WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CANTE POR MIM, PASSARINHO!

Patativa Golada. Ave que emprestou o nome ao poeta Patativa do Assaré

* * *

Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Mote deste colunista

Assoviar não sei não,
Cantarolar nem um pouco.
Eu já nasci quase rouco
Não sei tocar violão.
Do ritmo, sou um vilão,
Não sei nem mesmo solar,
Mas para lhe acompanhar
Vou ligar o meu radinho.
Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Cabal Abrantes

Sem saber tocar violão
O pássaro já vai cantando,
Sua alegria espalhando
Por toda a imensidão.
Não estudou uma lição,
Já eu tive que estudar,
Por não saber imitar
Eu lhe peço com carinho.
Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Leo Brasil

Sou muito desafinado,
A minha voz é ruim.
Sou gago, nasci assim
Já estou acostumado.
Meu canário é afinado
Peço pra me auxiliar
Só não pode me ensinar,
Mas, tem vontade, o bichinho!
Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Poeta Nascimento

Sempre quis ser um cantor,
Era um sonho de criança,
Trago ainda na lembrança,
Rememoro com rubor.
Cantar a dor e o amor
A mulher e o seu olhar
Uma plateia encantar,
Mas não canto direitinho…
Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Raniery Abrantes

Não tenho a capacidade,
Que dirá tanto talento!
Perto de ti, sou rebento,
Menino de pouca idade.
Admiro a liberdade,
Pois no céu podes voar.
Aprendi a te escutar
E por ti nutro carinho.
Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Ytalo Mota

Meu passarinho sem medo,
Solto no mundo a voar,
Ah! Se eu pudesse cantar
Pra desfiar meu enredo!
Mas há no canto um segredo,
Que eu não sei desvendar
E pra não desafinar,
Peço com todo carinho:
Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Melchior SEZEFREDO Machado

Oh! Canora Patativa
Golada do pé da serra,
Chame o Canário da Terra
Pra comporem uma toada.
Meu Sabiá da estrada,
No dia em que eu passar,
Pode me acompanhar
Cantando pelo caminho.
Cante por mim, passarinho!
Pois nunca aprendi cantar.

Wellington Vicente

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O CASO INÉDITO

A rejeição de Jorge Messias, indicado por Lula, para o STF tem, teve e terá, inúmeros desdobramentos. Primeiro começou com uma imposição do nome ao senado cujo preferido por Alcolumbre era Rodrigo Pacheco. O interesse era nítido: manter o senado longe das garras do STF. Lula resolveu usar de toda arrogância e colocar mais um poste a seu serviço, como se não bastasse ter transformado em ministro o seu, incompetente, advogado pessoal.

Ao contrário de Zanin, Jorge Messias é um funcionário de carreira, concursado, com mestrado e doutorado, ou seja, qualificação acadêmica pode-se até justificar, saber notório, pode-se até entender que sua função na Advocacia Geral da União lhe capacitava para o cargo. Nunca foi juiz, mas isso não é importante para ser ministro do STF, infelizmente.

Vi muitas lamentações na internet pela sua rejeição, mas é preciso não custa reconhecer que, para além de Alcolumbre ou da puxada de tapete de Alexandre de Morais, tanto o governo quanto o próprio indicado foram plenamente responsáveis por esse feito inédito dos 132 anos do Brasil república.

A culpa do governo recai sobre dois pontos: primeiro a arrogância de Lula que imagina, hoje, ter condições políticas de indicar um poste para criar uma sombra a lhe proteger. No alto da sua popularidade, no primeiro governo, apesar do mensalão, Lula tinha aprovação da população e saiu ileso do mensalão, não por inocência, mas por acordos vis firmados para salvar sua cara. Todos os acusados assumiram a culpa e inocentaram o comandante. A segunda questão é que, na ânsia de ter mais um aliado no STF, o governo não considerou as ações praticadas pelo indicado, na época do petrolão e agora como AGU denunciante dos “golpistas” de 08 de janeiro.

Jorge Messias também achou que isso tudo não seria trazido à tona e errou feio. O massacre imposto pelos senadores da oposição foi algo descomunal ao seu conhecimento. A entrevista que ele deu explicando que a AGU tinha pedido a condenação e o bloqueio de bens dos “golpistas” foi colocada como pergunta e ele negou que era o autor da denúncia e que o que disse na entrevista era apenas uma linguagem técnica.

O caso do empresário que contribuiu com R$ 500,00 para alugar um ônibus de trazer manifestantes para o ato e que por isso condenado a 14 anos de prisão, também foi uma exposição vergonhosa de um sistema que se acomodou em lustrar apenas uma face da moeda. Nitidamente, Jorge Messias não tinha como justificar tantas ações e um dos principais papéis, tristemente desempenhado por ele, foi servir como “entregador de encomendas” quanto Dilma avisou a Lula que “Bessias ia lhe entregar um papel para ele assinar se precisasse”. O tal papel era uma nomeação de Lula como ministro da casa civil, o que iria lhe conferir foro privilegiado.

Durante sua sabatina, ele falou diversas vezes sobre seu caráter, apresentou-se como um cristão evangélico, falou do respeito à constituição e do eventual comportamento que teria no STF de forma independente. Não é bem assim: lamentavelmente o STF age como braço executor do governo. A maioria absoluta dos seus ministros possuem fortes vínculos com a ideologia do PT.

Esse fato serviu para externar, acredita-se, a fragilidade do presidente, mas estamos falando de um ambiente político onde o “toma-lá-dá-cá” é uma prática corriqueira. Fala-se de muita coisa, dentre as quais a aliança entre Alcolumbre e Morais cujo objetivo era enfraquecer André Mendonça relator do processo do banco Master. Então, caso isto seja confirmado, essa ação inédita na história do STF serviu apenas como moeda de troca que, mais uma vez, vende as relações espúrias do poder em detrimento do bem-estar da sociedade.

É prerrogativa do presidente indicar outra pessoa, mas o clima para isso vai pesar bastante porque estamos quase no início da campanha eleitoral e Lula vai pensar duas vezes em arriscar outro nome e ser derrotado novamente. Acho que na cabeça dele passa a ideia que precisa ganhar a eleição para recuperar sua capacidade de negociatas e aí fazer do país o que bem quiser.

É necessário mudar a constituição para definir critérios mais coerentes para ministros do STF. Um deles, não ter vínculo político-partidário. Não é fácil encontrar, mas isso é um ponto pacífico. Outra questão fundamental é que seja magistrado, ou magistrada, com pelo menos 10 anos de magistratura.

O STF precisa atuar no seu papel constitucional. Atualmente, 96% dos seus processos são apenas revisões das instâncias inferiores. Em adição, o STF quando toma uma decisão, ela vira lei e isso é uma ingerência no papel do legislativo.

Finalmente, é preciso lembrar que os ministros não são seres superiores, arcanjos ou serafins, que não podem receber uma crítica pública. Recentemente, Romeu Zuma criticou Gilmar Mendes e este solicitou que Zema fosse enquadrado no inquérito das fake News. Diz-se que o Brasil é uma democracia, mas ela é muito ao estilo de Millôr Fernandes: “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você quer mandar em mim.”

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UM INTELIGENTE QUESTIONAMENTO INFANTIL

Um amigo de longa data, avô de fio a pavio, me procurou com uma inquietação de semanas. Um dos seus netos, um perguntador de 12 anos, lhe fez uma pergunta que o deixou atordoado:

– Vovô, quais devem ser os meus fazimentos futuros para que eu tenha uma vida feliz?

O termo fazimento usado pelo garoto não fazia parte do seu universo vocabular, deixando-o com muitas dúvidas sobre a sua significação.

