Eu vou contar uma história Daquelas de antigamente Que ouvi quando criança E guardei na minha mente Foi Tia Isa quem contou E eu agora aqui estou Passando a história a frente.
Sempre à boquinha da noite Com cadeiras na calçada Sentava-se minha tia No meio da criançada Que ouvia com atenção Detalhes da contação De cada história narrada.
Foi assim que me criei E abraço essa tradição Um ponto vou aumentando No transcorrer da oração Sem esquecer a magia Das histórias de titia Nas calçadas do sertão.
Pra não quebrar a magia Desse jeito de contar Vou imitar minha tia No modo de iniciar Descrever como ela fez Repetindo: ERA UMA VEZ Para a história começar.
Era uma vez uma mãe Que bem moça enviuvou Tinha somente um filhinho Dele muito bem cuidou Era a razão da sua vida Para a criança querida Carinho nunca faltou.
Um bom menino ele era Sempre muito obediente Auxiliava sua mãe Não fugia do batente Viviam em harmonia Um do outro companhia O que a deixava contente.
Eu gosto de açaí, ao menos do açaí que vendem nos inúmeros estabelecimentos, (alguns bem chiques daqui de Ribeirão); cachaça com jambú e pato no tucupi; nunca comi maniçoba.
Mas também gosto de água tratada; coleta e tratamento de esgoto; ruas asfaltadas; coleta de lixo etc.
Eu poderia viver sem as iguarias do primeiro parágrafo, mas não conseguiria viver sem os serviços do segundo.
Lula, um dos responsáveis diretos pelas mazelas sofridas pela população de Belém e de boa parte do país, respondeu às criticas de Merz recomendando que ele comesse maniçoba e aproveitasse um boteco paraense.
Acha que a população só precisa disso pra viver.
Para além da vergonha em sí, fica claro que lula vive em um mundo paralelo, representado pelos luxos de Janja.
Nem tentou provar que o alemão estava em errado em algum aspecto.
Dentre todos os candidatos de direita e centro-direita à presidência do Chile, José Antonio Kast foi o mais votado e tem condições de vencer o segundo turno contra a comunista Jeannette Jara
O primeiro turno da eleição presidencial chilena consolidou o processo de polarização iniciado em 2021, com o eleitorado trocando as legendas e políticos de centro-direita e centro-esquerda por candidatos mais afastados do centro no espectro político-ideológico. O segundo turno terá um confronto entre a comunista Jeannette Jara, que recebeu pouco menos de 27% dos votos válidos, e o conservador José Antonio Kast, com quase 24% – uma diferença menor que a indicada pelas pesquisas divulgadas às vésperas do pleito.
Jara é a candidata do atual presidente, Gabriel Boric, que enfrentou e venceu Kast no segundo turno de 2021 – a lei chilena proíbe a reeleição para mandatos consecutivos. No entanto, é possível dizer que ela só terminou em primeiro lugar porque a esquerda se uniu, enquanto a direita se fragmentou. A ex-ministra do Trabalho foi a candidata escolhida por uma grande coalizão de esquerda, que preferiu indicar um candidato único para melhorar suas chances. Kast, por outro lado, teve de disputar a preferência dos eleitores de direita e centro-direita com o economista e engenheiro Franco Parisi (que ficou em terceiro, com quase 20% dos votos válidos), o libertário Johannes Kaiser (quase 14%) e a ex-prefeita conservadora Evelyn Matthei, que chegou a liderar as pesquisas, mas teve 12,5% dos votos válidos e terminou em quinto. Kaiser e Matthei já declararam apoio a Kast; se a transferência de votos se concretizar, as chances de Boric entregar a faixa presidencial a Kast são muito maiores, mantendo uma tradição chilena de quase duas décadas: a última vez que um presidente passou o cargo a um sucessor do mesmo grupo político foi em 2006, quando Michelle Bachellet sucedeu Ricardo Lagos.
As forças tradicionais da política chilena, que se revezaram no poder antes da eleição de Gabriel Boric, tiveram de se contentar com o papel de coadjuvantes, ou com resultados magros. O Partido Socialista, que governou o país por duas vezes com Michelle Bachelet, já não tinha indicado candidato em 2021, apoiando Yasna Provoste, que terminou em quinto lugar naquele ano, com 11,6% dos votos; desta vez, também preferiu abrir mão da cabeça de chapa e apoiar Jara. A coalizão de centro-direita Chile Grande y Unido, herdeira do grupo político que também já governou o Chile por duas vezes com Sebastián Piñera, não se deu muito melhor com Matthei. Além disso, tanto o PS quanto o Chile Grande y Unido elegeram menos deputados que em 2021; os socialistas mantiveram o número de senadores, e a coalizão de direita e centro-direita também viu sua bancada no Senado diminuir.
Se os protagonistas e os coadjuvantes são os mesmos, as circunstâncias do Chile de 2025 são bem diferentes daquelas de 2021. Boric foi eleito em meio a uma convulsão social, ao descontentamento com a desigualdade e à promessa de uma nova Constituição – que até agora não foi aprovada, com dois textos sendo rejeitados em plebiscitos em 2022 e 2023. Quatro anos depois, é a segurança pública que dominou a campanha eleitoral: a taxa de homicídios saiu de 4,6 por mil habitantes em 2021 para 6 neste ano (em 2022 chegou a 6,7), números ainda pequenos para a média latino-americana, mas altos para os padrões chilenos. Além disso, a população está assustada com a presença do crime organizado transnacional, especialmente do venezuelano Tren de Aragua, que contribui também para o aumento de outros crimes, como sequestros e extorsão. Kast adotou um discurso linha-dura contra o crime e a imigração ilegal; Jara prioriza o combate ao crime organizado pelo rastreamento do dinheiro usado pelos bandidos.
A candidata comunista já sacou a manjada carta da “ameaça à democracia” para criticar Kast. Ainda na noite de domingo, comentando o resultado da votação e as perspectivas para o segundo turno, Jara afirmou que “a democracia deve ser protegida e valorizada. Sofremos muito para recuperá-la para que hoje seja colocada em risco”, repetindo a ladainha cada vez mais comum no continente americano que faz da esquerda a única força política a “defender a democracia” enquanto todos os demais são potenciais autocratas. Mas é difícil acreditar que esse discurso será capaz de convencer um eleitorado que demonstrou uma preferência tão avassaladora pela direita e pela centro-direita – ainda que fragmentada entre vários candidatos.
A fala do chanceler alemão foi dura, direta, quase cruel para quem ainda insiste em acreditar na fantasia de país potência. Mas foi verdadeira. E verdade, no Brasil, sempre dói mais do que deveria. Quando Friedrich Merz disse em Berlim que nenhum dos jornalistas alemães quis ficar no Brasil e que todos estavam felizes por ter voltado para a Alemanha, o incômodo não está na frase. O incômodo está na realidade que a frase traz.
O Brasil se tornou uma caricatura de si mesmo por causa dos seus próprios políticos. Uma casta que vive distante do povo, blindada em gabinetes, protegida por seguranças, movendo-se entre jatinhos, assessores e palácios. Uma elite institucional que olha para o país como quem observa um território estranho, habitado por gente descartável. O brasileiro comum vive como rato em um labirinto mal planejado, tentando sobreviver aos esgotos a céu aberto, ao transporte público sucateado, às escolas sem estrutura e aos hospitais que funcionam à base de improviso.
Enquanto isso, quem deveria ser responsabilizado pela tragédia cotidiana vive de marketing e de slogans, maquiando a miséria estrutural com campanhas coloridas, promessas recicladas e narrativas de 4 em 4 anos. O ciclo se repete como metástase. A cada eleição o tumor cresce, ganha novos braços, novos rostos, novas justificativas. E o corpo do país continua necrosando.
Os mesmos políticos que entregam o pior de si à população são os que correm para posar como vítimas quando uma crítica internacional detona o óbvio. Tentam sempre a mesma encenação patriótica: somos todos Brasil. Mas não são. Nunca foram. Quando o chanceler alemão critica Belém, a vergonha não é da população paraense, não é do povo honesto e pagador de impostos. A vergonha é exclusivamente dos governantes que entregam, ano após ano, indicadores de país colapsado.
Belém coleta apenas cerca de 20 por cento do seu esgoto. O resto vai parar nos rios, nos igarapés e na porta das casas das famílias que vivem com renda inferior ao mínimo. O Brasil, como um todo, trata menos de 50 por cento do esgoto gerado. São mais de 100 milhões de pessoas sem coleta adequada. Há escolas em que alunos estudam em contêineres, cidades em que metade das ruas não é asfaltada, hospitais onde pacientes dividem macas e esperam meses por uma consulta simples. O país investe menos de 2 por cento do PIB em infraestrutura, enquanto a média de países desenvolvidos supera os 4 por cento. Somos um território gigante com estrutura de república improvisada.
A elite política ignora esses números porque ignora a vida real. E quando confrontada com a verdade, corre para o discurso sentimental, tentando transformar crítica em ataque ao Brasil, como se o brasileiros e seus políticos fossem a mesma coisa. Não são. O povo carrega um fardo que não escolheu. Os políticos carregam privilégios que nunca largam.
No fundo, o país vive um estado permanente de abandono institucional. E o Brasil oficial ensina o Brasil real a sobreviver com migalhas. É por isso que o paralelo com ‘Maior Abandonado’, uma clássica canção de Cazuza, é inevitável. O Estado brasileiro alimenta a população com raspas, restos, migalhas dormidas do pão. E faz isso com a mesma lógica da canção: pequenas porções de ilusão. Mentiras sinceras que interessam. Mentiras sinceras que mantêm o sistema funcionando. Mentiras sinceras que sustentam um país onde a população continua pedindo apenas um pouquinho de proteção, como o maior abandonado.
A política brasileira transformou o cidadão em pedinte da própria nação. E enquanto houver um país que aceita viver de migalhas, haverá um Estado que entrega apenas raspas e restos. É isso que o chanceler alemão enxergou em poucos dias no Brasil. É isso que os brasileiros conhecem desde que nasceram.
O escândalo não está na fala dele. O escândalo está no fato de ele ter dito em voz alta o que o Brasil finge não ver.