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ANDRÉ MENDONÇA FAZ O NECESSÁRIO CONTRAPONTO

Editorial Gazeta do Povo

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André Mendonça, relator do caso do Banco Master, durante sessão da Segunda Turma do STF

O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, acostumou-se a dizer o que bem entende, sobre absolutamente tudo, sem ser contestado. Pronuncia-se a respeito de processos em curso, faz acusações, e aproveita todas as ocasiões possíveis para atacar a maior operação de combate à corrupção da história do Brasil, operação essa que ele ajudou a enterrar. Mas, nesta semana, um colega de corte teve a coragem de se contrapor ao decano, defendendo o bom senso sem perder a compostura: André Mendonça, o relator do caso Banco Master no STF.

Gilmar foi o único voto, na sessão de terça-feira (dia 16) da Segunda Turma da corte, favorável ao relaxamento da prisão preventiva do pai e do primo do banqueiro Daniel Vorcaro. Foi vencido por Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux (o último integrante da turma, Dias Toffoli, não votou por se declarar suspeito), mas não perdeu a oportunidade de comparar a situação dos Vorcaro com a Lava Jato, afirmando que as prisões preventivas estavam sendo meramente usadas como maneira de arrancar delações premiadas. Era mentira no caso da Lava Jato – em quase 200 acordos fechados pela operação, apenas sete investigados foram soltos, e em nenhum caso a liberdade fez parte do acordo; a soltura ocorreu apenas porque não se verificavam mais os requisitos legais para a prisão preventiva –, e também o era no caso dos Vorcaro, como argumentou Mendonça, mostrando que, soltos, eles estavam trabalhando para atrapalhar as investigações.

“Não estamos aqui a julgar a Lava Jato. Estamos a julgar a maior fraude financeira do nosso país”, disse o relator, já podando o discurso anti-Lava Jato do decano, que também preside a Segunda Turma. No debate entre os ministros, Gilmar insistiu nas críticas ao que chamou de “punitivismo inebriado”, afirmando que “juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia” e que “todos estamos no mesmo lado no combate a criminalidade, mas é preciso que haja métodos constitucionais”. Mendonça rebateu, sem se deixar abalar: “está havendo, ministro. O que eu não vou admitir são tentativas que eu tenho visto de desacreditar, de forma indevida, seja a minha atuação como relator, seja dos investigadores”.

Diante de uma outra crítica de Gilmar Mendes, ao fato de Mendonça ter afirmado que recusou uma proposta de delação premiada, o relator também não se encolheu: “há uma perspectiva de que certos setores atuam para criar um vício. Tudo o que querem é criar um vício. Há um sistema articulado para isso. Eu não sou cego. Estou acompanhando e assistindo aos movimentos”, disse Mendonça. E quem tem observado com lupa os movimentos dos ministros do STF no caso Master já percebeu que o próprio Gilmar Mendes já lançou, em outros julgamentos, as sementes de uma possível nulidade futura, ao criticar a condução das investigações e demonstrar incômodo até mesmo com a intensa cobertura jornalística do escândalo.

Em excelente hora, portanto, surge uma voz dentro do próprio Supremo com a coragem de enfrentar um decano que frequentemente se porta como proprietário da corte, e tem usado sua posição para desmoralizar o combate à corrupção. O Gilmar que diz ter preocupação com “métodos constitucionais” é o mesmo que não viu problemas em todas as idas e vindas da delação premiada de Mauro Cid (esta, sim, obtida sob coação), ou que defendeu a continuação do infinito, abusivo e sigiloso inquérito das fake news. Especificamente no caso Master, Gilmar tem sido o protagonista da blindagem dos colegas enroscados com Vorcaro, principalmente ao derrubar as quebras de sigilo que poderiam esclarecer os negócios da empresa familiar dos Toffoli com os fundos ligados ao Master. Que Mendonça siga em frente, disposto a elucidar o escândalo, doa a quem doer, e que sua postura inspire muitos outros, dentro e fora do Supremo, a se contrapor a uma narrativa que já trouxe muitos prejuízos ao Brasil.

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RODRIGO CONSTANTINO

MENDONÇA CONTRA A MÁFIA: MINISTRO LAVOU A ALMA DO BRASILEIRO DECENTE

Mendonça diz ter recusado proposta de “delação seletiva” de Vorcaro: “Perderam o pudor”

Mendonça afirmou que “certos setores atuam para criar um vício” com o objetivo de anular a investigação do caso Master

O ministro André Mendonça, ao votar pela manutenção da prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro nesta terça-feira, protagonizou um embate com o ministro Gilmar Mendes que viralizou nas redes sociais. E não foi para menos! Mendonça lavou a alma do brasileiro decente, demonstrando coragem e independência para manter não só as prisões, como as investigações do caso Banco Master, contra toda a pressão do sistema.

Mendonça revelou ter recusado uma proposta de “delação seletiva” vinda da defesa de Vorcaro: “Me chegou uma proposta por um advogado, perderam o pudor, [dizendo]: ‘Queremos fazer uma delação seletiva’. Falaram na minha cara isso. Eu disse: ‘Não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo, não’”, disse Mendonça, sem identificar o advogado responsável pela proposta.

Mendonça reiterou que a colaboração premiada deve ser um ato de vontade da defesa e que seu único compromisso é com o que a investigação determinar, e não em “pegar todo mundo” por conveniência. O ministro deixou claro isso pois Gilmar fez logo um paralelo com a Lava Jato, sua grande obsessão, querendo claramente plantar a semente da nulidade ali na frente.

Gilmar Mendes nem sempre foi contra a Lava Jato. Ao contrário: ele era um dos seus maiores defensores no Supremo. Mas algo aconteceu que o fez mudar repentinamente de postura. E desde então o decano da Corte vem tratando a Lava Jato como o maior desvio da Justiça brasileira, não como a mais eficaz operação de combate à corrupção que tivemos.

O povo parece discordar, tanto que o ex-juiz Sergio Moro lidera a corrida para o governo do Paraná, segundo pesquisa recente do IGR (Registro no TSE sob o nº PR-07149/2026), que ouviu 1.000 entrevistados entre os dias 10 e 13 de junho de 2026 e tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,1 pontos percentuais. O ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, também tem boas chances de ser eleito para o Senado, conforme a mesma pesquisa do IGR. Não obstante, Mendonça fez questão de deixar claro que uma coisa é a Lava Jato, e outra é o caso Master. O ministro tem tomado o cuidado de fazer tudo dentro das regras para não permitir a anulação posterior das sentenças condenatórias, quando vierem.

“Não estamos aqui a julgar a Lava Jato. Estamos a julgar a maior fraude financeira do nosso país”, retrucou Mendonça no inicio de seu voto. Ele rebateu as críticas de Gilmar, afirmando que o processo não trata de “simples atores num gabinete na Faria Lima” praticando crimes de colarinho branco. Segundo o relator, a investigação revelou “contornos de máfia” e de “crime organizado mafioso”, com uso de fuzis, metralhadoras e infiltração no sistema policial.

De fato, “moer” uma empregada, “quebrar os dentes” de um jornalista e ter como braço-direito alguém chamado de Sicário, matador de aluguel, não é coisa de crime financeiro da Faria Lima apenas. No mais, o que o Tayayá de Toffoli tem a ver com a Faria Lima? O que o contrato de R$ 129 milhões com o escritório da família de Alexandre de Moraes tem a ver com o mercado financeiro?

O Brasil precisa passar a limpo esse caso Master, pois tudo leva a crer que Vorcaro se transformou na maior lavanderia do sistema podre e carcomido do país. Como tem muita gente envolvida, o esforço será para abafar as investigações e assar a pizza. Por isso mesmo, a postura de Mendonça merece tanto apoio: ele resolveu remar contra essa maré e desafiar os poderosos corruptos.

Mendonça precisa tomar cuidado, evitar jatinhos e reforçar sua segurança. Ele mexeu num vespeiro. O senador Sergio Moro comentou: “Cabe elogiar a Segunda Turma do STF que, por maioria, manteve a prisão preventiva do pai e do primo de Daniel Vorcaro pelo gangsterismo de suas condutas e pelo risco ao processo. Sinaliza ao próprio Vorcaro que ele ficará – como deve ficar – preso. Os Mins. André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques honraram as togas e não embarcaram nas narrativas falsas sobre a investigação ou sobre os motivos das prisões”. Moro acrescentou: “Gilmar Mendes, apesar de sua ladainha contra a Lava Jato, fracassou em sua tentativa de livrar da prisão preventiva a gangue do Master. Vitória da lei e da justiça”.

O advogado André Marsiglia fez a seguinte análise: “O resultado mais importante do julgamento de ontem não foi a manutenção das prisões do clã Vorcaro, mas a demonstração de força de Mendonça diante dos demais ministros, sobretudo de Gilmar. Se o clã Vorcaro tivesse sido solto, ou se Mendonça não tivesse atuado de cabeça erguida, estaria aberto o caminho para a soltura do próprio Vorcaro. O que aconteceu ontem, e a forma como aconteceu, dificultam esse movimento. A ala que quer enterrar o caso Master terá trabalho”.

Mendonça disse que a irmã de Sicário, quem ele custou a acreditar que se matou, teve acesso a dados do iCloud do celular do irmão que a PF ainda não conseguiu acessar. Em seguida, leu a troca de mensagens: “Destruir de vez com a menina não custa”. Mendonça, então, defendeu que esse conteúdo venha à tona, e disse: “Vem mais coisa por aí”. É o que o Brasil todo deseja, à exceção dos corruptos. Com sua postura firme contra a Máfia, André Mendonça alimentou a esperança de combate à impunidade, que vinha sendo destruída num país em que até Sergio Cabral está solto e Lula “voltou à cena do crime”…

DEU NO JORNAL

TUDO NOS CONFORMES

A investigação da Polícia Federal (PF) identificou pagamentos que chegaram a R$ 400 mil mensais a agentes e ex-agentes da corporação ligados ao empresário Daniel Vorcaro.

Segundo o relatório, o grupo buscava informações sigilosas e acompanhamento de investigações de interesse do banqueiro.

Além disso, os investigadores mapearam transferências financeiras, comunicações e movimentações que, segundo a apuração, reforçam a suspeita de uma rede estruturada para obter dados reservados.

* * *

Normal, normal.

Tá tudo dentro dos padrões petrálhicos.

Isso é a cara da republiqueta banânica da atualidade.

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