
Arimatéa e Dalinha
Sou caboclo nordestino
eu provo, não nego fogo
jogo as regras do jogo
desde o tempo de menino
não temo o cruel destino
pois sou eu quem o constrói
sou labuta, sou herói
não me canso de escrever
desde que aprendi a ler
nada no chão me destrói.
Arimatéa Sales
Sou cabocla nordestina
Sou fogo que não se apaga
Quem conhece minha saga
Sabe que desde menina
Nasci pra ser heroína
Não pra lamentar a sorte
Não tenho medo da morte
Não sou de chorar em vão
Desenhei com precisão
As veredas do meu norte.
Dalinha Catunda
Gostei desta belíssima peleja em versos, no estilo cordel, entre Arimatéa Sales e Dalinha Catunda, onde a afirmação da identidade e origem nordestina e cabocla é o pilar central da composição.
Aqui o embate não é de oposição, mas de confluência.
Eles competem para ver quem melhor traduz o espírito resiliente da região e, com isso,
eles fazem uma celebração da ancestralidade, onde o orgulho de ser nordestino é apresentado como uma armadura contra as dificuldades da vida, reafirmando que o “ser caboclo” é, por si só, um ato de resistência e arte.
Bravo!