DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

CONGRESSO PODE IMPOR DURAS DERROTAS A LULA SE DERRUBAR SEUS VETOS

Congresso

O Congresso Nacional, que é a reunião da Câmara e do Senado, presidida pelo senador Rodrigo Pacheco, se prepara hoje para derrubar um veto total do presidente Lula contra a desoneração da folha de pagamento, essencial para estimular emprego nesse país nos 17 setores que mais empregam. Aí está incluída a construção civil, obviamente. Isso é necessário por que, se não renovar a lei, acaba tudo dia 31 de dezembro. Aí, de novo, a folha de pagamento fica onerada com 20%. Vai ficar 20% mais caro. De repente a empresa, depois de quatro anos de um certo alívio, vem uma nova despesa. A desoneração equivale a de 1% a 4,5% sobre o lucro bruto, a renda bruta da empresa. Tudo indica que vai ser derrubado. Um outro veto que pode ser derrubado hoje é o do marco temporal, aquele caso absurdo no qual o Supremo disse que a Constituição é inconstitucional. É o artigo 231, eu acho – não me recordo bem -, mas é aquele que diz que são indígenas as terras que tradicionalmente ocupam. Está no presente indicativo, portanto, ocupam no dia da promulgação da Constituição, 5 de outubro de 88. Se expandir demais isso, nós vamos para trás até Cabral e para frente ao infinito. E aí, o Senado e a Câmara aprovaram algo que deixa bem claro, falando que vale para aqueles que estavam ocupando naquele dia, ou que não estavam ali, mas demonstram, provam que estavam ocupando aquela terra naquele dia. E o presidente Lula vetou, e esse veto também pode ser derrubado.

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Maduro

Hoje é dia também dessa reunião, que é só para o Maduro mostrar que tem conversa. Mas para ele não tem mais conversa. Ele disse, no primeiro parágrafo da carta que ele fez, que sempre procurou o diálogo. E no último parágrafo ele disse, olha, eu estou aqui para executar a ordem do meu povo, que foi 95% de sim para invadir a Guiana e tomar esse Essequibo. Em outras palavras disse isso. Temos que cumprir o que foi estabelecido no referendo, que aliás é um referendo que não dá 95% do povo venezuelano, nem mesmo sobre o eleitorado. É 95% de sim sobre 10 milhões e 700 mil eleitores. Dá 48% sobre o total de eleitores, que é 20 milhões e 700 mil. O presidente da Guiana já disse que não vai discutir entrega de território com o outro que quer o território, que esse assunto tem que ser discutido no Tribunal Internacional. Só que Maduro diz que não aceita discutir no Tribunal Internacional. O Brasil mandou um observador lá, o Celso Amorim, para ficar só observando. Enquanto isso, os Estados Unidos, que é um país muito prático, já mandou esquadrilhas de F-35, que é a última geração de caças, de fighters, para mostrar para os Sukhoi de Maduro que não ousem. Então, a coisa está nesse pé.

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Janones

Por fim, queria mencionar aqui o caso de Rachadinha, do Janones, que agora está no Conselho de Ética da Câmara. Várias gravações de funcionários dele dizendo que ele pediu dinheiro para os funcionários para pagar a dívida de campanha pela Prefeitura de Ituiutaba, em 2016, que ele está devendo 200 mil. Ou seja, os funcionários têm que arranjar os 200 mil, está lá nas gravações. Ele nega, diz que não foi nada disso e tal, mas está com jeito de… Se o relator não for o Boulos, que é um dos três nomes lá cotados para ser relator, eu acho que ele já se encaminha para uma cassação. Essa é a verdadeira cassação. Não é feita por um outro poder, no caso o Supremo. É feita pelos seus pares, tal como aconteceu tantas vezes na Câmara, por razões em que se diz que a pessoa não tem mais condições de conviver com seus pares. A cassação implica também em caçar os votos dos seus eleitores.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

O PT SENDO PT

Comentário sobre a postagem INVADIRAM A CONTA DA JANJA NO TWITTER: FOI HACKER OU É TUDO ARMAÇÃO?

João Francisco:

Esta “invasão hacker” é o PT sendo PT e inventando coisas para fazer maldades.

Realmente estranho é uma pessoa invadir o celular da Janja (a única maneira de entrar no X verificado), ter acesso a todas as conversas existentes e ao invés de expor tudo, entra no X e fica fazendo piadinhas de 5ª série.

Óbvio que em seguida vem toda a tropa para dizer que está na hora de controlar a internet, especialmente o X.

Previsível, assim como foi previsível o 8/1 e suas consequências.

DEU NO JORNAL

COMO NÃO COMBATER A CORRUPÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSD) assinou acordo no qual admite que praticou corrupção.

Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSD) assinou acordo no qual admite que praticou corrupção

O mesmo Paraná que deu ao Brasil a Operação Lava Jato, um exemplo de tenacidade e inteligência que revelou ao país as entranhas do maior esquema de corrupção da história brasileira, e levou à prisão figuras graúdas da política e do empresariado nacional (ainda que tudo isso tenha sido desfeito depois), agora dá um contraexemplo de combate à corrupção ao deixar escapar praticamente impune um figurão da política local. O atual presidente da Assembleia Legislativa do estado (Alep), deputado Ademar Traiano (PSD), tem tudo para escapar da responsabilização por um esquema montado no Legislativo estadual, entregando no máximo alguns poucos anéis, graças a uma inexplicável escolha do Ministério Público paranaense.

Em outubro deste ano, Traiano se desentendeu com o também deputado estadual Renato Freitas (PT). Ao ter o microfone cortado pelo presidente da Alep após insultar evangélicos que se manifestavam nas galerias da casa legislativa, Freitas chamou Traiano de “corrupto”, o que levou à abertura de um processo contra o petista por quebra de decoro parlamentar. Ocorre que, goste-se ou não de Freitas, de sua retórica agressiva e de seus métodos, que já incluíram a invasão de igrejas, desta vez ele tinha razão: Traiano e o ex-deputado Plauto Miró (União Brasil) admitiram ter pedido e recebido propina em 2015 para renovar um contrato relativo à produção de conteúdo para a TV Assembleia. O processo corria em segredo de Justiça até que a imprensa local teve acesso aos documentos. As reportagens, no entanto, foram censuradas por uma juíza de primeira instância no início deste mês; dias depois, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná derrubou a liminar e permitiu a divulgação das informações. E o que elas mostram é tão escandaloso quanto a corrupção em si.

Diante de um caso de corrupção devidamente comprovado graças às evidências entregues pelo empresário Vicente Malucelli, que gravou os achaques, a única opção possível ao Ministério Público seria levar o caso à Justiça para que os políticos pagassem pelo que admitiram ter feito. Em vez disso, o MPE simplesmente assinou com Traiano e Miró um acordo de não persecução penal, em dezembro do ano passado, pelo qual os dois políticos apenas admitiram o pedido de propina e se comprometeram em devolver R$ 187 mil; em troca, não seriam responsabilizados nem civil nem penalmente. É algo que não faz o menor sentido, assim como também não há razão nenhuma para a manutenção do sigilo sobre o acordo, como bem lembrou o desembargador que derrubou a decisão de censura das reportagens sobre o caso.

Ressalte-se que não estamos diante de alguém que recebe um benefício legal em troca de colaboração para que se alcancem os “peixes grandes” – isso se aplicava a Malucelli, mas Traiano, como chefe do Legislativo estadual, já é o ponto culminante do esquema, não havendo ninguém ainda maior que possa ser pego graças à colaboração dos dois políticos. Elucidada a trama, era hora de o MP dar início aos processos; no máximo, a confissão e o ressarcimento poderiam servir como atenuantes no momento de determinar as penas, mas jamais servir de pretexto para que o MP abrisse mão da pretensão de levar os corruptos confessos à Justiça. Livrando Traiano e Miró de toda e qualquer responsabilização, apenas mediante a devolução de um valor que nem mesmo corresponde à quantia integral da propina, o MP optou deliberadamente pela impunidade. Como é possível tamanha leniência com alguém que, ainda por cima, é o chefe do Poder Legislativo no estado? Na “menos pior” das hipóteses, estamos diante de um absurdo inaceitável; na pior, essa escolha pode até configurar crime de prevaricação.

Deveríamos estar discutindo se Traiano deveria ter seu mandato cassado, ser condenado pela Justiça e, talvez, preso; em vez disso, fala-se apenas em tirar o deputado da presidência da Assembleia Legislativa ou em uma punição da parte de seu partido, algo muito menor em comparação com os atos cometidos. E mesmo assim ainda há quem o defenda: em nota, o PSD – presidido no Paraná pelo atual governador do estado, Carlos Massa Ratinho Júnior – hipocritamente se apoiou no fato de não haver “condenação do filiado no caso citado” para não abrir procedimentos internos, esquecendo-se de que Traiano confessou o ato de corrupção e de que só não houve condenação porque o MP, de forma inexplicável, não quis levar o caso à Justiça. Ainda que o caso de Traiano esteja muito longe das dimensões da Lava Jato, a maneira como ele foi conduzido atesta como, em pouquíssimo tempo, a corrupção voltou a ser relativizada – inclusive pelas autoridades que deveriam estar mais empenhadas no seu combate.

PENINHA - DICA MUSICAL