CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VIOLANTE PIMENTEL – NATAL-RN

Querido Editor Luiz Berto,

Boa tarde!

Segue o comprovante da doação, para o nosso querido JBF.

Uma ótima semana!

Muita saúde e paz!

R. Minha querida amiga e colunista fubânica, sua generosa doação já está na conta desta gazeta escrota.

A sua e também a dos leitores Ruy M. Peixoto, Marcia Soares e Antonio Motta.

Gratíssimo a todos vocês que nos ajudam a manter este jornaleco avuando pelos ares.

Vai voltar tudo em dobro na forma de paz, saúde, tranquilidade e longa vida.

Chupicleide está aqui de quatro, relinchando e escoiceando de tanta alegria.

Ô sujeitinha sem compostura!

“Gratíssima, meus amores. Amo todos vocês! Um xêro bem grande!!!”

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SINDICALISMO

Este fim de semana estava cá, eu, balangando na minha rede de imbira, debaixo de minha taba, espantando mosquito com abano de folha de jissara e coçando a carcundinha de meus cachorros, ao mesmo tempo em que prestava atenção no que uns caraíbas traziam a respeito da fala do Luladrão e o seu pau mandado e boneco de ventríloquo, a senhora Amante, ou Coxa, também conhecida como Gleisi Hoffman a ladra de velhinhos do INSS. A conversa que eu estava assuntando era sobre a reforma trabalhista e a promessa de que, se o corrupto de Garanhuns voltar à presidência, vai anular essa dita reforma. E, na toada da manada, o sindicalismo tupiniquim está mais ouriçado do que formiga quente em dia de correição. Mas, explico, e aí peço ao curumim, um pouco de paciência com este velho caeté.

Dois dos pontos mais importantes da reforma, tanto para o empregador, quanto para o empregado, foi a adoção de critérios mais equilibrados nas demandas da justiça do trabalho (em minúsculo mesmo. Recuso-me a tratar no maiúsculos entidades parasitárias do estado Tupinambá). Com esses critérios, a judicialização de demandas trabalhistas passaram a tratar as partes com maior equilíbrio. Um grande amigo que trabalha na justiça do trabalho aqui do glorioso Mato Grosso do Sul, disse-me que as demandas caíram cerca de 80% de 2018 para cá, tão logo ficou claro que o lado que perdesse pagaria as custas processuais e os honorários. Isso em uma vara, segundo ele, 95% das ações era de má-fé, ou apenas vingança contra o contratador.

O segundo ponto, e talvez o mais significativo, e é aí que Amante e o Ladravaz mais se empenham é o famoso “imposto sindical”. Uma excrescência do tempo daquele Tcholo (índio dos pampas argentinos), o Getúlio Vargas, que atrelava os sindicatos às suas birras. Depois esse imposto virou fonte de arrecadação bilionária para a manutenção de uma estrutura parasitária, inepta, corrupta e antitrabalhador de Pindorama. Era descontado um dia de trabalho de todo trabalhador brasileiro, fosse ele sindicalizado, ou não, para o sustento de uma máquina que, em tese, deveria ser seu porta-voz.

Acontece que o sindicalismo brasileiro perdeu o rumo, perdeu seu norte magnético e sua bússola moral e ética. O sindicalismo brasileiro atrelou-se a uma visão de mundo que não existe mais. Deixou de ser a voz do trabalhador, na busca de melhoria da qualidade do ambiente de trabalho e de qualificação do trabalhador para ser, por um lado, apenas uma banca assistencialista e de distribuição de pão e circo, e, por outro lado, apenas o braço operante de uma quadrilha que se travestiu, há 42 anos, de partido político.

Aqui no Mato Grosso do Sul, o governo do estado conseguiu aprovar uma lei, em 2017 em que o professor que trabalha no regime de contrato passaria a ganhar cerca de 47% menos que o professor efetivo, mas fazendo o mesmo trabalho, com a mesma qualificação e a mesma carga horária. Quando nosso sindicato resolveu fazer uma assembleia para discutir o assunto, Inês já era morta. Ao se questionar porque isso ocorreu, pedi a palavra e disse que, enquanto nossos dirigentes sindicais estavam organizando excursões para ir até Curitiba para dar “bom dia” a um ladrão e corrupto, o governador do estado estava tramando essa crocodilagem. Fui convidado, gentilmente, por dois leões de chácaras, a deixar o recinto, pois, segundo os dirigentes sindicais eu estava tumultuando a reunião.

E essa situação não é exclusiva do sindicato que participo, mas sim, uma realidade nacional. O sindicalismo brasileiro deixou de ter foco no seu sindicalizado. O sindicato, para a maioria dos dirigentes sindicais é apenas uma desculpa para não trabalhar e para usar o sindicalizado como trampolim para o mundo da política. A federação de professores aqui do Mato Grosso do Sul tem, vejam bem, 42 anos de existência. Nesse tempo todo, somente duas pessoas ocuparam a presidência do mesmo. O primeiro, trabalhou apenas 3 meses em sala de aula, se aposentou como professor na direção da federação, depois partiu para ser secretário de educação, logo em seguida deputado federal e sumiu na currutela. O atual já disse que vai lançar-se candidato a deputado estadual (adivinhem por qual partido? Isso mesmo, a quadrilha travestida de partido político), e vai deixar a direção sindical.

