DEU NO JORNAL

SEGURANÇA

Lula acatou pedido do amigo e presidente do STF, Luís Roberto Barroso e liberou mais de R$ 27 milhões para reforço na segurança da Corte.

A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

* * *

Um pedido justo e sensato.

O acatamento do companhêro Lula foi correto.

O país inteiro sabe que a corte precisa mesmo de muita, muita, muita segurança.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

RELÍQUIA ÍNTIMA – Machado de Assis

Ilustríssimo, caro e velho amigo,
Saberás que, por um motivo urgente,
Na quinta-feira, nove do corrente,
Preciso muito de falar contigo.

E aproveitando o portador te digo,
Que nessa ocasião terás presente,
A esperada gravura de patente
Em que o Dante regressa do Inimigo.

Manda-me pois dizer pelo bombeiro
Se às três e meia te acharás postado
Junto à porta do Garnier livreiro:

Senão, escolhe outro lugar azado;
Mas dá logo a resposta ao mensageiro,
E continua a crer no teu Machado.

Joaquim Maria Machado de Assis, Rio de Janeiro-RJ, (1839-1908)

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

O QUE IMPORTA NA ELEIÇÃO DE UM PAPA NÃO É SUA POSIÇÃO POLÍTICA

papa

O Papa Francisco em sua audiência geral semanal no Salão Paulo VI, na Cidade do Vaticano, em janeiro

Vai-se um para, o papa Francisco, num momento em que a Igreja Católica está crescendo, principalmente com jovens. Não sei se foi por causa da Jornada Mundial da Juventude. A última foi aqui, pertinho do lugar onde eu estou, em Lisboa, em agosto de 2023.

Papa Francisco ficou hospedado aqui perto de onde eu estou. Eu lembro que fomos contemporâneos, embora eu nunca o tenha visto em Buenos Aires. Mas ele estava se ordenando padre, sacerdote jesuíta, quando eu estava trabalhando lá na Argentina pelo Jornal do Brasil, em 1973, 74 e 75.

Na minha idade, a gente fica lembrando de coisas. A primeira morte de um papa que eu noticiei foi em 1958. Eu trabalhava na Rádio Independente de Lajeado (RS). O Eugenio Pacelli, Papa Pio XII, que teve uma grande atuação na Segunda Guerra Mundial, conversou com nazistas e evitou a destruição de Roma – foi até criticado por isso, mas agiu bem.

Eu vi – fui um dos poucos que viu pessoalmente – um papa que durou só 33 dias, João Paulo I. Eu o vi num domingo na Praça de São Pedro, em 1978. Participei e ajudei na organização da primeira visita de João Paulo II ao Brasil, em 1980, em tempos em que estava na Secretaria de Imprensa da Presidência da República. Enfim, o jornalista muitas vezes acompanha os fatos.

E agora eu vejo esse papa que foi muito criticado por suas posições ideológicas ou políticas. E tem gente prevendo que o próximo papa vai ser o oposto desse, seria de centro-direita. Mas o fato é que o papa tem que ser o pregador do evangelho, tem que seguir o evangelho que está lá nas Escrituras. Vamos ver se o Espírito Santo baixa sobre os cardeais e faz uma boa escolha.

O papa vai ser sepultado, não na Basílica de São Pedro, mas na Igreja de Santa Maria Maggiore, onde os Arautos do Evangelho de São Paulo foram consagrados. Eu estava lá, por acaso, e assisti à consagração. Isso faz aí uns sete, oito, dez anos, por aí. Vamos esperar as decisões do conclave entre a fumaça preta e a fumaça branca.

* * *

Noticiário dominado pelo papa alivia muita gente no Brasil

Enquanto isso, no Brasil, acho que muita gente está respirando por uns dias, graças ao noticiário que se voltou todo para a morte do papa. Por exemplo, o presidente Lula, que está muito criticado no Peru. O presidente do Congresso do Peru cancelou visita ao Brasil, recomendado pelo Ministério de Relações Exteriores do Peru.

A Transparência Internacional diz que vê com preocupação essa tolerância do Brasil com o crime, com o ilícito, com a corrupção. Se eles estão dizendo isso, é porque eles não conhecem o Brasil. Nós que conhecemos sabemos muito bem como há tolerância com o crime.

É por isso que a gente tem tanto crime, por causa da tolerância com o crime. Aqui se devolve helicóptero, lancha de traficante, se cancela processo de corrupção, como a Lava Jato, embora tenha confissão, devolução de dinheiro, acordo de delação premiada, e ainda assim a gente cancela.

Ainda bem que o Peru está levantando esse caso, mostrando que lá no Peru não cancelou. Lá a Lava Jato é para valer. Todas as propinas pagas pela Odebrecht resultaram em condenação de quatro presidentes do Peru e uma candidata a presidente, filha de presidente. Lá é diferente. O episódio serve para nos mostrar isso.

A morte do Papa deu um alívio também a Barroso, que está se explicando sobre a reportagem da Economist, e a Moraes, que também está muito criticado na Espanha por ter liberado um traficante de 52 quilos de cocaína que vai para prisão domiciliar em cima da fronteira com o Paraguai.

DEU NO JORNAL

ESFOLAMENTO

Ainda no quarto mês do ano, o Ministério da Cultura autorizou captação de quase R$ 2 bilhões via Lei Rouanet.

Impressiona o valor já captado, que representa renúncia fiscal de mais R$ 347 milhões, enquanto o governo Lula esfola os brasileiros com suas taxações e impostos.

Desde o início da atual gestão, disparou o uso da Rouanet beneficiando artistas alinhados à esquerda.

O recorde foi em 2024, passou de R$ 3 bilhões.

“A Lei Rouanet virou megafone ideológico bancado pelo pagador de impostos”, critica o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).

* * *

A expressão “o governo Lula esfola os brasileiros“, contida nessa nota aí de cima, resume tudo.

É um esfolamento da porra!!!

Arrancam a pele e o dinheiro do contribuinte.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

ERA UMA VEZ NO OESTE (1968)

Era Uma Vez no Oeste foi mais uma obra-prima do proeminente diretor Sergio Leone. Só não superou a si mesmo devido ao insuperável O Bom, O Mau e o Feio (Três Homens em Conflito-1966), último filme da Magna Trilogia dos Dólares. Mas sem dúvida esse é um clássico do faroeste superlativo, e por que não do cinema como um todo. Superou filmes que à época eram endeusados por muitos “críticos” como melhores do gênero western, como Rio Bravo (1959) – Onde Começa o Inferno e Matar ou Morrer (1952)…

Era Uma Vez no Oeste mostra a realidade nua e crua do oeste, com homens cruéis lutando para sobreviver a ermo, utilizando-se de métodos torpes. Para quem gosta de cinema essa obra-prima é insuperável. Fica a dica, para quem não assistiu O Bom, O Mau e o Feio, também assisti-lo, pois se trata de uma magna obra superior, de importância cinematográfica superlativa, épica.

Era uma Vez no Oeste é muito mais do que um dos maiores faroestes já feitos. Essa obra-prima de Sergio Leone transcende qualquer categorização por gêneros ou subgêneros e alcança facilmente o panteão dos melhores filmes que já sagraram as telonas. É, talvez, o ponto alto da carreira do diretor, que demonstra uma impressionante maturidade de temas, fotografia, cenografia, montagem, trilha sonora e um controle absoluto de seu elenco, para alcançar um resultado de se aplaudir de pé.

E olha que Sergio Leone nem mesmo precisou se distanciar muito da estrutura que lhe deu todo o renome que tinha quando ele, tentando fugir das ofertas da United Artists e outros estúdios para dirigir mais westerns, não conseguiu recusar o orçamento generoso da Paramount, que vinha encabeçado pela oferta dele trabalhar com Henry Fonda, seu ator preferido e que era sua escolha original para o papel que consagrou Clint Eastwood na Trilogia dos Dólares. Novamente preso ao gênero do qual queria fugir, Leone não se fez de rogado e arregimentou a ajuda de Dario Argento e Bernardo Bertolucci (ambos, à época, críticos de cinema e roteiristas ainda em começo de carreira, com Bertolucci já tendo dirigido, mas nada relevante) para criar a linha narrativa de Era uma Vez no Oeste.

Essa trinca colaborativa foi extremamente importante para o sucesso que o filme alcançaria e, também, para a atemporalidade dessa fantástica obra (sim, essa fita é merecedora de hipérboles!), pois Leone, Argento e Bertolucci extraíram a essência dos faroestes americanos de grande sucesso à época e trabalharam na inserção desses elementos representativos ao longo de toda a narrativa, mas sem se esquecer dos elementos característicos do faroeste característico do próprio Leone, como o misterioso personagem sem nome, (no caso “Harmônica”), vivido por Charles Bronson) e o passo desacelerado, que ganhou contornos próprios em Era uma Vez no Oeste que, logo em sua longa abertura, nos apresenta as aventuras de uma mosca sobrevoando pistoleiros sujos e suados.

Com a narrativa pronta e uma versão do roteiro já escrita, Leone chamou Sergio Donati, que trabalhara com ele, sem receber créditos, em Por um Punhado de Dólares e outros, para fazer a sintonia que durara um ano. Donati, então, focou em destilar Era uma Vez no Oeste para sua essência, com o objetivo de tornar o filme o mais hollywoodiano possível, mas ao mesmo sem perder a alma do western spaghetti. São de Donati os diálogos marcantes da projeção, além de ter sido ele o responsável por impedir que o filme, depois, fosse muito mutilado para lançamentos em mercados diferentes, ainda que as versões feitas tivessem oscilado entre 145 e 175 minutos, mas nenhuma delas realmente se sobrepondo de maneira relevante sobre a outra.

Uma grande vitória, sem dúvida. Trabalhando duas narrativas a princípio separadas sobre o conflito gerado com a chegada dos trens e outra uma típica história de vingança, que se misturam com as mais clássicas histórias de bandidos e histórias envolvendo ameaças às terras de alguém.

Sergio Leone constrói, sempre com seu passo preciso, detalhista e lento de um western spaghetti, uma rede de tramas envolvendo Harmonica, o herói silencioso que caça o pistoleiro Frank (Henry Fonda) que, por sua vez, assassina a família McBain para abrir espaço para a chegada da ferrovia e coloca a culpa em Cheyenne (Jason Robards), que se une à Harmonica para salvar Jill McBain (a estonteante Claudia Cardinale), ex-prostituta e herdeira da fazenda dos McBain da sana assassina de Frank. Reparem na circularidade do roteiro, que não deixa pontas soltas e encaixa uma narrativa aparentemente solta à outra, demonstrando o excelente trabalho na confecção da história e o cuidado na redação do roteiro.

E Leone não tem pressa em fazer revelações. Não sabemos bem quem é o misterioso homem que toca gaita, que é perseguido por três assassinos no começo, não entendemos exatamente as intenções de Frank ainda que sintamos um certo temor ao ver aquela figura de olhos azuis penetrantes e demoramos a perceber o exato papel de Cheyenne e de Jill na trama. Tudo é mostrado e pouco é dito, mas o desenrolar e a convergência das linhas narrativas são cadenciados à perfeição de forma que diálogos se tornam supérfluos. Os olhares, com os famosos planos detalhes de Leone, contrastados com tomadas em plano geral, dizem tudo.

Somos tragados para a história naturalmente e a longa duração do filme parece passar em alguns instantes, tamanha é nossa fixação na tela. E, permeando o embate, há, mais uma vez, a trilha sonora de Ennio Morricone, um de seus mais impressionantes trabalhos. Desde a gaita narrativa coroando o leitmotif de Harmonica, passando pela música mais forte que caracteriza Frank, até o belo vocal de Edda Dell’Orso, que empresta nobreza e força à Jill McBain.

Talvez não tão memorável quanto à trilha de Três Homens em Conflito, a composição de Morricone para Era uma Vez no Oeste parece, por outro lado, ainda mais integrada à narrativa que no filme com Clint Eastwood e isso talvez se deva ao fato que Leone, em um movimento raro, pediu para Morricone compor a trilha antes das filmagens começarem, de maneira que o diretor pudesse tocá-la durante a fotografia principal, em atitude, hoje em dia, mimetizada por Quentin Tarantino, com suas músicas pop que escolhe pessoalmente e toca nas filmagens.

Com isso, talvez, a música de Era uma Vez no Oeste tenha influenciado as atuações e não o contrário como é o usual, resultando em uma mescla que pouco se vê por aí. Ainda falando em som, o trabalho do espectro sonoro em Era uma Vez no Oeste é perfeito, desde a edição de som até sua mixagem, com o uso de sons inspirados pelos westerns usados como referência aliado a um orçamento mais alto, que permitiu um trabalho melhor na finalização, especialmente se comparado com a Trilogia dos Dólares. A união da trilha sonora com os sons do filme e, em vários momentos, com a substituição da trilha pelos sons, aumenta a sensação de imersão que a fita proporciona, envolvendo-nos ainda mais profundamente na história da trinca principal de personagens. Era uma Vez no Oeste é um grande triunfo cinematográfico, merecendo figurar em todas as listas dos melhores filmes já feitos. Sergio Leone merece todos os nossos agradecimentos profundos e uma eterna salva de palmas.

Era uma Vez no Oeste é o melhor filme de faroeste de todos os tempos!

a) Trailler oficial de Era Uma Vez no Oeste

b) Porque você precisa assistir Era Uma Vez no Oeste

c) Curiosidades sobre o filme Era Uma Vez no Oeste e o que aconteceu com o elenco principal.

Clique aqui para acessar o vídeo

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Cultura inútil. Será?

Quantas vezes nos pegamos tentando lembrar de uma palavra e ela não sai?

E puxa daqui, puxa dali e nada. E tá na “ponta da língua”.

Muitas vezes ficamos horas buscando nos confins do cérebro, nenão?

Chega a ser angustiante. Pois bem, existe um nome para isso!!!

Não sei vocês mas (preocupado) eu não fazia a menor ideia. Sabem qual é?

“LETOLOGIA”

Vivendo e aprendendo.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O LEGADO DO PAPA FRANCISCO

Editorial Gazeta do Povo

papa Francisco

Na madrugada desta segunda-feira, o papa Francisco faleceu em Roma, vítima de um AVC, de acordo com as informações oficiais fornecidas pelo Vaticano. O pontífice se recuperava de uma longa internação causada por graves problemas respiratórios e não havia presidido as celebrações da Semana Santa, o momento mais importante do calendário cristão, limitando-se a dar a bênção urbi et orbi no domingo de Páscoa e a circular, no papamóvel, pela Praça de São Pedro; antes disso, havia feito algumas poucas aparições públicas no Vaticano, e ido a uma prisão romana na Quinta-Feira Santa, repetindo um costume do seu pontificado.

Nenhum papa se limita ao papel de líder religioso; o chefe da Igreja Católica comanda uma denominação que reúne 1,4 bilhão de pessoas em todo o planeta. Ainda que nem todos os católicos sigam ao pé da letra a doutrina e as prescrições morais da Igreja, os pronunciamentos de um pontífice reverberam muito além dos confins da religião que ele lidera, especialmente quando fala de questões que dizem respeito a todos, independentemente da fé que professem ou deixem de professar. Neste sentido, o pontificado de Francisco deixa um legado importante em vários temas, que em alguns casos receberam do papa uma ênfase inédita.

Francisco entrará para a história, por exemplo, como o papa que mais tratou da preservação ambiental, e o fez por um ponto de vista que oferece um necessário e bem-vindo contraponto a um discurso mais associado à esquerda, e que muitas vezes absolutiza os demais seres vivos enquanto trata com desprezo o ser humano. Em sua encíclica ambiental, Laudato Si’, Francisco apontou a hipocrisia de quem diz defender o meio ambiente enquanto promove ideologias antinatalistas ou o aborto, lembrando que apenas o ser humano, longe de ser uma praga que assola o planeta, pode oferecer a solução para a crise ambiental, que é consequência de uma crise ainda mais profunda, diz o pontífice: uma crise moral. Com isso, Francisco ofereceu uma base sólida para um ambientalismo que poderia ser denominado “cristão” ou “conservador”, em linha com o que outros pensadores, como Roger Scruton, fizeram em termos mais seculares.

Talvez ainda mais importante que a questão ambiental, o combate à pobreza e demais situações de vulnerabilidade foi outra marca do pontificado de Francisco, que, ao ser eleito papa em 2013, escolheu este nome inspirado em São Francisco de Assis. Assim como João Paulo II havia cunhado o termo “cultura da morte” para se referir a tendências modernas como a expansão do acesso ao aborto e à eutanásia, Francisco frequentemente falava na “cultura do descarte”, que avalia as pessoas de acordo com sua “utilidade”, deixando de lado o nascituro, mas também o idoso e o doente. Outro grupo que mereceu atenção especial do papa foi o dos migrantes; tendo liderado a Igreja durante um tempo de tensões em relação a políticas migratórias no Ocidente rico, o papa pediu consideração especial para com as pessoas que deixavam tudo em seus países de origem, movidas pelo desespero. Mesmo reconhecendo o direito dos países a ter suas políticas migratórias, Francisco opôs-se a práticas que violavam a dignidade humana, como a separação de famílias ou deportações sem o devido processo legal.

Mesmo que se possa discordar de alguma avaliação ou solução mais pontual proposta pelo papa, é inegável que Francisco se dispôs a enfrentar temas candentes da atualidade e, para todos eles, ofereceu perspectivas com sólidas raízes cristãs, com boas alternativas ao discurso predominante em vários setores da política e da opinião pública. Seu sucessor, que os cardeais da Igreja Católica escolherão daqui a algumas semanas, terá um ponto de partida bem estabelecido caso tenha as mesmas prioridades de Francisco, para que a Igreja Católica continue a ser uma voz relevante na sociedade global.

PENINHA - DICA MUSICAL