DEU NO JORNAL

DE TUDO

É grande a pilha de pedidos de convocação para inquirir os ministros de Lula na Câmara.

Tem de tudo: suspeita de corrupção, gastança sem controle, fraude em marmita, sigilo em mensagens dos irmãos Batista, rombo em estatais etc.

Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) é o principal alvo.

A crítica do ministro ao afirmar que “a polícia prende mal” motivou oito dos 19 pedidos de convocação. Ordem para colocar sob sigilo dados sobre fugas em presídios também desagradou.

A medalha de prata fica com Margareth Menezes (Cultura), são 16 pedidos para que a ministra explique cachês, comitês de cultura, conflito de interesse e etc.

* * *

Essa nota aí de cima diz que “tem de tudo” nas trambicagens do gunverno lulo-petralha.

Na verdade, tem de tudo e mais alguma coisa.

Alguém duvida???

Enfim, tá tudo dentro dos conformes e seguindo o regulamento do bando.

DEU NO JORNAL

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA PRIVIDA

Em fevereiro de 2019 uma orientanda minha defendeu sua dissertação com um tema que tratava da equalização de déficit atuarial em plano de benefício definido. Esse trabalho rendeu um artigo que foi publicado em 2024 no Journal of Game Theory sob o título Equation of the Actuarial Deficit in Defined Benefit Plans: Optimization Model Through the Application of Cooperative Game e nele se fazia uma simulação de como se comportaria as classes contribuintes mediante o déficit atuarial. Usamos um modelo chamado Valor de Shapley.

Essa breve introdução é para abordar um problema grave que afeta a previdência complementar no Brasil, mas não apenas esta, porque o regime geral (INSS) há muito não se sustenta. O maior inimigo dos regimes previdenciários é o longo prazo, dos beneficiários é a inflação. Em termos gerais as entidades de previdência complementar se classificam como fechadas (EFPC), comumente chamadas de fundo de pensão e que se destinam aos servidores públicos e tem as entidades abertas (EAPC), geralmente, sob a administração de seguradoras e se destinam a pessoas físicas, em geral.

Os fundos de pensão acabam tendo uma atração maior de atenção. Uma das razões é patrimônio que beira os R$ 3 trilhões, dos quais um pouco mais da metade é administrado pelos fundos de pensão. Estamos falando de uma parcela expressiva do PIB, mas sua finalidade de se constituir poupança e proporcionar investimentos, não parece ser meta dos administradores. Nos fundos de pensão tem-se, em termos aproximados, quase um milhão de pessoas, no regime aberto esse total é da ordem de 13 milhões.

Os três maiores fundos de pensão, em termos patrimoniais, são: Previ, que é a caixa de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, cujo patrimônio é R$ 274 bilhões e tem uns 200 mil beneficiários; a Petros, que é o fundo da Petrobras, com patrimônio de R$ 130 bilhões e pouco mais de 130 mil beneficiários, e, finalmente, a Funcef, que é o fundo de pensão da Caixa Econômica, que tem patrimônio de R$ 130 bilhões e tem 135 mil beneficiários. Qualquer fundo de pensão deve buscar equilíbrio atuarial que é uma questão maior do que equilíbrio financeiro, posto que este é mais de curto prazo, enquanto o primeiro tem visão de longo prazo.

Existe uma regulamentação bastante exigente no que diz respeito a aplicação financeira feita por esses fundos. A lógica é bastante simples: capitalizar os recursos para ter capacidade financeira de honrar as obrigações (benefícios pagos os integrantes do fundo). As regras não permitem que se aplique mais de 30% em renda variável e tudo isso é feito para dar sustentabilidade ao fundo. Tudo isso é logico e racional. Até que se coloque na gestão um cara que não sabe nada do que vai fazer, que não conhece mercado e que tem como maior mérito ser sindicalista.

Para se ter uma ideia do tamanho do buraco, o maior fundo de pensão do Brasil apresentou um déficit de R$ 14 bilhões (esse valor foi divulgado, mas pode ser superior), tendo um retorno irrisório de 1,5% nas suas aplicações, quando a meta atuarial era 9,7%. A coisa foi tão escandalosa que o TCU abriu uma auditoria para tratar desse assunto e pelas notícias atuais o presidente da Previ, o tal sindicalista, está com os dias contados no cargo. Não custa lembrar que quando ele chegou, houve uma reação negativa muito grande, inclusive por parte do mercado, porque o cara pode conhecer tudo, mas saber que é uma meta atuarial, nitidamente, ele não tem a menor ideia.

Caso a gente se dedique mais um pouco a investigar, vai encontrar problemas semelhantes na Petros que é da Petrobras. Não faz muito tempo, houve uma necessidade e aporte de recursos por parte dos beneficiários. A gestão nos Correios parece ser algo de natureza tão danosa quanto na Previ, mas o Banco do Brasil ainda não apresentou prejuízo financeiro, enquanto nos Correios a situação está calamitosa a ponto de que o sistema de autogestão que trata do atendimento de demandas na área de saúde, foi descredenciado por diversos prestadores de serviços, dentre os quais o Hospital D’or, unimed etc. Patético foi a declaração do presidente dos correios.

Enfim, aquilo que seria uma alternativa viável para dar sustentabilidade a uma economia, simplesmente se transforma num ambiente de incerteza para os trabalhadores. Quer atribuir alguma culpa? Tenho certeza de que sua bússola só aponta para um.

DEU NO JORNAL

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

SEM O PÃO – MAS COM O CIRCO

Sabemos nós que, como “não há mal que dure para sempre, nem bem que nunca acabe”, qualquer dia desses, Deus, na sua onipotência, acordará o homem para produzir pelo menos o pão da vida de cada dia. Com dignidade, desejamos.

O Maranhão é, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o estado mais pobre da federação brasileira – mas, com certeza, na ponta de qualquer medição de outro instituto, na alegria e diversão, o posicionamento muda para um dos primeiros lugares.

Assim é constatado que, ainda distante, ruas e praças e muitos logradouros, logo vencerão essa distância e começarão a se enfeitar com bandeirolas e a conhecida alegria contagiante. Todo ano é assim.

O movimento nos barracões já se percebe intenso. Não é diferente dos barracões das escolas de samba do carnaval paulista ou carioca: pessoas que amam a diversão largam afazeres domésticos e se dedicam de corpo e alma para o “enfeitamento” das fantasias e fabrico dos adereços que brilharão nos terreiros e praças de São Luís.

Até a vestimenta dos “miolos do boi” (um dançarino que carrega o boi que dança) é cuidada com esmero, ainda que ele não apareça tanto para o público – mas faz parte da grande festa que essa cultura tradicional encanta Brasil à fora. Há anos. É folclore. É patrimônio cultural da humanidade.

Boi da Maioba

Se Não Existisse o Sol

Se não existisse o sol
Como seria pra terra se aquecer?
E se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver?

Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas, como existe tudo isso, meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo
Mas, como existe tudo isso, meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo

Se não existisse o sol
Como seria pra terra se aquecer?
E se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver?

Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas, como existe tudo isso, meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo
Mas, como existe tudo isso, meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo

No Maranhão, o que muitos de outros estados chamam de letra de música, o que está acima é a letra de uma “toada” – que, como uma Escola de Samba, muda a cada ano, e, também acontecem sessões para a escolha da “toada” do ano.

A “toada” acima foi imortalizada por um cantador conhecido como “Chagas da Maioba” – atualmente afastado por conta de desentendimentos, e “cantando toadas” noutro bumba-boi, convive com a dificuldade de se desvencilhar do rótulo com que ficou, também, imortalizado.

“Brincante” do boi da Maioba

Maioba, em São Luís, é equivalente a Mangueira, Vila Isabel ou Catumbi, no Rio de Janeiro. Maioba não é um bairro, tampouco um povoado. Como preferem os maranhenses de São Luís, “Maioba” é um lugar. Ou, como se referem os apreciadores, “Maioba” é quase tudo desde o dia 1 de abril (quando são iniciados os preparativos para o que está por vir), até o dia 30 de junho, dia de São Marçal, reverenciado no dia seguinte com as apresentações no dia de São Pedro.

Todos os “ensaios” têm início no mês de abril. São centenas de “bois” com denominações diferentes, mas não são tantos os que são reverenciados. Boi de Iguaíba, Boi de Ribamar, Boi do Maracanã, Boi da Maioba, Boi de Pindaré, Boi de Morros, Boi de Axixá, Boi de Matinha e mais duas ou três centenas de bois.

Os ritmos são contagiantes. Os ritmos são chamados de “sotaques”. Os sotaques são, Orquestra, Matracas e pandeirões, Costas de Mãos (esse um “sotaque” quase extinto).

Difícil, o assistente presencial não ser contagiado pelo ritmo e se deixar cair na folia, ainda que jamais tenha feito isso – é contagiante e muito fácil dançar bumba-boi.

Matraqueiros e matracas

Eis que, na noite de 31 de maio as ruas são enfeitadas. Na manhã do dia 1 de junho, São Luís se transforma num “terreiro cultural” – abrindo a temporada junina oficial, no dia 13, dia dedicado a Santo Antônio.

Bandeirolas enfeitam as ruas. Casinhas-da-roça montadas nas praças e demais logradouros públicos, funcionam à noite e recebem visitantes ou não. Culinária local vira atrativo e as “toadas” são tocadas nos aparelhos de som. Contagia!

E é nessa hora que o IBGE não atua. Não divulga para o Brasil e para o mundo, o milagre de tanta gente sofrida que vive no Estado mais pobre da federação, conseguir – ainda que de forma temporária e ilusória – superar as dificuldades reais do dia-a-dia.

Pandeirões do Boi da Maioba

Santo Antônio, São João, São Pedro. O maranhense acrescentou São Marçal. Santo Antônio abre e São Marçal encerra – com apresentação apoteótica de dezenas de bois de sotaques diferentes, os festejos juninos. Antes, “joaninos” pela dedicação a São João. Agora, “juninos” por referência ao mês de junho.

“Se não existisse o sol
Como seria pra terra se aquecer?
E se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver?

Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas, como existe tudo isso, meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo!”

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Maria Rita Soares

Maria Rita Soares de Andrade nasceu em 3/4/1904, em Aracaju, SE. Advogada, jornalista, e magistrada, foi a primeira juíza federal do Brasil, em 1967, e primeira mulher a integrar o Conselho Federal da OAB-Ordem dos Advogados do Brasil.

Graduou-se em Direito pela UFBA-Universidade Federal da Bahia, em 1926, e foi a única mulher em sua turma. Enquanto estudava, manteve contatos com a feminista Bertha Lutz e envolveu-se na luta pelos direitos da mulher. Juntas, participaram do 2º Congresso Internacional Feminista, em 1931. No período 1926-1938, trabalhou como advogada em Aracaju; atuou no Ministério Público e no Conselho Penal e Penitenciário; professora de literatura no Colégio Atheneu Sergipense e de Direito Comercial na Escola do Comércio e assumiu ad hoc o cargo de Procuradora da República e Procuradora Geral do Estado.

Como jornalista, fundou e dirigiu a revista Renovação, de 1931 a 1934, de periodicidade mensal e única revista a analisar as propostas de educação feminista em Sergipe. Mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1938, onde foi consultora da FBPF-Federação Brasileira pelo Progresso Feminino; lecionou no Colégio Pedro II e na Faculdade Técnica de Comércio, da Universidade do Brasil. Junto com outras colegas, criou um escritório de advocacia para defender pessoas perseguidas pelo regime do Estado Novo.

Atuou também na defesa dos militares que haviam participado do movimento rebelde de Aragarças. Logo após o golpe militar de 1964, apoiou o Ato Institucional nº 1, junto com Balthazar da Silveira, provocando um racha no IAB-Instituto dos Advogados do Brasil. Em 1965 foi nomeada pela presidente Castelo Branco, como juíza federal, tornando-se a primeira juíza do Brasil, como titular pela 4ª Vara da Seção Judiciária do Estado da Guanabara.

Ao completar 70 anos, em 1974, foi aposentada compulsoriamente, e voltou a advogar e colaborar com artigos políticos, publicados no Jornal do Brasil. Faleceu em abril de 1998, aos 94 anos, deixando um vasto legado de relevantes conquistas no mundo jurídico. Sua carreira quebrou paradigmas e impactou na consolidação feminina no Poder Judiciário.

Em 2017 foi condecorada, em sessão solene, pelo CJF-Conselho da Justiça Federal, com uma placa de honra e a publicação especial comemorativa do Jubileu de Ouro da Justiça Federal. Em 24/2/2015, a Justiça Federal em Sergipe (JFSE) inaugurou o Fórum Maria Rita Soares de Andrade, abrigando as novas instalações da 8ª Vara Federal de Lagarto.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

PARA UMA SEMANA SANTA MEDITATIVA

Nesta semana, o mundo cristão pensante relembra o flagelo e a crucificação do Homão da Galileia, nosso amado Irmão Libertador. Seguramente com menos cerimônias e mais reflexões conclusivas sobre os ensinamentos transmitidos por quem só semeou amor, caridade e solidariedade nos caminhos percorridos.

Entretanto, desde a época do seu assassinato na cruz pela dominação romana, muitas falácias cretinas e análises inconsistentes foram escritas, tencionando ocultar as verdadeiras intenções de uma liderança que não instituiu religião alguma para seus seguidores, sempre prestigindo as mulheres e nunca manifestando belicosidade para ninguém.

Nesta Semana Santa, diante dos inúmeros feitos e fatos que enodoaram a sua Mensagem, ao longo dos séculos, recomendaria aos espiritualistas e espiritistas, agnósticos e descrentes, a reserva de algumas horas para cinco leituras que muito reestruturariam / fortaleceriam convicções, preparando-os para uma vida após vida sempre evolucionária, voltada para amanhãs cada vez mais perfeitos. A ordem de leitura poderá ser estabelecida por cada um, muito embora a sequência abaixo sugerida seja, na minha opinião, a que melhores resultados proporcionaria. Ei-la:

1. PARA ESTUDAR A BÍBLIA: ABORDAGENS E MÉTODOS, João Leonel e Marcelo Carneiro (org.), São Paulo, Editora Recriar, 2021, 340 p. Os organizadores são exegetas brasileiros, ambos com pós-dourados em temas bíblicos.

2. PALAVRAS DESCONHECIDAS DE JESUS, Joachim Jeremias, São Paulo, Editora Academia Cristã, 2020, 224 p. O autor (1900-1979), muito conhecido no Brasil, explicita uma análise interessante e muito competente, sempre com muito atenção pela autenticidade dos Quatro Evangelhos.

3. O EVANGELHO DE TOMÉ, O ELO PERDIDO. José Lázaro Barbosa, 3ª. edição, Santa Luzia MG, Editora Cristo Consolador, 2011, 288 p. Um livro escrito para os que possuem uma vontade férrea de mudar, favorecendo seu livre-arbítrio, consolidando-o a partir da ótica agnóstica do Evangelho de Tomé. Conheça os legítimos ensinamentos emitidos por Jesus, em sua militância terrestre.

4. JESUS E A LOGOTERAPIA: O MINISTÉRIO DE JESUS INTERPRETADO À LUZ DA PSICOTERAPIA DE VICTOR FRANKL, Robert C. Leslie, 2ª. edição, São Paulo, Editora Paulus, 2023, 158 p. O autor (1917-2006) foi um Pastor Metodista e professor de Psicologia Pastoral na Universidade de Berkeley, na California, USA. Páginas que orientam como recuperar a dignidade humana.

5. NOVO TESTAMENTO PARA TODOS, N. T. Wright, Rio de Janeiro, Editora Thomas Nelson Brasil, 2024, 640 p. Um modo contemporâneo de ler os livros componentes do Novo Testamento de um modo narrativo, embora nunca distanciado dos cânones estabelecidos. O autor é anglicano e foi bispo na Inglaterra. Uma leitura que sempre incentiva o leitor a só parar na última linha. Uma leitura de muita valia para uma meditativa programação.

Uma Semana Santa arretada de muito abençoada para todos nós, filhos amados de um Criador que sempre esteve dentro dos nossos interiores. Feliz Páscoa para todos!!

DEU NO JORNAL

COM LULA, INFLAÇÃO “NORMAL” É INFLAÇÃO EM ALTA

Editorial Gazeta do Povo

ovo inflação ipca

Ovos continuaram subindo em março, segundo o IBGE

Depois das inflações “anormais” de janeiro e fevereiro, puxadas para baixo e para cima, respectivamente, pela aplicação e pela retirada do “bônus de Itaipu”, que barateou as contas de energia elétrica, o IPCA de março voltou à triste normalidade do governo Lula. A alta de 0,56% em março veio exatamente em linha com as expectativas do mercado financeiro, mas não deixa de preocupar, pois representa mais de três vezes a inflação de março de 2024 (0,16%) e deixa o acumulado de 12 meses em 5,48%, quase um ponto porcentual inteiro acima do limite máximo de tolerância da meta para o ano, que é de 3%, podendo oscilar 1,5 ponto para mais ou para menos.

A energia elétrica, que havia sido o grande protagonista do IPCA dos dois primeiros meses do ano, acomodou-se em março, com uma alta de apenas 0,12%. Quem voltou a ganhar espaço foram os “suspeitos de sempre”, como os alimentos, que subiram 1,17% – a alimentação no domicílio teve alta de 1,31%, enquanto as refeições fora de casa avançaram 0,77%. Em alguns casos, houve razões de ordem climática, segundo o IBGE: a lavoura de café foi prejudicada pela falta de chuvas, e o calor apressou o amadurecimento do tomate. A alta do milho, que serve de ração para as galinhas, pesou no preço do ovo, que continua sua disparada, subindo emblemáticos 13,13% em março – como Lula disse andar procurando o “pilantra que aumentou o ovo”, o IBGE achou milhões deles: os católicos, que teriam trocado a carne pelo ovo no período penitencial da Quaresma, elevando a demanda.

Fora do setor de alimentos e bebidas, a inflação de serviços – uma das que mais preocupam o Banco Central, quando faz suas análises para decidir que rumo dar aos juros – segue acima do índice cheio, subindo 0,62% em março e acumulando 5,88% nos últimos 12 meses. Só as passagens aéreas, um item bastante específico, muito volátil e com peso nada desprezível na conta total, tiveram alta de 6,91%. De positivo (ou menos negativo), pode-se ao menos constatar que o índice de difusão do IPCA em março ficou em 61%, indicando que a alta de preços está menos generalizada que no fim de 2024 e início de 2025.

A inflação de abril deve sofrer ao menos alguma influência das variações drásticas do câmbio, devido aos desdobramentos do “tarifaço” de Donald Trump – só nos últimos dias, a cotação da moeda norte-americana já subiu e caiu algumas dezenas de centavos de real, à medida que os Estados Unidos impunham ou retiravam tarifas sobre importações de produtos e serviços estrangeiros para os EUA. Mas nem isso pode servir de desculpa para o governo federal se eximir de responsabilidade sobre a escalada do IPCA, especialmente quando se olha a série histórica deste terceiro mandato Lula.

O acumulado de 12 meses, que chegou a 5,19% em setembro de 2023, começou uma trajetória de queda que durou até abril de 2024, quando então iniciou uma série de altas que nos trouxe até o momento atual. Esses dois marcos correspondem, respectivamente, à aprovação do arcabouço fiscal (que, mesmo bastante pífio, ainda era uma sinalização mínima a respeito de metas fiscais) e à sua desmoralização, com o afrouxamento dos objetivos estabelecidos menos de um ano antes. Não é coincidência, pois a gastança em si já é inflacionária, e a irresponsabilidade governamental serve para a famosa “desancoragem das expectativas”, indicando que se espera ainda mais inflação, o que por sua vez força o Banco Central a apertar a política monetária. A Quaresma acabará em breve, mas o sacrifício do brasileiro ainda deve continuar por muito mais tempo.

PENINHA - DICA MUSICAL