WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

HOMENAGEM AO MEU PAI, O POETA ZÉ VICENTE DA PARAÍBA

* * *

Mote de Wélio César e glosas deste colunista

Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

Quem diria que o homem pequenino
De um metro e sessenta de altura
Possuía tão grande envergadura
No acervo do folclore nordestino?
“O Autor da Natureza” virou hino,
Zé Ramalho regravou depois que leu,
Geraldinho, um colega do Alceu,
Fez Marília cantar na mesma linha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

Foi Pocinhos o seu ponto de chegada,
Situada na poética Paraíba,
Se o frevo foi tudo pra Capiba,
Para Zé, foi a rima improvisada.
A viola sustenida e afinada
Foi parceira em tudo que viveu,
Com seu canto, tantos cantos percorreu
Tendo ao peito a famosa violinha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

O primeiro poeta cantador
A gravar no Brasil um LP,
Numa época sem a força da TV
O poeta foi um grande inovador.
Ele próprio foi o seu divulgador,
Pelo canto deu fama ao nome seu,
Lá no Rio de Janeiro defendeu
Nossa arte ao cantar com Arrudinha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

Percorreu dezessete capitais
Difundindo a cultura do repente,
Quem ouvia os versos de Vicente
Percebia os lampejos magistrais.
O que soube passou para os demais
Repentistas que ele conheceu,
Na escola de Deus tudo aprendeu
E essa dádiva divina ele mantinha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

Pernambuco lhe deu toda guarida,
Onde ele chegou ainda novo,
Adotado pela arte e pelo povo
Deu a vida ao repente e ganhou vida.
Difusora, emissora mais ouvida,
A primeira que um dia o acolheu
E nas ondas do rádio foi Orfeu
No lirismo que a sua voz continha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

Foi a terra do Mestre Vitalino
Que lhe deu projeção nacional,
Sendo aquela a vitrine natural
Do mais puro folclore nordestino.
Correu léguas igualmente um beduíno,
Ganhou mais festivais do que perdeu,
Na Bahia chegou ao apogeu
Ao cantar pra Getúlio na pracinha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu

Foi no ano dezenove, meia, três
Que o vate cantando em nossa Altinho
Quis formar por aqui um novo ninho
Pra livrar-se da incômoda viuvez.
Enedina foi a musa dessa vez
E ao vê-la o poeta estremeceu,
Desse novo casamento nasci eu
E o mais novo chamado de Cesinha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

Jeová e Josafá foram os primeiros
Filhos deste poeta do sertão,
César e eu da segunda geração,
Mas amigos fiéis dos pioneiros.
Como fãs, nos tornamos escoteiros,
Seguidores das lições que ele deu,
Se na vida nenhum crime cometeu
Com certeza hoje está com a Mãe Rainha.
Eu vim ver o valor que papai tinha
Só depois que o mesmo faleceu.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Caro Berto

Acabo de receber esta, de um amigo policial federal aposentado, que tem amigos por aí em Recife, arriscando-se nessa parada.

Como estamos…

Envio duas fotos.

Em uma, aparece um dos bandidos – ferido na ação policial, que segundo o remetente, teria sido recolhido ao Hospital Agamenon Magalhães aí do Recife.

E a outra, reproduz o final do despacho do delegado ao qual os patrulheiros apresentaram o outro bandido.

Que foi preso, incólume, mesmo trocando tiros com os policiais, e que foi premiado com essa decisão.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

BLOCO DA NÊGA FULÔ

Hoje, domingo de carnaval, 27 de fevereiro, completo 82 anos. Quando jovem pensava que um homem de 70 anos era um velho ocioso, esperando a morte chegar. Passei dessa idade, ainda me sinto frutuoso, trabalho como posso, mas o corpo já não é o mesmo, tem a artrose e o cansaço que impedem movimentos maiores. A cabeça quer, mas, o corpo não acompanha. Nem por isso fico aboletado numa poltrona apenas vendo televisão. Nessa época de pandemia, sem sair de casa, tenho um roteiro de trabalho e cuidado com a saúde. Cuido do meu corpo: duas vezes por semana vou à fisioterapia e não passo mais de quatro meses sem uma consulta à geriatra. Não vivo do passado, transformei as saudades em boas lembranças.

E nesse domingo relembro o carnaval durante a mocidade nas ruas de Maceió. A Maratona Carnavalesca na Rua do Comércio iniciava quinze dias antes do carnaval. Em cada esquina havia um palanque com uma banda de música tocando frevos e marchinhas e o povo embaixo dançando, pulando enquanto os carros, jipes e camionetes rodavam fazendo o corso, desfile de carros abertos. Toda noite, meninos da Avenida da Paz, subíamos ao Centro da cidade em busca de folia e aventuras.

O carnaval praticamente começava no início do ano com as festas pré-carnavalescas nos clubes: Baile de Máscaras, Festa do Havaí, Preto e Branco, entre outras, até chegar o carnaval.

O Carnaval é a maior manifestação cultural espontânea do povo brasileiro. No Carnaval o homem, o menino, o velho, a moça, o rico, o pobre, esquecem a tristeza pelo menos durante quatro dias. E tem mais, o Carnaval é um grande negócio, é a síntese da Economia Criativa. Durante o carnaval há uma enorme geração de emprego e renda. Quem mais ganha são os pequenos comerciantes e profissionais: ambulantes, músicos, taxistas, pousadas, hotéis, costureiras, montadoras, etc…

Em Maceió, há alguns anos um prefeito acabou o carnaval de rua para não perturbar os turistas. Jamais aceitei essa ideia esdrúxula e estapafúrdia. A cidade ficou por mais de dez anos sem carnaval de rua, só tinham as prévias carnavalescas. Um amigo, economista, fez o cálculo: Durante o carnaval saem de Maceió, viajam cerca de 200.000 (duzentos mil habitantes) habitantes em busca da folia em outras cidades e estados. Se cada folião gastar apenas R$ 500,00 durante o carnaval; serão mais de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais) que deixam de circular em Maceió durante o carnaval, se ele gastasse aqui. Um pecado contra a cidade. Escrevi artigos, fui às rádios, às televisões reclamar dessa obscena resolução dos governantes: tirar do povo seus momentos de alegria.

Até que em 2016, criei o Bloco da Nêga Fulô com o objetivo de resgatar o carnaval nos dias de carnaval. Foi um sucesso, no desfile de estreia, domingo de carnaval mais de 500 foliões acompanharam o bloco com uma excelente banda de frevo. No segundo ano, em 2017 o Bloco Nêga Fulô teve a companhia de mais dois blocos: o Mamãe eu Quero e o Siri Mole, cada ano foi crescendo. Em 2020 fizemos um carnaval na Orla da Ponta Verde durante os quatro dias com 34 blocos. Pena que logo depois veio a pandemia. Hoje domingo de carnaval o Bloco da Nêga Fulô estaria desfilando homenageando uma grande personagem do povo: a Miss Paripueira. Infelizmente a pandemia não acabou. Resta esperar por dias melhores que certamente virão. Em 2023 irei desfilar no Bloco da Nêga Fulô na orla da Ponta Verde no domingo de carnaval com 83 anos no costado. Viva o Zé Pereira. Viva o carnaval.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARTHUR TAVARES – SÃO PAULO-SP

Com nosso dinheiro…..

É tanta estupidez que revolta pois ninguém do executivo ou do legislativo contesta esta esculhambação…

Vejam vocês

Patati…. patata……

1.Voce transfere dinheiro eletronicamente
2. Vc faz compras eletronicamente
3. Vc compra comida eletronicamente
4. Vc paga contas eletronicamente

Aí vem o absurdo…….

5. Chegou a urna eletrônica…… e vem um monte de asneiras…… patati…… patata…..

Pois é…… parecemos palhaços

1. Pois podemos CHECAR que o dinheiro chegou na conta
2. Pois a mercadoria chega no prazo
3. Pois a comida chega para matar nossa fome
4. Pois sabemos na sequencia que o Credor recebeu seu dinheiro

Com a “urna inviolável”

Nao tem como validar de maneira bem óbvia que meu voto chegou ao candidato….

