ALEXANDRE GARCIA

BRASIL TEM DE SE MEXER PARA GARANTIR VENDA DE CARNE PARA A EUROPA

A agência Lusa, aqui em Portugal, noticiou algo que pode afetar muito o Brasil inteiro, a começar pelo agronegócio: uma proibição, com bases sanitárias, da compra de produtos brasileiros de origem animal, incluindo ovos e mel, em toda a União Europeia. O Piauí, por exemplo, é um grande produtor de mel, e pode sentir os efeitos a partir de setembro, quando a medida entra em vigor. Estão alegando exigências sanitárias para evitar contaminação; parece que nesta quarta-feira o Brasil já vai tentar reuniões com autoridades europeias da área da certificação de saúde animal.

Isso é muito sério porque o mercado brasileiro anual desses produtos está em quase US$ 2 bilhões. Eu vejo, por exemplo, nos restaurantes que servem carne aqui em Portugal, a propaganda da carne argentina e da carne uruguaia. Provavelmente, nos restaurantes que se anunciam como “churrascaria brasileira” ou “rodízio brasileiro”, a carne venha do Brasil. Mas ela não poderá mais chegar aqui a partir de setembro se o governo brasileiro, que foi surpreendido por essa medida, não se acertar no lado sanitário.

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Rússia testa novo míssil e assusta o mundo

Os países europeus estão todos à mercê das armas nucleares da Rússia, que investe na intimidação para o equilíbrio de forças no mundo. A Rússia está agora terminando os testes de um míssil que tem um alcance de 35 mil quilômetros. Como aprendemos na escola, uma volta à Terra pelo Equador tem 40 mil km, ou seja: esse míssil, que não vai circular a Terra por cima do Equador, pode atingir qualquer parte do mundo. A Otan está chamando esse míssil de “Satanás 2”; os russos o chamam de Sarmat. O que é isso? É Vladimir Putin se sentindo enfraquecido. Ele está há 26 anos no poder, pensou que fosse dobrar a Ucrânia em poucos meses ou em semanas, mas não conseguiu nada disso. Os ucranianos enfraqueceram as forças russas e o moral russo. Então, Putin surge com uma arma para assustar a Europa e o mundo.

Conversei nesta terça-feira com amigos portugueses, mais novos que eu, sobre armas e o poderio da China e dos Estados Unidos. Eu disse a eles que sempre foi assim. Os erros dos políticos, que flertaram com a guerra, resultaram na Grande Guerra, que depois passou a se chamar Primeira Guerra Mundial porque veio a Segunda Guerra Mundial – novamente causada por erros de gente como Chamberlain e Daladier, que acreditaram em Von Ribbentropp e nas garantias de que a Alemanha não invadiria nada. “Ganhamos a paz”, disseram, e em setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia e iniciou a Segunda Guerra Mundial. Assim foi com os franceses e os norte-americanos no Vietnã, com a guerra Irã-Iraque. Essas guerras são muito boas para a indústria bélica, mas nunca para a população, nem para os soldados. E é a população que fornece seus filhos para as guerras.

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Mesmo territorialmente longe das guerras, o Brasil sofre os efeitos

Aqui na Europa as pessoas se sentem mais próximas do perigo. No Brasil há um Oceano Atlântico a nos separar da Europa, ou, no caso de guerras na Ásia, um Oceano Pacífico, que fica mais longe ainda, do outro lado da América do Sul. Somos um país pacífico, mas temos de estar atentos às consequências econômicas das guerras, por exemplo no preço do petróleo. Enchi o tanque e paguei bem mais que no ano passado. Como estou perto da fronteira com a Espanha, já me aconselharam que por lá o combustível ainda está mais barato, porque estão segurando o preço. O mundo está todo interligado; o que acontece nas montanhas do Irã acaba, de um jeito ou de outro, batendo na Petrobras e nos postos de combustíveis no Brasil.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

COM ARIMATÉA SALES

Arimatéa e Dalinha

Sou caboclo nordestino
eu provo, não nego fogo
jogo as regras do jogo
desde o tempo de menino
não temo o cruel destino
pois sou eu quem o constrói
sou labuta, sou herói
não me canso de escrever
desde que aprendi a ler
nada no chão me destrói.

Arimatéa Sales

Sou cabocla nordestina
Sou fogo que não se apaga
Quem conhece minha saga
Sabe que desde menina
Nasci pra ser heroína
Não pra lamentar a sorte
Não tenho medo da morte
Não sou de chorar em vão
Desenhei com precisão
As veredas do meu norte.

Dalinha Catunda

PENINHA - DICA MUSICAL

RODRIGO CONSTANTINO

O “ROCEIRO” QUE REALMENTE DÁ AS CARTAS NO BRASIL

joesley batista

O empresário brasileiro Joesley Batista, um dos proprietários da empresa de processamento de carne JBS

“Não posso responder essa pergunta”, disse Joesley Batista sobre ajudar Lula e Donald Trump a se encontrarem. Jornalistas alegam que a ligação de Lula a Trump teria sido feita pelo celular de Batista, o maior doador para a festa de comemoração da vitória de Trump, num valor de US$ 5 milhões. Enquanto isso, rolava em Nova York um evento com o filho de Trump, Don Jr, além de André Esteves, do BTG, e Wesley Batista, da JBS.

Quem achava que Eduardo Bolsonaro tinha essa moral toda com a administração Trump foi forçado a descobrir, do jeito mais duro, que o “roceiro” da JBS é quem manda nessa “joça” de verdade. Money talks, como dizem os próprios americanos. No evento, o filho de Trump falou da China, tentando passar o recado do pai para que o Brasil se afaste do país comunista. Mas Lula vai mesmo seguir esse “conselho” ou só fingir, como sempre faz?

Pedi ao Grok um levantamento dos principais benefícios do governo Lula ao grupo JBS, dos irmãos Batista. Foi praticamente o Estado brasileiro que fez da JBS um gigante internacional, dentro da ótica “desenvolvimentista” de seleção dos campeões nacionais. O principal benefício foi o apoio massivo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que ajudou a transformar a JBS de frigorífico regional em gigante global.

Aportes e participações acionárias via BNDESPar (braço de investimentos do BNDES): cerca de R$ 8,1 bilhões entre 2007 e 2011. Esse dinheiro foi usado principalmente para aquisições internacionais (como a Swift Foods nos EUA, a Pilgrim’s Pride, a Bertin etc.). O BNDES se tornou sócio da empresa, chegando a deter até 21% das ações.

Financiamentos indiretos e diretos adicionais: milhares de operações via Finame (máquinas e equipamentos), BNDES Exim (exportação) e outros programas. Estimativas totais do período 2005-2014 chegam a R$ 10 bilhões a R$ 12,8 bilhões, quando somados empréstimos e aportes.

A alteração do estatuto do BNDES por um decreto de Lula, em 2007, permitiu que o banco financiasse empresas brasileiras para compras no exterior, o que antes era proibido. Isso foi essencial para a internacionalização da JBS.

Isenções tributárias federais (renúncias fiscais): entre janeiro de 2024 e maio de 2025, a JBS deixou de pagar R$ 8,5 bilhões em tributos federais (principalmente Cofins, PIS/Pasep e contribuição previdenciária). Isso representa 68% do lucro líquido do grupo no período (R$ 12,5 bilhões). A JBS lidera o ranking de renúncias fiscais do agronegócio.

Benefícios da reforma tributária e isenções do agro: a JBS foi beneficiada pela manutenção ou ampliação de isenções sobre carnes (PIS/Cofins, IPI etc.), que já existiam e foram preservadas ou reforçadas. O setor de proteína animal é um dos mais desonerados do país.

Medida Provisória 1.232/2024 (energia): beneficiou indiretamente o grupo J&F (controlador da JBS) via empresa Âmbar Energia. A MP converteu contratos de térmicas e transferiu custos bilionários para os consumidores de energia (a estimativa é de R$ 2 bilhões por ano). Não é benefício direto à JBS, mas ao mesmo grupo econômico.

Crédito rural e Plano Safra: a JBS, como maior processadora de carne, se beneficia indiretamente dos grandes volumes de crédito rural (Pronamp, Pronaf etc.) liberados para fornecedores (pecuaristas). Não há valores exclusivos da JBS divulgados, mas o Plano Safra 2025/2026 bateu recorde (R$ 516 bilhões).

Benefícios estaduais (ICMS): vários estados concederam ou mantiveram incentivos fiscais (créditos presumidos de ICMS) à JBS. Em 2017 houve auditorias em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, mas muitos continuam válidos.

Além disso, como se fosse pouco, o grupo dos irmãos Batista contou com a “ajudinha” direta do STF. O relator Dias Toffoli, por exemplo, suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões no acordo de leniência em 2023. Mais de dez bilhões de reais!

Relembrar desses fatos é uma ducha de água fria em quem ainda tem esperanças no futuro do Brasil. A corrupção em nosso país tem um passado glorioso e um futuro promissor, como diria Roberto Campos. O Estado vem sendo tratado como a locomotiva do desenvolvimento desde sempre, e isso pariu um “capitalismo de laços” em que a meritocracia cede lugar ao clientelismo e ao patrimonialismo. Investe-se muito em lobby político em vez de competitividade. Com os recursos da “viúva”, grupos com boas conexões sempre se dão bem à custa do povo. E hoje percebemos que tais tentáculos vão longe.

Joesley Batista virou “chanceler” informal, fazendo ponte entre Brasil, Estados Unidos e Venezuela, onde também possui inúmeros investimentos, e o elo entre Lula e Trump. Tudo isso com muito dinheiro público, como fica claro. O “roceiro” é o homem que realmente manda nessa “bagaça”. O Brasil não é para amadores, tampouco um país sério.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA