DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

UM GOVERNO EXEMPLAR

Economia bombando num Brasil rico, com um povo feliz, seguro e saudável.

Nada mais justo do que pensar um pouco mais na infraestrutura do Palácio do Planalto, afinal, “ninguém é de ferro”.

O heliponto que Janja quer, vai receber, além de helicóptero, carro voador, disco voador e as vassouras do tipo que Marina Silva usa.

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QUEIMANDO O FILME

Se fosse ministra de Bolsonaro, Marina Silva não escaparia do inquérito das “fake News”.

Bem ao estilo de Lula (PT), que usa números falsos para impactar plateias, mesmo com danos à imagem do Brasil, a ministra do Meio Ambiente disse ao lado de Fernando Haddad (Fazenda), no Fórum Econômico de Davos, em janeiro de 2023, que haveria “120 milhões passando fome” no Brasil.

A mentira foi desmascarada nesta quarta (25) pelo Pnad, estudo do IBGE divulgado quinze meses depois.

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, aponta 7,4 milhões de famílias sob insegurança alimentar moderada ou grave.

Considerando a média familiar de quatro membros, estão em situação de pobreza, incluindo os totalmente miseráveis, 29,6 milhões de pessoas.

A fake news rendeu até convite ignorado por Marina Silva para depor na Câmara. Não deu as caras. E a mentira não foi retirada.

Queimar o filme do Brasil no exterior é método no governo Lula.

O petista Jorge Viana, diretor da Apex, em viagem à China, atacou o agronegócio.

* * *

Essa nota diz que Marina agiu “bem ao estilo de Lula”.

Por que?

Porque mentiu.

E isto dito, tá dito tudo.

A nossa ET está no governo certo.

Encerro a postagem com uma frase da nota:

“Queimar o filme do Brasil no exterior é método no governo Lula.”

COMENTÁRIO DO LEITOR

FIGURAS DESPREZÍVEIS

Comentário sobre a postagem ELA É APAIXONADA POR CACHORRO

Mauro Pereira:

Caríssimo Berto, boa noite.

Perdoe meu sumiço repentino, mas padeci de um problema de saúde um tanto complicado que me afastou dos teclados e do bom combate contra a esquerda do fim do mundo por um bom tempo.

Graças ao bom Deus, consegui me recuperar e estou retornando à ativa, aos poucos.

Longe de mim querer ser o dono da verdade, mas, pelo menos no meu conceito, hoje no Brasil as três figuras públicas mais desprezíveis são os senhores luiz inácio lula da silva, geraldo alckmin e reinaldo azevedo, respectivamente.

Correndo por fora, mas com remotas chances de ultrapassagem, ou sequer de aproximação, concorrem as senhoras daniela lima, andreia sadi e vera magalhães.

A lista é bem maior; então, para não esticar muito o texto, fico somente com esses três nomes.

Talvez perguntem por janja.

Essa senhora ainda não ascendeu à posição de desprezível. Continua patinando na categoria de inútil.

Obviamente, essa conclusão é pessoal. Tem gente que pensa exatamente o contrário.

Ainda bem.

Assim se consolida a democracia. Sem mentiras, sem segredos, sem intolerância.

Onde a única perseguição exercida é a da busca incessante das garantias individuais, da inviolabilidade da liberdade de consciência, de crença e de expressão.

Sigilo?

Somente o que envolve a segurança nacional.

Fora disso, é apenas maracutaia sem vergonha.

Sem-vergonhas!

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

ÁGUA DE BEBER

Nasci e me criei em Nova-Cruz, região agreste do rio Grande do Norte, fronteira com a Paraíba.

Uma terra seca e quente, e a cidade não tinha energia elétrica nem água encanada, o que só aconteceu no começo da década de 60.

A água que se usava era salobra e tirada de cacimbões. No sábado pela manhã, chegava o trem com água do Piquiri, água doce, para se beber e cozinhar.

Minha mãe tinha na cozinha uma jarra com capacidade para 150 m3, onde a água de beber era colocada, coada num pano de saco de açúcar vazio, lavado e abainhado por ela na máquina de costura. Essa jarra era sempre coberta com esse pano e sobre ele havia uma tampa feita de madeira. Antes de ser colocada no filtro de barro, a água era fervida.

A água de beber era trazida do Rio Piquiri (Canguaretama), no “trem da água”, aos sábados, de manhã cedo. Os carregadores se aglomeravam na Estação Ferroviária, à espera do trem da água, o que lhes renderia alguns trocados.

Nessa ocasião, na Estação Ferroviária, ficava um aglomerado de carregadores de água, com galões feitos com duas latas vazias de querosene Jacaré, já lavadas e desinfetadas, e amarradas com correntes a um pedaço de madeira fornido, que eles carregavam nos ombros. Os carregadores de água davam inúmeras viagens, para abastecer as casas com “água doce, fria, gelada, do Piquiri”. Passavam o dia todo carregando água para os fregueses, mediante pagamento simbólico, pois aquela água e aquele serviço não tinham preço.

Repetindo, na nossa casa, a água de beber era colocada numa jarra de 150 litros cúbicos, coada num pano branco, feito de sacas de açúcar vazias, lavadas e desinfetadas por minha mãe, amarrado na boca da jarra. A água era fervida, antes de ser colocada em dois filtros de barro, para consumo.

Essa água era exclusivamente para se beber e cozinhar. Mas minha mãe enchia um balde com ela, para lavar as nossas cabeças, aos domingos, pois durante a semana o banho completo era com água salgada (salobra). Passávamos a semana tomando banho com água salgada, o que deixava nossos cabelos pegajosos.

No domingo, nossa mãe abria uma exceção, ao encher um baldo de água doce, para lavar nossas cabeças. Havia um grande caneco de alumínio emborcado sobre a tampa da jarra, exclusivamente para ser usado para tirar água doce da jarra.

A cidade era paupérrima, não havia médico nem posto de saúde, e o povo morria à míngua, como aconteceu com meu irmão Galdino, aos sete meses de idade. Era o fim do mundo!!!

Pois bem. Uma parenta de meu pai, idosa, que morava num sítio perto de Nova-Cruz, uma vez por outra era nossa hóspede. Surda igual a uma porta, chegava com uma trouxa de tecidos para costurar na máquina “Singer” da minha mãe e permanecia uma temporada conosco. Falava muito, mas ouvia pouquíssimo. Era uma pessoa agradável e muito querida.

O cuidado que a minha mãe tinha com a água de beber era grande. Somente ela tirava água dessa jarra, inclusive para ferver e colocar nos dois filtros.

Certa noite, já tarde, quando todos já haviam se recolhido para dormir, minha mãe acordou, com o barulho de água correndo dentro de casa.

Levantou-se descalça, para não acordar meu pai, e foi ver o que estava acontecendo.

Dona Lia, minha mãe, teve uma péssima surpresa, que lhe fez adoecer. Encontrou na cozinha, a lamparina acesa em cima da mesa, e a hóspede Lindoca nuazinha, de frente para a “jarra de ouro” de água de beber, calmamente, tomando banho, e tirando água da jarra com o penico que lhe servia durante a noite, para satisfazer às suas necessidades, uma vez que o banheiro ficava fora da casa.

Minha mãe, para suportar o mal-estar que sentiu com essa contrariedade, tomou 40 gotas de Coramina, remédio que não faltava na nossa casa.

A infratora Lindoca não percebeu a presença da minha mãe, por estar de frente para a jarrona d’água, e ser surda.

Minha mãe não acordou ninguém, e suportou essa contrariedade sozinha, sem ter com quem desabafar. Não chamou a atenção da hóspede, pois a água já estava contaminada. Não adiantava dar um escândalo, àquela hora da noite. E ainda mais, “não adianta chorar sobre o leite derramado”, diz o ditado.

Mal amanheceu o dia, com a chegada de Mendonça, o cortador de lenha para o fogão, minha mãe lhe ordenou que secasse a jarra imediatamente, e a tirasse de dentro de casa, levando-a bem pra longe da nossa casa. Desse-lhe o destino que quisesse.

Meu pai nunca soube disso, e minha mãe não teve coragem de repreender a hóspede. Ficou tudo por isso mesmo. Só que a guarda foi reforçada, sempre que Lindoca chegava à nossa casa para alguma temporada.

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JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

25 DE ABRIL, SEMPRE

“O que há num nome?”, se pergunta Shakespeare (em Romeu e Julieta). Porque, nesse nome, pode haver tudo e nada, amor e perdição, liberdade, sonho, mistério, miséria, Destino, tragédia, o espanto. E por trás dele sobrevivem, com frequência, todas as contradições da alma humana. Saramago seguiu nessa trilha, mais tarde (em Todos os nomes), ao fazer uma pergunta enigmática, “conheces o nome que te deram?”. Ironicamente, nesse livro, apenas um personagem tem nome, quase um não nome, que é José. E no Ensaio sobre a cegueira como que conclui, sem mais esperanças, “os nomes deixam de ter sentido”.

E numa data o que haverá?, eis a questão. Em Portugal são tantas importantes: 1128 (Batalha de São Mamede), 1139 (Ourique), 1383 (Aljubarrota), 1578 (Alcácer Quibir), 1580 (quando Camões encontra sua paz), 1640 (Restauração Portuguesa), 1755 (o grande terremoto), 1910 (República), 1935 (quando morre o homem Fernando Pessoa e começa a nascer a sua lenda). Importante por conformar, em cada uma delas, o próprio coração da nação portuguesa. Aquilo que há, nela, de mais sagrado. Faltando, nessa relação, 1974 ‒ quando se festeja, em 25 de abril, a Revolução dos Cravos. Agora (ontem), comemorando 50 anos.

Assim se chama, toda gente sabe disso, por ter a população distribuído cravos aos soldados que participaram do movimento. Zeca Afonso até anteviu (em Grândola, vila morena) “O povo é quem mais ordena”. A deusa Sophia de Mello Breyner Andresen anunciou (em 25 de abril), alegremente, “Esta é a madrugada que eu esperava/ O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio/ E livres habitamos a substância do tempo”. Manuel Alegre (em Lisboa perto e longe) já fala numa “Lisboa que ninguém verá de joelhos” por ter “um cravo em cada mão”. E Ary dos Santos (As portas que Abril abriu) definiu bem “Dentro de um povo escravo/ Alguém que lhe queria bem/ Um dia plantou um cravo,/ Era a semente da esperança/ Feita de força e vontade/ Era ainda uma criança/ Mas já era a liberdade”.

Só que a data nos leva, também, a outras questões. Que a história das transições, de um governo autoritário para a Democracia, são sempre complicadas. A palavra verdade tem origens variadas. Na Roma antiga corresponde à veritas, mais ligada à precisão. Já no hebraico, emunah, está mais próxima à confiança (num deus ou num amigo) e dela deriva o Amém (“assim seja”). Mas na tradição grega ocidental, aletheia, corresponde só e sobretudo ao contrário da palavra esquecimento. Por ser algo tão surpreendentemente forte que não abriga nem o ressentimento, nem o ódio, nem a indiferença, nem o perdão. É memória, mas é também História. É a capacidade humana de contar aquilo que aconteceu, o como e o porquê. E as novas gerações têm direito a essa verdade. Sobretudo merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos ou parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre, num moto-contínuo, a cada dia. É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, deve existir uma História sem voz. E quem dá voz à História são as mulheres e os homens livres que não têm medo de escrevê-la.

Em Portugal esse desejo de aclarar o passado, anunciado com pompas em 1977, ganhou forma só com a criação, pelo então primeiro-ministro Mário Soares, da Comissão do Livro Negro (Decreto-lei 110, de 26/05/1978). Sobretudo, assim declarou, como “forma de combater o ressurgimento de ideologias fascistas”. Nascida com a intenção de conseguir a “reposição da verdade histórica”, já no art. 2º, 2, dispunha não poder atingir fatos “que respeitem à organização, funcionamento e disciplina das forças armadas”. Como que reproduzindo a máxima do Estado Novo, “o Exército é o espelho da nação”. O que, definitivamente, compromete seus resultados. Chegou a publicar 25 volumes de conclusões, hoje esquecidos nas estantes e jamais reeditados. E, assim funcionou, a tal comissão, até ser extinta pelo Decreto-Lei 22, de 11/01/1991. Sem deixar saudades. Embora haja estudiosos como Priscila Hayner que, levando em conta se ter trabalhado com documentos de inquérito, imprensa da época e entrevistas qualitativas, consideram que poderia ser tida como uma espécie de Comissão da Verdade, os estudos comparados não lhe colocam nesse nível. Mas já foi algo importante, claro, uma espécie de resposta ao passado.

No Brasil, diferentemente, havia o consenso de que toda a verdade deveria vir a luz. A Comissão Nacional da Verdade nasceu dessa visão. Criada, pelo Congresso Nacional (Lei 12.528/2011), entre seus objetivos sobressai logo no art. 3º “Promover, com base nos informes obtidos, a reconstrução histórica dos casos de graves violações de direitos humanos”. Quase 50 anos depois do Golpe Militar de 1964. E quase 30 anos depois da transição; com a eleição indireta, para Presidente da República, de um representante da oposição civil ao sistema ‒ Tancredo Neves. A Comissão Nacional da Verdade situou o Brasil entre os 41 países que, diante de múltiplos mecanismos da Justiça de Transição, criaram comissões da verdade para lidar com um legado de graves violações dos direitos humanos.

A história de quem exercia o poder, então, já era conhecida. Faltava a dos vencidos. Caminhamos nessa linha. E chegamos a 434 casos em que foi possível definir quem morreu, em que circunstâncias, e quais foram os responsáveis por essas mortes. Também a mais que dois mil casos de opositores do sistema desaparecidos, sem que pudéssemos chegar a provas. Além de descrever os subterrâneos da tortura e da repressão. Para registrar, fui um dos 6 brasileiros escolhidos para deixar claro esse pedaço da história do Brasil. Durante três anos nos esforçamos para contá-la com a precisão humanamente possível. Uma grande honra, assim considero. E creio que valeu a pena.

Fez bem, Portugal, em traçar o caminho que escolheu? Difícil saber. E talvez, depois de 50 anos, a pergunta já não faça qualquer sentido. Acabou, nada restou a fazer. Afora contar o que se passou em livros, o que vem se fazendo, como os de Alfredo Cunha, Fernando Rios, José Pedro Castanheiro, tantos mais. Sempre tendo em conta ser importante lembrar a história. George Orwell (1984) ensinava “quem controla o futuro controla o presente e quem controla o passado controla o futuro”. Bem a propósito, Pessoa encerra O Infante (de Mensagem) dizendo “Senhor, falta cumprir-se Portugal”. Falta mesmo. Só que, afinal, isso vai aos poucos se cumprindo, ao conhecer melhor seu passado. E como hoje todos repetem, nas ruas, Viva o 25 de abril, sempre.