes veículos só atendia aos interesses do capitalismo. Eram sempre “chapa-branca”, como se dizia na época, quando um veículo sempre estava do lado do governo, funcionando como uma grande assessoria de imprensa, publicando apenas elogios e matérias para promoção e blindagem do governo de plantão. A população, coitada, nunca tinha acesso ao que de fato acontecia dentro dos governos porque a “grande mídia” não deixava.

“Um absurdo”, repetiam os professores de esquerda. “Jornalismo não pode ser assim. Precisa ser livre, democrático, popular”, insistiam.  Falavam também do clima de terror dentro das redações, onde os jornalistas assalariados não podiam escrever uma vírgula sequer que contrariasse os interesses dos “donos” da mídia. Bom mesmo eram os jornais de sindicatos, movimentos sociais e afins, que, “bravamente”, resistiam à lógica capitalista, e só assim conseguiam tornar realidade o propósito de informar bem e “dar voz à população”. Lá, os jornalistas eram livres, podiam mostrar a realidade.

Outra crítica comum dos professores de esquerda era a chamada concentração dos meios. Poucas pessoas tinham o “poder” de publicar e veicular conteúdos nos meios de comunicação. A população não tinha como expressar suas posições e pensamentos, eram continuamente calados pelo sistema. Por isso todas as formas de comunicação alternativa eram enaltecidas, rádios e tvs comunitárias, e a internet despontava como um alento: com as redes sociais, finalmente, o povo teria voz, poderia ter acesso a meio de contrapor os grandes veículos de comunicação. Sociedade em Rede, de Manuel Castells, era leitura obrigatória.

Seria interessante ver, hoje, se esses professores ainda defendem as mesmas ideias. Será que conseguiriam chamar de imprensa chapa-branca os jornais de sindicados, movimentos sociais e partidos que só sabem tecer elogios aos disparates de Lula e sua equipe? Teriam coragem de apontar a perseguição cada vez mais desenfreada aos jornalistas e colunistas de veículos que ainda resistem e insistem em tentar exercer a liberdade de imprensa sem se curvar aos ditames dos poderosos de plantão? Defenderiam a liberdade de expressão e o direto de voz da população nas redes sociais? Teriam a capacidade de elogiar os grandes veículos e suas reportagens que mostram a podridão embrenhada nas esferas do poder? Duvido muito.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

VISITOU MAIS O XEIQUE DO QUE OS ESTADOS

Com apenas 11 dias para terminar o ano e com tempo de sobra para agendas internacionais, o presidente Lula, não deu as caras em oito estados: Acre, Alagoas, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Tocantins e Santa Catarina.

Desta lista, Lula levou a pior na maioria dos estados no segundo turno. Venceu só em AL (58,68%), TO (51,36%) e ganhou raspando em MG, com diferença de apenas 0,4% (50,2%).

Em RO e AC, Bolsonaro levou mais de 70% dos votos.

A lista de estados ignorados só não é maior porque Lula, pela primeira vez, na sexta (15), foi ao Espírito Santo, e ao Amapá na segunda (18).

Lula também ignorou uma das estrelas do agronegócio, Goiás. O estado também teve maioria votante em Jair Bolsonaro, 58,71%.

Lula levaria apenas 13 minutos de voo entre Brasília/Goiânia. Em junho, a agenda de Lula no estado foi cancelada sob desculpa de mau tempo.

Lula esteve mais vezes visitando o xeique Mohammed bin Rashid Al Maktoum (Emirados Árabes) do que em 22 dos estados brasileiros.

* * *

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!!

É desolador saber que um sujeito desse nível está governando o nosso amado Brasil.

Mais desolador ainda é ter consciência de que ele foi colocado lá onde está eletronicamente.

Coitado desse nosso país.

Vamos rezar!!!

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

MODERAÇÃO É PALAVRA DE ORDEM PARA COMBATER A INFLAÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

BC juros

Vista do prédio do BC, em Brasília: Copom reduziu a taxa de juros pela quarta vez seguida em dezembro

Na terça-feira, o Banco Central divulgou a ata de sua reunião da semana passada, em que a taxa Selic foi reduzida em meio ponto porcentual – a quarta baixa seguida –, terminando 2023 em 11,75% ao ano. Sem muitas novidades em relação a outras atas e comunicados das reuniões anteriores, o texto afirma que o processo desinflacionário está em curso, mostrando o acerto da política monetária da instituição, mas que ainda há um “caminho longo a percorrer” até que se atinja o objetivo de “ancoragem das expectativas” de inflação. Mesmo com um cenário interno e externo ligeiramente melhor, as incertezas e a volatilidade persistem e, por isso, o órgão fala em “serenidade” e “moderação” na condução da política monetária – mas a ata também deixa implícito que não é apenas o Copom que tem de agir guiado por essa moderação.

Externamente, o Copom avaliou que economias desenvolvidas estão começando a mandar sinais mais positivos, com núcleos de inflação ainda elevados, mas apontando para quedas, o que por sua vez poderá permitir afrouxamentos monetários futuros – no mesmo dia em que o Copom encerrava sua reunião, o Fed norte-americano manteve os juros pela terceira vez seguida, após um ciclo de aperto que durou de março de 2022 a julho de 2023. Juros elevados em países ricos costumam prejudicar os emergentes, pois o dinheiro tende a migrar para as economias sólidas, afetando o câmbio e encarecendo as importações, o que puxa a inflação para cima.

No Brasil, a inflação caminha para terminar 2023 dentro do limite de tolerância, e os dados do mercado de trabalho não indicam grandes pressões; no entanto, os dados recentes do PIB que mostram queda no investimento e força no consumo das famílias preocuparam alguns membros do Copom, que alertaram para a possibilidade, no médio prazo, de “um excesso de demanda em relação à oferta, com potenciais impactos sobre preços”. Ao fim, a conclusão unânime do colegiado foi a de que o corte de meio ponto porcentual era a decisão mais adequada, com novas reduções semelhantes nas reuniões seguintes caso não ocorra nenhuma anormalidade. Mas é justamente aqui que mora o perigo, e não falamos de nenhum evento climático extremo ou de uma grande crise internacional.

A ata é bastante enfática a respeito das consequências do descontrole fiscal. Repetindo o que já dissera várias vezes, o Copom afirma que “tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, o Comitê reafirma a importância da firme persecução dessas metas” – um aviso necessário, já que o presidente Lula e várias alas do petismo estão colocando em xeque a meta de zerar o déficit primário em 2024. A desmoralização do arcabouço fiscal que o próprio governo propôs vai na direção contrária à que o comitê pede: “a redução das expectativas requer (…) o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira”, diz a ata.

Não é apenas o Banco Central, mas também a língua presidencial – e a de muitos petistas –precisa de moderação se quisermos controlar de vez a inflação. Cada vez que Lula abre a boca para atacar a disciplina fiscal, cada vez que um petista defende a gastança em 2024 como meio de garantir uma vitória eleitoral, as dúvidas sobre a saúde fiscal brasileira se elevam. E, como também afirmou o Copom, “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal (…) e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade” – em outras palavras: os juros só poderão cair ainda mais se houver compromisso, em palavras e ações, com a disciplina fiscal.

PENINHA - DICA MUSICAL