Se houver duvidas não tem como auditar

Nos casos acima, confrontamos nosso arquivo eletrônico, com o RECLAMANTE.

Simples assim…

PQP….. ninguém pode acionar estes FDPs idiotas, mentirosos e arrogantes ???

Meu guru:

Parabens pela continuidade do JBF, coragem e independência para manter assim

Um grande abraço

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Anita Malfatti

Anita Catarina Malfatti nasceu em São Paulo, SP, em 2/12/1889. Pintora, desenhista, ilustradora, gravadora, professora e pioneira da Arte Moderna Brasileira. Um surpreendente caso superação, tendo em vista o fato de nascer com uma deficiência física menor, atrofia no braço e mão direita, a mão que pinta! E, mesmo assim, ter se tornado uma grande pintora. Como pintora foi adiante e introduziu o “Modernismo” no Brasil, que agora comemora seu centenário.

Filha da pintora norte-americana Eleonora Elizabeth Krug e do engenheiro italiano Samuel Malfatti, viajou para a Itália aos 3 anos para uma cirurgia corretiva, mas o resultado não foi animador. De volta ao Brasil, foi auxiliada por Miss Browne, uma governanta inglesa, a usar a mão esquerda no aprendizado da escrita e da pintura. Os primeiros estudos se deram na Escola Americana e no Colégio Mackenzie, onde foi diplomada professora, aos 17 anos, em 1906. Ainda na infância, seu pai que chegou a ser deputado estadual em 1892-1894, faleceu e a família perdeu o esteio financeiro. Não sofreu graves perrengues, mas passou a levar uma vida modesta.

Para se manter, a mãe foi dar aulas particulares de idiomas, desenho e pintura, tendo a filha como assistente. Aí a menina aprendeu e desenvolveu o talento no desenho e na pintura. No entanto, sua vida não ia bem, pois aos 13 anos tentou suicídio, deitando-se nos trilhos do trem, próximo da Estação Barra Funda, onde morava. Aos 21 anos, em 1910, seu tio e padrinho Jorge Krug bancou sua viagem à Alemanha, onde estudou pintura e entrou em contatos com movimentos de vanguarda: expressionismo, cubismo e com o grupo “Die Brucke”. Teve aulas com destacados professores: Fritz Burger e Lovis Corinth e Ernst Bischoff-Klum. Depois ingressou na Academia de Belas Artes de Berlim, mas deixou-a no ano seguinte convencida que a arte acadêmica não era sua praia. Pouco antes de estourar a I Guerra Mundial, retornou à São Paulo após breve estadia em Paris.

Aos 24 anos realizou sua primeira exposição individual e tinha como objetivo obter uma bolsa de estudos e voltar a viajar, mas não conseguiu. Seu tio/padrinho bancou de novo sua viagem para Nova Iorque, em 1914, onde estudou na Art Student’s League e Independent School of Arts, para estudar gravura e pintura, e teve aulas com George Brant Bridgman e o pintor e filósofo Homer Boss, que a aconselhou a se aprofundar mais na arte expressionista. Ficou por lá 2 anos e, na volta com a mala cheia de telas, causou certa decepção no âmbito familiar. Não compreenderam aquele tipo de pintura; gostariam de ver uma pintura mais formal. Outra exposição foi montada em 1917. Vendeu 8 quadros, mas uma crítica ferrenha, publicada por Monteiro Lobato n’O Estado de São Paulo, em 20/12/1917, causou a devolução dos quadros e ela passou a ser atacada pela imprensa.

Os futuros modernistas – Oswald e Mario de Andrade, Di Cavalcanti, Guilherme de Almeida e Menotti Del Picchia – entraram em campo para defendê-la. Não deixa de ser interessante o fato que a tornou conhecida do público paulistano: as críticas acirradas de Monteiro Lobato. Ao verem sua verve – vale dizer: um “medalhão” literário- contra aquele tipo de pintura, todos se motivaram em ver as obras e correram para a exposição. Em seguida, talvez movida pela crítica, tentou uma aproximação com a linguagem tradicional e foi tomar aulas com Pedro Alexandrino Borges, um pintor acadêmico, e frequentar o ateliê do pintor alemão George Fischer Elpons, onde travou contato mais próximo com colegas do curso: Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti. Tal amizade resultou na criação do “Grupo dos Cinco” (Mário, Oswald, Menotti, Anita e Tarsila) que irá organizar a Semana de Arte Moderna, em 1922.

Expôs 20 telas durante a Semana e no ano seguinte ganhou uma bolsa do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo. Viajou de novo para Paris, onde morou por 5 anos. Na volta, em 1928, e já consagrada como pintora, montou sua quarta exposição individual. A partir de 1930, participou de diversos eventos: fundou a SPAM-Sociedade Pró-Arte Moderna; participou do Salão Revolucionário (1931); montou um curso de História da Arte; aproximou-se da Família Artística Paulista (FAP) e instalou seu ateliê no bairro de Higienópolis, onde permaneceu até 1952. No ano anterior participou da I Bienal de São Paulo e seguintes e ganhou uma sala especial na 6ª Bienal, em 1961. No 40º ano da Semana de Arte Moderna, em 1962, foi homenageada e participou de diversos eventos.

Não obstante ser uma pessoa famosa, era uma pessoa tímida e vivia mais ou menos reclusa em sua chácara em Diadema desde a década de 1940, após a morte de sua mãe e de seu grande amigo Mario de Andrade. Aí veio a falecer em 6/11/1964. Entre seus trabalhos mais conhecidos, encontram-se: O Farol (1915), Torso/Ritmo (1915/16), O Homem Amarelo (1915), Tropical (1917), A Japonesa (1924), A Estudante (1916), Samba (1945), Paisagem de Ouro Preto (1948), A Boba (1915) etc. A bibliografia sobre a pintora é extensa, tal como as biografias dentre as quais vale citar: Minha Tia Anita Malfatti (2009), de Doris Maria Malfatti; Anita Malfatti no tempo e no espaço: biografia e estudo da obra (2019), de Maria Rossetti Batista e Anita Malfatti (2011), seu caderno de desenhos, publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

COMENTÁRIO DO LEITOR

A RÚSSIA E AS GUERRAS

Comentário sobe a postagem 4 TRAGOS DE VODCA

Osnaldo:

Eu estava na Praça do Kremlin, vendo a belíssima troca da guarda do soldado desconhecido quando, vi o que parecia ser uma procissão serpenteando no meio da multidão. Era um casal de noivos à frente de (creio) parentes e convidados. Eles chegaram em frente ao túmulo, o soldado de plantão abriu a cordinha e ela depositou o buquê no túmulo.

Uma das cenas mais emocionantes que jamais vi.

Isto é para dizer como a guerra ainda é uma coisa muito presente na cultura do povo russo.

Uma das grandes atrações de Moscou é o Museu de Borodino em homenagem à batalha de mesmo nome que determinou a derrota de Napoleão em solo russo.

É um museu inusitado: circular e com as paredes curvas onde as pinturas nas paredes parecem 3D mostrando cenas da batalha com os franceses e mais perto, espalhados pelo chão, restos de carroças, canhões, uniformes etc. Como pano de fundo, a sinfonia 1812 de Tchaikovsky, com aquela salva de tiros de canhão, também muito emocionante.

Outra grande atração é o Museu da Grande Guerra, onde existe um obelisco de tamanho monumental, feito com os restos dos tanques alemães e em uma das salas encontra-se no teto 25 milhões de pingentes em homenagem a cada russo morto na guerra.

Para o Ocidente em geral a guerra foi esquecida, para os russos, todo mundo tem uma história de perda familiar por conta dela.

Eles sabem que é bem fácil invadir a Rússia, uma tremenda planície onde tirando o Don, o Dnieper e o Volga, não existe barreira para chegar-se em Moscou, como fizeram os franceses e os alemães.

Tenho tecido considerações sobre este tema e muita gente (especialmente no Twitter) acha que estou defendendo os russos, não precisa defendê-los para entender seus receios e seus motivos.

Tudo que eles não querem é uma base militar americana às suas portas.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL