Nem bem o dia amanhece Já está em meu quintal O seu canto matinal É canto que me enternece Mas comida só merece Quem tem rumo e direção Não cedo alimentação Pra quem sempre vai e vem: Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Dalinha Catunda
Também não darei moleza À rola ou a periquito, Mesmo sendo bem bonito, Pode ter toda a certeza; Beleza nunca põe mesa E nesses tempos então Só abro uma exceção Com aval de Araquem: Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Bastinha Job
Já tive no meu terreiro uma rola sem futuro, me procurava no escuro e me acertava o traseiro, com seu jeito interesseiro, não queria meu pirão, mas só arroz com feijão, na hora do vai-e-vem. Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Anilda Figueiredo
Eu adoro passarinho… Mas sou fã do periquito Esse do mote esquisito Não põe ovo no meu ninho Pra ficar tudo certinho Eu digo com precisão Essa rima é o cão Esse verso não convém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Giovanni Arruda
Quando o pássaro é manso Basta um dedo em riste Botar painço e alpiste Que vem fazer o descanso Já criei patos e ganso Sabiá corrupião Acabava com a ração Não me sobrava um vintém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Araquém Vasconcellos
Canta lá no cajueiro Que fica no meu canal Um rebanho de pombal Me consola o dia inteiro Mais não chega no terreiro Nem na janela do oitão Eu tenho essa opinião Pode ser pardal, quem quem Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Jairo Vasconcelos
Eu escuto o passarinho Mas grito com dedo em riste Posso dar xerem, alpiste Se ele sair do ninho Se eu escutar bem cedinho Um canto em tom de canção Mas se ele só diz não E não canta pra ninguém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Rivamoura Teixeira
Eu criava uma rolinha Um dia fiquei zangada Ela vivia escorada Peguei a tal passarinha Ficou mais mole a bichinha Eu dei nela um arrochão Sapequei ela no chão E pelei o seu sedém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
A COP30, vendida ao mundo como o “símbolo da união pelo planeta”, entrou em clima de confronto e confusão em Belém (PA). Nesta terça-feira, 11 de novembro, manifestantes romperam barreiras de segurança e entraram em choque com agentes privados que faziam o controle de acesso ao local da conferência climática.
De acordo com a Reuters, um homem ficou ferido e precisou ser retirado em cadeira de rodas após o tumulto. Imagens que circulam nas redes mostram empurra-empurra, spray de pimenta e um grupo tentando forçar a passagem pelos portões principais.
A cena contrasta com o discurso oficial do governo brasileiro e da ONU, que até ontem garantiam “segurança total e clima de diálogo”. Na prática, o que se viu foi o colapso da vitrine verde — a conferência que deveria “salvar o planeta” começa afundando na própria contradição: um evento que prega harmonia global, mas é cercado por muros, crachás e seguranças armados — e movido a diesel, o mesmo combustível fóssil que seus organizadores dizem querer eliminar.
Fontes da imprensa internacional, como o portal DevDiscourse, indicam que os protestos estariam ligados a grupos insatisfeitos com o custo bilionário do evento e com a exclusão de representantes locais e movimentos rurais da pauta oficial. Ou seja: a “voz da Amazônia” ficou de fora do evento que diz defendê-la.
Enquanto isso, a organização da COP30 ainda não divulgou nota sobre o episódio. O silêncio institucional é ensurdecedor…
A COP30 virou exatamente isso – um retrato em tempo real de como o marketing verde de Lula substituiu a verdade.
A COP30, vendida ao mundo como o “símbolo da união pelo planeta”, entrou em clima de confronto e confusão em Belém (PA). Nesta terça-feira, 11 de novembro, manifestantes romperam barreiras de segurança e entraram em choque com agentes privados que faziam o controle de acesso ao… pic.twitter.com/nJkxvEcK69
Desde já me desculpando pela intimidade de lhe chamar pelo primeiro nome, peço licença para pegar carona em sua carta com ares de oração.
Assim, também me dirijo ao povo de Rio Bonito:
A começar pelo nome de vossa cidade, temos algo em comum: Sou de Ribeirão Preto, nome de um curso d’água, águas barrentas avermelhadas com as que banham vossa cidade.
Há quase 30 anos, em 1994, passamos aqui por um evento semelhante, até hoje chamamos de “tornado 94”, embora digam que foi uma tempestade atípica. De qualquer forma, o rastro de destruição foi imenso, com mortes. Tudo ocorreu em um sábado à noite; não durou nem um minuto.
Ajudei no resgate aos vizinhos e vi, quando amanheceu, minha cidade assustada, traumatizada e marcada para sempre.
Essa experiência me permite dizer que vocês vão se recuperar. Após chorar seus parentes e amigos, irão socorrer os necessitados e reconstruir sua cidade e sua história, mais fortes e unidos.
Não se importem com os imbecis “do amor” que reputam esta tragédia ao fato de serem do sul e repudiarem a esquerda nefasta. Deus está com vocês, nós estamos com vocês. Tragédias e canalhas passam, mas sua cidade vai continuar, linda como o rio que lhes deu o nome.
Aceitem as orações deste paulistano de nascimento e ribeirãopretano de coração.
O caso é simples, público e, ainda assim, sintomático. O advogado pernambucano Thomas Crisóstomo foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter escrito em uma rede social que “a EBC virou um cabide de emprego para a mulher do ex-presidiário Lula”.
O MPF afirma que a expressão ofenderia a honra do presidente. A denúncia não questiona o fato em si, apenas o direito de dizê-lo. Lula foi condenado em segunda instância, preso por 580 dias e depois beneficiado pela anulação dos processos por questões processuais, sem revisão de mérito. O dado histórico é objetivo: Lula foi preso, então é, literalmente, um ex-presidiário. Ainda assim, o Estado decidiu transformar a frase em delito.
O MPF chegou a oferecer um acordo de não persecução penal a Thomas Crisóstomo. Ele recusou. Disse que não admitiria reconhecer culpa por algo que é fato público, sustentado documentalmente e inserido no debate político. A recusa é o ponto mais importante dessa história. Quantos outros, com medo, tempo curto, recursos escassos ou filhos pequenos para sustentar, aceitaram calar? Quantos assinaram acordos para não enfrentar um processo, admitindo uma culpa que não existia em troca de alívio imediato? Quantos sentiram o peso do Estado e escolheram a sobrevivência ao invés da liberdade de expressão? Esse caso, público, transparente, rastreável, nos conduz à pergunta que a Gazeta do Povo tem insistido em fazer e que continua sem resposta: quantas vozes o Supremo já calou?
Não estamos falando de processos públicos como o de Thomas Crisóstomo. Estamos falando dos inquéritos sigilosos, das investigações sem réu definido, dos pedidos de quebra de sigilo que não chegam a ser tornados públicos, das medidas de restrição de fala que nunca foram sequer apresentadas ao debate democrático. Estamos falando do silêncio que não aparece no noticiário. Do silêncio sem rosto, sem nome, sem registro.
O que se vê é um Estado que se tornou minucioso na vigilância do discurso político e, ao mesmo tempo, displicente com crimes concretos. É como se a frase fosse mais relevante do que o fato que ela descreve. Como se a sensibilidade de determinadas pessoas importasse mais do que a legitimidade da crítica. A distorção é evidente: o sistema penal, que deveria proteger a sociedade contra violências reais, está sendo usado para proteger autoridades contra desconforto.
Quando o Estado deixa de punir crimes para punir palavras, ele desloca o centro moral da lei. O problema deixa de ser a conduta e passa a ser a opinião sobre a conduta. E, nesse ponto, a democracia é desfigurada. Porque a democracia exige fricção, conflito, ironia, provocação, confronto de interpretações. Não existe vida política adulta sem o direito de chamar as coisas pelo nome que os fatos sustentam.
O episódio também expõe a contradição mais profunda do discurso institucional brasileiro. A retórica oficial insiste em dizer que vivemos uma era de defesa da democracia. Mas democracia não é apenas manter eleições. Democracia é garantir que o cidadão possa criticar o governante. Mesmo quando exagera. Mesmo quando é duro. Mesmo quando fere sensibilidades. Soberania popular significa que o presidente não está acima do povo e muito menos acima da linguagem.
O que se está tutelando aqui não é a honra, mas a narrativa. E quando o Estado passa a tutelar narrativas, o resultado não é estabilidade, é medo. O cidadão começa a se perguntar o que pode ou não dizer, a medir palavras, a calcular cada vírgula antes de postar um comentário banal. A esfera pública, nesse ambiente, deixa de ser local de debate e se torna campo minado. A autocensura se torna hábito. O silêncio se torna prudência.
E é aí que a pergunta da Gazeta do Povo volta a ecoar. Se este é o tratamento dado a um caso público, registrado, conhecido, acompanhado pela imprensa, o que acontece nos casos que não chegam ao noticiário? Quantos processos, quantos inquéritos, quantas notificações foram aceitos sem questionamento para não “ter problema”? Quantos se calaram antes mesmo de falar?
O mais grave não é o que se vê. O mais grave é o que não se ouve. O processo contra Thomas Crisóstomo, no fim das contas, não é sobre a frase que ele escreveu. É sobre quem pode descrever a realidade e quem pode proibi-la. Quando o Estado decide que um fato se torna ofensivo ao ser mencionado, não estamos diante de proteção da honra, mas de controle da narrativa. E controlar a narrativa é controlar o imaginário, o horizonte das possibilidades, o próprio limite do que pode existir como pensamento público.
Por isso essa história não termina no episódio individual. Ela interpela o país. Porque uma sociedade que cala os que a descrevem se torna refém de sua própria mentira. E mentira de Estado tem consequências práticas: ela modela consensos artificiais, produz medo difuso, enfraquece a confiança social e, pouco a pouco, apaga a noção de cidadania. Não há democracia em que o cidadão precise pedir permissão para dizer o óbvio.
A pergunta volta, então, mais grave, mais urgente, mais profunda: se um comentário público, baseado em registros oficiais, pode se tornar crime, o que exatamente ainda podemos dizer? Até onde vai o perímetro do permitido? E quem o delimita?
É aqui que a questão proposta pela Gazeta do Povo ganha sua dimensão verdadeira. O caso de Thomas Crisóstomo é visível, rastreável, contestável. Mas há uma zona inteira de silêncio que se estende por inquéritos sigilosos, decisões sem publicidade, acordos aceitos por medo, autocensuras que nunca chegam às notícias. Ali está o campo mais perigoso. Não o grito reprimido, mas a voz que nunca chegou a nascer.
Se o Supremo e o sistema de Justiça não responderem claramente a essa pergunta, se não delimitarem com precisão o que é direito de crítica e o que é ataque real, se não devolverem ao debate público a coragem da divergência, o país não estará apenas cerceando palavras. Estará diminuindo a consciência e atrofiando a própria liberdade. Porque quando a sociedade se acostuma a calar, ela não cala apenas o que pensa. Cala também o que é. Uma democracia que cala o que é já deixou de existir.