Parabenizando-o por ter um descendente inteligente pra baralho, expliquei-lhe que o termo utilizado pelo neto querido nada tinha de inconveniente, acalmando suas apreensões através do explicitado pela Internet: “Fazimento é o ato, efeito ou modo de fazer, realizar ou produzir algo. Indica o processo de criação, execução ou a feitura de um objeto ou tarefa. A palavra é formada pelo verbo “fazer” e o sufixo “-mento”, sendo sinônima de prática, produção ou realização.”

Informei ainda ao amigo querido que o notável educador Darcy Ribeiro gostava de se definir como “um homem de fazimentos”. E presenteei-o com u livro lido em 2019, com textos do consagrado intelectual (1922-1997), um senador da República que até hoje é citado naquela Casa, hoje ainda carecendo de criatividade a la Darcy Ribeiro.

O livro lido e doado: EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE, Darcy Ribeiro, textos selecionados e organizados por Lúcia Velloso Maurício, 2ª. reimpressão, SP, Editora Global, 2019, 213 p.

O livro contém uma Proposta Pedagógica elaborada pelo Darcy, que deve ser lida pelo avô orgulhoso para efeito de comparação com o ensino ministrado no educandário frequentado pelo neto, favorecendo uma avaliação da instituição de ensino.

Encareci ao avô agora acalmado e disposto, uma “remuneração” pelo presente recebido: a de reproduzir, remetendo, para seus amigos também avós, o discurso proferido por Darcy Ribeiro, o primeiro reitor da Universidade de Brasília, em agosto de 1985, por ocasião da posse do reitor Cristovam Buarque.

Para atendimento ao questionamento feito pelo neto, ainda encareceria ao vovô do danado de QI ótimo a leitura imediata, no livro do Darcy, de dois textos: o primeiro é Educação para a modernidade, balizamentos para bem combater os pensamentos reacionários. O Segundo é Gilberto Freyre – uma Introdução a Casa Grande & Senzala, onde Darcy declara que “CG&S é, sem dúvida, uma façanha da cultura brasileira como aliás foi vista desde os primeiros dias. E mais: para Jorge Amado, o surgimento de CG&S foi uma explosão de deslumbramento.

E como recomendação penúltima, que ele transmita aos pais do netinho amado uma resenha do pensar do Darcy Ribeiro contida nos textos do livro presenteado, favorecendo um pensar familiar coletivo repleto de novos fazimentos em prol de um ambiente ético e profissional cada vez mais empreendedor.

E a última dica para o vovô do netão: leir com ele, sem precipitações, um texto oportuno por derradeiro: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: FUNCIONAMENTOS E DESAFIOS À ÉTICA, ÀS CRENÇAS E À EXISTÊNCIA HUMANA, Luiz Cláudio Costa, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2026, 158 p. Uma oportunidade de inserir as respectivas mentes nos amanhãs planetários, favorecendo o caminhar dos dois e de seus derredores amados.

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DEU NO JORNAL

ANÃO ECONÔMICO

Editorial Gazeta do Povo

editorial pib per capita

Em indicadores como PIB per capita, produtividade, liberdade econômica e participação no comércio internacional, o Brasil ocupa posições medíocres

Em 2014, o diplomata israelense Yigal Palmor, então porta-voz da chancelaria de Israel, chamou o Brasil de “anão diplomático”, em resposta a críticas brasileiras a uma ação israelense na Faixa de Gaza. Na ocasião, o presidente de Israel se desculpou em telefonema à então presidente Dilma Rousseff, mas a expressão e seu simbolismo permaneceram. Se “anão diplomático” entrou para o vocabulário como um país pequeno e sem expressão nas questões diplomáticas internacionais, o Brasil corre agora outro risco: o de ser, paradoxalmente, uma nação com uma economia nominalmente grande, entre as maiores do mundo, mas um “anão econômico” em vários outros indicadores.

O PIB de 2025, de US$ 2,3 trilhões, dividido por uma população de 213,4 milhões, resulta em US$ 10,8 mil de PIB por habitante. Tanto o PIB total quanto o PIB per capita, no entanto, apresentam dois problemas. O primeiro é mais óbvio: a fatia do PIB que cabe a cada habitante é muito pequena, e coloca o país longe do padrão de vida dos países desenvolvidos. O segundo problema é que esse PIB é insuficiente tanto para permitir a reposição da parte do capital físico (infraestrutura física, empresarial e social) desgastada pelo uso quanto para promover o aumento do capital físico necessário ao aumento do PIB per capita nos próximos anos.

Vale lembrar que o PIB, sendo o valor total de todos os bens e serviços finais produzidos mais o aumento do estoque dos bens intermediários e dos produtos inacabados, pode ser visto também como o resultado da multiplicação do número de horas trabalhadas pelo valor da produção de cada hora (a produtividade expressa em valores monetários). Assim, o PIB per capita brasileiro é pequeno não porque o brasileiro trabalhe pouco, mas porque a produtividade/hora do trabalho é bastante baixa no ranking mundial, equivalendo a um quarto da produtividade dos norte-americanos, suecos, alemães ou finlandeses, um sexto da produtividade de um norueguês e um oitavo da produtividade de um irlandês, segundo dados de 2025 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O Brasil tem áreas de excelência, entre as quais sobressai expressivamente o agronegócio, a ponto de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos lançar um relatório afirmando que a transformação da agropecuária brasileira nos últimos 70 anos é um caso de sucesso praticamente único no mundo. O relatório e outros documentos retratam o papel significativo desempenhado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na evolução da pesquisa científica, uma estatal que deu certo e responde por contribuição decisiva para a melhoria da agropecuária em termos de produtividade e qualidade. Infelizmente, o sucesso da Embrapa é caso raro entre as centenas de empresas estatais brasileiras.

Quanto ao crescimento econômico, é importante ressaltar que o PIB por habitante é a principal variável para definir se o país terá um padrão médio de bem-estar social acima da linha da pobreza e poderá sonhar com padrão de vida próximo das nações desenvolvidas. Essa deveria ser a principal preocupação das autoridades públicas e a premissa primeira na elaboração do planejamento e na execução da política econômica. Infelizmente, a demagogia é abundante entre os governantes brasileiros, especialmente quando se trata de justificar sua incompetência e o baixo desempenho; um caso bastante didático é o de Dilma Rousseff, que pouco antes de seu impeachment afirmou que não é pelo PIB que se mede o desenvolvimento de um país, mas sim pela forma como a sociedade e o governo tratam suas crianças e adolescentes.

A retórica da então presidente petista era puro sofisma diante do péssimo desempenho da economia nacional, especialmente nos anos de 2015 e 2016, quando o governo jogou o país em grave recessão que fez o PIB cair mais de 7% em dois anos, gerando desemprego e sofrimento à população brasileira – e, se um país não cresce, não tem como oferecer vida e serviços dignos a seus cidadãos, incluindo as crianças e adolescentes. Não era apenas uma fala logicamente abominável e inverídica, mas também hipócrita, porque durante os anos de crescimento do PIB sob governos petistas o indicador sempre foi usado por Lula e Dilma para autopromoção, como se apenas eles soubessem fazer o país crescer, gerar empregos e melhorar a renda das pessoas.

O PIB importa, sim, e muito. Sem que ele cresça acima da taxa de aumento populacional não há chance de o país eliminar a miséria, reduzir a pobreza e sonhar com o ingresso no grupo das nações desenvolvidas, cuja renda por habitante é superior a US$ 30 mil anuais. O PIB de US$ 2,3 trilhões pode colocar o Brasil entre as maiores economias do mundo, e podemos nos orgulhar de algumas áreas de excelência; mas, em quesitos como o PIB per capita, a produtividade do trabalho e outros, como a participação no fluxo de comércio internacional, de fato estamos mais para anões.

PENINHA - DICA MUSICAL

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