DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TEUS OLHOS – Florbela Espanca

Olhos do meu Amor! Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.

Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d’Além-Mundos ignorados!

Olhos do meu Amor! Fontes… cisternas..
Enigmáticas campas medievais…
Jardins de Espanha… catedrais eternas…

Berço vinde do céu à minha porta…
Ó meu leite de núpcias irreais!…
Meu sumptuoso túmulo de morta!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

COMENTÁRIO DO LEITOR

FILA RECORDE

Comentário sobre a postagem O ROMBO NA GLOBO

João Francisco:

Este rombo ainda aumentaria se não houvesse a fila recorde de 3 milhões de velhinhos que esperam obter seus benefícios.

Isso vai estourar; em breve não haverá mais dinheiro para pagar os aposentados.

Eu sei de muita gente que se aposentou com 39 anos usando brechas na Lei.

Ainda tem filhas solteiras dos marinheiros (bastavam duas viagens) que estavam embarcados na época da 2ª GM que têm aposentadoria..

Tem o caso da atriz Maitê Proença que ganha pensão pela morte dos pais.

O dinheiro não dará mais. Hoje há mais aposentados do que gente trabalhando e contribuindo.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

VOU SAIR NO BOLA PRETA

Foi no carnaval passado,
Que você embriagado
Rasgou minha fantasia.
Eu fiquei amargurada,
Ressentida e chateada
Com mais essa covardia.

Jurei, no próximo ano
Sozinha sem desengano
Noutro bloco eu sairia.
Durante um ano inteiro
Eu juntei o meu dinheiro
E fiz nova fantasia.

Cansei-me de tanta treta
Aliei-me ao Bola Preta
Bloco que tem tradição.
Vestida de preto e branco
Levo meu sorriso franco
Pra brincar em seu cordão.

Fique com sua cachaça
Curtindo sua arruaça
Que eu vou cuidar de mim.
Vá tocar o seu pandeiro
Em bloco de cachaceiro
Na porta de botequim.

Vá nas asas da loucura,
Ao bloco da pinga pura,
E beba em minha intenção.
Pois no bloco dos contentes
Arreganhando meus dentes,
Vou buscar nova paixão.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL

ALEXANDRE GARCIA

PODRIDÃO NORMAL

Dona Romilda Rosa Ferreira, bolsonarista militante, ajudou a fretar um ônibus em São Lourenço, para quem queria aderir ao acampamento montado na frente do QG do Exército. O ônibus não lotou em São Lourenço e ainda teve lugar para gente chegada de Itamonte e gente que embarcou em Caxambu. Semana passada ela foi condenada a 14 anos por associação criminosa armada, tentativa de golpe de estado e abolição violenta do estado de direito. Ela já carrega, há tempos, tornozeleira de semi-prisioneira política. O Brasil, por ironia, tem tantas Romildas quantos presos políticos tem a Venezuela. Só que logo estarão livres, numa anistia geral que abrange os 26 anos de chavismo.

Se nossa crise fosse apenas política, com radicalismos, extremismos, fanatismos, vinganças e medo, tudo se resolveria por uma pacificação, como a que a Venezuela vai tentar a partir de agora. Mas a crise é mais grave e destruidora. Não é apenas de ignorância, de falta de conhecimento. Sim, é preocupante que um terço do ensino médico seja inferior a medíocre. “Quem vai cuidar de nós?”- perguntam-se os médicos de meia-idade. Não; não é apenas o ensino medíocre em quase todas as áreas, em que pessoas que tem a língua portuguesa como principal ferramenta, não sabem o significado das palavras, não sabem construir uma frase na lógica da língua. A crise é pior. É moral – ou ética, para usar um sinônimo. São os princípios, que deveriam ser inculcados na medula das novas gerações na casa da família. Mas como, se até as famílias estão diluídas?

O Estadão de domingo mostra o “Compadrio Brasileiro” num artigo de Fernando Schüller, em que o banqueiro esperto, Vorcaro, contrata o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, por 1 milhão por mês; contrata o ex-ministro do Supremo, depois Ministro da Justiça, Lewandovski, por 5 milhões – ambos por indicação do líder do governo, Senador Jacques Wagner. O artigo mostra que a família de Moraes tem o inédito contrato de valor inédito: 129 milhões; que o Ministro Toffoli, que é relator do caso, é ligado ao Master via resort-cassino onde recebe banqueiros, ou a advogado de banco que lhe dá carona em jatinho, e seus irmãos vendem para advogado da JBS, da multa anulada. Mas o mais grave é pagar ônibus para manifestante ir a Brasília, ou escrever com batom em estátua de granito. Isso dá 14 anos de prisão.

O Supremo, o Presidente do Senado e o Presidente da República se juntam para que não haja consequências, como as que houve para Déboras e Romildas. Sigilo sobre provas, inércia sobre pedidos de impeachment, blindagens em CPIs. O editorial principal do Estadão dessa sexta afirma no título que estão “Fazendo o País de Bobo”. O pior de tudo é a naturalização pelos brasileiros dessas gravíssimas ofensas à ética, aos princípios e à própria Constituição. Considerar que um juiz do Supremo pode julgar um caso em que ele próprio está metido, como interessado, vítima, ou ligado por parentesco, é aceitar a falência da civilização no Brasil. Quem aceita a podridão como natural, é porque já apodreceu também.

COMENTÁRIO DO LEITOR