DEU NO JORNAL

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EM CACHOEIRAS DE MACACU

Fotos desta colunista

Atrás do morro do pico
Aponta o sol radiante
A neblina derretendo
Presencio a todo instante
A beleza do horizonte
O raio do sol no monte
Ilumina o meu semblante.

Do beiral do meu alpendre
A cambaxirra cantou
No pé de jacatirão
O bem-te-vi se assanhou
O gavião sorrateiro
Abre as asas no coqueiro
Vendo que o dia raiou.

Redes de aranhas tecidas
Presas no arame farpado
Trazendo beleza as cercas
Esse trabalho rendado
Só vendo quanta beleza
Cenário da natureza
Que é por Deus elaborado.

O canto da Seriema
Ecoa ao amanhecer
Despertador natural
Canta mesmo pra valer
É ave que faz zoada
Parece até gargalhada
Pois canta sem se conter.

Canários se reproduzem
Eu vejo o bando passar
Os melros sempre em grupo
Encantam com seu cantar
E no maior zum, zum, zum
Um magote de Anum
Balburdia faz ao voar.

Quando chega o fim do dia
Volta pro ninho a trocal,
E a garça voa em bando
Num belo show, sem igual
O sol desmaia cansado
Anunciando alquebrado
De cada dia o final.

Nova fauna, nova flora
Eu vejo aqui no Sudeste
O verde é permanente
Diferente do Nordeste
Ganho mais conhecimento
Mas tenho meu pensamento
Na minha vidinha agreste.

DEU NO JORNAL

O LEGADO NEGATIVO

Editorial Gazeta do Povo

Na quinta-feira, passada, dia 9, o ministro do STF Luís Roberto Barroso anunciou a antecipação de sua aposentadoria – Barroso, que acabou de deixar a presidência da corte, poderia permanecer no Supremo até 2033, quando completa 75 anos, mas alegou que “gostaria de viver um pouco mais da vida que me resta sem a exposição pública, as obrigações e as exigências do cargo”. O ministro também disse que não se tratou de decisão tomada subitamente, mas algo que em que ele vinha pensando havia ao menos dois anos. Esta será sua última semana na corte, pois a aposentadoria começa no próximo sábado.

Embora seja importante reconhecer que Barroso adotou postura firme em casos de corrupção, tendo inclusive votado contra a suspeição de Sergio Moro – naquela ocasião, ele disse que “na Itália, a corrupção conquistou a impunidade. Aqui, entre nós, ela quer vingança. Quer ir atrás dos procuradores e juízes que ousaram enfrentá-la” –, o ministro deixa um legado muito deletério, na forma de incentivo ao ativismo judicial, da militância em favor de causas como a legalização do aborto e do uso de drogas, e da sua visão do Judiciário como poder “iluminista e contramajoritário”, encarregado de “empurrar a história”. No entanto, muito pior que isso (e isso já é suficientemente nefasto) foi sua participação no processo de destruição da democracia ocorrido ao longo dos últimos anos, e do qual o Supremo foi o grande protagonista.

O ministro que se orgulhava de ter “derrotado o bolsonarismo”, e que respondeu com um “perdeu, mané” a um brasileiro que o importunava em Nova York, validou com seu voto, em 2020, o abusivo inquérito das fake news, aberto um ano antes – e àquela altura os efeitos nocivos dessa investigação já se haviam feito sentir, com a censura a veículos de comunicação. Barroso, portanto, ajudou a manter aberta a caixa de Pandora da qual foram saindo todas as agressões às liberdades e garantias democráticas, da censura indiscriminada às denúncias e condenações sem individualização da conduta, nos julgamentos do 8 de janeiro. Nas vezes em que teve a chance de votar (antes que os casos fossem levados à Primeira Turma, em formato virtual), foi favorável à aceitação de denúncias genéricas e às condenações sem provas, chegando a dizer que o julgamento tinha um caráter “didático e civilizatório”, ao votar pela condenação de Aécio Lúcio Costa Pereira, o primeiro réu do 8 de janeiro a ter seu caso analisado pela corte. Mesmo quando presidiu o STF, entre setembro de 2023 e setembro de 2025, jamais levantou a voz contra o arbítrio, limitando-se a defender uma fusão de crimes para reduzir penas de “bagrinhos”, apenas em seus últimos dias à frente da corte, depois que todo o estrago já havia sido feito.

Com exceção, portanto, dos temas ligados ao combate à corrupção, será difícil que tenhamos um ministro ainda pior que Barroso. Mas poderemos ter alguém melhor, se determinados agentes políticos tiverem a coragem de fazer a coisa certa. Não falamos, evidentemente, do presidente Lula, que em sua primeira indicação ao STF neste terceiro mandato resolveu recompensar seu advogado pessoal pelos serviços prestados durante a Operação Lava Jato, e na segunda indicação escolheu seu ministro da Justiça, uma pessoa de alma autoritária, adversária das liberdades, especialmente a liberdade de expressão – ninguém há de esperar algo diferente com a indicação que acaba de lhe cair no colo. Falamos é de quem tem o poder de frear a depredação institucional que Lula e o petismo adoram promover.

Qualquer indicado por Lula – e, a bem da verdade, nenhum dos nomes que têm sido ventilados desperta o mínimo entusiasmo – tem de ser sabatinado e aprovado pelo Senado. Primeiro, tem de conquistar o endosso da maioria dos membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); depois, da ao menos 41 dos 81 senadores. Cristiano Zanin teve 21 votos contra 5 na CCJ, e 58 a 18 no plenário; Flávio Dino teve um pouco mais de dificuldade, mas nada que colocasse em risco sua indicação, sendo aprovado por 17 a 10 na CCJ e 47 a 31 no plenário. Estariam os senadores dispostos a fazer o que não fazem desde 1894, recusando uma nomeação presidencial para a suprema corte?

Lula não irá dizer que está escolhendo um ministro do STF por afinidade ideológica ou para que lhe dê as mãozinhas amigas que o governo sempre busca quando encontra alguma dificuldade, mas é assim que o petismo funciona. Com a facilidade de recursos que há hoje, os senadores não têm desculpa para não chegar à sabatina já cientes de tudo o que o futuro escolhido de Lula pensa sobre vários temas e como agiu ou decidiu quando teve nas mãos o poder para tal. Sabatinas não existem para que senadores e indicado troquem gentilezas, mas para colocá-lo na parede, pedir explicações e esclarecimentos.

O Brasil precisa urgentemente recuperar o respeito pelas liberdades democráticas, especialmente a liberdade de expressão e o devido processo legal. Precisa de três poderes que funcionem com independência, sem um Judiciário hipertrofiado. Precisa de ministros sem vocação para holofotes. Barroso, que está de saída, afirmou que o Supremo havia se tornado um “poder político”; uma das etapas da desejada pacificação do país é termos no STF ministros empenhados em desarmar o estado atual de coisas que levou ao fim da democracia no país. Diante do chamado a cumprir corretamente sua missão constitucional, ao participar do processo de escolha do próximo integrante da suprema corte, o Senado não pode se omitir.

PENINHA - DICA MUSICAL

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DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

DIREITA ENTREGA RESULTADOS; ESQUERDA, NARRATIVAS

Enquanto María Corina Machado ganha Prêmio Nobel da Paz, Lula reforça laços com o ditador Maduro

“Trump anuncia que a guerra em Gaza acabou, reivindicando os louros, mas o fato é que a exaustão e o isolamento do Hamas e de Israel foram mais determinantes para o cessar-fogo”, diz o editorial do Estadão. Para a esquerda, é inadmissível que justo alguém como Donald Trump possa ser o principal responsável pelo acordo histórico.

Guga Chacra, que chegou a prever o caso com Trump no poder, diz que não há paz a celebrar, só um cessar-fogo temporário. Podemos apenas imaginar qual seria a reação do Estadão e do jornalista da Globo caso fosse Obama o presidente a costurar o acordo de paz.

O ódio que a esquerda sente pela direita a impede de ver as coisas como elas são. Mas você pode conquistar quase tudo na vida, desde que não ligue para quem ficam os créditos. Os conservadores preferem focar nos resultados, enquanto a esquerda aposta tudo e narrativas.

Ainda há muitas incertezas sobre o futuro do Oriente Médio, claro, mas a soltura dos reféns remanescentes de Israel foi um dia hisrórico, assim como o acordo envolvendo países importantes da vizinhança. Quem quer a “Palestina livre” deveria festejar, mas como Trump foi o grande responsável, a turma optou pelo ensurdecedor silêncio.

O mesmo silêncio das feministas quando María Corina Machado recebeu o Nobel da Paz. Mulher corajosa, que vive escondida na Venezuela com medo constante de ser sequestrada pelo regime de Nicolás Maduro, Corina é o ícone de uma mulher “empoderada” e de fibra, garra. Mas ela luta contra o socialismo, e eis o seu “pecado mortal” para as feministas e a esquerda.

Corina Machado dedicou seu prêmio a Donald Trump, o que gerou ainda mais revolta na esquerda. Mas ela está apenas sendo coerente e reconhecendo quem tem ajudado na luta contra a tirania de Maduro. A direita age para forçar uma mudança de regime no país, para tentar restaurar a democracia perdida. A esquerda investe em narrativas, e Lula não perde uma oportunidade de sair em defesa de seu companheiro.

Em suma, se você quer estar do lado dos que lutam a boa luta, preocupados com o resultados concretos de suas ações, venha para a direita; agora, se sua maior preocupação é sinalizar falsas virtudes e receber elogios da imprensa corrompida, mestre em narrativas falsas, então pode ficar na esquerda mesmo…

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SEM ESPERANÇA

Torcendo por um “rasgo de bom senso” de Lula, Rogério Marinho (PL-RN) avaliou como deveria ser o próximo ministro do Supremo, “precisa de juízes, não de militantes”.

O senador admitiu não ter muita esperança.

* * *

Esperar o Descondenado ter “bom senso”, é igual dar conselho a doido: pura perda de tempo.

Perca as esperanças, sinhô senadô.

Ele vai indicar um militante canhoto obediente.