SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

ALEXANDRE GARCIA

O BRASIL QUE PRODUZ ESPERA DERRUBADA DOS VETOS À LEI DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL

Lavoura de soja

Lavoura de soja em Gurupi, no Tocantins

O Congresso Nacional aprovou uma lei de licenciamento ambiental que remove toda aquela maluquice woke que vinha travando a atividade produtiva do Brasil, parecia uma doença. Mas Lula, fiel aos seus ambientalistas, vetou várias partes, e esses vetos serão apreciados na quinta-feira, em reunião conjunta do Congresso Nacional. Está havendo uma mobilização de todos que trabalham, que produzem alimentos, que dão emprego, que pagam imposto, que sustentam esse país, para derrubar esses vetos que travam a produção.

E travam de tudo! Não é só a agropecuária: travam a abertura de ferrovias necessárias – vejam a Ferrogrão, parada porque passa num cantinho lá de uma reserva indígena –, travam a mineração, enfim, travam a tentativa de o país ter riqueza e, com isso, proporcionar uma melhor qualidade de vida. Afinal, o rei da natureza é o gênero humano, que tem inteligência, raciocínio, e usa a natureza como o primeiro dos fatores para produzir riqueza. Quem quer que aprenda rudimentos de economia sabe disso. E os deputados e senadores sabem também.

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Sem combinar com o Sol, medida nenhuma vai alterar a temperatura da Terra

Eu vejo essas falas sobre a COP30, falando sobre a necessidade de reverter as condições climáticas. Mas, se o Sol não estiver envolvido, ninguém vai conseguir nada. É muita arrogância do gênero humano, que ocupa 6% do planeta Terra em atividade produtiva, achar que resolve isso. Mais ou menos explosões do sol esquentam mais ou menos as águas dos oceanos, que são a imensa maioria do planeta, e isso influencia a formação de nuvens, de umidade, de ventos, influencia o clima da Terra, que é cíclico, porque são cíclicas as explosões solares.

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Acordo no Oriente Médio ainda tem muita coisa que pode sair errado

Sigo muito cético em relação ao acordo no Oriente Médio; sendo jornalista, tenho de ser cético, não posso ser ingênuo, até porque, se o Hamas está participando do acordo, não vai dar certo. Se ainda fosse a Organização para a Libertação da Palestina por exemplo… a OLP já recebeu o Nobel da Paz por reconhecer Israel e os direitos de Israel sobre Jerusalém, por exemplo, coisa que os xiitas não aceitam – eles querem a Samaria, a Judeia, mas não tem como, o Velho Testamento está aí para comprovar que os judeus já estavam lá. E o Hamas irá entregar as armas? Duvido! Já houve entrevero na terça-feira, quando os soldados israelenses tiveram de atirar em um grupo que já estava invadindo. Mais provável que, em vez de entregar, o Hamas esconda as armas. Trump disse que, “se não entregarem, vamos tirar”. E eles devem imaginar como vai ser isso.

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PGR recusa pedido de deputados de esquerda para prender Eduardo Bolsonaro

Lindbergh Farias (PT-RJ) e Talíria Petrone (Psol-RJ) pediram a prisão de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o procurador-geral Paulo Gonet respondeu que eles não são parte legítima para isso. Eles não são da Polícia Federal, não são delegacia de polícia, nem promotor público, não podem entrar pedindo prisão de deputado.

O mais vergonhoso disso é que dois deputados parecem não ter lido o artigo da Constituição mais importante para um parlamentar: o 53. Deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer palavras. O que Eduardo Bolsonaro fez lá nos Estados Unidos, na companhia de Paulo Figueiredo, seria crime de opinião. Mas a denúncia de Gonet diz que é crime de coação. Eles estariam, vejam só, coagindo o governo dos Estados Unidos, da maior potência do mundo, a coagir o Supremo para não condenar Jair Bolsonaro. Ele estava nesse inquérito, e por isso foi decretada a sua prisão domiciliar. Mas ele saiu do inquérito, e a prisão continua mesmo assim. São milagres que só um livro de Franz Kafka, como O processo, seria capaz de descrever para as gerações futuras e para as faculdades de Direito.

DEU NO JORNAL

RECORDE DE AUMENTOS

Relatório da oposição no Senado observa que o governo tenta “desesperadamente” aumentar a arrecadação, mas não cogita cortar os próprios gastos.

Desde 2023, o governo petista e o ministro Fernando “Taxxad” Haddad já empurraram goela abaixo dos brasileiros ao menos 27 aumentos de impostos, fazendo a carga tributária total crescer um ponto percentual em um ano. “Recorde histórico”, lamenta o relatório.

Entram na conta de Lula 27 reajustes de alíquotas, fim de isenções e medidas que dificultam a obtenção de créditos tributários.

O resultado da taxação de Lula e cia. é que a carga tributária subiu de 31,2% do PIB em 2022 para 32,3% em 2024, atingindo recorde histórico.

A derrota de Lula na MP de “alternativa” ao IOF força o governo a apresentar novo pacote de medidas. Quase tudo aumento, claro.

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Em se tratando de coisa ruim, a expressão “recorde histórico”, contida nesta nota aí de cima, é uma definição perfeita para o guverno lulo-petralha.

Tudo que o bando inventa é ruim.

E tudo de ruim que inventa, bate um recorde histórico.

Preparemos a goela: vem mais aumentos para serem empurrados nela abaixo.

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

A CORAGEM DE CORINA

Com bravura e heroísmo
Enfrentou forças hostis
Pra libertar seu país
Dos horrores do chavismo.
Lutou contra o comunismo
Perante tanta agonia
Enfrentou a tirania
Hoje virou heroína;
A coragem de Corina
Cora o mundo de alegria

Hoje o mundo reconhece
Seu verdadeiro papel
Lhes dando o prêmio Nobel
A quem de fato merece.
Sua luta prevalece
Em meio a selvageria
Defendendo a minoria
Que cansada se amotina;
A coragem de Corina
Cora o mundo de alegria

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

INCONSTÂNCIA – Florbela Espanca

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO JORNAL

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EM CACHOEIRAS DE MACACU

Fotos desta colunista

Atrás do morro do pico
Aponta o sol radiante
A neblina derretendo
Presencio a todo instante
A beleza do horizonte
O raio do sol no monte
Ilumina o meu semblante.

Do beiral do meu alpendre
A cambaxirra cantou
No pé de jacatirão
O bem-te-vi se assanhou
O gavião sorrateiro
Abre as asas no coqueiro
Vendo que o dia raiou.

Redes de aranhas tecidas
Presas no arame farpado
Trazendo beleza as cercas
Esse trabalho rendado
Só vendo quanta beleza
Cenário da natureza
Que é por Deus elaborado.

O canto da Seriema
Ecoa ao amanhecer
Despertador natural
Canta mesmo pra valer
É ave que faz zoada
Parece até gargalhada
Pois canta sem se conter.

Canários se reproduzem
Eu vejo o bando passar
Os melros sempre em grupo
Encantam com seu cantar
E no maior zum, zum, zum
Um magote de Anum
Balburdia faz ao voar.

Quando chega o fim do dia
Volta pro ninho a trocal,
E a garça voa em bando
Num belo show, sem igual
O sol desmaia cansado
Anunciando alquebrado
De cada dia o final.

Nova fauna, nova flora
Eu vejo aqui no Sudeste
O verde é permanente
Diferente do Nordeste
Ganho mais conhecimento
Mas tenho meu pensamento
Na minha vidinha agreste.

DEU NO JORNAL

O LEGADO NEGATIVO

Editorial Gazeta do Povo

Na quinta-feira, passada, dia 9, o ministro do STF Luís Roberto Barroso anunciou a antecipação de sua aposentadoria – Barroso, que acabou de deixar a presidência da corte, poderia permanecer no Supremo até 2033, quando completa 75 anos, mas alegou que “gostaria de viver um pouco mais da vida que me resta sem a exposição pública, as obrigações e as exigências do cargo”. O ministro também disse que não se tratou de decisão tomada subitamente, mas algo que em que ele vinha pensando havia ao menos dois anos. Esta será sua última semana na corte, pois a aposentadoria começa no próximo sábado.

Embora seja importante reconhecer que Barroso adotou postura firme em casos de corrupção, tendo inclusive votado contra a suspeição de Sergio Moro – naquela ocasião, ele disse que “na Itália, a corrupção conquistou a impunidade. Aqui, entre nós, ela quer vingança. Quer ir atrás dos procuradores e juízes que ousaram enfrentá-la” –, o ministro deixa um legado muito deletério, na forma de incentivo ao ativismo judicial, da militância em favor de causas como a legalização do aborto e do uso de drogas, e da sua visão do Judiciário como poder “iluminista e contramajoritário”, encarregado de “empurrar a história”. No entanto, muito pior que isso (e isso já é suficientemente nefasto) foi sua participação no processo de destruição da democracia ocorrido ao longo dos últimos anos, e do qual o Supremo foi o grande protagonista.

O ministro que se orgulhava de ter “derrotado o bolsonarismo”, e que respondeu com um “perdeu, mané” a um brasileiro que o importunava em Nova York, validou com seu voto, em 2020, o abusivo inquérito das fake news, aberto um ano antes – e àquela altura os efeitos nocivos dessa investigação já se haviam feito sentir, com a censura a veículos de comunicação. Barroso, portanto, ajudou a manter aberta a caixa de Pandora da qual foram saindo todas as agressões às liberdades e garantias democráticas, da censura indiscriminada às denúncias e condenações sem individualização da conduta, nos julgamentos do 8 de janeiro. Nas vezes em que teve a chance de votar (antes que os casos fossem levados à Primeira Turma, em formato virtual), foi favorável à aceitação de denúncias genéricas e às condenações sem provas, chegando a dizer que o julgamento tinha um caráter “didático e civilizatório”, ao votar pela condenação de Aécio Lúcio Costa Pereira, o primeiro réu do 8 de janeiro a ter seu caso analisado pela corte. Mesmo quando presidiu o STF, entre setembro de 2023 e setembro de 2025, jamais levantou a voz contra o arbítrio, limitando-se a defender uma fusão de crimes para reduzir penas de “bagrinhos”, apenas em seus últimos dias à frente da corte, depois que todo o estrago já havia sido feito.

Com exceção, portanto, dos temas ligados ao combate à corrupção, será difícil que tenhamos um ministro ainda pior que Barroso. Mas poderemos ter alguém melhor, se determinados agentes políticos tiverem a coragem de fazer a coisa certa. Não falamos, evidentemente, do presidente Lula, que em sua primeira indicação ao STF neste terceiro mandato resolveu recompensar seu advogado pessoal pelos serviços prestados durante a Operação Lava Jato, e na segunda indicação escolheu seu ministro da Justiça, uma pessoa de alma autoritária, adversária das liberdades, especialmente a liberdade de expressão – ninguém há de esperar algo diferente com a indicação que acaba de lhe cair no colo. Falamos é de quem tem o poder de frear a depredação institucional que Lula e o petismo adoram promover.

Qualquer indicado por Lula – e, a bem da verdade, nenhum dos nomes que têm sido ventilados desperta o mínimo entusiasmo – tem de ser sabatinado e aprovado pelo Senado. Primeiro, tem de conquistar o endosso da maioria dos membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); depois, da ao menos 41 dos 81 senadores. Cristiano Zanin teve 21 votos contra 5 na CCJ, e 58 a 18 no plenário; Flávio Dino teve um pouco mais de dificuldade, mas nada que colocasse em risco sua indicação, sendo aprovado por 17 a 10 na CCJ e 47 a 31 no plenário. Estariam os senadores dispostos a fazer o que não fazem desde 1894, recusando uma nomeação presidencial para a suprema corte?

Lula não irá dizer que está escolhendo um ministro do STF por afinidade ideológica ou para que lhe dê as mãozinhas amigas que o governo sempre busca quando encontra alguma dificuldade, mas é assim que o petismo funciona. Com a facilidade de recursos que há hoje, os senadores não têm desculpa para não chegar à sabatina já cientes de tudo o que o futuro escolhido de Lula pensa sobre vários temas e como agiu ou decidiu quando teve nas mãos o poder para tal. Sabatinas não existem para que senadores e indicado troquem gentilezas, mas para colocá-lo na parede, pedir explicações e esclarecimentos.

O Brasil precisa urgentemente recuperar o respeito pelas liberdades democráticas, especialmente a liberdade de expressão e o devido processo legal. Precisa de três poderes que funcionem com independência, sem um Judiciário hipertrofiado. Precisa de ministros sem vocação para holofotes. Barroso, que está de saída, afirmou que o Supremo havia se tornado um “poder político”; uma das etapas da desejada pacificação do país é termos no STF ministros empenhados em desarmar o estado atual de coisas que levou ao fim da democracia no país. Diante do chamado a cumprir corretamente sua missão constitucional, ao participar do processo de escolha do próximo integrante da suprema corte, o Senado não pode se omitir.

PENINHA - DICA MUSICAL