Nosso sindicalismo recusa-se a deixar as fraldas. Teima em não crescer. Chama o trabalhador de proletário. Esseoutro dia, conversando com um amigo sindicalista, veio com essa lorota de proletário. Olhei para ele e disse para ele ir em uma empresa como Kepler Weber, International Paper e perguntar lá, quem é proletário. É bem possível que ele saia escorraçado com os ouvidos ardendo de “proletário é a p….”. Deixa pra lá! Esse sindicalismo não quer sindicalizados para lutar por eles. Quer apenas a bolada que o imposto sindical dispunha a cada ano. O sindicalismo brasileiro embarcou na canoa da esquerda para se transformar em entidades parasitas, cheia de vagabundos não sabem o que é local de trabalho, mas que decoram uns bordões tacanhos que seduzem outros que, de maneira vagabunda já perceberam o grande negócio que é um cargo sindical.

Entidades como CUT, Força Sindical, UGT, CGT et caterva estão pouco se lixando para o trabalhador. Apoiam o Ladravaz e sua sanha em desfazer a reforma trabalhista, não porque estejam preocupados com o trabalhador, mas sim com a volta desse famigerado imposto. Isto porque, sem esse dinheiro fácil, eles, em tese, teriam que trabalhar pelo filiado. Vejam como era a situação. Até 2017, o sindicato trabalhando, ou não pelo sindicalizado teria uma boa grana garantida. Aqui, a nossa federação tinha uma bolada de 79 milhões de reais garantidos, após 2018 caiu para menos de 53 mil reais. Por isso estão tão alvoroçados com a promessa de “desfazer” a reforma trabalhista. Não é pelo interesse em proteção aos direitos, que não são direitos, do trabalhador, mas sim pelo dinheiro fácil do imposto sindical.

Como sou caeté e gosto de provocar Nhambiquaras, Tupinambás, Kadwéus, Borôros, entre outros, em uma palestra aqui como senhor Carlos Gabas, aquele guabiru píu grasso do “Consórcio Nordeste”, que pagou uma bolada por respiradores artificiais, para uma empresa com o nome de maconha, durante a pandemia e nunca recebeu os aparelhos e nem o dinheiro pago, sobre a reforma trabalhista e a “perca” de direitos, no arremedo de português que eles usam, em uma universidade daqui de Campo Grande, ouvi esse senhor por 45 minutos falar que a reforma tirou direitos dos trabalhadores, que escravizava o trabalhador, sendo aplaudido pelos alunos profissionais integrantes de DCE.

Depois de toda a verborragia, sendo aberto espaço para questionamentos – questões a favor do palestrante, diga-se de passagem -, pedi espaço, saquei uma constituição que carrego no meu embornal – pode parecer absurdo, mas sou caeté, e como o saudoso Mario Juruna, ando precavido -, abri o capítulo 7 da Magna Carta e pedi ao senhor Gabas que apontasse quais dos 34 direitos inscritos ali, na Constituição de 1988 estava sendo abolido. Disse ainda que, como Direitos Trabalhistas é assunto constitucional, lei ordinária é inepta (caeté também é erudito) para modificar texto constitucional, e depois questionei se ele estava sendo apenas mentiroso, ou canalha? O resultado vocês já sabem. Fui expulso da palestra e solicitado a não mais botar os pés naquela universidade que diz pregar pela pluralidade e tolerância de pensamentos e ideias.

É nesse barco que nosso sindicalismo está. Precisamos, urgentemente, de um novo sindicalismo que se faça pelo sindicalizado e não se torne o algoz do sindicalizado para sustentar uma ruma de vagabundos e parasitas do trabalhador brasileiro.

XICO COM X, BIZERRA COM I

LAGARTA PINTADA

Quem foi que te pintou? A velhinha, o curupaco ou o macaquinho? Não importa quem foi o pintor. O que sei é que o serviço foi muito bem feito. Disso me convenci quando no meu jardim ela apareceu, uma solitária lagarta pintada. Linda como ela só. Matá-la? Claro que não. Não se mata animalzinho tão lindo, pequenina zebra frustrada do reino dos bichos maiores, cachecol colorido que passeia além dos pescoços alheios. Nenhum mal faz à gente ou às plantas e, como se não bastasse, embeleza nossos jardins. Vai além: cuida do desenvolvimento do verde devorando as folhas e transformando seus dejetos em adubo orgânico para que as plantas fortaleçam seu sistema imunológico. Deixemo-la flutuar por entre as flores, fogosa e feliz, rodopiando com seu andar requebrado. Dói-me, apenas, vê-la tão desacompanhada. Nunca a vi com seu par. Com quem trocará palavras, a quem dirá de suas alegrias e tristezas? Seria melhor se fosse uma borboleta, voando flor em flor e vendo tudo lá de cima? Não sei. Sei que me deixa feliz sua estadia no meio de minhas flores, junto ao pé de manacá, contemplando com um olhar meigo a minha pata-de-elefante. Que vá até o jardim vizinho, até permito, num passeio matinal, tornando também feliz meu amigo Renato e sua mulher Lena. Mas que não se demore e volte ligeirinho ao jardim de origem. Eu vi primeiro!

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DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

TEXTOS ALHEIOS

Thomas Sowell é um dos meus autores prediletos. Fala com conhecimento de causa e vai direto ao ponto, sem muitos rodeios. O texto abaixo, naturalmente, fala da situação nos EUA, o país dele. Não faço parte da comunidade acadêmica aqui no Brasil, mas o que observo e leio me leva a crer que as palavras de Sowell cabem direitinho na nossa realidade.

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PENSAR ESTÁ SE TORNANDO ALGO OBSOLETO – Thomas Sowell, 2014

Recentemente, um sujeito me criticou pelo que eu havia dito em um artigo. Ele não pediu as minhas fontes e nem quis saber se elas existiam; ele simplesmente saiu fazendo afirmações em contrário, como se essas suas assertivas fossem automaticamente corretas pelo simples fato de estarem sendo ditas por ele. As alegações que ele fez eram as mesmas que haviam sido feitas anos atrás em uma revista — alegações que já foram inteiramente desacreditadas desde sua publicação. Ele poderia ter aprendido isso caso tivesse me dado a chance de responder às suas provocações, de modo a começar um debate. Porém, ele próprio deixou claro desde o início que sua carta não tinha o objetivo de gerar um debate, mas sim apenas de me acusar e me denunciar.

Esse tipo de comportamento se tornou um procedimento padrão no mundo atual.

É sempre surpreendente – e apavorante – constatar quantos assuntos extremamente sérios não são discutidos seriamente hoje em dia; as pessoas simplesmente saem afirmando. Seja em debates de internet ou em programas de televisão, as pessoas simplesmente tentam calar seu opositor falando mais alto do que ele ou recorrendo a frases de efeito de cunho emotivo. Há inúmeras maneiras de parecer que se está argumentando quando na realidade não se está produzindo absolutamente nenhum argumento coerente.

Décadas de educação escolar e universitária simplificada (para não dizer idiotizante) certamente têm algo a ver com a atual situação, mas isso não explica tudo. A educação não foi apenas negligenciada no sistema educacional atual, como também foi quase que completamente substituída pela doutrinação ideológica. A doutrinação que hoje é feita por professores e instituições supostamente educacionais é amplamente baseada na simples vocalização das mesmas pressuposições básicas e não-comprovadas de sempre.

Se as instituições educacionais de hoje – desde escolas a universidades – estivessem tão interessadas em diversidade de ideias quanto estão obcecadas com diversidade racial e sexual, os estudantes ao menos adquiririam experiência ao ver as suposições que existem por trás de diferentes visões, e entenderiam a função da lógica e da evidência ao debaterem tais diferenças. No entanto, a realidade é que um estudante pode passar toda sua vida de estudante, desde o jardim de infância até o doutorado, sem entrar em contato com nenhuma visão de mundo diferente das opiniões autorizadas e politicamente corretas que dominam o sistema educacional. Para piorar, a perspectiva moral da ideologia predominante é completamente maniqueísta: as pessoas imbuídas dessas idéias realmente se vêem como anjos combatendo as forças do mal.

Estamos hoje vivenciando o esplendor do anti-intelectualismo que se espalhou por metástase ao longo de todo o mundo acadêmico. As universidades se tornaram tão dominadas pela ideia da inviolabilidade de certos pensamentos grupais que qualquer professor “forasteiro”, que não compactue com este pensamento gregário, não pode falar a respeito de nenhum assunto sem antes ter sido devidamente “credenciado” por seus pares.

Já houve uma época em que um curso universitário era considerado um meio de capacitar as pessoas a pensar e falar inteligentemente sobre várias questões que estivessem afetando suas vidas. O pensamento coletivista que hoje é predominante no meio universitário rejeita tal ideia, conferindo o monopólio de cada assunto apenas àquelas pessoas que são reconhecidas como “especialistas”.

Este método educacional que recorre à intimidação e à simples repetição de clichês e frases de efeito evidencia a completa falência do sistema educacional. Se professores universitários – teoricamente a nata intelectual da sociedade, pessoas que por vocação e profissão deveriam ser as mais rígidas seguidoras do rigor intelectual – agem assim, como podemos esperar que o restante da população apresente discernimentos mais profundos?

Para sobreviver e progredir, seres humanos precisam saber pensar. Porém, estamos cada vez mais terceirizando esta função para acadêmicos, que por sua vez pautam o conteúdo da mídia. Tal terceirização de pensamento ajuda a explicar por que há hoje uma escassez de pensamentos originais e significativos.

O fracasso do sistema educacional vai muito além da ausência de um aprendizado útil. O real fracasso está naquilo que de fato é ensinado – ou melhor, doutrinado – nas salas de aula, algo evidenciado pelos formandos que as universidades cospem para o mundo, seres incapazes de apresentar qualquer resquício de pensamento original.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL