ALEXANDRE GARCIA

MARCADO PARA O RESTO DA VIDA

Mesmo após aposentadoria do STF, ministro Luís Roberto Barroso seguirá exposto

Mesmo após aposentadoria do STF, ministro Luís Roberto Barroso seguirá exposto

Não conversei ainda com vocês sobre a manifestação da CBP (Customs and Border Protection), que é um órgão que cuida da alfândega, das entradas nos Estados Unidos. Um órgão que está lá em nome do governo dos Estados Unidos, que tem um poder de Estado muito grande e que se sentiu muito ofendido com a falsificação da entrada de Filipe Martins.

Diz um trecho: “condenamos veementemente o uso de entrada falsa para embasar a prisão do senhor Martins”. Ele [Filipe Martins] foi preso, ficou preso seis meses, esteve em solitária, porque queriam que ele fizesse delação premiada contra Bolsonaro. Foi uma pressão que Gilmar Mendes, várias vezes lá atrás, condenava.

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Bolsonaro foi preso no curso de um inquérito do qual foi retirado

Ele está preso ainda, em casa com tornozeleira, assim como Bolsonaro, que está cumprindo uma prisão que foi decretada no curso de um inquérito em que ele acabou sendo retirado pelo Ministério Público, pela Procuradoria-Geral da República.

Então, ele não está mais nesse inquérito, mas continua sofrendo a consequência do inquérito, embora tenha sido condenado em outro. Mas esse é que é a base da prisão, esse que resultou na prisão domiciliar dele. São coisas incríveis.

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EUA estão investigando quem falsificou entrada de Filipe Martins

Agora, um assessor de Trump está insistindo, e há investigações. As investigações têm seu tempo, hora e ritmo para aparecer todos os envolvidos nessa falsificação que escreveu Filipe Martins, quando o nome dele, o nome certo, se escreve com “i”, em todas as línguas.

Filipe Martins, Filipinas, pelo rei Filipe II da Espanha, o príncipe Philip, da Inglaterra. Mas, enfim, até errado, quer dizer, a pessoa não era muito boa. Eu conheço alguns aí que estão até candidatos ao Supremo, cujo português vai ter que passar por uma aula, um intensivão de português, para não fazer fiasco lá no Supremo.

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Filipe Martins não entrou nos EUA

Mas, enfim, agora tem que investigar, porque afinal não é possível que a Procuradoria-Geral da República e que a Polícia Federal tenham se baseado em uma notícia, parece que é um tal de Guilherme Amado, algo assim, que escreveu que Filipe Martins tinha entrado nos Estados Unidos e tinha sumido nos Estados Unidos.

Ele estava indo de Brasília para Curitiba e depois para a cidade dele, com prova, com Uber registrando, com passagem aérea registrando, com tudo provado, que ele não estava nos Estados Unidos e nem tinha embarcado. Mas inventaram essa entrada lá, e isso é muito grave, tanto que o órgão americano diz: “condenamos”.

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Barroso não poderá ir para os EUA

Bom, mas uma outra questão: eu falei de gente que é candidata ao Supremo, né, à vaga de Barroso. Vejam só, Barroso saiu, disse que não quer mais se expor, não quer mais saber de exposição pública. Não adianta mais, ele vai ser um exposto público para o resto da vida.

E não vai poder ir para os Estados Unidos, que ele ama, formou-se em Yale, é professor visitante em Harvard. Gosta ali da região de Cambridge, ali perto de Boston. Mas tem casa lá, me parece que é Key Biscayne, lá em Miami.

O filho dele trabalhava lá, teve que sair de lá, porque foi atingido pelo corte de visto. Sentiu muito isso, tanto que decidiu sair do Supremo antes mesmo da meditação que ele ia fazer lá naquele rito indiano ou hindu sobre decisão de futuro. Não sabe para onde vai, mas sabe que não fica no Supremo.

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Barroso está marcado para o resto da vida

Agora vai marcá-lo. Já marcou para o resto da vida, tá mais lapidar do que o batom da Débora na lápide de granito da deusa Têmis. Tá muito mais lapidado o “nós derrotamos o bolsonarismo”, porque afinal ele presidiu a eleição de 2022 no TSE, a campanha eleitoral. Ele organizou aquelas coisas, depois veio para o Supremo e proclamou isso.

Arrependido disso, sim, ele se arrepende conscientemente. Mas foi o inconsciente que falou naquele dia, empolgado por estar no ambiente da UNE, e aí o ato falho, o inconsciente, jogou isso para fora.

Ele está cliente que derrotou o bolsonarismo. Primeiro botou na cabeça, como o resto do Supremo, que haveria um golpe, e fez o contragolpe. A Constituição não importou nada, foi um contragolpe, valeu tudo, mas, enfim.

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Com esses candidatos, é preferível que Barroso fique

Aí, na vaga dele, está cheio de gente que eu disse outro dia: “puxa, com esses candidatos, é preferível que o Barroso não vá, que ele fique”. Então está nas mãos dos senadores que fazem a sabatina no Senado. Está cheio de gente que é fácil de fazer perguntas.

Mas depende do critério dos senadores, da sabedoria dos senadores, do conhecimento dos senadores, da inteligência dos senadores que sabatinem uma pessoa para, enfim, começar a recuperar o Supremo, só deixando entrar gente que era daquele nível do Supremo de 20 anos atrás.

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

INCENSO – Gilka Machado

A Olavo Bilac

Quando, dentro de um templo, a corola de prata
do turíbulo oscila e todo o ambiente incensa,
fica pairando no ar, intangível e densa,
uma escada espiral que aos poucos se desata.

Enquanto bamboleia essa escada e suspensa
paira, uma ânsia de céus o meu ser arrebata,
e por ela a subir numa fuga insensata,
vai minha alma ganhando o rumo azul da crença.

O turíbulo é uma ave a esvoaçar, quando em quando
arde o incenso … Um rumor ondula, no ar se espalma,
sinto no meu olfato asas brancas roçando.

E, sempre que de um templo o largo umbral transponho,
logo o incenso me enleva e transporta minha alma
à presença de Deus na atmosfera do sonho.

Gilka da Costa de Melo Machado, Rio de Janeiro-RJ (1893-1980)

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

BRILHO NO OLHAR DO AVÔ

Neto é aquela criaturinha que faz o olho da gente brilhar, quando ele chega por perto com seu sorriso moleque e sotaque de anjo. Ele pede o que quase não pode e a gente dá mesmo sabendo do quase não dever dar. Aquele bombom que maltrata os dentes, aquele chocolate ou até, crime maior, um pouquinho de coca-cola, tudo escondido do pai e da mãe. Tudo dentro daquele Contrato de Cumplicidade que em seu artigo primeiro diz: ‘Nao revelar aos Pais nada do errado que seu avô comete’. Até porque quando eles forem avós farão o mesmo com os filhos do meu neto. Parece que estou vendo. A gente ensina a paz mas não resiste a uma luta de espada imaginária entre dois super heróis, ele e eu. Doces encargos do avô. Esse homem de cabelos brancos, rugas espalhadas no rosto, nunca cansa de ver o mesmo filminho, repetidas vezes, sabendo o final tanto quanto o neto que lhe obriga a isso. Mas, se ele gosta, é bom ver aquele mesmo filminho, repetidas vezes, sabendo o final tanto quanto ele. Contar histórias é outra tarefa própria dos avós. E a gente conta uma, duas, três, dez vezes a mesma história. Não sei qual dos olhos brilha mais, se os meus ou os dele. Certo mesmo é que quando ele reconta pra nós a história que contamos, é nosso olho que brilha mais. E o avô ri grande que nem menino pequeno. De alegria, porque percebe que ele assimilou direitinho os conceitos de união, paz, amizade, amor que a gente tentou passar nas histórias que a gente contou. E aí, inevitável, uma lágrima molha o brilho do olhar de avô. São 12 anos e ele continua a inventar cheiros para o meu jardim. Como não plantar-me num inverno de alegrias para florar risos no meu olhar de avô? Salve Bernardo, que me dá a alegria de ser avô. Feliz 12 anos, meu amiguinho/amigão, meu imenso companheiro. São 4.380 dias inventando cheiros no meu pé de alegrias. E ele hoje, no jardim da felicidade, crescido e florado, já está carregado de bons frutos. Que assim continue!

DEU NO X

DEU NO JORNAL

OS TALIBÃS DO IMPOSTO: CIDADÃO É SUBMETIDO A AGRESSÕES TRIBUTÁRIAS SEM PRECEDENTES

Roberto Motta

Desde 2023, já foram 25 medidas de criação ou elevação de impostos

A única resposta que o Congresso pode dar a qualquer projeto de aumento de impostos é: não. Imposto é um dinheiro que o Estado tira de você usando a ameaça de força. Não é “um pagamento que fazemos pelos serviços prestados pelo Estado”. O Estado não precisa prestar nenhum serviço em troca do dinheiro que tira do seu bolso.

Em geral, há pouca racionalidade na cobrança de impostos. É lógico que o Estado vai afirmar o contrário. O Estado criou até um conjunto de regras complicadíssimas para justificar os impostos, chamado de Direito Tributário. Mas as regras que o Estado cria não precisam fazer nenhum sentido. Essas regras são autojustificadas. A verdade é que o Estado cobra impostos porque ele pode. Ele vai aumentar as alíquotas, ou criar tributos, sempre que tiver uma chance. Meus amigos libertários têm um slogan que diz: imposto é roubo. A cada dia que passa eu me torno mais libertário.

Em países como o Brasil, nos quais o peso dos impostos é altíssimo, o melhor negócio é fazer parte do Estado e ter a oportunidade de gastar o dinheiro dos outros. O segundo melhor negócio é ser amigo de quem controla o Estado.

Mas há quem diga que o Estado brasileiro ficou doido. A obsessão com impostos e o ódio à prosperidade – duas marcas registradas de governos de esquerda em todo o mundo – saíram de controle. O cidadão está sendo submetido a agressões tributárias sem comparação na história recente. Poucos conseguem acompanhar as propostas de impostos em análise no Congresso e muito menos entender seu impacto. E daqui a pouco vai chegar a maior alíquota de IVA do mundo.

Há quem insista em ter uma discussão técnica sobre isso. Mas a origem desse fundamentalismo taxador não é técnica. Por trás dele está a combinação de dois fatores. O primeiro é simplesmente ideológico. Entre os formuladores dessas políticas predomina a visão do Estado como o grande equalizador de riquezas. Na cabeça desses fundamentalistas fiscais, é o Estado que deve decidir quanto cada cidadão deve possuir de riqueza e quanto cada um pode manter da renda que recebe.

O modelo ideal para essa turma é o imposto com alíquota de 100%: todos deveriam entregar tudo o que ganham ao Estado para que ele faça a repartição das riquezas de forma a atingir a tal justiça social. É sempre nessa direção que as políticas socialistas caminham. Discussões técnicas são irrelevantes. Não se trata de escolher a forma mais adequada de cobrar imposto, mas de encontrar uma maneira de cobrar a maior quantidade de imposto do maior número de pessoas pelo maior tempo possível. Direito tributário, para o Estado socialista, tem tanto valor quanto o direito constitucional.

O outro fator por trás da lascívia tributária é a quantidade de pessoas que vivem, e vivem muitíssimo bem, às custas do Estado. O atual governo brasileiro tem 38 ministérios. Na sua última viagem à Nova York, para reunião da ONU, ele levou mais de 100 pessoas. A comitiva do governo para a COP-28, realizada em 2023 em Dubai, tinha mais de 1.300 viajantes. Para manter essas boquinhas ele tenta convencer você de que é preciso “cobrar mais impostos dos ricos” – mas a carga dos impostos cai sobre todo mundo, principalmente sobre os mais pobres que, ao contrário dos ricos, não têm como se proteger. Os pobres nem se dão conta da quantidade de impostos que pagam.

Por isso, as objeções a impostos têm que ser objeções conceituais e morais. É preciso repetir que todo imposto é ruim, justamente porque é imposto ao cidadão. Todo imposto é uma interferência indevida na liberdade econômica das pessoas.

Imposto é dinheiro desviado do orçamento familiar para os cofres do Estado. Ele será usado para pagar pelos erros e excessos de uma máquina burocrática incompetente, e pelo luxo usufruído por uma elite, promotora de injustiça e pobreza, que vive em palácios e voa em jatinhos enquanto discursa pedindo “justiça social”.

PENINHA - DICA MUSICAL

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE